É muito difícil um atleta passar invicto durante o tempo em que defende um clube. Um brasiliense, porém, conseguiu o feito: Márcio Amoroso dos Santos, nascido em 5 de julho de 1974. Com rubro-negro, entre 8 de março a 23 de junho de 1996, ele jamais sofreu um revés, em 22 jogos e 5 gols marcados. Coseguiu o índice de 86,3% de vitórias.
Os tentos do goleador candango com a camisa rubro-negra começaram na estreia, nos 4 x 1 sobre o Linhares (ES), em 08.03.96. Seis dias depois, ele repetiu o feito, nos 2 x 1 sobre o Volta Redonda. A terceira bola na rede foi em 22 de maio, durante o empate, por 2 x 2, com o Bangu, enquanto as duas últimos, respectivamente, ocorreram em 10 de junho, na goleada, por 5 x 1, sobre o Madureira, e, em 23 do mesmo mês, nos 4 x 1 em cima do América.
Amoroso surgiu nas peladas da Assinfra. Levado, pelo empresário José Roberto, para o Guarani, de Campinas, “explodiu”, em 1994. Depois do Flamengo, foi para o Parma, da Itália, tendo, na temporada 1997/1998, se tornado o primeiro brasileiro artilheiro de um campeonato italiano, com 22 tentos, já pela Udinese, de Udine em 1994.
O sucesso na "bota" levou Amoroso para o alemão Borussia Dortmund. Depois, defendeu o espanhol Málaga, voltou ao Brasil, em, 2005, e conquistou, pelo São Paulo, a Taça Libertadores e o Mundial de Clubes da Fifa, no Japão. Os próximos passos foram passar, rapidamente, por Corinthians e Grêmio Porto-Alegrense, voltar à Itália e defender o Milan, sem sucesso.
Em 2008, Amoroso esteve no Aris Salonica, da Grécia, onde fez três jogos – 3 x 3 Panionios; 0 x 2 Xanthi e 2 x 0 Atromitos. Sem receber salários, voltou a Campinas e tentou reingressar no “Bugre”, pelo qual só conseguiu fazer um jogo, em oito de fevereiro de 2009, nos 2 x 2, com a Ponte Preta, pelo Paulistão da Série A-1. Aos 34 anos, não dava mais. Seu estado físico e contusões do passado lhe barravam.
Sem marcar gols, pelo Fla, Amoroso jogou em: 10.03.1996 - Fla 2 x 0 Fast Clube (AM); 20.03.96 - Fla 2 x 1 Bangu; 24.03.96 – Fla 3 x 0 Barreira, de Bacaxá-RJ; 28.02.96 – Fla 2 x 1 Coritiba; 31.03.96 – Fla 6 x 2 Olaria; 07.04.96 – Fla 2 x 0 Botafogo; 10.04.96 – Fla 2 x 1 Itaperuna; 14.04.96 – Fla 3 x 0 Madureira; 17.04.96 – Fla 0 x 0 Coritiba; 21.04.96 – Fla 2 x 2 Fluminense; 12.05.96 – 1 x 0 Volta Redonda; 16.05.96 - Fla 3 x 1 Internacional; 19.05.96 – Fla 3 x 0 Itaperuna; 25.05.96 – Fla 4 x 0 Barreira; 05.06.96 – Fla 0 x 0 Cruzeiro-BH; 10.06.96 – Fla 5 x 1 Madureira; 19.06.96 – Fla 1 x 0 Americano e 23.06.96 – Fla 4 x 1 América-RJ.
Ao contrário de Amoroso e levando-se a relação para os chamados “termos relativos”, o brasiliense que mais perdeu defendendo o Flamengo foi o apoiador Goeber Henrique Maia, nascido em 17 de maio de 1982 e revelado pelo Gama. Flamenguista, entre 23 de abril e 7 de julho de 2006, ele disputou oito jogos, sem marcar gols, vencendo quatro – 23.04.2006 – Fla 3 x 1 Juventude-RS; 07.05.2006 – Fla 1 x 0 Botafogo; 31.05.2006 – Fla 2 x 1 Palmeiras e 25.06..2006 – Fla 3 x 2 Fast Clube-AM – empatando um – 24.05.2006 – Fla 2 x 2 Santos – e perdendo três – 30.04.2006 – Fla 0 x 1 Internacional; 28.05.2006 – Fla 0 x 1 Fluminense e 23.07.2006 – Fla 0 x 3 Santa Cruz-PE. Assim, perdeu 37,5% dos jogos disputados.
Mas um outro brasiliense andou perto de fazer campanha invicta na Gávea. Foi Carlos Alberto Costa Dias, nascido em 5 de maio de 1967 e revelado pelo então Brasília Esporte Clube (hoje, Futebol Clube). Em 18 jogos, perdeu três (16,6%) – 27.02.1994 – Fla 1 x 3 Vasco; 25.05.1995 – Fla 1 x 2 Desportiva Ferroviária-ES e 05.06.1994 – Fla 2 x 3 Gama. Carlos Alberto Dias, ainda, empatou quatro vezes – 06.02.94 – Fla 1 x 1 Madureira; 20.03.94 – 1 x 1 Botafogo; 06.06.94 – 1 x 1 Nacional-AM e 09.06.94 – 1 x 1 Marcílio Dias-SC.
As 11 vitórias (61,1%) do meia foram: 09.02.94 – Fla 1 x 0 Volta Redonda; 21.02.94 – Fla 4 x 0 Itaperuna; 02.03.94 – Fla 3 x 1 Americano; 07.03.94 – Fla 4 x 0 Campo Grande; 10.03.94 – Fla 3 x 2 América; 15.04.95 – Fla 3 x 1 Botafogo; 29.05.95 – Fla 1 x 0 Vasco; 31.05.94 – Fla 3 x 0 Fortaleza; 03.06.94 – Fla 2 x 1 Guarani de Campinas; 07.06.94 – 2 x 0 Avaí-SC e 21.06.94 – Fla 2 x 1 Kashima Antlers-JAP. Neste seu período rubro-negro – 06.02 a 21.06.1994 –, Carlos Alberto Dias marcou cinco gols, nos 18 jogos disputados. Foram contra Campo Grande, América, Fortaleza, Guarani e Gama.
Também, com um bom índice de vitórias pelo time rubro-negro – 46,1% –, está mais um brasiliense: o lateral-esquerdo Carlos Augusto José de Lira, revelação do Taguatinga. Nascido em 2 de março de 1966, entre 27 de julho de 1995 e 20 de novembro de 1996, ele fez 26 jogos e dois gols pelo clube da Gávea.
Das vezes em que defendeu o Flamengo, a metade dos jogos de Lira foram internacionais. Nas suas 11 vitórias, enquanto esteve na Gávea - 01.08.1995 - Fla 3 x 1 Red Diamonds (JAP); 05.08.95 - Fla 5 x 0 Shimuzu Pulse (JAP); 11.08.95 – Fla 2 x 1 South China (CHI); 13.08.95 – Fla 3 x 2 Combinado Hong Kong/Shezen; 14.09.95 – Fla 3 x 2 Velez Sarsfield (ARG); 03.10.95 – Fla 3 x 0 Velez Sarsfield (ARG); 25.10.95 – Fla 1 x 0 Nacio9nal (URU); 01.11.96 – Fla 1 x 0 Nacional (URU); 12.11.95 – Fla 2 x 1 Goiás; 15.11.95 – Fla 1 x 0 Cruzeiro-MG; 23.11.95 – Fla 3 x 1 Cruzeiro-MG e em 06.12.95 – Fla 1 x 0 Independiente (ARG) – ele marcou dois gols, contra o South China e o Atlético-MG.
O empates rubro-negros de Lira foram: 27.07.1995 - 1 x 1 Guarani, de Campinas-SP; 29.10.95 - 1 x 1 Vasco da Gama; 25.01.1996 - 1 x 1 Palmeiras; 28.01.96 - 0 x 0 Vasco; 03.02. 96 - 1 x 1 Madureira e em 20.11.96 - 1 x 1 Borussia Dortmund (ALE). As derrotas: 03.08.1995 - 2 x 3 Kashiva Reysol (JAP); 08.08.95 - 2 x 3 Guo na (CHI). 03.09.95 - 1 x 2 Palmeiras; 06.09.95 - 0 x 2 Paysandu - PA; 09.09.95 - 1 X 2 Corinthians; 28.09.95 - 0 x 1 Vitória-BA; 19.11.95 - 1 x 2 Atlético-MG e em 29.11.95 - 0 x 2 Independiente (ARG).
sexta-feira, 2 de abril de 2010
A BICHARADA DE MANGABEIRA
Em 1945, Alvares Maciel, secretário de redação do diário Folha de Minas, jornal do governo estadual de Minas Gerais, insistiu com o desenhistas Fernando Pierucetti, o Mangabeira, para ele criar o zoológico futebolístico. E, do pedido surgiu uma grande família bicharal. De todos os representantes, o mais popular ficou sendo o Galo, do Atlético Mineiro, nascido com as cores do galo carijó, branco e preto. Grande sacada! Maciel, no entanto, queria que Mangabeira seguisse a cartilha do argentino Molas, que dera aos clubes cariocas símbolos tirados de personagens infantis dos quadrinho, como o marinheiro Popeye, do Flamengo, e o Pato Donald, do Botafogo. Mas Mangabeira não topou. Não queria imitações.
Torcedor do América-MG, para seu time, Mangabeira criou o Coelho, que era dirigido por Gérson Sales Coelho e tinha outros dirigentes e funcionários com o mesmo sobrenome. Os americanos não gostaram, porque o coelho é um animal muito manso. Preferiam uma águia. Já o Cruzeiro foi brindado com a Raposa, por causa do dirigente Mário Grosso, considerado muito astuto, sempre chegando na frente de todos para contratar as melhores revelações.
Além dos mascotes dos clubes mineiros, Mangabeira criou o Pica-Pau Carijó, para o Botafogo; o Lobo da Gávea, para o Flamengo; o Gato Cartola, para o Fluminense; um Rinocerante, para o Bangu; o Leão Marinho vascaíno; um Carneiro, para o São Cristóvão; o Tubarão santista; a Zebra, para a Portuguesa Carioca e o Falcão, para o Juventus. O Urubu, que Henfil criou, para o Flamengo, em 69, era o símbolo que Mangabeira bolou, para o Renascença, clube do bairro do mesmo nome, em BH, e que já não existe mais. O Democrata, de Governador Valadares, ganhou a Pantera.
Mangabeira calculava ter feito mais de 90 mascotes de bichos, mas registrou apenas 71, na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, por iniciativa do técnico Carlos Alberto Silva, que foi seu advogado, na década 70.
Torcedor do América-MG, para seu time, Mangabeira criou o Coelho, que era dirigido por Gérson Sales Coelho e tinha outros dirigentes e funcionários com o mesmo sobrenome. Os americanos não gostaram, porque o coelho é um animal muito manso. Preferiam uma águia. Já o Cruzeiro foi brindado com a Raposa, por causa do dirigente Mário Grosso, considerado muito astuto, sempre chegando na frente de todos para contratar as melhores revelações.
Além dos mascotes dos clubes mineiros, Mangabeira criou o Pica-Pau Carijó, para o Botafogo; o Lobo da Gávea, para o Flamengo; o Gato Cartola, para o Fluminense; um Rinocerante, para o Bangu; o Leão Marinho vascaíno; um Carneiro, para o São Cristóvão; o Tubarão santista; a Zebra, para a Portuguesa Carioca e o Falcão, para o Juventus. O Urubu, que Henfil criou, para o Flamengo, em 69, era o símbolo que Mangabeira bolou, para o Renascença, clube do bairro do mesmo nome, em BH, e que já não existe mais. O Democrata, de Governador Valadares, ganhou a Pantera.
Mangabeira calculava ter feito mais de 90 mascotes de bichos, mas registrou apenas 71, na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, por iniciativa do técnico Carlos Alberto Silva, que foi seu advogado, na década 70.
quarta-feira, 31 de março de 2010
29 DE MARÇO: BAHIA, PRIMEIRO CAMPEÃO DA TAÇA BRASIL
O jogo decisivo já foi em 1960, mas a disputa ainda valia pela temporada de 1959. Bahia e Santos iniciaram a decisão do torneio que indicava o representante brasileiro à Taça Libertadores, em 10 de dezembro daquele 59, na Vila Belmiro, quando o Tricolor de Aço venceu, por 3 x 2, surpreendentemente.
Pelé abriu o placar, aos 15 minutos. Aos 27, Biriba empatou, e o primeiro tempo terminou no 1 x 1. O mais incrível, porém, viria, aos 18 minutos. Léo virou a história, para os baianos. Um pênalti, cobrado por Pepe, aos 27, voltou a deixar tudo igual. Mas quando a torcida já estava indo embora, no último minto da partida que rendeu Cr$ 868 mil 930 cruzeiros, Alencar fez 3 x 2, para o Bahia. Por aquela, ninguém nem sonhava.
A vingança do Peixe aconteceu, em 30 de dezembro, na Fonte Nova, com renda recorde, na época, de Cr$ 2 milhões, 487 mil, 230 cruzeiros. Salvador esperava ver o Bahia campeão, mas os gols de Coutinho e Pelé adiaram a festa para o ano seguinte. Mais precisamente, para a noite de 29 de março de 1960, no Maracanã, que arrecadou a menor renda dos três jogos decisivos: Cr$ 642 mil, 703 cruzeiros.
No jogo em que alguém sairia campeão, o Santos não pôde escalar o operado (quatro dias antes, das amídalas) Pelé. Melhor para o Bahia, que sapecou 3 x 1 nos favoritos, com tentos de Vicente, Léo e Alencar, descontando Coutinho parra os vice-campeões. O carioca Frederico Lopes, grande nome da época – auxiliado por Aírton Vieira de Morais e Wilson Lopes de Sousa – , apitou o jogo, expulsou de campo três santistas – Getúlio, Formiga e Dorval – e foi chamado de “ladrão”, pelo presidente da Federação Paulista de Futebol, Mendonça Falcão.
Quem não levava em consideração que o Bahia havia vencido o Santos, dentro da Vil Belmiro, no primeiro jogo, dizia que seu time fora favorecido, naquela final, além da ausência de Pelé, por uma excursão do adversário, à cata de dólares, no exterior. O grupo santista havia regressado numa sexta-feira, jogado (e empatado, por 0 x 0) , no domingo, com o Palmeiras, pelo Torneio Rio-São Paulo, e viajado, depois do clássico, de trem, para o Rio de Janeiro. Choro discutível!
Treinado pelo argentino Carlos Volante – atleta do Flamengo, na década-40 –, o Bahia iniciou a Taça Brasil, em 23 de agosto de 1959, vencendo o Centro Sportivo Alagoano (CSA), por 5 x 0, fora de casa. Em Salvador, mandou 2 x 0. O próximo desafiante foi o Ceará Sporting, duro de cair: em Fortaleza, 0 x 0, seguido de 2 x 2, na Fonte Nova, e de Bahia 2 x 1, no desempate, também na Fonte. Seguiu-se um confronto dificílimo, contra o Sport Recife. Após derrubá-lo, em casa, por 3 x 2, o Leão da Ilha vingou-se, ferozmente: 6 x 0, em Recife. Foi preciso outro confronto, e o Bahia fez 2 x 0, no campo do rubro-negro pernambucano.
Vencida a fase nordestina, o Bahia iria pegar, pela frente, o supercampeão carioca de 1958, o Vasco da Gama, que tinha, na zaga, dois xerifões da Copa da Suécia, Hideraldo Luís Bellini e Orlando Peçanha de Carvalho. Sem medo, o time da Boa Terra foi ao Maracanã e venceu, por 1 x 0. Os cruzmaltinos devolveram a ousadia, com 2 x 1, em Salvador, onde o time de Carlos Volante foi para uma terceira “negra”, como se chamava, então, uma decisão assim, e repetiu o 1 x 0 do “Maraca”. Estava na final, para encarar o Santos, o melhor time do mundo.
Na decisão da Taça Brasil, o Bahia já era treinado por Geninho. No último jogo, formou com Nadinho; Beto, Henrique, Vicente e Nenzinho; Flávio e Mário; Marito, Alencar, Léo e Biriba. O Santos, do técnico Lula, usou: Lalá; Getúlio, Mauro, Formiga e Zé Carlos; Zito e Mário; Dorval, Pagão (Tite), Coutinho, Pelé e Pepe. Não foi uma decisão tranqüila. A partir dos 24 minutos do segundo tempo, quando Getúlio e Formiga foram expulsos de campo, num intervalo de um minuto, o Santos quis briga. Aos 32, Coutinho agrediu Nenzinho, e levou uma bofetada, de Vicente. Polícia em campo. Pouco depois, Dorval agrediu Henricão e também teve de ir embora.
O Peixe abriu o placar, aos 23 minutos do primeiro tempo, por intermédio de Coutinho, tabelando com Pagão. Aos 27, o Bahia empatou, com Vicente, cobrando falta, da intermediária. E ficou assim a etapa inicial. No segundo tempo, com um minuto, Biriba cobrou escanteio, Alencar tocou na bola e Léo virou o placar, desesperando o Santos, que já havia entrado em contato, com o argentino San Lorenzo, a fim de marcar o duelo entre eles, pela Taça Libertadores. Finalmente, aos 37 minutos, Alencar fechou a conta. O Bahia era o primeiro campeão de uma disputa nacional promovida pela Confederação Brasileira de Desportos.
Pelé abriu o placar, aos 15 minutos. Aos 27, Biriba empatou, e o primeiro tempo terminou no 1 x 1. O mais incrível, porém, viria, aos 18 minutos. Léo virou a história, para os baianos. Um pênalti, cobrado por Pepe, aos 27, voltou a deixar tudo igual. Mas quando a torcida já estava indo embora, no último minto da partida que rendeu Cr$ 868 mil 930 cruzeiros, Alencar fez 3 x 2, para o Bahia. Por aquela, ninguém nem sonhava.
A vingança do Peixe aconteceu, em 30 de dezembro, na Fonte Nova, com renda recorde, na época, de Cr$ 2 milhões, 487 mil, 230 cruzeiros. Salvador esperava ver o Bahia campeão, mas os gols de Coutinho e Pelé adiaram a festa para o ano seguinte. Mais precisamente, para a noite de 29 de março de 1960, no Maracanã, que arrecadou a menor renda dos três jogos decisivos: Cr$ 642 mil, 703 cruzeiros.
No jogo em que alguém sairia campeão, o Santos não pôde escalar o operado (quatro dias antes, das amídalas) Pelé. Melhor para o Bahia, que sapecou 3 x 1 nos favoritos, com tentos de Vicente, Léo e Alencar, descontando Coutinho parra os vice-campeões. O carioca Frederico Lopes, grande nome da época – auxiliado por Aírton Vieira de Morais e Wilson Lopes de Sousa – , apitou o jogo, expulsou de campo três santistas – Getúlio, Formiga e Dorval – e foi chamado de “ladrão”, pelo presidente da Federação Paulista de Futebol, Mendonça Falcão.
Quem não levava em consideração que o Bahia havia vencido o Santos, dentro da Vil Belmiro, no primeiro jogo, dizia que seu time fora favorecido, naquela final, além da ausência de Pelé, por uma excursão do adversário, à cata de dólares, no exterior. O grupo santista havia regressado numa sexta-feira, jogado (e empatado, por 0 x 0) , no domingo, com o Palmeiras, pelo Torneio Rio-São Paulo, e viajado, depois do clássico, de trem, para o Rio de Janeiro. Choro discutível!
Treinado pelo argentino Carlos Volante – atleta do Flamengo, na década-40 –, o Bahia iniciou a Taça Brasil, em 23 de agosto de 1959, vencendo o Centro Sportivo Alagoano (CSA), por 5 x 0, fora de casa. Em Salvador, mandou 2 x 0. O próximo desafiante foi o Ceará Sporting, duro de cair: em Fortaleza, 0 x 0, seguido de 2 x 2, na Fonte Nova, e de Bahia 2 x 1, no desempate, também na Fonte. Seguiu-se um confronto dificílimo, contra o Sport Recife. Após derrubá-lo, em casa, por 3 x 2, o Leão da Ilha vingou-se, ferozmente: 6 x 0, em Recife. Foi preciso outro confronto, e o Bahia fez 2 x 0, no campo do rubro-negro pernambucano.
Vencida a fase nordestina, o Bahia iria pegar, pela frente, o supercampeão carioca de 1958, o Vasco da Gama, que tinha, na zaga, dois xerifões da Copa da Suécia, Hideraldo Luís Bellini e Orlando Peçanha de Carvalho. Sem medo, o time da Boa Terra foi ao Maracanã e venceu, por 1 x 0. Os cruzmaltinos devolveram a ousadia, com 2 x 1, em Salvador, onde o time de Carlos Volante foi para uma terceira “negra”, como se chamava, então, uma decisão assim, e repetiu o 1 x 0 do “Maraca”. Estava na final, para encarar o Santos, o melhor time do mundo.
Na decisão da Taça Brasil, o Bahia já era treinado por Geninho. No último jogo, formou com Nadinho; Beto, Henrique, Vicente e Nenzinho; Flávio e Mário; Marito, Alencar, Léo e Biriba. O Santos, do técnico Lula, usou: Lalá; Getúlio, Mauro, Formiga e Zé Carlos; Zito e Mário; Dorval, Pagão (Tite), Coutinho, Pelé e Pepe. Não foi uma decisão tranqüila. A partir dos 24 minutos do segundo tempo, quando Getúlio e Formiga foram expulsos de campo, num intervalo de um minuto, o Santos quis briga. Aos 32, Coutinho agrediu Nenzinho, e levou uma bofetada, de Vicente. Polícia em campo. Pouco depois, Dorval agrediu Henricão e também teve de ir embora.
O Peixe abriu o placar, aos 23 minutos do primeiro tempo, por intermédio de Coutinho, tabelando com Pagão. Aos 27, o Bahia empatou, com Vicente, cobrando falta, da intermediária. E ficou assim a etapa inicial. No segundo tempo, com um minuto, Biriba cobrou escanteio, Alencar tocou na bola e Léo virou o placar, desesperando o Santos, que já havia entrado em contato, com o argentino San Lorenzo, a fim de marcar o duelo entre eles, pela Taça Libertadores. Finalmente, aos 37 minutos, Alencar fechou a conta. O Bahia era o primeiro campeão de uma disputa nacional promovida pela Confederação Brasileira de Desportos.
sexta-feira, 26 de março de 2010
26 DE MARÇO: A BATALHA DE NUÑEZ
Foi uma verdadeira assombração, numa madrugada de sexta-feira da paixão. Brasil e Uruguai se enfrentavam, no estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires, pelo Campeonato Sul-Americano. Depois da vitória uruguaia, por 2 x 1, na final da Copa do Mundo de 1950, no Maracanã, as duas seleções só haviam se cruzado no Pan-Americano de 52, no Chile, quando os brasileiros mandaram 4 x 2.
O segundo jogo pós-Maracanazo – com os uruguaios chamaram a final do Mundial de 50 – havia começado na noite da quinta-feira santa. Perto do final do primeiro tempo, o atacante brasileiro Almir ”Pernambuquinho” Albuquerque estranhou-se com o zagueiro uruguaio Davoine, e o pau quebrou entre celestes e canarinhos. Ao final das escaramuças, o goleiro Castilho, (Fluminense) estava com os supercílios cortados; o quarto-zagueiro vascaíno Orlando Peçanha de Carvalho com os lábios abertos; o zagueiro central Bellini (Vasco), o goleiro Gilmar (Corinthians), o meia-armador Didi (Botafogo) e os atacantes Almir (Vasco) e Pelé (Santos) com escoriações generalizadas. Pelo lado uruguaio, o capitão e zagueiro William Martinez perdera um dente e levara três pontos na cabeça; o atacante Sasía apresentava seu olho esquerdo sangrando e Roque Fernandez com os ombros feridos.
A pancadaria durou 50 minutos, ao final da qual o árbitro chileno Carlos Robles expulsou de campo só os brigões Almir, Orlando, Davoine e Gonçalves. Ouvido pelo número 512, da revista Placar, de 22 de fevereiro de 1980, o capitão uruguaio, William Martinez, de 1,82 m de altura e pesando, na época, 82 kg, contou que só brigou “porque Bellini agredira (o reserva) Alvarez. O capitão uruguaio ainda acusou o massagista Mário Américo de derrubá-lo e Pelé de chutá-lo na cabeça. Na mesma reportagem de Placar, Mário Américo dá a sua versão, dizendo que Martinez tentou lhe acertar um soco, não conseguido porque ele fora boxeador, se esquivara e conseguira lhe aplicar uma gravata (golpe pelo pescoço), derrubando-o e caindo junto com ele, que foi chutado por Coronel, Bellini e Pelé.
De sua parte, Bellini, afirmou à revista que ouvira o massagista uruguaio gritando para William Martinez arrumar uma briga e que o grandalhão ameaçou quebrar-lhe a cara, no momento em que era derrubado por Mário Américo. Também acusou Sasía de jogar-lhe areia nos olhos e lhe dar um pontapé, por trás, depois do final da partida. Nesse ponto, contou o zagueiro, acertou um murro na boca do uruguaio, que ainda levou uma tesoura-voadora (pulo em horizontal no ar e pancada com os dois pés no adversário) desferida por Didi e mais uma pancada do preparador físico Paulo Amaral.
Bellini ainda acusou Davoine de distribuir pontapés e fez um relato satírico sobre o conflito. Segundo ele, ao ver Garrincha pardo, com os braços cruzados, o indagou se ele, também, não iria entrar na briga, e ouviu a resposta: “Ah! Ninguém veio me bater”.
Em seu livro, “Eu e o Futebol”, Almir fala dessa briga e diz que após disputar um lance, pelo alto, com o goleiro uruguaio Leiva, ele levou um pontapé, na bunda, desferido por William Martinez, e mais um chute de Davoine. O seu relato acrescenta que Pelé tentou defendê-lo e foi empurrado. Então, Orlando agrediu Davoine. Em seguida, ele partiu pra cima de Martinez, aos pontapés, enquanto Didi batia na cara do inimigo e Chinesinho corria de um uruguaio, pela lateral do campo.
Quanto ao jogo, o Brasil venceu, por 3 x 1, de virada, com três gols do botafoguense Paulo Valentim, aos 17, 35 e 44 minutos do segundo tempo – Escalada havia aberto o placar, para os uruguaios, aos 42, da primeira etapa. Naquela noite, a Seleção Brasileira entrara em campo com um ponto perdido, no empate com os peruanos, enquanto os uruguaios haviam perdido dois, numa derrota para o mesmo adversário. A Argentina, que vencera todas, liderava. Assim, entre Brasil e Uruguai, quem perdesse, dificilmente, teria chances de título.
Na seqüência do torneio, o Brasil ainda mandou 4 x 1 pra cima dos paraguaios e foi prejudicdo na decisão, contra os argentinos, no jogo que ficou no 1 x 1 e deixou os anfitriões com um ponto a mais, porque o chileno Carlos Robles encerrou a partida quando Garrincha passou pelo goleiro, chutou e a bola ia entrando. Mas este é um choro que fica para o folclore do futebol.
O time brasileiro da “Batalha de Nuñez” foi: Castilho (Gilmar); Djalma Santos, Bellini, Orlando e Coronel (Paulinho Valentim); Formiga e Didi; Garrincha, Almir, Pelé e Chinesinho. O uruguaio foi: Leiva; Davoine, William Martinez, Silveira e Gonçalves; Messias e Borges (Roque Fernandez); Demarco, Douksas, Sasía e Escalada (Aguilera).
O segundo jogo pós-Maracanazo – com os uruguaios chamaram a final do Mundial de 50 – havia começado na noite da quinta-feira santa. Perto do final do primeiro tempo, o atacante brasileiro Almir ”Pernambuquinho” Albuquerque estranhou-se com o zagueiro uruguaio Davoine, e o pau quebrou entre celestes e canarinhos. Ao final das escaramuças, o goleiro Castilho, (Fluminense) estava com os supercílios cortados; o quarto-zagueiro vascaíno Orlando Peçanha de Carvalho com os lábios abertos; o zagueiro central Bellini (Vasco), o goleiro Gilmar (Corinthians), o meia-armador Didi (Botafogo) e os atacantes Almir (Vasco) e Pelé (Santos) com escoriações generalizadas. Pelo lado uruguaio, o capitão e zagueiro William Martinez perdera um dente e levara três pontos na cabeça; o atacante Sasía apresentava seu olho esquerdo sangrando e Roque Fernandez com os ombros feridos.
A pancadaria durou 50 minutos, ao final da qual o árbitro chileno Carlos Robles expulsou de campo só os brigões Almir, Orlando, Davoine e Gonçalves. Ouvido pelo número 512, da revista Placar, de 22 de fevereiro de 1980, o capitão uruguaio, William Martinez, de 1,82 m de altura e pesando, na época, 82 kg, contou que só brigou “porque Bellini agredira (o reserva) Alvarez. O capitão uruguaio ainda acusou o massagista Mário Américo de derrubá-lo e Pelé de chutá-lo na cabeça. Na mesma reportagem de Placar, Mário Américo dá a sua versão, dizendo que Martinez tentou lhe acertar um soco, não conseguido porque ele fora boxeador, se esquivara e conseguira lhe aplicar uma gravata (golpe pelo pescoço), derrubando-o e caindo junto com ele, que foi chutado por Coronel, Bellini e Pelé.
De sua parte, Bellini, afirmou à revista que ouvira o massagista uruguaio gritando para William Martinez arrumar uma briga e que o grandalhão ameaçou quebrar-lhe a cara, no momento em que era derrubado por Mário Américo. Também acusou Sasía de jogar-lhe areia nos olhos e lhe dar um pontapé, por trás, depois do final da partida. Nesse ponto, contou o zagueiro, acertou um murro na boca do uruguaio, que ainda levou uma tesoura-voadora (pulo em horizontal no ar e pancada com os dois pés no adversário) desferida por Didi e mais uma pancada do preparador físico Paulo Amaral.
Bellini ainda acusou Davoine de distribuir pontapés e fez um relato satírico sobre o conflito. Segundo ele, ao ver Garrincha pardo, com os braços cruzados, o indagou se ele, também, não iria entrar na briga, e ouviu a resposta: “Ah! Ninguém veio me bater”.
Em seu livro, “Eu e o Futebol”, Almir fala dessa briga e diz que após disputar um lance, pelo alto, com o goleiro uruguaio Leiva, ele levou um pontapé, na bunda, desferido por William Martinez, e mais um chute de Davoine. O seu relato acrescenta que Pelé tentou defendê-lo e foi empurrado. Então, Orlando agrediu Davoine. Em seguida, ele partiu pra cima de Martinez, aos pontapés, enquanto Didi batia na cara do inimigo e Chinesinho corria de um uruguaio, pela lateral do campo.
Quanto ao jogo, o Brasil venceu, por 3 x 1, de virada, com três gols do botafoguense Paulo Valentim, aos 17, 35 e 44 minutos do segundo tempo – Escalada havia aberto o placar, para os uruguaios, aos 42, da primeira etapa. Naquela noite, a Seleção Brasileira entrara em campo com um ponto perdido, no empate com os peruanos, enquanto os uruguaios haviam perdido dois, numa derrota para o mesmo adversário. A Argentina, que vencera todas, liderava. Assim, entre Brasil e Uruguai, quem perdesse, dificilmente, teria chances de título.
Na seqüência do torneio, o Brasil ainda mandou 4 x 1 pra cima dos paraguaios e foi prejudicdo na decisão, contra os argentinos, no jogo que ficou no 1 x 1 e deixou os anfitriões com um ponto a mais, porque o chileno Carlos Robles encerrou a partida quando Garrincha passou pelo goleiro, chutou e a bola ia entrando. Mas este é um choro que fica para o folclore do futebol.
O time brasileiro da “Batalha de Nuñez” foi: Castilho (Gilmar); Djalma Santos, Bellini, Orlando e Coronel (Paulinho Valentim); Formiga e Didi; Garrincha, Almir, Pelé e Chinesinho. O uruguaio foi: Leiva; Davoine, William Martinez, Silveira e Gonçalves; Messias e Borges (Roque Fernandez); Demarco, Douksas, Sasía e Escalada (Aguilera).
quinta-feira, 25 de março de 2010
25 DE MARÇO: O GALO CANTA FORTE EM BH
Capital mineira, desde 1897 – a anterior era Ouro Preto -, Belo Horizonte não tinha mais do que 14.500 habitantes, nos inícios do século 20. Já contava com cursos de Direito, de Engenharia e de Medicina, e vivia sob uma crise econômica que prejudicava comércio e indústria. Diversões, praticamente, inexistiam. Foi por causa daquilo que um carioca, estudante de curso jurídico, Víctor Serpa, reuniu amigos e fundou, em 10 de junho de 1904, o Sport Clube Foot-Ball, primeira iniciativa do gênero em Minas Gerais.
Formado o time, o primeiro jogo de futebol em BH foi em 3 de outubro, do mesmo ano, com a turma do Víctor vencendo uma equipe formada por Oscar Americano, por 2 x 1. Pouco depois, surgiram o Plínio Futebol Clube e o Clube Athlético Mineiro, que, ainda, não seria o atual “Galo forte e vingador”.
Enquanto a bola rolava em “Beagá”, foram surgindo o Brasil, o Estrada, o Juvenil e o Viserpa (todos Futebol Clube), enquanto o Athlético passou a chamar-se Athlético Mineiro Foot-Ball Club. Mas, como aquele movimento perdia força durante as férias escolares - Brasil e Viserpa acabaram – restavam só desanimadas peladas. Passear no Parque Municipal era mais interessante. Menos para Margival Mendes Leal, Mário Toledo, Raul Fracarolli e Augusto Soares. Em 25 de março de 1908, eles “mataram aula” e foram “pensar” o Atlético Mineiro Futebol Clube, aportuguesando o nome do antigo e já inexistente xará.
Além dos fundadores citados acima, também, foram “pais do Galo” a patota formada por Sinval Moreira, Mário Neves, Hugo Fracarolli, Mário Hermanson Lott, Carlos Maciel, João Barbosa Sobrinho, José Soares, Alves, Eurico Catão, Aleixanor Alves Pereira, Humberto Moreira, Antônio Antunes Filho, Horácio Machado, Humberto Moreira, Benjamin Moss Filho, Leônidas Fulgêncio e Júlio Menezes Melo – Mauro Brochado, Francisco Monteiro e Jorge Dias Pena não puderam estar presentes à reunião, mas aderiram à idéia. Por isso, também, são considerados fundadores. Escolhido presidente, Margival teve Lott por secretário e Catão por tesoureiro.
Fundado o clube, havia, no entanto, um problema: onde encontrar bolas para comprar, se o comércio belo-horizontino não as vendia? Mas apareceu uma, muito usada, que serviu para os primeiros pontapés do Galo, quando o treinador Chico Neto alinhava Eurico, Mauro e Leônidas; Raul, Mário Toledo e Hugo; Francisco, Lott, Margival, Horácio e Benjamin, nos treinos iniciais. Em 21 de março de 1909, o time estreou, vencendo o Sport Club, por 3 x 0, com gols de Aníbal Machado, Zeca Alves e Mário Neves, que haviam barrado, respectivamente, Mário Lott, Horácio e Francisco Monteiro.
Animados, os atleticanos concederam s revanches ao Sport Club, e não só o venceram, por 2 x 0 e 4 x 0, como, ainda, decretaram o seu fim, já que os derrotados decidiram mudar de lado. Assim, o Athlético foi-se tornando vencedor, só vindo a conhecer um insucesso mais de três anos depois – em 12 de maio de 1912 –quando foi batido, por 5 x 1, pelo Instituto Granbery, de Juiz de Fora, na sua primeira apresentação intermunicipal.
Em 25 de março de 1913, a rapaziada trocou o nome da agremiação, para Clube Atlético Mineiro, estreando a nova denominação com a conquista do título do primeiro torneio interclubes promovido pela Liga de Futebol de Belo Horizonte, vencendo ao Yale (futuro Palestra Itália, Ypiranga e, finalmente, Cruzeiro), por 2 x 0, ao América, por 3 x 0, e ao combinado Yale/América, por 2 x 0.
Em 1915, disputou-se o primeiro campeonato oficial de BH. E o campeão, quem foi? O time alvinegro. Foram vitórias que tornaram o Atlético Mineiro simpático e popular entre pobres, ricos, gringos, pretos e brancos, ao contrário dos elitistas América, que preferia estudantes de Medicina e ricaços, e o Yale, dos italianos que não se misturavam ao povão.
CASA DO GALO - O início da construção de um estádio, na Avenida Olegário Maciel, em 1926, coincidiu com mais um título – bi, em 1927. Antes, o clube ganhara, da prefeitura de BH, um terreno, na Rua Guajajaras, trocado, depois, por outro, na Avenida Paraopeba, atual Augusto de Lima. Requisitado, mais tarde, pelo Estado, este mandou o Galo para a Olegário Maciel.
Por aquela época, surgiu a primeira convocação de um atleticano, para a Seleção Brasileira, a do atacante Mário de Castro, que amava mais o seu clube e recusou a honraria. Preferia marcar gols pelo Atlético. Por exemplo, em 30 de junho de 1929, quando os alvinegros inauguraram o Estádio Presidente Antônio Carlos, Mário fez três dos quatro tentos – o outro foi de Said – nos 4 x 2 sobre o lendário time do Corinthians Paulista, que muitos mineiros até duvidavam que existisse.
Mário de Castro, num tempo em que se jogava pouco, marcou 195 gols – média de 2,2 por jogo – , em 90 partidas, só sendo superado, em 1974, por Dario (José dos Santos), o Dadá Beija Flor.
CAMPEÃO DOS CAMPEÕES – Em 1930, com Belo Horizonte ocupada pelos rebeldes que colocaram Getúlio Vargas no poder, o Atlético Mineiro não disputou o campeonato da cidade. Voltou, no ano seguinte, e foi bi, sendo que, em 32, havia duas ligas. Novamente, levou o bi, em 38/39. Antes disso, em 1937, conauistou o primeiro interestadual de clubes do país, promovido pela Federação Brasileira de Futebol, o que lhe valeu a alcunha de “Campeão dos Campeões”, após os 3 x 2, na decisão, em São Paulo, contra a Portuguesa de Desportos – participaram, ainda, o Fluminense e o Rio Branco, de Vitória-ES.
Em 1942, os atleticanos conquistariam outra glória: bi de BH, com vitórias nos 11 jogos disputados. E dobraram a sua torcida, em relação à do América. Em 1947, no “Cinquentenário de Belo Horizonte”, novo bi, com um time inesquecível: Kafunga, Murilo e Ramos; Mexicano, Zé do Monte e Afonso; Lucas, Lauro, Carlyle, Alvinho e Nívio – para trás, os primeiros grandes ídolos foram Brant, Said, Mário de Castro, Jairo, Mário Gomes, Binga, Zezé Procópio, Guará, Alfredo Bernardino, Florindo, Nicola, Manja, Cafifa e Selado, entre outros.
CAMPEÃO DO GELO – Campeão belo-horizontino, em 1949/50, neste último ano, o Galo Carijó – personagem criado, em 1945, pelo ilustrador da “Folha de Minas”, Fernando Pierucetti, o Mangabeira, a pedido do jornalista Álvares Maciel, que desejava ter os clubes mineiros com símbolos – tornou-se o primeiro clube mineiro a excursionar à Europa. Venceu seis adversários fortes, como o alemão Schalke (3 x 1) e o francês Stade Uninon (2 x 1), empatou duas vezes e perdeu outras duas, entre 1º de novembro e 7 de dezembro, jogando até debaixo de seis graus negativos. A façanha foi comparada, pelo jornal “Estado de Minas” com a equivalência de um título, razão pela qual o clube passou a colecionar uma outra alcunha, a de “ Campeão do Gelo”.
No entanto, um outro grande feito estava a caminho. De 1952 a 56, os “galenses” faturaram um penta – em 56, decidindo no campo e no tapetão, contra o Cruzeiro, que já era o segundo clube mineiro mais forte, deixando o América pra trás. O Galo voltou a beliscar, em 58, 62 e 63, iniciando, a partir de então, um jejum de títulos que só terminaria em 1970, o seu primeiro na era do Mineirão.
VITÓRIA SOBRE A SELEÇÃO BRASILEIRA – Era noite de uma quarta-feira, 3 de setembro de 1969. O time canarinho, treinado por João Saldanha e disputando as eliminatórias da Copa do Mundo de 1970, foi ao Mineirão, encarar o Galo. Aos 40 minutos do primeiro tempo, o apoiador Oldair ganhou uma jogada, no meio do campo, e serviu ao meia Humberto Ramos, que passou a bola para Amauri. Este penetrou na área e pipocou o filó: Galo 1 x 0.
Aos 3 minutos do segundo tempo, o lateral-direito canarinho, Carlos Alberto Torres, lançou a bola na área, a defesa atleticana tentou deixar Pelé em impedimento, mas este cabeceou, marcou e o tento foi validado: 1 x 1. Aos 19, Dario disparou, pela esquerda, ganhou, na corrida, de Djalma Dias e de Joel, e desempatou a partida: Atlético Mineiro 2 x 1.
O Galo que devorou os “Canarinhos”, usando as camisas vermelhas da Federação Mineira de Futebol, por imposição da Confederação Brasileira de Futebol (CBD), antecessora da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), foi: Musssula; Humberto Monteiro, Grapete, Normandes e Cicuneggi (Vantuir); Oldair e Amauri; Ronaldo, Vaguinho, Dario, Laci e Tião (Caldeira). A Seleção Brasileira jogou com: Félix; Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel Camargo e Rildo (Everaldo): Piazza e Gerson (Rivellino); Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu (Paulo César Lima).
A vitória sobre o time de João Saldanha, no entanto, não fora a primeira do Galo sobre uma seleção nacional. Em 19 de dezembro de 1968, representando o escrete nacional, com as camisas canarinhas, o Atlético Mineiro venceu a então Iugoslávia, por 3 x 2, no Mineirão, após os visitantes abrirem dois gols de frente, em poucos minutos. Naquela partida, Yustrich mandou ao garmado:: Mussula; Vander, Normandes (Djalma Dias), Grapete e Décio Teixeira; Wanderley e Amauri; Ronaldo, Vaguinho, Lola e Tião (Caldeira). Depois daquilo, o Galo ainda empatou, por 2 x 2, com a seleção da Hungria, e venceu a da hoje extinta União Soviética, por 2 x 1.
PRIMEIRO CAMPEÃO NACIONAL – Embora a CBD já apontasse dois times, desde 1959, para representar o país na Taça Libertadores da América, só a partir de 1971 a entidade passou a reconhecer um campeão nacional. E o primeiro foi o Galo.
Treinado por Telê Santana, o Atlético Mineiro chegou ao título do primeiro Brasileirão, com 11 vitórias, 10 empates e 5 derrotas, marcando 38 gols em 26 jogos. Além disso, ainda teve o principal artilheiro do campeonato, Dario, com 14 gols. O jogo do título foi contra o Botafogo, no Maracanã, em 19 de dezembro daquele 1971, com o gol da conquista marcado aos 13 minutos do segundo tempo, pelo Dadá Maravilha, complementando, de cabeça, cruzamento feito por Humberto Ramos.
O time atleticano foi campeão jogando com: Renato; Humberto Monteiro, Grapete, Vantuir e Oldair; Vanderlei e Humberto Ramos; Ronaldo, Lola (Spencer), Dario e Tião. O Botafogo foi: Wendell; Mura, Djalma Dias, Queirós e Valtencir; Carlos Roberto e Marco Antônio (Didinho); Zequinha, Nei (Tuca), Jairzinho e Careca. Armando Marques apitou a partida, com renda de Cr$ 294.420,00 (cruzeiros), a moeda da época.
DOMINADOR DE RAPOSA – Campeão estadual, em 1970 e em 76, o Galo engoliu a Raposa, entre 1978 e 1983. Faturou, ainda, dois bis, em 85/86 e em 88/89.
O período de domínio quase total sobre os cruzeirenses teve a assinatura de uma geração que produziu o goleiro João Leite, o zagueiro Luizinho, os apoiadores Toninho Cerezzo e Elzo, o meia Heleno e os atacantes Paulo Isidoro, Sérgio Araújo, Reinaldo e Éder, entre outros. Desses, o maior ídolo foi Reinaldo, que vestiu a camisa atleticana, entre 1971 e 1985. Seu talento era tão grande que os “becões assassinos” lhe mandaram passar por quatro cirurgias de joelhos e uma de tornozelo.
Nascido em Ponte Nova-MG, em 11 de janeiro de 1957, Reinaldo José de Lima chegou ao Galo, com 13 anos de idade, estreou no time principal, aos 16, e saiu após deixar 288 gols nas redes adversárias, o que ainda lhe faz de o maior “matador” da história do clube.
RECENTEMENTE - Na década-90, o Atlético Mineiro conquistou apenas três títulos estaduais – 1991, 95 e 99. Mas emplacou duas conquistas continentais, as Copas Conmebol (atual Mercosul) de 1992 e 97. Neste século, foi campeão mineiro em 2000 e em 2007, o que lhe deixa como o maior papão de títulos das Alterosas, isto é, 39, contra 34 do grande rival Cruzeiro.
Formado o time, o primeiro jogo de futebol em BH foi em 3 de outubro, do mesmo ano, com a turma do Víctor vencendo uma equipe formada por Oscar Americano, por 2 x 1. Pouco depois, surgiram o Plínio Futebol Clube e o Clube Athlético Mineiro, que, ainda, não seria o atual “Galo forte e vingador”.
Enquanto a bola rolava em “Beagá”, foram surgindo o Brasil, o Estrada, o Juvenil e o Viserpa (todos Futebol Clube), enquanto o Athlético passou a chamar-se Athlético Mineiro Foot-Ball Club. Mas, como aquele movimento perdia força durante as férias escolares - Brasil e Viserpa acabaram – restavam só desanimadas peladas. Passear no Parque Municipal era mais interessante. Menos para Margival Mendes Leal, Mário Toledo, Raul Fracarolli e Augusto Soares. Em 25 de março de 1908, eles “mataram aula” e foram “pensar” o Atlético Mineiro Futebol Clube, aportuguesando o nome do antigo e já inexistente xará.
Além dos fundadores citados acima, também, foram “pais do Galo” a patota formada por Sinval Moreira, Mário Neves, Hugo Fracarolli, Mário Hermanson Lott, Carlos Maciel, João Barbosa Sobrinho, José Soares, Alves, Eurico Catão, Aleixanor Alves Pereira, Humberto Moreira, Antônio Antunes Filho, Horácio Machado, Humberto Moreira, Benjamin Moss Filho, Leônidas Fulgêncio e Júlio Menezes Melo – Mauro Brochado, Francisco Monteiro e Jorge Dias Pena não puderam estar presentes à reunião, mas aderiram à idéia. Por isso, também, são considerados fundadores. Escolhido presidente, Margival teve Lott por secretário e Catão por tesoureiro.
Fundado o clube, havia, no entanto, um problema: onde encontrar bolas para comprar, se o comércio belo-horizontino não as vendia? Mas apareceu uma, muito usada, que serviu para os primeiros pontapés do Galo, quando o treinador Chico Neto alinhava Eurico, Mauro e Leônidas; Raul, Mário Toledo e Hugo; Francisco, Lott, Margival, Horácio e Benjamin, nos treinos iniciais. Em 21 de março de 1909, o time estreou, vencendo o Sport Club, por 3 x 0, com gols de Aníbal Machado, Zeca Alves e Mário Neves, que haviam barrado, respectivamente, Mário Lott, Horácio e Francisco Monteiro.
Animados, os atleticanos concederam s revanches ao Sport Club, e não só o venceram, por 2 x 0 e 4 x 0, como, ainda, decretaram o seu fim, já que os derrotados decidiram mudar de lado. Assim, o Athlético foi-se tornando vencedor, só vindo a conhecer um insucesso mais de três anos depois – em 12 de maio de 1912 –quando foi batido, por 5 x 1, pelo Instituto Granbery, de Juiz de Fora, na sua primeira apresentação intermunicipal.
Em 25 de março de 1913, a rapaziada trocou o nome da agremiação, para Clube Atlético Mineiro, estreando a nova denominação com a conquista do título do primeiro torneio interclubes promovido pela Liga de Futebol de Belo Horizonte, vencendo ao Yale (futuro Palestra Itália, Ypiranga e, finalmente, Cruzeiro), por 2 x 0, ao América, por 3 x 0, e ao combinado Yale/América, por 2 x 0.
Em 1915, disputou-se o primeiro campeonato oficial de BH. E o campeão, quem foi? O time alvinegro. Foram vitórias que tornaram o Atlético Mineiro simpático e popular entre pobres, ricos, gringos, pretos e brancos, ao contrário dos elitistas América, que preferia estudantes de Medicina e ricaços, e o Yale, dos italianos que não se misturavam ao povão.
CASA DO GALO - O início da construção de um estádio, na Avenida Olegário Maciel, em 1926, coincidiu com mais um título – bi, em 1927. Antes, o clube ganhara, da prefeitura de BH, um terreno, na Rua Guajajaras, trocado, depois, por outro, na Avenida Paraopeba, atual Augusto de Lima. Requisitado, mais tarde, pelo Estado, este mandou o Galo para a Olegário Maciel.
Por aquela época, surgiu a primeira convocação de um atleticano, para a Seleção Brasileira, a do atacante Mário de Castro, que amava mais o seu clube e recusou a honraria. Preferia marcar gols pelo Atlético. Por exemplo, em 30 de junho de 1929, quando os alvinegros inauguraram o Estádio Presidente Antônio Carlos, Mário fez três dos quatro tentos – o outro foi de Said – nos 4 x 2 sobre o lendário time do Corinthians Paulista, que muitos mineiros até duvidavam que existisse.
Mário de Castro, num tempo em que se jogava pouco, marcou 195 gols – média de 2,2 por jogo – , em 90 partidas, só sendo superado, em 1974, por Dario (José dos Santos), o Dadá Beija Flor.
CAMPEÃO DOS CAMPEÕES – Em 1930, com Belo Horizonte ocupada pelos rebeldes que colocaram Getúlio Vargas no poder, o Atlético Mineiro não disputou o campeonato da cidade. Voltou, no ano seguinte, e foi bi, sendo que, em 32, havia duas ligas. Novamente, levou o bi, em 38/39. Antes disso, em 1937, conauistou o primeiro interestadual de clubes do país, promovido pela Federação Brasileira de Futebol, o que lhe valeu a alcunha de “Campeão dos Campeões”, após os 3 x 2, na decisão, em São Paulo, contra a Portuguesa de Desportos – participaram, ainda, o Fluminense e o Rio Branco, de Vitória-ES.
Em 1942, os atleticanos conquistariam outra glória: bi de BH, com vitórias nos 11 jogos disputados. E dobraram a sua torcida, em relação à do América. Em 1947, no “Cinquentenário de Belo Horizonte”, novo bi, com um time inesquecível: Kafunga, Murilo e Ramos; Mexicano, Zé do Monte e Afonso; Lucas, Lauro, Carlyle, Alvinho e Nívio – para trás, os primeiros grandes ídolos foram Brant, Said, Mário de Castro, Jairo, Mário Gomes, Binga, Zezé Procópio, Guará, Alfredo Bernardino, Florindo, Nicola, Manja, Cafifa e Selado, entre outros.
CAMPEÃO DO GELO – Campeão belo-horizontino, em 1949/50, neste último ano, o Galo Carijó – personagem criado, em 1945, pelo ilustrador da “Folha de Minas”, Fernando Pierucetti, o Mangabeira, a pedido do jornalista Álvares Maciel, que desejava ter os clubes mineiros com símbolos – tornou-se o primeiro clube mineiro a excursionar à Europa. Venceu seis adversários fortes, como o alemão Schalke (3 x 1) e o francês Stade Uninon (2 x 1), empatou duas vezes e perdeu outras duas, entre 1º de novembro e 7 de dezembro, jogando até debaixo de seis graus negativos. A façanha foi comparada, pelo jornal “Estado de Minas” com a equivalência de um título, razão pela qual o clube passou a colecionar uma outra alcunha, a de “ Campeão do Gelo”.
No entanto, um outro grande feito estava a caminho. De 1952 a 56, os “galenses” faturaram um penta – em 56, decidindo no campo e no tapetão, contra o Cruzeiro, que já era o segundo clube mineiro mais forte, deixando o América pra trás. O Galo voltou a beliscar, em 58, 62 e 63, iniciando, a partir de então, um jejum de títulos que só terminaria em 1970, o seu primeiro na era do Mineirão.
VITÓRIA SOBRE A SELEÇÃO BRASILEIRA – Era noite de uma quarta-feira, 3 de setembro de 1969. O time canarinho, treinado por João Saldanha e disputando as eliminatórias da Copa do Mundo de 1970, foi ao Mineirão, encarar o Galo. Aos 40 minutos do primeiro tempo, o apoiador Oldair ganhou uma jogada, no meio do campo, e serviu ao meia Humberto Ramos, que passou a bola para Amauri. Este penetrou na área e pipocou o filó: Galo 1 x 0.
Aos 3 minutos do segundo tempo, o lateral-direito canarinho, Carlos Alberto Torres, lançou a bola na área, a defesa atleticana tentou deixar Pelé em impedimento, mas este cabeceou, marcou e o tento foi validado: 1 x 1. Aos 19, Dario disparou, pela esquerda, ganhou, na corrida, de Djalma Dias e de Joel, e desempatou a partida: Atlético Mineiro 2 x 1.
O Galo que devorou os “Canarinhos”, usando as camisas vermelhas da Federação Mineira de Futebol, por imposição da Confederação Brasileira de Futebol (CBD), antecessora da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), foi: Musssula; Humberto Monteiro, Grapete, Normandes e Cicuneggi (Vantuir); Oldair e Amauri; Ronaldo, Vaguinho, Dario, Laci e Tião (Caldeira). A Seleção Brasileira jogou com: Félix; Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel Camargo e Rildo (Everaldo): Piazza e Gerson (Rivellino); Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu (Paulo César Lima).
A vitória sobre o time de João Saldanha, no entanto, não fora a primeira do Galo sobre uma seleção nacional. Em 19 de dezembro de 1968, representando o escrete nacional, com as camisas canarinhas, o Atlético Mineiro venceu a então Iugoslávia, por 3 x 2, no Mineirão, após os visitantes abrirem dois gols de frente, em poucos minutos. Naquela partida, Yustrich mandou ao garmado:: Mussula; Vander, Normandes (Djalma Dias), Grapete e Décio Teixeira; Wanderley e Amauri; Ronaldo, Vaguinho, Lola e Tião (Caldeira). Depois daquilo, o Galo ainda empatou, por 2 x 2, com a seleção da Hungria, e venceu a da hoje extinta União Soviética, por 2 x 1.
PRIMEIRO CAMPEÃO NACIONAL – Embora a CBD já apontasse dois times, desde 1959, para representar o país na Taça Libertadores da América, só a partir de 1971 a entidade passou a reconhecer um campeão nacional. E o primeiro foi o Galo.
Treinado por Telê Santana, o Atlético Mineiro chegou ao título do primeiro Brasileirão, com 11 vitórias, 10 empates e 5 derrotas, marcando 38 gols em 26 jogos. Além disso, ainda teve o principal artilheiro do campeonato, Dario, com 14 gols. O jogo do título foi contra o Botafogo, no Maracanã, em 19 de dezembro daquele 1971, com o gol da conquista marcado aos 13 minutos do segundo tempo, pelo Dadá Maravilha, complementando, de cabeça, cruzamento feito por Humberto Ramos.
O time atleticano foi campeão jogando com: Renato; Humberto Monteiro, Grapete, Vantuir e Oldair; Vanderlei e Humberto Ramos; Ronaldo, Lola (Spencer), Dario e Tião. O Botafogo foi: Wendell; Mura, Djalma Dias, Queirós e Valtencir; Carlos Roberto e Marco Antônio (Didinho); Zequinha, Nei (Tuca), Jairzinho e Careca. Armando Marques apitou a partida, com renda de Cr$ 294.420,00 (cruzeiros), a moeda da época.
DOMINADOR DE RAPOSA – Campeão estadual, em 1970 e em 76, o Galo engoliu a Raposa, entre 1978 e 1983. Faturou, ainda, dois bis, em 85/86 e em 88/89.
O período de domínio quase total sobre os cruzeirenses teve a assinatura de uma geração que produziu o goleiro João Leite, o zagueiro Luizinho, os apoiadores Toninho Cerezzo e Elzo, o meia Heleno e os atacantes Paulo Isidoro, Sérgio Araújo, Reinaldo e Éder, entre outros. Desses, o maior ídolo foi Reinaldo, que vestiu a camisa atleticana, entre 1971 e 1985. Seu talento era tão grande que os “becões assassinos” lhe mandaram passar por quatro cirurgias de joelhos e uma de tornozelo.
Nascido em Ponte Nova-MG, em 11 de janeiro de 1957, Reinaldo José de Lima chegou ao Galo, com 13 anos de idade, estreou no time principal, aos 16, e saiu após deixar 288 gols nas redes adversárias, o que ainda lhe faz de o maior “matador” da história do clube.
RECENTEMENTE - Na década-90, o Atlético Mineiro conquistou apenas três títulos estaduais – 1991, 95 e 99. Mas emplacou duas conquistas continentais, as Copas Conmebol (atual Mercosul) de 1992 e 97. Neste século, foi campeão mineiro em 2000 e em 2007, o que lhe deixa como o maior papão de títulos das Alterosas, isto é, 39, contra 34 do grande rival Cruzeiro.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
2 DE JANEIRO DE 1921: SURGE O PALESTRA ITÁLIA, FUTURO CRUZEIRO
Em 1920, Belo Horizonte tinha 50 mil habitantes, pequenos comércio e indústria, e pouca diversão. A principal era passear no Parque Municipal, nos finais de semana. Por aquela época já havia clubes praticando o futebol na cidade, como o Clube Athlético Mineiro, o preferido pelo povão mais humilde, o América Futebol Clube, elitista e campeão, o Lusitano Athletic Club, criado pela colônia portuguesa, e o Yale, que era “inimigo da vitória” e logo acabou.
A colônia italiana transitava por todos aqueles clubes, mas não gostava muito da mistura. Assim, Nullo Savini, Sílvio e Henriqueto Pirani, João Ranieri, Domingos Spangulo, Júlio Lazzarotti e Amleto Magnavacca lideraram um movimento que aproveitou o fim do Yale, para seguir o espírito dos patrícios paulistas – a maioria trabalhadores nas indústrias Matarazzo –, que, em 26 de agosto de 1914, haviam criado a Societá Sportiva Palestra Itália – hoje, Sociedade Esportiva Palmeiras–, para torcerem por um mesmo clube, durante as disputas do Campeonato Paulista de Futebol.
Lançada a idéia, a turma conseguiu o apoio das já importantes famílias Noce, Mancini, Savassi e Lodi, e a promessa de ajuda financeira de outros italianos. Com isso, marcou-se uma reunião, para o dia 20 de dezembro daquele 1920, na Societá Italiana Dante Alighieri, que ficava na Rua Tamoios e que contou com a presença do cônsul italiano e de 195 “oriundi” – 92 assinaram a ata – muitos deles já da segunda geração daqueles imigrantes. Mas a fundação oficial da Societá Sportiva Palestra Itália mineira – futuro Cruzeiro Esporte Clube – só foi acontecer em 2 de janeiro de 1921, no mesmo local do encontro anterior, com a participação de 250 italianos.
A primeira diretoria palestrina, eleita por aclamação, teve Aurélio Noce (presidente); Giuseppe Perona (vice); Bruno Piancatelli (secretário); Aristóteles Lodi (tesoureiro); João Ranieri, Domingos Spangulo e Antônio Pace (comissão de esportes).
Para mandar seu time a campo, o Palestra Itália usava camisa verde, com gola olímpica, calção branco e meias vermelhas, com detalhes em verde e branco. O uniforme-2 era o inverso, predominando o branco. Na montagem da primeira equipe, foram reunidos 13 jogadores do antigo Yale, por sinal, fundado por Aurélio Noce e Nullo Savini, em 1910, além de italianos que defendiam o Athlético Mineiro, o Ipanema e o Guarany. O primeiro jogo foi em 3 de abril, ainda de 1921, no Estádio do Prado, vencendo o combinado Villa Nova/Palmeiras, de Nova Lima-MG, por 2 x 0, com os dois marcados pelo atacante Nani. O time foi: Nullo, Polenta e Ciccio; Quiquino, Américo, Bassi e Lino; Spartaco, Nani, Henriqueto e Armandinho.
CRESCIMENTO – Inscrito na Liga Mineira de Desportos Terrestres, o Palestra teve de submeter-se a testes, para ser admitido na Primeira Divisão: enfrentar o campeão da Segundona (Palmeiras) e o último da Primeirona (Ipanema), os quais venceu, respectivamente, por 2 x 1 e 3 x 2. De quebra, em seu primeiro campeonato da Liga Mineira, ainda em 1921, terminou vice-campeão.
Futuro inimigo número 1 do Atlético, o Palestra passou por uma situação inusitada, nos seus inícios: como o terreno herdado Yale foi desapropriado, pelo governo mineiro, para treinar, tinha que pedir o campo do Galo (ainda não era chamado assim) emprestado. Em dezembro de 1922 comprou um quarteirão, ao lado de sua antiga casa e, em setembro de 1923, inaugurou o seu estádio, que tinha arquibancadas de madeira. A festa foi num amistoso que terminou empatado, por 3 x 3, com o Flamengo.
Por não aceitar jogadores e associados que não fossem italianos, o Palestra tornou-se antipatizado no futebol mineiro. Precisou abolir esta cláusula estatutária, para progredir. Em 1928, o presidente Américo Gasparini seguiu América e Atlético, que já aderiam ao “profissionalismo marrom”, formou um time forte, com reforços buscados em São Paulo e tirados do Sírio, de BH. Treinado por Maturio Fabbi e tendo por astros Arnaldo, Morganti, Morgantinho, Osto, Gutiérrez, Nereu, Zezinho e Carranza, o Palestra conquistou o seu primeiro título mineiro, naquela 1928, com sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota.
Em 1929, quando BH já tinha 105 mil habitantes, o Palestra foi bi. Em 30, quando a capital mineira tornou-se, politicamente, importante e decisiva na chegada de Getúlio Vargas ao poder, o time era tri, invicto, tendo por astro o atacante Niginho, um dos maiores nomes do futebol brasileiro, levado pelo italiano Lazio. Na mesma década, o clube aportuguesou seu nome, para Sociedade Esportiva Palestra Itália.
Em 1942, devido a eclosão da II Guerra Mundial e da aliança Itália-Alemanha, o clube jogou uma partida oficial – 01.02.1942, perdendo, para o Atlético, por 1 x 0 –, usando camisas azuis e três listras horizontais brancas. Em 4 de fevereiro, mudou de nome, para Sociedade Esportiva Palestra Mineiro, cujo escudo, um P, no centro do peito, foi lançado em 24 de maio, durante a goleada, oficial, por 7 x 2, sobre o Sete de Setembro, no Estádio do Barro Preto.
A CONSTELAÇÃO – Como, em 28 de janeiro de 1942, o governo brasileiro declarara guerra à Alemanha, à Itália e ao Japão, seis meses depois – 31.08.42 – proibiu o uso, no país, de símbolos de nações inimigas. Então, o presidente palestrino, Ennes Cyro Pony, em 2 de outubro, fez nova mudança: de nome e de camisa. Ficou sendo Ypiranga, com jaquetas vermelhas e um Y no peito. Chegou a jogar uma partida oficial, a qual perdeu, por 1 x 2, do Atlético, em 4 de outubro.
Foi na mesma assembleia em que Pony anunciou as duas trocas, que surgiu a sugestão Cruzeiro Esporte Clube, em homenagem ao Cruzeiro do Sul. A proposta partiu do ex-presidente Oswaldo Pinto Coelho, mas, oficialmente, o clube continuou com a sua primeira denominação, devido a demora da Federação Mineira de Futebol em aprovar os seus novos estatutos. E, como Cruzeiro, o clube só jogar em 1943. Com as estrelas na camisa azul, o primeiro jogo foi em 14 de fevereiro, perdendo do São Cristóvão-RJ, por 5 x 3, amistosamente, no Barro Preto. Detalhe: o clube carioca fazia a sua primeira partida com uma nova denominação, São Cristóvão Futebol e Regatas. Na véspera, homologara a sua fusão, com o São Christovão Athlético Club e o Club de Regatas São Chirstovão.
Como Palestra, o clube foi campeão em 1928, 29, 30 e em 1940, na disputa chamada de Campeonato da Cidade. Como Cruzeiro, já foi papando os três primeiros que participou, em 1943, 44 e 45. O Campeonato Mineiro só começou a partir de 30 de outubro de 1959, com o surgimento da Taça Brasil, disputada pelos campeões estaduais. A Federação Mineira de Futebol reuniu os times que disputavam o Campeonato da Cidade e mais outros seis – cinco do interior – e promoveu um torneio eliminatório, para selecionar oito. O Cruzeiro foi tri – 1959, 60 e 61.
O restante das glórias cruzeirenses serão publicadas pelo Candangol nas datas em que foram conquistadas, casos do penta mineiro, de 65 a 69; da Taça Brasil de 1966 e da Taça Libertadores de 1976, entre outros. Aguarde!
A colônia italiana transitava por todos aqueles clubes, mas não gostava muito da mistura. Assim, Nullo Savini, Sílvio e Henriqueto Pirani, João Ranieri, Domingos Spangulo, Júlio Lazzarotti e Amleto Magnavacca lideraram um movimento que aproveitou o fim do Yale, para seguir o espírito dos patrícios paulistas – a maioria trabalhadores nas indústrias Matarazzo –, que, em 26 de agosto de 1914, haviam criado a Societá Sportiva Palestra Itália – hoje, Sociedade Esportiva Palmeiras–, para torcerem por um mesmo clube, durante as disputas do Campeonato Paulista de Futebol.
Lançada a idéia, a turma conseguiu o apoio das já importantes famílias Noce, Mancini, Savassi e Lodi, e a promessa de ajuda financeira de outros italianos. Com isso, marcou-se uma reunião, para o dia 20 de dezembro daquele 1920, na Societá Italiana Dante Alighieri, que ficava na Rua Tamoios e que contou com a presença do cônsul italiano e de 195 “oriundi” – 92 assinaram a ata – muitos deles já da segunda geração daqueles imigrantes. Mas a fundação oficial da Societá Sportiva Palestra Itália mineira – futuro Cruzeiro Esporte Clube – só foi acontecer em 2 de janeiro de 1921, no mesmo local do encontro anterior, com a participação de 250 italianos.
A primeira diretoria palestrina, eleita por aclamação, teve Aurélio Noce (presidente); Giuseppe Perona (vice); Bruno Piancatelli (secretário); Aristóteles Lodi (tesoureiro); João Ranieri, Domingos Spangulo e Antônio Pace (comissão de esportes).
Para mandar seu time a campo, o Palestra Itália usava camisa verde, com gola olímpica, calção branco e meias vermelhas, com detalhes em verde e branco. O uniforme-2 era o inverso, predominando o branco. Na montagem da primeira equipe, foram reunidos 13 jogadores do antigo Yale, por sinal, fundado por Aurélio Noce e Nullo Savini, em 1910, além de italianos que defendiam o Athlético Mineiro, o Ipanema e o Guarany. O primeiro jogo foi em 3 de abril, ainda de 1921, no Estádio do Prado, vencendo o combinado Villa Nova/Palmeiras, de Nova Lima-MG, por 2 x 0, com os dois marcados pelo atacante Nani. O time foi: Nullo, Polenta e Ciccio; Quiquino, Américo, Bassi e Lino; Spartaco, Nani, Henriqueto e Armandinho.
CRESCIMENTO – Inscrito na Liga Mineira de Desportos Terrestres, o Palestra teve de submeter-se a testes, para ser admitido na Primeira Divisão: enfrentar o campeão da Segundona (Palmeiras) e o último da Primeirona (Ipanema), os quais venceu, respectivamente, por 2 x 1 e 3 x 2. De quebra, em seu primeiro campeonato da Liga Mineira, ainda em 1921, terminou vice-campeão.
Futuro inimigo número 1 do Atlético, o Palestra passou por uma situação inusitada, nos seus inícios: como o terreno herdado Yale foi desapropriado, pelo governo mineiro, para treinar, tinha que pedir o campo do Galo (ainda não era chamado assim) emprestado. Em dezembro de 1922 comprou um quarteirão, ao lado de sua antiga casa e, em setembro de 1923, inaugurou o seu estádio, que tinha arquibancadas de madeira. A festa foi num amistoso que terminou empatado, por 3 x 3, com o Flamengo.
Por não aceitar jogadores e associados que não fossem italianos, o Palestra tornou-se antipatizado no futebol mineiro. Precisou abolir esta cláusula estatutária, para progredir. Em 1928, o presidente Américo Gasparini seguiu América e Atlético, que já aderiam ao “profissionalismo marrom”, formou um time forte, com reforços buscados em São Paulo e tirados do Sírio, de BH. Treinado por Maturio Fabbi e tendo por astros Arnaldo, Morganti, Morgantinho, Osto, Gutiérrez, Nereu, Zezinho e Carranza, o Palestra conquistou o seu primeiro título mineiro, naquela 1928, com sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota.
Em 1929, quando BH já tinha 105 mil habitantes, o Palestra foi bi. Em 30, quando a capital mineira tornou-se, politicamente, importante e decisiva na chegada de Getúlio Vargas ao poder, o time era tri, invicto, tendo por astro o atacante Niginho, um dos maiores nomes do futebol brasileiro, levado pelo italiano Lazio. Na mesma década, o clube aportuguesou seu nome, para Sociedade Esportiva Palestra Itália.
Em 1942, devido a eclosão da II Guerra Mundial e da aliança Itália-Alemanha, o clube jogou uma partida oficial – 01.02.1942, perdendo, para o Atlético, por 1 x 0 –, usando camisas azuis e três listras horizontais brancas. Em 4 de fevereiro, mudou de nome, para Sociedade Esportiva Palestra Mineiro, cujo escudo, um P, no centro do peito, foi lançado em 24 de maio, durante a goleada, oficial, por 7 x 2, sobre o Sete de Setembro, no Estádio do Barro Preto.
A CONSTELAÇÃO – Como, em 28 de janeiro de 1942, o governo brasileiro declarara guerra à Alemanha, à Itália e ao Japão, seis meses depois – 31.08.42 – proibiu o uso, no país, de símbolos de nações inimigas. Então, o presidente palestrino, Ennes Cyro Pony, em 2 de outubro, fez nova mudança: de nome e de camisa. Ficou sendo Ypiranga, com jaquetas vermelhas e um Y no peito. Chegou a jogar uma partida oficial, a qual perdeu, por 1 x 2, do Atlético, em 4 de outubro.
Foi na mesma assembleia em que Pony anunciou as duas trocas, que surgiu a sugestão Cruzeiro Esporte Clube, em homenagem ao Cruzeiro do Sul. A proposta partiu do ex-presidente Oswaldo Pinto Coelho, mas, oficialmente, o clube continuou com a sua primeira denominação, devido a demora da Federação Mineira de Futebol em aprovar os seus novos estatutos. E, como Cruzeiro, o clube só jogar em 1943. Com as estrelas na camisa azul, o primeiro jogo foi em 14 de fevereiro, perdendo do São Cristóvão-RJ, por 5 x 3, amistosamente, no Barro Preto. Detalhe: o clube carioca fazia a sua primeira partida com uma nova denominação, São Cristóvão Futebol e Regatas. Na véspera, homologara a sua fusão, com o São Christovão Athlético Club e o Club de Regatas São Chirstovão.
Como Palestra, o clube foi campeão em 1928, 29, 30 e em 1940, na disputa chamada de Campeonato da Cidade. Como Cruzeiro, já foi papando os três primeiros que participou, em 1943, 44 e 45. O Campeonato Mineiro só começou a partir de 30 de outubro de 1959, com o surgimento da Taça Brasil, disputada pelos campeões estaduais. A Federação Mineira de Futebol reuniu os times que disputavam o Campeonato da Cidade e mais outros seis – cinco do interior – e promoveu um torneio eliminatório, para selecionar oito. O Cruzeiro foi tri – 1959, 60 e 61.
O restante das glórias cruzeirenses serão publicadas pelo Candangol nas datas em que foram conquistadas, casos do penta mineiro, de 65 a 69; da Taça Brasil de 1966 e da Taça Libertadores de 1976, entre outros. Aguarde!
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
18 DE DEZEMBRO DE 1965: FLAMENGO, CAMPEÃO DO IV CENTENÁRIO
Flamengo e Bangu chegaram à última rodada do Campeonato Carioca de 1965 separados por, apenas, dois pontos (22 x 20). Até então, só os banguenses haviam conseguido vencer os rubro-negros, por 3 x 0, no returno – 0 x 0 no primeiro turno.
O clima era de muita catimba. Nas vésperas dos jogos decisivos, o técnico Elba de Pádua Lima, o Tim, do Fluminense, denunciou uma tentativa de suborno, para os tricolores facilitarem as coisas para os “Mulatinhos Rosados de Moça Bonita”. Suspense na Gávea. Se o Flu perdesse, no sábado e o Botafogo vencesse o Fla, no domingo, haveria uma série melhor de três, entre Flamengo e Bangu.
Veio, então, a noite de 18 de dezembro de 1965. Com dois minutos jogo, o meia tricolor Evaldo mandou bola na rede. Depois, ninguém mexeu no placar, e o Flamengo ficou campeão, na véspera de encarar os alvinegros, quando não fez muita força e perdeu, por 1 x 0, pois não precisava vencer. Afinal, já era campeão no charmoso ano do IV Centenário do Rio de Janeiro, quando tudo era festa na Cidade Mravilhosa.
Treinado pelo argentino Armando Renganeschi, o Flamengo teve, por time-base, Valdomiro; Murilo, Ditão, Jaime e Paulo Henrique; Carlinhos e Nelsinho (Fefeu); Paulo “Choco” Alves, Almir, Silva e Rodrigues. Era um grupo sem favoritismo, no início do Campeonato Carioca, pois fracassara em todas as disputas anteriores. No entanto, quando “ festa começou”, botou todo mundo pra dançar. Só perdeu a liderança na terceira rodada do returno, quando levou os 3 x 0 impostos pelo Bangu. Empatou, por 0 x 0, com o mesmo Bangu e o Fluminense, mas, de resto, só bateu, excetuando-se, evidentemente, a derrota da última partida, contra o Botafogo, quando não fez nenhuma questão de correr muito.
Os demais jogos rubro-negros na campanha “quatrocenona” foram: 2 x 1 e 2 x 1 América; 2 x 0 e 1 x 0 Portuguesa; 2 x 1 e 1 x 0 Vasco; 3 x 0 e 1 x 0 Bonsucesso; 2 x 1 Fluminense e 2 x 0 Botafogo. Além disso, o Flamengo ainda foi o campeão dos juvenis e o vice dos aspirantes, neste perdendo o título, para os botafoguenses, por apenas um ponto.
A história completa desta saga rubro-negra está contada no livro “Flatenário”, que o editor do Candangol, Gustavo Mariani, lança, hoje, em livro eletrônico, que pode ser comprado, por R$ 25,00, pelo endereço deste blog e, também, pelo e-mail gustavomariani@ig.com.br.
O clima era de muita catimba. Nas vésperas dos jogos decisivos, o técnico Elba de Pádua Lima, o Tim, do Fluminense, denunciou uma tentativa de suborno, para os tricolores facilitarem as coisas para os “Mulatinhos Rosados de Moça Bonita”. Suspense na Gávea. Se o Flu perdesse, no sábado e o Botafogo vencesse o Fla, no domingo, haveria uma série melhor de três, entre Flamengo e Bangu.
Veio, então, a noite de 18 de dezembro de 1965. Com dois minutos jogo, o meia tricolor Evaldo mandou bola na rede. Depois, ninguém mexeu no placar, e o Flamengo ficou campeão, na véspera de encarar os alvinegros, quando não fez muita força e perdeu, por 1 x 0, pois não precisava vencer. Afinal, já era campeão no charmoso ano do IV Centenário do Rio de Janeiro, quando tudo era festa na Cidade Mravilhosa.
Treinado pelo argentino Armando Renganeschi, o Flamengo teve, por time-base, Valdomiro; Murilo, Ditão, Jaime e Paulo Henrique; Carlinhos e Nelsinho (Fefeu); Paulo “Choco” Alves, Almir, Silva e Rodrigues. Era um grupo sem favoritismo, no início do Campeonato Carioca, pois fracassara em todas as disputas anteriores. No entanto, quando “ festa começou”, botou todo mundo pra dançar. Só perdeu a liderança na terceira rodada do returno, quando levou os 3 x 0 impostos pelo Bangu. Empatou, por 0 x 0, com o mesmo Bangu e o Fluminense, mas, de resto, só bateu, excetuando-se, evidentemente, a derrota da última partida, contra o Botafogo, quando não fez nenhuma questão de correr muito.
Os demais jogos rubro-negros na campanha “quatrocenona” foram: 2 x 1 e 2 x 1 América; 2 x 0 e 1 x 0 Portuguesa; 2 x 1 e 1 x 0 Vasco; 3 x 0 e 1 x 0 Bonsucesso; 2 x 1 Fluminense e 2 x 0 Botafogo. Além disso, o Flamengo ainda foi o campeão dos juvenis e o vice dos aspirantes, neste perdendo o título, para os botafoguenses, por apenas um ponto.
A história completa desta saga rubro-negra está contada no livro “Flatenário”, que o editor do Candangol, Gustavo Mariani, lança, hoje, em livro eletrônico, que pode ser comprado, por R$ 25,00, pelo endereço deste blog e, também, pelo e-mail gustavomariani@ig.com.br.
6 DE DEZEMBRO DE 2009: FLAMENGO, HEXACAMPEÃO NA BOLA
O Flamengo tem cinco ou seis títulos do Campeonato Brasileiro de Futebol da Série A? Para a Confederação Brasileira de Futebol-CBF, os rubro-negros cariocas são “penta”, como se acostumou qualificar números de conquistas, ainda que não sejam consecutivas. A entidade imputa ao Sport Recife a taça do Nacional de 1987.
Toda essa disputa é culpa da própria CBF. Tudo porque ele anunciou que não teria dinheiro suficiente para promover a competição daquele ano, levando os “grandes” a criarem o Clube dos 13 – 11.07.1987 – que conseguiu os patrocínios da TV Globo, da Varig e da Coca-Cola, e criou a Copa União, para a qual foram convidados o Santa Cruz, dono da maior torcida, em Pernambuco, o Coritiba, também com a mesma consideração, no Paraná, e o Goiás, o principal do Centro-Oeste.
Após muitas discussões, em 3 de setembro, CBF e Clube dos 13 definiram um torneio, com 32 times. Os 16 maiores ficaram num grupo, o módulo verde, e a outra metade, garimpada no ranking “cebeefiano”, no tal de módulo amarelo, sendo que o campeão sairia do primeiro. Depois, dois vencedores de cada disputa disputariam as então duas vagas brasileiras à Taça Libertadores.
Tudo certo? Nem tanto. Embora a organização da Copa União estivesse à cargo do Clube dos 13, quando a bola rolava, a CBF decidiu, unilateralmente, que o campeão do quadrangular seria, também, o campeão nacional. Foi, então, quando “grandes” negaram-se a aceitar a ditadura e esta história de quem é o campeão de 1987 começou.
Com 1 x 1, no Beira-Rio, e 1 x 0, no Maracanã, o Flamengo ganhou o módulo verde. O Sport venceu a outra série, com 0 x 2, 2 x 0, 0 x 0, 1 x 1 e 1 x 0, contra o Guarani, de Campinas, disputa iniciada em 6 de dezembro de 1987 e que só foi terminar em 7 de fevereiro de 1988. No meio dessa confusão, houve prorrogação – após o 0 x 0 – disputa por pênalti, terminada em 11 x 11 e até os presidentes dos dois clubes – Homero Lacerda, do Sport, e Leonel Martins de Oliveira, do Bugre – dividindo o título, com um aperto de mãos, para a imprensa registrar.
Na lógica, o Sport não conseguiria tirar o título brasileiro do Flamengo. Não tinha time para aquilo. Por isso, para o torcedor, no gramado, o campeão é o Fla. Mas, como a questão não terminava, em 1997, o Sport e o Clube dos 13 pediram à CBF para reconhecer dois campeões e dois vices. Em 1988, o Conselho Nacional de Desportos, órgão máximo do esporte brasileiro da época, com funções executivas, legislativas e judiciárias, reconhecia o Flamengo como o campeão, afinal disputara um campeonato de primeira divisão – contra Vasco, Fluminense, Botafogo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos, Grêmio, Internacional, Cruzeiro, Atlético-MG, Bahia, Santa Cruz, Coritiba e Goiás –, enquanto o Leão da Ilha enfrentara Atlético-PR, Atlético-GO, América, Bangu, Ceará, Criciúma, Guarani de Campinas, Inter de Limria-SP, Joinville, Portuguesa de Desportos, Treze de Campina Grande-PB, Rio Branco de Vitória-ES e Vitória da Bahia.
Favorável, também, ao Flamengo, vale ressaltar que o seu campeonato teve média de público, de 44 mil pagantes, ao passo que os times do módulo amarelo não alcançaram a média de oito mil pagantes por partida. Na final, entre Fla x Inter, 91.034 torcedores foram ao Maracanã. Sport e Guarani, cuja “final da CBF” foi em Salvador, teve assistência de 26.282 pagantes. Portanto, na bola, o campeão é o Flamengo.
CAMPANHA DO HEXA - Campeão brasileiro, em 1980, 82, 83, 87 e 92, o Flamengo começou o Brasileirão-2009, ano em que o Rio de Janeiro comemora os seus 444 anos de vida, desacreditado, como em 1965, quando conquistou o título do futebol carioca da temporada em que a Cidade Maravilhosa celebrava o seu IV Centenário.
Embora tivesse sagrado-se campeão estadual em 2009 – o seu pentatri –, o time rubro-negro não acertava, no certame nacional, dirigido pelo técnico Cuca, que desacertava-se com o grupo e saía, para satisfação geral. O auxiliar-técnico Andrade, ex-volante da geração rubro-negra mais vencedora, a da década-80, assumiu o comando e arrumou a casa.
Nos dois primeiros jogos, o Flamengo decepcionou. Perdeu do Cruzeiro, por 0 x 2, e empatou, por 0 x 0, como Avaí, ambos em casa. Alentou sua torcida, em seguida, vencendo o Santo André, fora, e o Atlético-PR, no Maracanã, pelo mesmo placar: 2 x 1. Contra o “Furacão”, houve a estréia do ”Imperador” Adriano, que marcou um gol foi um dos principais responsáveis pelo título, inclusive, sendo o artilheiro do campeonato, com 19 gols, empatado com Diego Tardelli, do Atlético-MG. Desmotivado do futebol, o qual ameaçara abandonar, após deixar a italiana Internazionale, Adriano reencontrou a alegria na Gávea, para ser o melhor de sua posição no campeonato, além de voltar à Seleção Brasileira.
Depois da vitória, sobrte o Furacão, no entanto, o Fla voltou a se complicar. Perdeu, por 2 x 4, do Sport Recife, e foi goleado, por 0 x 5, pelo Coritiba. Descontou em cima do Internacional, com 4 x 0 e três gols de Adriano. Mas não sequenciou o bom momento. Irregular, a seguir, ficou no 0 x 0, com o Fluminense, e venceu o Vitória, por 2 x 1, em 4 de julho.
Dali por diante, o Flamengo viveu um “inferninho astral”, até 30 de julho, quando venceu o Atlético-MG, em casa, por 3 x 1. Antes, amargou 2 x 2 São Paulo (fora); 1x 2 Palmeiras (em casa); 2 x 2 Botafogo e 1 x 1 Barueri (em casa). Fez 2 x 1 sobre o Santos (fora) e encerrou o turno, ainda, irregular: 1 x 1 Náutico (em casa); 2 x 3 Goiás; 1 x 0 Corinthians e 4 x 1 Grêmio.
Oito vitórias, em 19 jogos, não era mesmo um cartel recomendável a um campeão estadual. Tanto que o Flamengo beirou a zona de rebaixamento, despencando até um decepcionante 14º lugar. Porém, no returno, as coisas mudaram. O time cresceu, com a efetivação, como titular, do meia-atacante veteraníssimo Petkovic, que vinha entrando no decorrer das partidas, e das chegadas do zagueiro Álvaro, dispensado, pelo Internacional, e do cabeça-de-área chileno Maldonado. Vale ressaltar quem, Petkovic, contratação muito criticada, voltara ao clube só para acerar uma antiga dívida.
Enfim, no returno, os rubro-negros perderam, apenas, dois jogos: 1 x 2, frente ao Cruzeiro, no Mineirão, e 0 x 2 Barueri, também fora. Empataram quatro – 0 x 0 Atlético-PR (fora); 0 x 0 Internacional (fora); 3 x 3 Vitória (fora) e 0 x 0 Goiás (em casa) – e venceram as demais partidas: 3 x 0 Avaí; 3 x 0 Santo André; 3 x 0 Sport; 3 x 0 Coritiba; 2 x 0 Fluminense; 2 x 1 São Paulo; 2 x 0 Palmeiras (fora); 1 x 0 Botafogo; 1 x 0 Santos; 3 x 1 Atlético-MG (fora); 2 x 0 Náutico (fora); 2 x 0 Corinthians (fora) e 2 x 1 Grêmio.
Assim, com 67 pontos, contra 65 de Internacional e São Paulo, e 62 de Cruzeiro e Palmeiras, os melhores classificados, o Fla chegou ao hexa. Candangol homenageia a torcida rubro-negra carioca, contanto os principais fatos da história inicial do clube da Gávea, que fará 115 anos de existência, em 2.010. Leia abaixo.
PONTO DE PARTIDA - Esta é uma história que só foi possível graças ao sonho de um grupo de jovens sem muito dinheiro e a uma briga alheia. Explica-se: o século 19 caminhava para fechar a sua história, quando três rapazes – Nestor de Barros, José Agostinho Pereira da Cunha e Mário Spíndola – amadureceram a idéia de convidar outros amigos para fundarem um grupo de regatas. Clube neste sentido, nem pensar. Foi por ali que tudo começou.
No dia 17 de novembro de 1895, a galera criou o Grupo de Regatas Flamengo, mas com certidão de nascimento atrasada em dois dias, afinal o 15 de novembro era um feriado nacional, o da proclamação da república, e nenhum carioca que prezasse a sua história desprezaria as alegrias de um dia como aquele, no Rio de Janeiro. Tudo bem, ninguém contra.
Grupo regateiro formado, a primeira reunião para a escolha dos padrinhos ocorreu em 22 do mesmo mês, no prédio de número 22, da Rua do Russel. Ali, no mesmo dia, formou-se a primeira diretoria “auri-azul”. Sim, isso mesmo! O Flamengo não nasceu rubro-negro. Trocaremos de cores daqui há poucas linhas. Pois bem! Democraticamente, escolhidos o primeiro comando do Grupo de Regatas Flamengo ficou assim: presidente – Domingos de Azevedo Marques; vice-presidente – Francisco Lucci Colás; secretário – Nestor de Barros, e tesoureiro – Felisberto Laport, pouco depois substituído por José Agostinho Pereira da Costa. Ainda participaram daquela primeira reunião, os futuros rubro-negros Desidério Guimarães, José da Cunha Meneses, Maurício Rodrigues Pereira, Napoleão Coelho de Oliveira, Carlos Sardinha, José Maria Leitão da Cunha, George Lenziger, Emídio José Barbosa, Nestor Barros e José Agostinho Pereira da Cunha.
Cheios de coragem, os rapazes toparam pagar a fortuna, para a época, de 180 mil réis pelo aluguel da sede, e fixaram a cota de 5 mil réis para a mensalidade, e de 10 mil réis para a taxa de inscrição. Rápido, o Flamengo comprou, por 300 mil réis, o barco “Pheruzza”, e, pouco depois, o “Scyra”, que pertencia à Union des Canotiers. O sonho era grande, mas, na estréia, os rapazes “naufragaram”. Sentiram enjôo, passaram mal e nem cruzaram a linha de chegada. Foi em 5 de dezembro, 18 dias após a fundação real do grupo de regatas. Osrepresentantes históricos – José Félix (patrão), Mário Espínola (voga), Maurício Rodrigues Pereira (sota-voga), Felisberto Laport (sota-proa) e Nestor de Barros (proa) – disputaram, com o barco Scyra, uma prova oficial, organizada pelo Grupo de Regatas Gragoatá. A primeira vez foi decepcionantes, mas os rapazes tinham saúde explodindo nas veias e uma vontade imensa de conquistar o infinito. Levaram 21 anos tentando, até que, em 1916, o Flamengo conquistaria o seu primeiro título: no braço e nas águas da baía de Guanabara.
MUDANÇA DE CORES - Estava escrito que o Flamengo teria que ser rubro-negro. Pra começar, o seu primeiro uniforme, nas cores ouro e azul-celeste, caiu, de cara, fora da raia . À primeira lavagem, desbotou-se, completamente, ficando irreconhecível. O jeito foi mudar a cor das camisas, o que ocorrera na assembléia realizada em 23 de novembro de 1896.Por sugestão do fundador Nestor de Barros, durante a primeira emenda aos estatutos do Grupo de Regatas Flamengo, as jaquetas passaram a ser pretas, inserindo-se nelas duas âncoras vermelhas cruzadas – olha aí o rubro-negro pintando!
Então, graças a um desastre aquático, pode-se imaginar que, quem nasceu para ser rubro-negro jamais escaparia do seu destino eterno. Só que, no futebol, foi uma batalha para o time vestir-se naquele tom. Vamos conferir?
O FUTEBOL - Os clubes cariocas se pegavam no pé, desde 1906, enquanto o Flamengo só saía no braço. Foi, então, que o time campeão de 1911, o Fluminense, decidiu mandar para a reserva o centroavante do seu time principal - e também diretor – Alberto Borgerth . O carinha e a sua patota não toparam nem um pouquinho aquele lance. Assim que levantaram o caneco da temporada, eles abandonaram o campeão e foram fundar a seção de futebol do Flamengo, clube pelo qual Borgerth já patroava guarnições de remo. Um perfeito golpe de mestre da malandragem.
O diretor de regatas flamenguista, Sousa Mendes, junto com outros diretores – Pimenta de Melo, Edmundo Furtado e Virgílio Leite – ficaram “de cara” com aquela onda. A galera do Flu, querendo armar um lance em cima do Fla! Tinha coisa. Foi aí que Borgerth sacou: “Qual é! O Flamengo vai receber, sem gastar um tostão e sem fazer nenhum esforço, os mais famosos “players” do Rio de Janeiro. Só “cracks”, a patota campeã carioca de 1911”.
Colou! Colou, legal. Quem diria? O Fla, filho do Flu, um dos seus maiores “inimigos”. Mas aconteceu. Aconteceu e valeu. Foi um presente à torcida brasileira, pois a partir de 24 de novembro 1911, o futebol chegava ao Flamengo. Da noite para o dia, além de Borgerth, viraram a casaca e se tornaram flamenguistas: Armando de Almeida, o Galo; Orlando Sampaio Matos, o Baiano; Emmanuel Nery; Ernesto Amarante; Gustavo de Carvalho; Lawrence Andrews; Othon Baena de Figueiredo; e Píndaro de Carvalho Rodrigues.
Para o Flamengo rolar a bola, Borgerth queria que fosse com camisas rubro-negras, com listras horizontais, embora se usasse verticais, na época. Criado o impasse, inventaram jaquetas com quadrados rubro-negros, um autêntico tabuleiro de xadrez, que ganhou logo o apelido de “papagaio de vintém”, por lembrar as pipas que os garotos empinavam no céu carioca. Mas, como o time andou pisando na bola, em 1913, o “papagaio de vintém” foi considerado agourento e expulso de campo no dia em que o clube completou a maioridade, vencendo o então campeão carioca, o América, por 1 x 0. Só que com, camisas de “cobra-coral”, um novo modelo, com listras horizontais e pequenas faixas branco, separando o vermelho do preto. Finalmente, em 1918, por causa da primeira guerra mundial, o Flamengo ficou rubro-negro, pois teve de abdicar do tricolor preto-vermelho-branco, que o deixavam igual à bandeira da Alemanha nazista. Mas pintou uma outra guerra. A rapaziada do remo, que criou a fama do clube, com muitas vitórias no mar, achava futebol era coisa de “boiola”, e não permitia que a turma do novo esporte usasse camisas iguais as deles.
PRIMEIRO JOGO - O Flamengo rolou “gorduchinha”, pela primeira vez, em 3 de maio de 1912, com nove ex-jogadores do Fluminense. O “match” foi no “field” da Rua Campos Sales, no Rio de Janeiro, e já valendo pelo Campeonato Carioca, promovido pela Liga Metropolitana de Sports Athléticos. Com arbitragem de João Evangelista. B. Duarte, em grande estilo, a rapaziada sapecou 16 x 2 no Mangueira, clube que não existe mais. O time jogou com Baena; Pínda, Nery, Curiol, Gilberto, Galo, Baiano, Arnaldo, Amarante , Gustavo e Borgerth, e os gols foram marcados por Gustavo (5), Amarante (4), Arnaldo (4), Borgert (2) e Galo.
Naquele ano, o futebol carioca teve dois campeonatos, um promovido pela Associação de Football do Rio de Janeiro, criada pelo Botafogo, junto com clubes de menor expressão, e o da Liga Metropolitana de Sports Athléticos. Em seu primeiro ano de bola rolando, o Flamengo já foi vice-campeão carioca, obtendo nove vitórias em 13 jogos. Sofreu a primeira derrota no dia 9 de maio, por 2 x 1, ante o campeão do ano, o Paysandu, e perdeu o primeiro Fla-Flu, em 7 de julho, por 3 x 2. Mas vingou-se no returno, em 27 de outubro, com uma goleada, por 4 x 0.
O primeiro campeonato disputado pelo Flamengo teve dois turnos, com todos jogando contra todos – América, Bangu, Flamengo, Fluminense, Mangueira, Paysandu, Rio Cricket e São Cristóvão – e o time ainda empatou com o Paysandu e o Rio Cricket, ambos no returno e por 1 x 1. As outras vitórias foram: 14 x 0 Mangueira; 6 x 3 e 1 x 0 América; 7 x 4 Bangu; 4 x 0 Rio Cricket; 5 x 0 e 3 x 0 São Cristóvão.
PRIMEIRO AMISTOSO - Entre os meses de maio de 1912 e 1913, o Flamengo havia disputado 28 partidas, todas oficiais. Foi, então, que o clube decidiu realizar o seu primeiro jogo amistoso. O adversário escolhido foi a Associação Atlética Mackenzie College, de São Paulo, que tinha times mais fortes do que os cariocas, além de ser considerado, por muitos historiadores, o primeiro clube brasileiro fundado (18/8/1898) para a prática do futebol.
O primeiro amistoso do Flamengo constituiu-se num grande acontecimento no Rio de Janeiro. Os paulistas hospedaram-se no Hotel Avenida, o maior do país, e seguiram para o estádio da Rua General Severiano, que encontram lotado, em carros abertos, saudando os cariocas, pelo caminho. Foram eles quem abriram o placar, por intermédio de Renato, aos 19 minutos, após receber passe de Campos Mello. Mas o Flamengo não desanimou. Lutou muito para empatar, o que conseguiu aos 39 minutos, ainda na primeira etapa, quando Raul fez um cruzamento para a área, e Riemer cabeceou para as redes.
No começo do segundo tempo, a torcida flamenguista vibrou mais ainda. Logo aos seis minutos, Riemer voltou a marcar, colocando os cariocas na frente do marcador. Era demais o que se via em campo. Mas não deu pra segurar. Aos 31 minutos, Ângelo cometeu pênalti sobre Demósthenes, e Campos Mello cobrou certinho, fixando o resultado em 2 x 2.
O Flamengo jogou com: Baena, Gilberto e Nery; Milton, Galo e Ângelo; Baiano, Arnaldo, Zé Pedro, Riemer e Raul. O Mackenzie teve: Arrizabalaga; Orlando e Olsni; Mloura Campos Mello e Zocchi; Bruno, Demóstenes, Bicudo, Renato e Godinho.
PRIMEIRO JOGO FORA DO RIO DE JANEIRO - A primeira aventura interestadual do Flamengo foi da pesada. Enfrentou o campeão paulista de 1914, o São Bento, que deu uma de malandro: saiu catando pelos times paulistanos os melhores jogadores que estudavam no colégio que representava, e formou uma equipe fortíssima. Inclusive, um dos recrutados pelo anfitrião foi o centro-médio (hoje, volante) Sylvio Lagreca que, um ano antes, entrara para a história da Seleção Brasileira, como herói na campanha do título da Copa Roca, conquistada diante dos argentinos, dentro de Buenos Aires.
Era 26 de abril de 1915 e o Flamengo pintou no campo do Velódromo paulistano diante de uma Associação Atlética São Bento que era uma verdadeira seleção. Com 10 minutos de jogo, Fritz marcou o gol da vitória paulista, mas dali em diante a partida fora dura. O Flamengo lutou bravamente para chegar ao empate, mas não teve como igualar o placar. No entanto, os registros jornalísticos da época atribuíram a derrota, por apenas 1 x 0, talvez, devido o cansaço dos jogadores cariocas pela desgastante viagem.
O “match” foi apitado por um paulista chamado Gastão Rachou e o Flamengo jogou com Baena, Píndaro e Nery; Miguel, Parras e Galo; Bartô, Sidney Pullen, Borgert, Riemer e Paulo Buarque.
PRIMEIRO TÍTULO - A primeira faixa de campeão carioca pousou num peito rubro-negro em 1914. Já era hora, afinal o time vinha de dois vice-campeonatos. Tendo como time-base Baena, Píndaro e Nery; Ângelo, Miguel e Gallo; Arnaldo, Orlando, Borgert, Riemer e Raul, o Flamengo jogou 12 vezes, vencendo oito, empatando três e perdendo apenas uma. O time marcou 24 gols e sofreu 15. Riemer, com nove tentos, foi o principal artilheiro, enquanto os demais foram: Arnaldo (3); Gumercindo (3); Orlando (3); Zalacain (2); Borgert, Gallo, Joca e Píndaro, todos com um gol.
No campanha do primeiro título rubro-negro, o Campeonato Carioca teve dois turnos, no sistema todos contra todos, e os adversários rubro-negros foram América, Botafogo, Fluminense, Paysandu, Rio Cricket e São Cristóvão. A arrancada flamenguista rumo à taça começou no dia 10 de maio, com uma vitória, por 3 x 0, sobre o Rio Cricket. Zalacain, duas vezes, sendo uma de pênalti, e Riemer, fizeram os gols, todos no segundo tempo, e o time foi: Baena, Gilberto e Nery; Ângelo, Zalacain e Gallo; Orlando, Joca, Zé Pedro, Riemer e Raul. O jogo foi no estádio da Rua General Severiano e apitada por João Teixeira de Carvalho.
Animado pela bela vitória, os rubro-negros voltaram a campo, dez dias depois, no mesmo estádio, para enfrentar o Paysandu, mas tiveram muitas dificuldades para vencer o forte adversário, por apenas 1 x 0, com gol marcado por Gumercindo, no primeiro tempo. No dia sete de junho, ainda em General Severiano, um susto: empate, por 2 x 2, com o São Cristóvão - Riemer e Orlando marcaram os gols. Foi o único jogo rubro-negro naquele mês, pois a volta ao campeonato só correria em cinco de julho, ainda em General Severiano, com novo empate, pelo mesmo placar, com o Botafogo – Gumercindo e Orlando fizeram os gols.
Com dois empates consecutivos e uma vitória dificílima, nas rodadas anteriores, o Flamengo foi par ao seu quarto compromisso, em 14 de julho, precisando mudar de vida, se quisesse ser campeão. Encarou o América, no estádio da Rua Campos Sales, mas ainda venceu, apertadamente, por 2 x 1. Mas foi uma vitória na raça, de virada, no segundo tempo, com gols marcados por Píndaro e Arnaldo. Pra encerrar o primeiro turno, nada melhor que vencer o Fluminense, no estádio tricolor, nas Laranjeiras: 3 x 2, no dia 26 de julho, com gols marcados por Riemer (2), sendo um de pênalti, e Gumercindo. Além do mais, aquele era o terceiro Fla-Flu da história, e o Flamengo desempatava a contagem. Se perdera o primeiro, por 3 x 2, e vencera o segundo, por 4 x 0, agora pulava na frente, devolvendo ao rival o placar do primeiro clássico.
Cheio de moral, com quatro vitórias e dois empates, o Flamengo credenciava-se a ser campeão, se bem que isso já o demonstrara desde o empate com o forte time paulista do Mackenzie, meses antes. E foi para o returno, estreando com a vitória, por 2 x 1, sobre o Rio Cricket, em jogo realizado em Icaraí , em Niterói. Com gols de Joca, no primeiro tempo, e Orlando, no segundo, o rubro-negro chegou a abrir uma boa vantagem no placar, mas não o conseguiu aumentar, naquele dois de agosto.
Depois de cinco vitórias e uma respeitável invencibilidade, o Flamengo teve o restante do mês para descansar. O retorno foi em 13 de setembro, com 1 x 0, sobre o América, em General Severiano, e gol marcado por Arnaldo, no primeiro tempo. No entanto, o grande cartel de vitórias seria interrompido no dia 12 de outubro, na derrota, 1 x 2, ante o Botafogo. O Fla até saíra na frente do placar, com um gol marcado por Gallo, no primeiro tempo, mas os botafoguenses viraram o placar, ainda na etapa, com dois gols de Fontenelle.
A derrota não deixou de abater os rubro-negros, principalmente porque eles haviam aberto o placar e, depois, permitido que o adversário o virasse. Mas eles teriam, praticamente, duas semanas para a recuperação. Esta aconteceu, em 25 de outubro, nas Laranjeiras, com outra vitória difícil sobre o Paysandu: 1 x 0, com gol de Riemer, no segundo tempo, e mesmo placar do primeiro turno. O título se aproximava. Faltavam duas partidas. A penúltima foi contra o grande rival, Fluminense, em 15 de novembro, data em que o Flamengo completava quatro anos de fundação. Para os tricolores, vence era questão de honra, pois já haviam perdido dois jogos consecutivos para um time que mal saíra das fraldas, e a hora de igualar o duelo era aquela. Então, os dois rivais foram para General Severiano, e fizeram um primeiro tempo duríssimo. Borgerth, que saíra do Flu, brigado, para fundar o futebol do Fla, vingara-se da antiga casa com um gol abridor do placar, no primeiro tempo. Porém, os rubro-negros não conseguiram virar a etapa em vantagem. Osvaldo empatou. Mas o Flamengo tinha Riemer, seu grande goleador, para liquidar com as pretensões do Flu, no segundo tempo. Agora, o placar do Fla-Flu era 3 x 1 para os rubro-negros, depois daquela grande vitória, por 2 x 1.
Finalmente, veio o jogo de 22 de novembro de 1914. A partida foi no estádio das Laranjeiras e o Flamengo tinha por adversário o São Cristóvão. Até o empate servia para ser campeão. E não deu outra: num jogo emocionante, de muitos gols, os dois times terminaram empatados, por 4 x 4, e no apito final de Mário Pernambuco, o Rio comemorava o primeiro título rubro-negro. O primeiro flamengo campeão formou com Baena, Píndaro e Nery; Ângelo, Miguel e Gallo; Arnaldo, Borgerth, Orlando, Riemer e Raul. Os gols do título foram marcados por Arnaldo e Riemer, no primeiro tempo, e, novamente Riemer, com mais dois tentos, na segunda etapa.
Do primeiro time campeão pelo Flamengo, Armando de Almeida, o Gallo, que jogava de centro-médio; Emmanuel Augusto Nery, zagueiro, e Raul Vieira de Carvalho, atacante, participaram dos 12 jogos. O goleiro Othon de Figueiredo Baena atuou uma partida a menos, pois nos 2 x 2 de sete de julho, contra o São Cristóvão, pois Cazuza fora o titular da camisa de número 1. O goleador Ricardo Riemer, que marcara o mesmo número de tentos que Harry Welfare, do Flu, e Ojeda, do América, disputou dez jogos, junto com os também atacantes Arnaldo Machado Guimarães e Orlando Sampaio Mattos. Um jogo a mais do que o médio (como se fora, mais ou menos, um quarto-zagueiro, atualmente) Ângelo Pinheiro Machado. O outro médio do time, Miguel Archanjo Coutinho, e o zagueiro Píndaro de Carvalho, fizeram oito jogos. O atacante Alberto Borgert, principal responsável pela criação do futebol rubro-negro, esteve em campo por sete vezes, enquanto Gumercindo Othero, outro atacante, vestiu a camisa rubro-negra em cinco compromissos. Jogaram menos, três vezes: Coriolano Paulo Nery, oi médio Curiol; Gilberto Toledo Lopes, zagueiro, e o atacante João Figueiredo, o Joca; dois jogos: os zagueiros Antônio Carneiro Campos, o Antonico, e Mílton Nabuco Alves, e o atacante José Pedro de Carvalho, o Zé Pedro. Em apenas uma partida, entraram: Carlos de Freitas Lima, o goleiro Cazuza;o atacante José Pereira Lima, o Pereira Lima, e o médio Ernesto Amarante, o Zalacain.
Por aquele tempo, os times eram dirigidos pelo que se chamava “ground committee”, um colegiado que o escalava, e o flameguista era liderado por Alberto Borgerth. Como primeiro presidente campeão, o Flamengo teve Edmundo de Azurém Furtado.
TÍTULO INVICTO - Não havia como contestar: o Flamengo chegara para arrasar no futebol carioca. Vice-campeão, em 1912/13, com seu primeiro quadro; campeão, nos mesmos anos, com o segundo time, e carregador da taça de 1914, com a sua primeira representação, a instituição virava uma mística de amor e raça, amor acima de tudo, como demonstrava o “half-back” (espécie de lateral) Curiol, que remava e jogava futebol pelo clube.
O time do bi pouco mudou. Baena, Píndaro e Nery continuaram formando o chamado “trio final”; Galo seguiu “half-back”esquerdo (lateral); Borgerth (centroavante), Riemer (meia-esquerda) e Raul (ponta-esquerda) continuaram na “linha), enquanto as modificações ficaram por conta da entrada de Curiol, como “half-back”, pela direita; da maior utilização de Sydney Pullen, do que de Ângelo, na intermediária, e os deslocamentos de Baiano (Orlando Sampaio Matos), para a ponta direita, e de Gumercindo, para a meia direita.
Com aquela galera, o Flamengo conquistou o seu primeiro título invicto, o estadual de 1915, vencendo sete e empatando 5 jogos. Marcou 35 e sofreu 11 gols. A formação base foi: Baena, Píndaro e Nery; Curiol, Galo e Sidney Pullen; Orlando, Borgerth, Riemer, Pulo Buarque e Raul. No torneio de dois turnos, os resultados foram: (turno) 2 x 2 Rio Cricket; 5 x 0 Fluminense; 5 x 0 São Cristóvão; 2 x 1 Botafogo; 4 x 2 América; 4 x 0 Bangu; (returno) 5 x 2 Rio Cricket; 1 x 1 Fluminense: 0 x 0 São Cristóvão; 0 x 0 Botafogo, 2 x 2 América e 5 x 1 Bangu.
PRIMEIRO JOGO INTERNACIONAL - O debut internacional do Flamengo foi no dia 10 de maio de 1917, no campo da Rua Paysandu, contra o Sportivo Bararcas, da Argentina, que viera fazer dois jogos amistosos com a Seleção Brasleira. Foi outro grande acontecimento naquele Rio antigo, com muita gente no Cais Pharoux, na Praças XV, aguardando a chegada do vapor Lquana. Sobrou aplausos par os “hermanos” assim que eles desembarcaram, trazendo como grande atração o zagueiro Arturo Schiarretta, da seleção argentina.
No jogo, o Flamengo esteve perto de balançar as redes, logo no início da partida, mas a grande escola de goleiros argentino contava naquele dia com Carlos Muttoni que fechou o gol. No entanto, naos22 minutos do primeiro tempo, o goleirão não teve salvar a pátria de um vexame. E o rubro-negro carioca marcou o seu primeiro golo internacional. Carregal executou um cruzamento para a área, onde estava Gustavo, no lugar certinho, para levantar a galera. No segundo tempo, o Barracas empatou logo aos oito minutos, com uma cabeçada de Filorito, após cobrança de falta por José Medina. E por 1 x 1 o jogo terminou.
Para aquela partida, o Flamengo contou com a participação do melhor jogador do futebol brasileiro de então, Arthur Friendenreich, El Tigre, emprestado pelo Ypiranga, de São Paulo. E o craque mostrou porque tinha tanto cartaz. Partida duríssima, faltando cinco minutos para o encerramento, ele subiu mais do que a defesa argentina durante um cruzamento para área e mandou a bola nas redes. Pena que o árbitro Guilherme White vira Salema cometendo falta sobre o goleiro Muttoni enquanto El Tigre mordia. E anulou o gol, para decepção da torcida.
O primeiro Fla internacional foi: Baena, Antonico e Nery; Japonês, Sidney Pyullen e Galo; Carregal, Friendenreich, Salema, Gustavo e Riemer.
O CLÁSSICO DOS MILHÕES - O Flamengo duela com o Vasco da Gama desde 1923, mas o “Clássico dos Milhões”, o mais mitológico do futebol brasileiro, só foi surgir em 1944, quando os dois lados se tornaram “superinimigos”. Ao longo desses 86 anos de “pegas gerais”, cruzmaltinos e rubro-negros se toparam em 23 decisões emocionantes, que mexeram com o país inteiro.
Na primeira delas, a de 44, um fato ficou marcante na história flamenguista. O atacante argentino Valido, que abandonara a bola, um ano antes, fora convencido, pelo técnico Flávio Costa, a disputar a decisão. Inscrito, como amador, fez o gol do título, aos 41 minutos do segundo tempo, fato que os vascaínos reclamam, até hoje, garantindo, que o gringo se apoiara em Argemiro, para cabecear a bola fatal. Mas só ficaram no choro, diante de 20.308 torcedores espremidos no estadinho da Gávea.
Os dois times levaram 14 anos para voltar a participar de uma decisão apaixonante. Aconteceu já na “Era-Maracanã”, naquele que ficou sendo chamado de “Supersuper Campeonato Carioca”, tendo em vista que os dois rivais, e mais o Botafogo, se igualaram e tiveram que disputar dois triangulares. A final foi Vasco 1 x 1 Flamengo, no dia 17 de janeiro de 1959, mas valendo o título de 1958. Roberto Pinto fez o gol vascaíno e Babá empatou para o Fla. Daquela vez, as faixas de campeão foram para São Januário, com a turma do técnico Gradim.
Empatados nos duelos, a terceira grande decisão demorou mais: 25 anos. Foi dia 6 de maio de 1973 e levou 100.342 torcedores ao Maracanã. Valia pela Taça Guanabara, num tempo em que Zico e Roberto Dinamite, os dois maiores ídolos das histórias dos dois clubes, ainda eram reservas. Com um gol do ponta-esquerda Arílson, aos 30 minutos do primeiro tempo, o Fla levou esta, dirigido por Mário Jorge Lobo Zagallo.
O Vasco deu o troco, em 1976, novamente em uma decisão de Taça GB, daquela vez com jogo extra e prorrogação. No tempo normal, Roberto Dinamite converteu um pênalti que ele sofrera, cometido por Rondinelli, que lhe dera uma cotovelada fora do lance, irresponsavelmente, com apenas seis minutos de jogo. O Fla empatou no segundo tempo, com Geraldo Assoviador, levando a decisão para os pênaltis. Resumo: os cracaços rubro-negro Zico e Geraldo desperdiçaram as suas cobranças e o goleiro vascaíno Mazaroppi virou herói, junto com o apagado Luís Augusto, executor do pênalti que selou a vitória cruzmaltina.
Em 1977, o Vasco repetiu o feito, batendo o rival nos pênaltis. Mas a decisão valia pelo segundo turno do campeonato estadual, que tivera o primeiro vencido pelos vascaínos. O novo duelo foi em 28 de setembro e o “Maraca” espremeu 152. 059 pagantes. Tita perdeu a suia cobrança de penal, e o Dinamite encerrou a história na última cobrança.
O troco do Flamengo veio em três decisões consecutivas, as 1978, 81 e 82, quando ele tinha o melhor time do mundo. Em 3 de dezembro de 78, o jogo caminhava para o 0 x 0, com o Fla campeão do primeiro turno e jogando pelo empate. Aos 41, Zico cobrou escanteio e o zagueiro Rondnelli enfiou a cabeça na bola para carregar a taça, diante de 120.433 torcedores.
Emoções maiores só em 81, quando o ladrilheiro Roberto Passos Pereira invadiu o gramado do Maracanã e esfriou reação vascaína. O Fla ganhara dois turnos, o Vasco um e precisava vencer três jogos extras para ser campeão. Venceu os dois primeiros, por 2 x 0 e 1 x 0, e foi com tudo para o terceiro. Com o Maracanã recebendo 169.989 fanáticos, Adílio e Nunes marcaram para o Flamengo, e Tição para o Vasco. Mais uma festa rubro-negra, repetida no ano seguinte, quando o meia Adílio fez uma bola passar entre a trave direita e o goleiro Mazaroppi, no último lance do jogo disputado em 23 de setembro de 82, sob as vistas de 100.967 expectadores. Naquele dia, o Fla carregava a Taça GB.
Em 1986, começava a “Era-Romário e as faixas de campeão carioca voltaram a São Januário, na decisão da Taça GB. No dia 20 de abril, um baixinho marrento, de 20 anos, marcava os dois gols dos 2 x 0 vascaínos, testemunhado por 121.039 torcedores. Mas o Fla tinha Bebeto, do outro lado, para o técnico Sebastião Lazaroni dar a volta sobre o delegado Antônio Lopes e rir por último. O título do ano foi decidido em três jogos. Após dois 0 x 0, na partida de 10 de agosto, com 127.806 torcedores no Maracanã, o “Baianinho” cravou o primeiro gol e, pra completar, o goleiro vascaíno Acácio engoliu uma “avestruz” em um chute fraco de Júlio César, de fora da área. Festa rubro-negra.
Em 1987, o Vasco fez um campeonato muito melhor do que o rival, mas foi este que levou o título que marcou o fim das decisões entre Zico e Roberto Dinamite. Era o dia 9 de agosto e, diante de 114.628 pagantes, novamente Lazaroni derrubou Lopes, graças a um gol de Titã, no final do primeiro tempo. Em 88, no dia 22 de agosto, foi a vez de Cocada passar 120 segundos na história e desaparecer em seguida. Entrando em campo a dois minutos do final do jogo, no lugar do atacante Vivinho, com uma “pancada”de fora da área, o lateral-direito fez o gol da vitória vascaína, foi expulso em seguida e saiu de campo campeão.
Encerradas as eras-Zico-Roberto Dinamite, Vasco e Flamengo levaram 11 anos para emocionar a galera em uma nova decisão. Na final do campeonato de 1999, após 1 x 1 no primeiro jogo, Rodrigo Mendes, cobrando falta de fora da área, aos 31 minutos do segundo tempo, e deu o título ao Fla, perante 80.590 torcedores, em 19 de junho. Foi do jeito que o diabo gosta: a bola bateu em Nasa e enganou o goleiro Carlos Germano.
Em 200, foi humilhante. Romário estava endiabrado e fez três gols nos 5 x 1 completados por Pedrinho e Felipe, decidindo a Taça Guanabara, diante de 53.750 torcedores. Era 23 de abril e pintou o rebu quando o vascaíno Pedrinho resolveu fazer embaixadinhas diante dos rubro-negros. O clássico terminou com seis expulsões de campo e o Vasco campeão. O Fla se vingou na decisão da temporada: 3 x 0 no primeiro jogo e 2 x 1 no segundo, este testemunhado por68.043 pagantes. Foi a primeira final carioca transmitida ao vivo pela TV para a Cidade Maravilhosa.
E teria mais Fla no pedaço comemorativo. Em 2001, após 57 anos, novamente o herói rubro-negro seria um gringo: o servio Petkovic. Decisão de temporada em dois jogos. Vasco 2 x 1 no primeiro e podendo perder por até um gol de diferença no segundo, em 27 de maio. Primeiro tempo 1 x 1. Aos 8 minutos da segunda fase, o “Capetinha” Edílson colocou o Fla na frente. Ainda estava bom para o Vasco. Estava até que Fabiano Eller fez uma falta desnecessária na entrada da área. Pet foi lá e mandou a bola no ângulo esquerdo da forquilha defendida pelo goleiro Élton, a dois minutos do final. Só restou ao Vasco pagar caro pela covardia de recuar para segurar o placar que lhe interessava. Fla 3 x 1 e taça na Gávea.
Mais duas decisões colocaram vascaínos e rubro-negros frente-a-frente. No sábado de carnaval de 2003, dia 1º de março, com o ridículo público de 25.780 pagantes, a turma da Colina arrebatou a Taça Guanabara, no empate por 1 x 1, e sapecou confetes e serpentinas dentro do Maracanã. Wellington Monteiro marcou para os campeões e Zé Carlos Baiano para o Fla. A penúltima decisão foi a do título estadual de 2004, em dois jogos. Após 2 x 1 no primeiro jogo, o Flamengo teve Jean inspirado e marcando três vezes nos 3 x 1 que lhe consagraram. Valdir Bigode descontou para o Vasco, que havia saído na frente, logo com dois minutos de bola rolando.
O último duelo foi pela decisão da Copa do Brasil de 2006. O Flamengo, que havia sido o campeão em 1990 vencendo o Goiás, na decisão, perdera duas finais, para o Cruzeiro em 2003, e o Santo André, em 2004. Daquela vez, não deu chances ao Vasco, que eliminara o Fluminense, nas semifinais.A primeira partida foi no Maracanã, em 19 de julho, e o Fla sapecou 2 x 0, com gols de Obina. O segundo jogo foi em 26 de julho e o Flamengo voltou a vencer, mas, por 1 x 0, com seu gol marcado por Juan. Mais um título em cima do maior rival.
Toda essa disputa é culpa da própria CBF. Tudo porque ele anunciou que não teria dinheiro suficiente para promover a competição daquele ano, levando os “grandes” a criarem o Clube dos 13 – 11.07.1987 – que conseguiu os patrocínios da TV Globo, da Varig e da Coca-Cola, e criou a Copa União, para a qual foram convidados o Santa Cruz, dono da maior torcida, em Pernambuco, o Coritiba, também com a mesma consideração, no Paraná, e o Goiás, o principal do Centro-Oeste.
Após muitas discussões, em 3 de setembro, CBF e Clube dos 13 definiram um torneio, com 32 times. Os 16 maiores ficaram num grupo, o módulo verde, e a outra metade, garimpada no ranking “cebeefiano”, no tal de módulo amarelo, sendo que o campeão sairia do primeiro. Depois, dois vencedores de cada disputa disputariam as então duas vagas brasileiras à Taça Libertadores.
Tudo certo? Nem tanto. Embora a organização da Copa União estivesse à cargo do Clube dos 13, quando a bola rolava, a CBF decidiu, unilateralmente, que o campeão do quadrangular seria, também, o campeão nacional. Foi, então, quando “grandes” negaram-se a aceitar a ditadura e esta história de quem é o campeão de 1987 começou.
Com 1 x 1, no Beira-Rio, e 1 x 0, no Maracanã, o Flamengo ganhou o módulo verde. O Sport venceu a outra série, com 0 x 2, 2 x 0, 0 x 0, 1 x 1 e 1 x 0, contra o Guarani, de Campinas, disputa iniciada em 6 de dezembro de 1987 e que só foi terminar em 7 de fevereiro de 1988. No meio dessa confusão, houve prorrogação – após o 0 x 0 – disputa por pênalti, terminada em 11 x 11 e até os presidentes dos dois clubes – Homero Lacerda, do Sport, e Leonel Martins de Oliveira, do Bugre – dividindo o título, com um aperto de mãos, para a imprensa registrar.
Na lógica, o Sport não conseguiria tirar o título brasileiro do Flamengo. Não tinha time para aquilo. Por isso, para o torcedor, no gramado, o campeão é o Fla. Mas, como a questão não terminava, em 1997, o Sport e o Clube dos 13 pediram à CBF para reconhecer dois campeões e dois vices. Em 1988, o Conselho Nacional de Desportos, órgão máximo do esporte brasileiro da época, com funções executivas, legislativas e judiciárias, reconhecia o Flamengo como o campeão, afinal disputara um campeonato de primeira divisão – contra Vasco, Fluminense, Botafogo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos, Grêmio, Internacional, Cruzeiro, Atlético-MG, Bahia, Santa Cruz, Coritiba e Goiás –, enquanto o Leão da Ilha enfrentara Atlético-PR, Atlético-GO, América, Bangu, Ceará, Criciúma, Guarani de Campinas, Inter de Limria-SP, Joinville, Portuguesa de Desportos, Treze de Campina Grande-PB, Rio Branco de Vitória-ES e Vitória da Bahia.
Favorável, também, ao Flamengo, vale ressaltar que o seu campeonato teve média de público, de 44 mil pagantes, ao passo que os times do módulo amarelo não alcançaram a média de oito mil pagantes por partida. Na final, entre Fla x Inter, 91.034 torcedores foram ao Maracanã. Sport e Guarani, cuja “final da CBF” foi em Salvador, teve assistência de 26.282 pagantes. Portanto, na bola, o campeão é o Flamengo.
CAMPANHA DO HEXA - Campeão brasileiro, em 1980, 82, 83, 87 e 92, o Flamengo começou o Brasileirão-2009, ano em que o Rio de Janeiro comemora os seus 444 anos de vida, desacreditado, como em 1965, quando conquistou o título do futebol carioca da temporada em que a Cidade Maravilhosa celebrava o seu IV Centenário.
Embora tivesse sagrado-se campeão estadual em 2009 – o seu pentatri –, o time rubro-negro não acertava, no certame nacional, dirigido pelo técnico Cuca, que desacertava-se com o grupo e saía, para satisfação geral. O auxiliar-técnico Andrade, ex-volante da geração rubro-negra mais vencedora, a da década-80, assumiu o comando e arrumou a casa.
Nos dois primeiros jogos, o Flamengo decepcionou. Perdeu do Cruzeiro, por 0 x 2, e empatou, por 0 x 0, como Avaí, ambos em casa. Alentou sua torcida, em seguida, vencendo o Santo André, fora, e o Atlético-PR, no Maracanã, pelo mesmo placar: 2 x 1. Contra o “Furacão”, houve a estréia do ”Imperador” Adriano, que marcou um gol foi um dos principais responsáveis pelo título, inclusive, sendo o artilheiro do campeonato, com 19 gols, empatado com Diego Tardelli, do Atlético-MG. Desmotivado do futebol, o qual ameaçara abandonar, após deixar a italiana Internazionale, Adriano reencontrou a alegria na Gávea, para ser o melhor de sua posição no campeonato, além de voltar à Seleção Brasileira.
Depois da vitória, sobrte o Furacão, no entanto, o Fla voltou a se complicar. Perdeu, por 2 x 4, do Sport Recife, e foi goleado, por 0 x 5, pelo Coritiba. Descontou em cima do Internacional, com 4 x 0 e três gols de Adriano. Mas não sequenciou o bom momento. Irregular, a seguir, ficou no 0 x 0, com o Fluminense, e venceu o Vitória, por 2 x 1, em 4 de julho.
Dali por diante, o Flamengo viveu um “inferninho astral”, até 30 de julho, quando venceu o Atlético-MG, em casa, por 3 x 1. Antes, amargou 2 x 2 São Paulo (fora); 1x 2 Palmeiras (em casa); 2 x 2 Botafogo e 1 x 1 Barueri (em casa). Fez 2 x 1 sobre o Santos (fora) e encerrou o turno, ainda, irregular: 1 x 1 Náutico (em casa); 2 x 3 Goiás; 1 x 0 Corinthians e 4 x 1 Grêmio.
Oito vitórias, em 19 jogos, não era mesmo um cartel recomendável a um campeão estadual. Tanto que o Flamengo beirou a zona de rebaixamento, despencando até um decepcionante 14º lugar. Porém, no returno, as coisas mudaram. O time cresceu, com a efetivação, como titular, do meia-atacante veteraníssimo Petkovic, que vinha entrando no decorrer das partidas, e das chegadas do zagueiro Álvaro, dispensado, pelo Internacional, e do cabeça-de-área chileno Maldonado. Vale ressaltar quem, Petkovic, contratação muito criticada, voltara ao clube só para acerar uma antiga dívida.
Enfim, no returno, os rubro-negros perderam, apenas, dois jogos: 1 x 2, frente ao Cruzeiro, no Mineirão, e 0 x 2 Barueri, também fora. Empataram quatro – 0 x 0 Atlético-PR (fora); 0 x 0 Internacional (fora); 3 x 3 Vitória (fora) e 0 x 0 Goiás (em casa) – e venceram as demais partidas: 3 x 0 Avaí; 3 x 0 Santo André; 3 x 0 Sport; 3 x 0 Coritiba; 2 x 0 Fluminense; 2 x 1 São Paulo; 2 x 0 Palmeiras (fora); 1 x 0 Botafogo; 1 x 0 Santos; 3 x 1 Atlético-MG (fora); 2 x 0 Náutico (fora); 2 x 0 Corinthians (fora) e 2 x 1 Grêmio.
Assim, com 67 pontos, contra 65 de Internacional e São Paulo, e 62 de Cruzeiro e Palmeiras, os melhores classificados, o Fla chegou ao hexa. Candangol homenageia a torcida rubro-negra carioca, contanto os principais fatos da história inicial do clube da Gávea, que fará 115 anos de existência, em 2.010. Leia abaixo.
PONTO DE PARTIDA - Esta é uma história que só foi possível graças ao sonho de um grupo de jovens sem muito dinheiro e a uma briga alheia. Explica-se: o século 19 caminhava para fechar a sua história, quando três rapazes – Nestor de Barros, José Agostinho Pereira da Cunha e Mário Spíndola – amadureceram a idéia de convidar outros amigos para fundarem um grupo de regatas. Clube neste sentido, nem pensar. Foi por ali que tudo começou.
No dia 17 de novembro de 1895, a galera criou o Grupo de Regatas Flamengo, mas com certidão de nascimento atrasada em dois dias, afinal o 15 de novembro era um feriado nacional, o da proclamação da república, e nenhum carioca que prezasse a sua história desprezaria as alegrias de um dia como aquele, no Rio de Janeiro. Tudo bem, ninguém contra.
Grupo regateiro formado, a primeira reunião para a escolha dos padrinhos ocorreu em 22 do mesmo mês, no prédio de número 22, da Rua do Russel. Ali, no mesmo dia, formou-se a primeira diretoria “auri-azul”. Sim, isso mesmo! O Flamengo não nasceu rubro-negro. Trocaremos de cores daqui há poucas linhas. Pois bem! Democraticamente, escolhidos o primeiro comando do Grupo de Regatas Flamengo ficou assim: presidente – Domingos de Azevedo Marques; vice-presidente – Francisco Lucci Colás; secretário – Nestor de Barros, e tesoureiro – Felisberto Laport, pouco depois substituído por José Agostinho Pereira da Costa. Ainda participaram daquela primeira reunião, os futuros rubro-negros Desidério Guimarães, José da Cunha Meneses, Maurício Rodrigues Pereira, Napoleão Coelho de Oliveira, Carlos Sardinha, José Maria Leitão da Cunha, George Lenziger, Emídio José Barbosa, Nestor Barros e José Agostinho Pereira da Cunha.
Cheios de coragem, os rapazes toparam pagar a fortuna, para a época, de 180 mil réis pelo aluguel da sede, e fixaram a cota de 5 mil réis para a mensalidade, e de 10 mil réis para a taxa de inscrição. Rápido, o Flamengo comprou, por 300 mil réis, o barco “Pheruzza”, e, pouco depois, o “Scyra”, que pertencia à Union des Canotiers. O sonho era grande, mas, na estréia, os rapazes “naufragaram”. Sentiram enjôo, passaram mal e nem cruzaram a linha de chegada. Foi em 5 de dezembro, 18 dias após a fundação real do grupo de regatas. Osrepresentantes históricos – José Félix (patrão), Mário Espínola (voga), Maurício Rodrigues Pereira (sota-voga), Felisberto Laport (sota-proa) e Nestor de Barros (proa) – disputaram, com o barco Scyra, uma prova oficial, organizada pelo Grupo de Regatas Gragoatá. A primeira vez foi decepcionantes, mas os rapazes tinham saúde explodindo nas veias e uma vontade imensa de conquistar o infinito. Levaram 21 anos tentando, até que, em 1916, o Flamengo conquistaria o seu primeiro título: no braço e nas águas da baía de Guanabara.
MUDANÇA DE CORES - Estava escrito que o Flamengo teria que ser rubro-negro. Pra começar, o seu primeiro uniforme, nas cores ouro e azul-celeste, caiu, de cara, fora da raia . À primeira lavagem, desbotou-se, completamente, ficando irreconhecível. O jeito foi mudar a cor das camisas, o que ocorrera na assembléia realizada em 23 de novembro de 1896.Por sugestão do fundador Nestor de Barros, durante a primeira emenda aos estatutos do Grupo de Regatas Flamengo, as jaquetas passaram a ser pretas, inserindo-se nelas duas âncoras vermelhas cruzadas – olha aí o rubro-negro pintando!
Então, graças a um desastre aquático, pode-se imaginar que, quem nasceu para ser rubro-negro jamais escaparia do seu destino eterno. Só que, no futebol, foi uma batalha para o time vestir-se naquele tom. Vamos conferir?
O FUTEBOL - Os clubes cariocas se pegavam no pé, desde 1906, enquanto o Flamengo só saía no braço. Foi, então, que o time campeão de 1911, o Fluminense, decidiu mandar para a reserva o centroavante do seu time principal - e também diretor – Alberto Borgerth . O carinha e a sua patota não toparam nem um pouquinho aquele lance. Assim que levantaram o caneco da temporada, eles abandonaram o campeão e foram fundar a seção de futebol do Flamengo, clube pelo qual Borgerth já patroava guarnições de remo. Um perfeito golpe de mestre da malandragem.
O diretor de regatas flamenguista, Sousa Mendes, junto com outros diretores – Pimenta de Melo, Edmundo Furtado e Virgílio Leite – ficaram “de cara” com aquela onda. A galera do Flu, querendo armar um lance em cima do Fla! Tinha coisa. Foi aí que Borgerth sacou: “Qual é! O Flamengo vai receber, sem gastar um tostão e sem fazer nenhum esforço, os mais famosos “players” do Rio de Janeiro. Só “cracks”, a patota campeã carioca de 1911”.
Colou! Colou, legal. Quem diria? O Fla, filho do Flu, um dos seus maiores “inimigos”. Mas aconteceu. Aconteceu e valeu. Foi um presente à torcida brasileira, pois a partir de 24 de novembro 1911, o futebol chegava ao Flamengo. Da noite para o dia, além de Borgerth, viraram a casaca e se tornaram flamenguistas: Armando de Almeida, o Galo; Orlando Sampaio Matos, o Baiano; Emmanuel Nery; Ernesto Amarante; Gustavo de Carvalho; Lawrence Andrews; Othon Baena de Figueiredo; e Píndaro de Carvalho Rodrigues.
Para o Flamengo rolar a bola, Borgerth queria que fosse com camisas rubro-negras, com listras horizontais, embora se usasse verticais, na época. Criado o impasse, inventaram jaquetas com quadrados rubro-negros, um autêntico tabuleiro de xadrez, que ganhou logo o apelido de “papagaio de vintém”, por lembrar as pipas que os garotos empinavam no céu carioca. Mas, como o time andou pisando na bola, em 1913, o “papagaio de vintém” foi considerado agourento e expulso de campo no dia em que o clube completou a maioridade, vencendo o então campeão carioca, o América, por 1 x 0. Só que com, camisas de “cobra-coral”, um novo modelo, com listras horizontais e pequenas faixas branco, separando o vermelho do preto. Finalmente, em 1918, por causa da primeira guerra mundial, o Flamengo ficou rubro-negro, pois teve de abdicar do tricolor preto-vermelho-branco, que o deixavam igual à bandeira da Alemanha nazista. Mas pintou uma outra guerra. A rapaziada do remo, que criou a fama do clube, com muitas vitórias no mar, achava futebol era coisa de “boiola”, e não permitia que a turma do novo esporte usasse camisas iguais as deles.
PRIMEIRO JOGO - O Flamengo rolou “gorduchinha”, pela primeira vez, em 3 de maio de 1912, com nove ex-jogadores do Fluminense. O “match” foi no “field” da Rua Campos Sales, no Rio de Janeiro, e já valendo pelo Campeonato Carioca, promovido pela Liga Metropolitana de Sports Athléticos. Com arbitragem de João Evangelista. B. Duarte, em grande estilo, a rapaziada sapecou 16 x 2 no Mangueira, clube que não existe mais. O time jogou com Baena; Pínda, Nery, Curiol, Gilberto, Galo, Baiano, Arnaldo, Amarante , Gustavo e Borgerth, e os gols foram marcados por Gustavo (5), Amarante (4), Arnaldo (4), Borgert (2) e Galo.
Naquele ano, o futebol carioca teve dois campeonatos, um promovido pela Associação de Football do Rio de Janeiro, criada pelo Botafogo, junto com clubes de menor expressão, e o da Liga Metropolitana de Sports Athléticos. Em seu primeiro ano de bola rolando, o Flamengo já foi vice-campeão carioca, obtendo nove vitórias em 13 jogos. Sofreu a primeira derrota no dia 9 de maio, por 2 x 1, ante o campeão do ano, o Paysandu, e perdeu o primeiro Fla-Flu, em 7 de julho, por 3 x 2. Mas vingou-se no returno, em 27 de outubro, com uma goleada, por 4 x 0.
O primeiro campeonato disputado pelo Flamengo teve dois turnos, com todos jogando contra todos – América, Bangu, Flamengo, Fluminense, Mangueira, Paysandu, Rio Cricket e São Cristóvão – e o time ainda empatou com o Paysandu e o Rio Cricket, ambos no returno e por 1 x 1. As outras vitórias foram: 14 x 0 Mangueira; 6 x 3 e 1 x 0 América; 7 x 4 Bangu; 4 x 0 Rio Cricket; 5 x 0 e 3 x 0 São Cristóvão.
PRIMEIRO AMISTOSO - Entre os meses de maio de 1912 e 1913, o Flamengo havia disputado 28 partidas, todas oficiais. Foi, então, que o clube decidiu realizar o seu primeiro jogo amistoso. O adversário escolhido foi a Associação Atlética Mackenzie College, de São Paulo, que tinha times mais fortes do que os cariocas, além de ser considerado, por muitos historiadores, o primeiro clube brasileiro fundado (18/8/1898) para a prática do futebol.
O primeiro amistoso do Flamengo constituiu-se num grande acontecimento no Rio de Janeiro. Os paulistas hospedaram-se no Hotel Avenida, o maior do país, e seguiram para o estádio da Rua General Severiano, que encontram lotado, em carros abertos, saudando os cariocas, pelo caminho. Foram eles quem abriram o placar, por intermédio de Renato, aos 19 minutos, após receber passe de Campos Mello. Mas o Flamengo não desanimou. Lutou muito para empatar, o que conseguiu aos 39 minutos, ainda na primeira etapa, quando Raul fez um cruzamento para a área, e Riemer cabeceou para as redes.
No começo do segundo tempo, a torcida flamenguista vibrou mais ainda. Logo aos seis minutos, Riemer voltou a marcar, colocando os cariocas na frente do marcador. Era demais o que se via em campo. Mas não deu pra segurar. Aos 31 minutos, Ângelo cometeu pênalti sobre Demósthenes, e Campos Mello cobrou certinho, fixando o resultado em 2 x 2.
O Flamengo jogou com: Baena, Gilberto e Nery; Milton, Galo e Ângelo; Baiano, Arnaldo, Zé Pedro, Riemer e Raul. O Mackenzie teve: Arrizabalaga; Orlando e Olsni; Mloura Campos Mello e Zocchi; Bruno, Demóstenes, Bicudo, Renato e Godinho.
PRIMEIRO JOGO FORA DO RIO DE JANEIRO - A primeira aventura interestadual do Flamengo foi da pesada. Enfrentou o campeão paulista de 1914, o São Bento, que deu uma de malandro: saiu catando pelos times paulistanos os melhores jogadores que estudavam no colégio que representava, e formou uma equipe fortíssima. Inclusive, um dos recrutados pelo anfitrião foi o centro-médio (hoje, volante) Sylvio Lagreca que, um ano antes, entrara para a história da Seleção Brasileira, como herói na campanha do título da Copa Roca, conquistada diante dos argentinos, dentro de Buenos Aires.
Era 26 de abril de 1915 e o Flamengo pintou no campo do Velódromo paulistano diante de uma Associação Atlética São Bento que era uma verdadeira seleção. Com 10 minutos de jogo, Fritz marcou o gol da vitória paulista, mas dali em diante a partida fora dura. O Flamengo lutou bravamente para chegar ao empate, mas não teve como igualar o placar. No entanto, os registros jornalísticos da época atribuíram a derrota, por apenas 1 x 0, talvez, devido o cansaço dos jogadores cariocas pela desgastante viagem.
O “match” foi apitado por um paulista chamado Gastão Rachou e o Flamengo jogou com Baena, Píndaro e Nery; Miguel, Parras e Galo; Bartô, Sidney Pullen, Borgert, Riemer e Paulo Buarque.
PRIMEIRO TÍTULO - A primeira faixa de campeão carioca pousou num peito rubro-negro em 1914. Já era hora, afinal o time vinha de dois vice-campeonatos. Tendo como time-base Baena, Píndaro e Nery; Ângelo, Miguel e Gallo; Arnaldo, Orlando, Borgert, Riemer e Raul, o Flamengo jogou 12 vezes, vencendo oito, empatando três e perdendo apenas uma. O time marcou 24 gols e sofreu 15. Riemer, com nove tentos, foi o principal artilheiro, enquanto os demais foram: Arnaldo (3); Gumercindo (3); Orlando (3); Zalacain (2); Borgert, Gallo, Joca e Píndaro, todos com um gol.
No campanha do primeiro título rubro-negro, o Campeonato Carioca teve dois turnos, no sistema todos contra todos, e os adversários rubro-negros foram América, Botafogo, Fluminense, Paysandu, Rio Cricket e São Cristóvão. A arrancada flamenguista rumo à taça começou no dia 10 de maio, com uma vitória, por 3 x 0, sobre o Rio Cricket. Zalacain, duas vezes, sendo uma de pênalti, e Riemer, fizeram os gols, todos no segundo tempo, e o time foi: Baena, Gilberto e Nery; Ângelo, Zalacain e Gallo; Orlando, Joca, Zé Pedro, Riemer e Raul. O jogo foi no estádio da Rua General Severiano e apitada por João Teixeira de Carvalho.
Animado pela bela vitória, os rubro-negros voltaram a campo, dez dias depois, no mesmo estádio, para enfrentar o Paysandu, mas tiveram muitas dificuldades para vencer o forte adversário, por apenas 1 x 0, com gol marcado por Gumercindo, no primeiro tempo. No dia sete de junho, ainda em General Severiano, um susto: empate, por 2 x 2, com o São Cristóvão - Riemer e Orlando marcaram os gols. Foi o único jogo rubro-negro naquele mês, pois a volta ao campeonato só correria em cinco de julho, ainda em General Severiano, com novo empate, pelo mesmo placar, com o Botafogo – Gumercindo e Orlando fizeram os gols.
Com dois empates consecutivos e uma vitória dificílima, nas rodadas anteriores, o Flamengo foi par ao seu quarto compromisso, em 14 de julho, precisando mudar de vida, se quisesse ser campeão. Encarou o América, no estádio da Rua Campos Sales, mas ainda venceu, apertadamente, por 2 x 1. Mas foi uma vitória na raça, de virada, no segundo tempo, com gols marcados por Píndaro e Arnaldo. Pra encerrar o primeiro turno, nada melhor que vencer o Fluminense, no estádio tricolor, nas Laranjeiras: 3 x 2, no dia 26 de julho, com gols marcados por Riemer (2), sendo um de pênalti, e Gumercindo. Além do mais, aquele era o terceiro Fla-Flu da história, e o Flamengo desempatava a contagem. Se perdera o primeiro, por 3 x 2, e vencera o segundo, por 4 x 0, agora pulava na frente, devolvendo ao rival o placar do primeiro clássico.
Cheio de moral, com quatro vitórias e dois empates, o Flamengo credenciava-se a ser campeão, se bem que isso já o demonstrara desde o empate com o forte time paulista do Mackenzie, meses antes. E foi para o returno, estreando com a vitória, por 2 x 1, sobre o Rio Cricket, em jogo realizado em Icaraí , em Niterói. Com gols de Joca, no primeiro tempo, e Orlando, no segundo, o rubro-negro chegou a abrir uma boa vantagem no placar, mas não o conseguiu aumentar, naquele dois de agosto.
Depois de cinco vitórias e uma respeitável invencibilidade, o Flamengo teve o restante do mês para descansar. O retorno foi em 13 de setembro, com 1 x 0, sobre o América, em General Severiano, e gol marcado por Arnaldo, no primeiro tempo. No entanto, o grande cartel de vitórias seria interrompido no dia 12 de outubro, na derrota, 1 x 2, ante o Botafogo. O Fla até saíra na frente do placar, com um gol marcado por Gallo, no primeiro tempo, mas os botafoguenses viraram o placar, ainda na etapa, com dois gols de Fontenelle.
A derrota não deixou de abater os rubro-negros, principalmente porque eles haviam aberto o placar e, depois, permitido que o adversário o virasse. Mas eles teriam, praticamente, duas semanas para a recuperação. Esta aconteceu, em 25 de outubro, nas Laranjeiras, com outra vitória difícil sobre o Paysandu: 1 x 0, com gol de Riemer, no segundo tempo, e mesmo placar do primeiro turno. O título se aproximava. Faltavam duas partidas. A penúltima foi contra o grande rival, Fluminense, em 15 de novembro, data em que o Flamengo completava quatro anos de fundação. Para os tricolores, vence era questão de honra, pois já haviam perdido dois jogos consecutivos para um time que mal saíra das fraldas, e a hora de igualar o duelo era aquela. Então, os dois rivais foram para General Severiano, e fizeram um primeiro tempo duríssimo. Borgerth, que saíra do Flu, brigado, para fundar o futebol do Fla, vingara-se da antiga casa com um gol abridor do placar, no primeiro tempo. Porém, os rubro-negros não conseguiram virar a etapa em vantagem. Osvaldo empatou. Mas o Flamengo tinha Riemer, seu grande goleador, para liquidar com as pretensões do Flu, no segundo tempo. Agora, o placar do Fla-Flu era 3 x 1 para os rubro-negros, depois daquela grande vitória, por 2 x 1.
Finalmente, veio o jogo de 22 de novembro de 1914. A partida foi no estádio das Laranjeiras e o Flamengo tinha por adversário o São Cristóvão. Até o empate servia para ser campeão. E não deu outra: num jogo emocionante, de muitos gols, os dois times terminaram empatados, por 4 x 4, e no apito final de Mário Pernambuco, o Rio comemorava o primeiro título rubro-negro. O primeiro flamengo campeão formou com Baena, Píndaro e Nery; Ângelo, Miguel e Gallo; Arnaldo, Borgerth, Orlando, Riemer e Raul. Os gols do título foram marcados por Arnaldo e Riemer, no primeiro tempo, e, novamente Riemer, com mais dois tentos, na segunda etapa.
Do primeiro time campeão pelo Flamengo, Armando de Almeida, o Gallo, que jogava de centro-médio; Emmanuel Augusto Nery, zagueiro, e Raul Vieira de Carvalho, atacante, participaram dos 12 jogos. O goleiro Othon de Figueiredo Baena atuou uma partida a menos, pois nos 2 x 2 de sete de julho, contra o São Cristóvão, pois Cazuza fora o titular da camisa de número 1. O goleador Ricardo Riemer, que marcara o mesmo número de tentos que Harry Welfare, do Flu, e Ojeda, do América, disputou dez jogos, junto com os também atacantes Arnaldo Machado Guimarães e Orlando Sampaio Mattos. Um jogo a mais do que o médio (como se fora, mais ou menos, um quarto-zagueiro, atualmente) Ângelo Pinheiro Machado. O outro médio do time, Miguel Archanjo Coutinho, e o zagueiro Píndaro de Carvalho, fizeram oito jogos. O atacante Alberto Borgert, principal responsável pela criação do futebol rubro-negro, esteve em campo por sete vezes, enquanto Gumercindo Othero, outro atacante, vestiu a camisa rubro-negra em cinco compromissos. Jogaram menos, três vezes: Coriolano Paulo Nery, oi médio Curiol; Gilberto Toledo Lopes, zagueiro, e o atacante João Figueiredo, o Joca; dois jogos: os zagueiros Antônio Carneiro Campos, o Antonico, e Mílton Nabuco Alves, e o atacante José Pedro de Carvalho, o Zé Pedro. Em apenas uma partida, entraram: Carlos de Freitas Lima, o goleiro Cazuza;o atacante José Pereira Lima, o Pereira Lima, e o médio Ernesto Amarante, o Zalacain.
Por aquele tempo, os times eram dirigidos pelo que se chamava “ground committee”, um colegiado que o escalava, e o flameguista era liderado por Alberto Borgerth. Como primeiro presidente campeão, o Flamengo teve Edmundo de Azurém Furtado.
TÍTULO INVICTO - Não havia como contestar: o Flamengo chegara para arrasar no futebol carioca. Vice-campeão, em 1912/13, com seu primeiro quadro; campeão, nos mesmos anos, com o segundo time, e carregador da taça de 1914, com a sua primeira representação, a instituição virava uma mística de amor e raça, amor acima de tudo, como demonstrava o “half-back” (espécie de lateral) Curiol, que remava e jogava futebol pelo clube.
O time do bi pouco mudou. Baena, Píndaro e Nery continuaram formando o chamado “trio final”; Galo seguiu “half-back”esquerdo (lateral); Borgerth (centroavante), Riemer (meia-esquerda) e Raul (ponta-esquerda) continuaram na “linha), enquanto as modificações ficaram por conta da entrada de Curiol, como “half-back”, pela direita; da maior utilização de Sydney Pullen, do que de Ângelo, na intermediária, e os deslocamentos de Baiano (Orlando Sampaio Matos), para a ponta direita, e de Gumercindo, para a meia direita.
Com aquela galera, o Flamengo conquistou o seu primeiro título invicto, o estadual de 1915, vencendo sete e empatando 5 jogos. Marcou 35 e sofreu 11 gols. A formação base foi: Baena, Píndaro e Nery; Curiol, Galo e Sidney Pullen; Orlando, Borgerth, Riemer, Pulo Buarque e Raul. No torneio de dois turnos, os resultados foram: (turno) 2 x 2 Rio Cricket; 5 x 0 Fluminense; 5 x 0 São Cristóvão; 2 x 1 Botafogo; 4 x 2 América; 4 x 0 Bangu; (returno) 5 x 2 Rio Cricket; 1 x 1 Fluminense: 0 x 0 São Cristóvão; 0 x 0 Botafogo, 2 x 2 América e 5 x 1 Bangu.
PRIMEIRO JOGO INTERNACIONAL - O debut internacional do Flamengo foi no dia 10 de maio de 1917, no campo da Rua Paysandu, contra o Sportivo Bararcas, da Argentina, que viera fazer dois jogos amistosos com a Seleção Brasleira. Foi outro grande acontecimento naquele Rio antigo, com muita gente no Cais Pharoux, na Praças XV, aguardando a chegada do vapor Lquana. Sobrou aplausos par os “hermanos” assim que eles desembarcaram, trazendo como grande atração o zagueiro Arturo Schiarretta, da seleção argentina.
No jogo, o Flamengo esteve perto de balançar as redes, logo no início da partida, mas a grande escola de goleiros argentino contava naquele dia com Carlos Muttoni que fechou o gol. No entanto, naos22 minutos do primeiro tempo, o goleirão não teve salvar a pátria de um vexame. E o rubro-negro carioca marcou o seu primeiro golo internacional. Carregal executou um cruzamento para a área, onde estava Gustavo, no lugar certinho, para levantar a galera. No segundo tempo, o Barracas empatou logo aos oito minutos, com uma cabeçada de Filorito, após cobrança de falta por José Medina. E por 1 x 1 o jogo terminou.
Para aquela partida, o Flamengo contou com a participação do melhor jogador do futebol brasileiro de então, Arthur Friendenreich, El Tigre, emprestado pelo Ypiranga, de São Paulo. E o craque mostrou porque tinha tanto cartaz. Partida duríssima, faltando cinco minutos para o encerramento, ele subiu mais do que a defesa argentina durante um cruzamento para área e mandou a bola nas redes. Pena que o árbitro Guilherme White vira Salema cometendo falta sobre o goleiro Muttoni enquanto El Tigre mordia. E anulou o gol, para decepção da torcida.
O primeiro Fla internacional foi: Baena, Antonico e Nery; Japonês, Sidney Pyullen e Galo; Carregal, Friendenreich, Salema, Gustavo e Riemer.
O CLÁSSICO DOS MILHÕES - O Flamengo duela com o Vasco da Gama desde 1923, mas o “Clássico dos Milhões”, o mais mitológico do futebol brasileiro, só foi surgir em 1944, quando os dois lados se tornaram “superinimigos”. Ao longo desses 86 anos de “pegas gerais”, cruzmaltinos e rubro-negros se toparam em 23 decisões emocionantes, que mexeram com o país inteiro.
Na primeira delas, a de 44, um fato ficou marcante na história flamenguista. O atacante argentino Valido, que abandonara a bola, um ano antes, fora convencido, pelo técnico Flávio Costa, a disputar a decisão. Inscrito, como amador, fez o gol do título, aos 41 minutos do segundo tempo, fato que os vascaínos reclamam, até hoje, garantindo, que o gringo se apoiara em Argemiro, para cabecear a bola fatal. Mas só ficaram no choro, diante de 20.308 torcedores espremidos no estadinho da Gávea.
Os dois times levaram 14 anos para voltar a participar de uma decisão apaixonante. Aconteceu já na “Era-Maracanã”, naquele que ficou sendo chamado de “Supersuper Campeonato Carioca”, tendo em vista que os dois rivais, e mais o Botafogo, se igualaram e tiveram que disputar dois triangulares. A final foi Vasco 1 x 1 Flamengo, no dia 17 de janeiro de 1959, mas valendo o título de 1958. Roberto Pinto fez o gol vascaíno e Babá empatou para o Fla. Daquela vez, as faixas de campeão foram para São Januário, com a turma do técnico Gradim.
Empatados nos duelos, a terceira grande decisão demorou mais: 25 anos. Foi dia 6 de maio de 1973 e levou 100.342 torcedores ao Maracanã. Valia pela Taça Guanabara, num tempo em que Zico e Roberto Dinamite, os dois maiores ídolos das histórias dos dois clubes, ainda eram reservas. Com um gol do ponta-esquerda Arílson, aos 30 minutos do primeiro tempo, o Fla levou esta, dirigido por Mário Jorge Lobo Zagallo.
O Vasco deu o troco, em 1976, novamente em uma decisão de Taça GB, daquela vez com jogo extra e prorrogação. No tempo normal, Roberto Dinamite converteu um pênalti que ele sofrera, cometido por Rondinelli, que lhe dera uma cotovelada fora do lance, irresponsavelmente, com apenas seis minutos de jogo. O Fla empatou no segundo tempo, com Geraldo Assoviador, levando a decisão para os pênaltis. Resumo: os cracaços rubro-negro Zico e Geraldo desperdiçaram as suas cobranças e o goleiro vascaíno Mazaroppi virou herói, junto com o apagado Luís Augusto, executor do pênalti que selou a vitória cruzmaltina.
Em 1977, o Vasco repetiu o feito, batendo o rival nos pênaltis. Mas a decisão valia pelo segundo turno do campeonato estadual, que tivera o primeiro vencido pelos vascaínos. O novo duelo foi em 28 de setembro e o “Maraca” espremeu 152. 059 pagantes. Tita perdeu a suia cobrança de penal, e o Dinamite encerrou a história na última cobrança.
O troco do Flamengo veio em três decisões consecutivas, as 1978, 81 e 82, quando ele tinha o melhor time do mundo. Em 3 de dezembro de 78, o jogo caminhava para o 0 x 0, com o Fla campeão do primeiro turno e jogando pelo empate. Aos 41, Zico cobrou escanteio e o zagueiro Rondnelli enfiou a cabeça na bola para carregar a taça, diante de 120.433 torcedores.
Emoções maiores só em 81, quando o ladrilheiro Roberto Passos Pereira invadiu o gramado do Maracanã e esfriou reação vascaína. O Fla ganhara dois turnos, o Vasco um e precisava vencer três jogos extras para ser campeão. Venceu os dois primeiros, por 2 x 0 e 1 x 0, e foi com tudo para o terceiro. Com o Maracanã recebendo 169.989 fanáticos, Adílio e Nunes marcaram para o Flamengo, e Tição para o Vasco. Mais uma festa rubro-negra, repetida no ano seguinte, quando o meia Adílio fez uma bola passar entre a trave direita e o goleiro Mazaroppi, no último lance do jogo disputado em 23 de setembro de 82, sob as vistas de 100.967 expectadores. Naquele dia, o Fla carregava a Taça GB.
Em 1986, começava a “Era-Romário e as faixas de campeão carioca voltaram a São Januário, na decisão da Taça GB. No dia 20 de abril, um baixinho marrento, de 20 anos, marcava os dois gols dos 2 x 0 vascaínos, testemunhado por 121.039 torcedores. Mas o Fla tinha Bebeto, do outro lado, para o técnico Sebastião Lazaroni dar a volta sobre o delegado Antônio Lopes e rir por último. O título do ano foi decidido em três jogos. Após dois 0 x 0, na partida de 10 de agosto, com 127.806 torcedores no Maracanã, o “Baianinho” cravou o primeiro gol e, pra completar, o goleiro vascaíno Acácio engoliu uma “avestruz” em um chute fraco de Júlio César, de fora da área. Festa rubro-negra.
Em 1987, o Vasco fez um campeonato muito melhor do que o rival, mas foi este que levou o título que marcou o fim das decisões entre Zico e Roberto Dinamite. Era o dia 9 de agosto e, diante de 114.628 pagantes, novamente Lazaroni derrubou Lopes, graças a um gol de Titã, no final do primeiro tempo. Em 88, no dia 22 de agosto, foi a vez de Cocada passar 120 segundos na história e desaparecer em seguida. Entrando em campo a dois minutos do final do jogo, no lugar do atacante Vivinho, com uma “pancada”de fora da área, o lateral-direito fez o gol da vitória vascaína, foi expulso em seguida e saiu de campo campeão.
Encerradas as eras-Zico-Roberto Dinamite, Vasco e Flamengo levaram 11 anos para emocionar a galera em uma nova decisão. Na final do campeonato de 1999, após 1 x 1 no primeiro jogo, Rodrigo Mendes, cobrando falta de fora da área, aos 31 minutos do segundo tempo, e deu o título ao Fla, perante 80.590 torcedores, em 19 de junho. Foi do jeito que o diabo gosta: a bola bateu em Nasa e enganou o goleiro Carlos Germano.
Em 200, foi humilhante. Romário estava endiabrado e fez três gols nos 5 x 1 completados por Pedrinho e Felipe, decidindo a Taça Guanabara, diante de 53.750 torcedores. Era 23 de abril e pintou o rebu quando o vascaíno Pedrinho resolveu fazer embaixadinhas diante dos rubro-negros. O clássico terminou com seis expulsões de campo e o Vasco campeão. O Fla se vingou na decisão da temporada: 3 x 0 no primeiro jogo e 2 x 1 no segundo, este testemunhado por68.043 pagantes. Foi a primeira final carioca transmitida ao vivo pela TV para a Cidade Maravilhosa.
E teria mais Fla no pedaço comemorativo. Em 2001, após 57 anos, novamente o herói rubro-negro seria um gringo: o servio Petkovic. Decisão de temporada em dois jogos. Vasco 2 x 1 no primeiro e podendo perder por até um gol de diferença no segundo, em 27 de maio. Primeiro tempo 1 x 1. Aos 8 minutos da segunda fase, o “Capetinha” Edílson colocou o Fla na frente. Ainda estava bom para o Vasco. Estava até que Fabiano Eller fez uma falta desnecessária na entrada da área. Pet foi lá e mandou a bola no ângulo esquerdo da forquilha defendida pelo goleiro Élton, a dois minutos do final. Só restou ao Vasco pagar caro pela covardia de recuar para segurar o placar que lhe interessava. Fla 3 x 1 e taça na Gávea.
Mais duas decisões colocaram vascaínos e rubro-negros frente-a-frente. No sábado de carnaval de 2003, dia 1º de março, com o ridículo público de 25.780 pagantes, a turma da Colina arrebatou a Taça Guanabara, no empate por 1 x 1, e sapecou confetes e serpentinas dentro do Maracanã. Wellington Monteiro marcou para os campeões e Zé Carlos Baiano para o Fla. A penúltima decisão foi a do título estadual de 2004, em dois jogos. Após 2 x 1 no primeiro jogo, o Flamengo teve Jean inspirado e marcando três vezes nos 3 x 1 que lhe consagraram. Valdir Bigode descontou para o Vasco, que havia saído na frente, logo com dois minutos de bola rolando.
O último duelo foi pela decisão da Copa do Brasil de 2006. O Flamengo, que havia sido o campeão em 1990 vencendo o Goiás, na decisão, perdera duas finais, para o Cruzeiro em 2003, e o Santo André, em 2004. Daquela vez, não deu chances ao Vasco, que eliminara o Fluminense, nas semifinais.A primeira partida foi no Maracanã, em 19 de julho, e o Fla sapecou 2 x 0, com gols de Obina. O segundo jogo foi em 26 de julho e o Flamengo voltou a vencer, mas, por 1 x 0, com seu gol marcado por Juan. Mais um título em cima do maior rival.
domingo, 6 de dezembro de 2009
BRASILEIRÃO: DEZEMBRO, MÊS DE DECISÕES
Em quase a metade das vezes em que os títulos brasileiros foram definidos isso ocorreu ao final da temporada. Há, só, a controvérsia entre o campeão de 1987, Flamengo ou Sport Recife. Os cariocas se consideraram campeões, em 13 de dezembro, com 1 x 0, sobre o Internacional, enquanto os pernambucanos dizem que foram eles, mas já em 07.02.88, vencendo o Guarani, de Campinas-SP, por 1 x 0. Na Ilha do Retiro, em Recife. Mas isso é assunto para uma outra história.
Nos 10 primeiros Campeonatos Brasileiros, cinco decisões foram em dezembro, a começar pelas duas primeiras. A terceira – Palmeiras 0 x 0 São Paulo, com os alviverdes campeões – foi em 20 de fevereiro de 1974, valendo pelo título do ano anterior, e a quarta – Vasco 2 x 1 Cruzeiro – em 1ª de agosto, do mesmo 74. Os títulos de 1977 – deu São Paulo, nos pênaltis, contra o Atlético-MG – e de 1978 foram definidos no mesmo 1978, respectivamente, em 5 de março e 13 de agosto, data de Guarani, de Campinas 1 x 0 Palmeiras. Fechando o decênio, em 1º de junho de 1980, o Flamengo, com 3 x 2 sobre do Atlético-MG, levou o seu primeiro “caneco”.
TERREIRO DO GALO - A primeira finalísima foi numa tarde de domingo, no Maracanã, e o campeonato era chamado de Nacional. Deu Galo na cabeça. o Clube Atlético Mineiro venceu o Botafogo, por 1 x 0, com um gol do centroavante Dario, de cabeça, aos 13 minutos do segundo tempo, complementando um cruzamento, feito por Humberto Ramos.
Acompanhado, por cerca de 20 mil torcedores, os atleticanos pisaram no gramado precisando só empatar, pois já haviam “beliscado” o São Paulo, no Mineirão. Antes do jogo, o seu treinador, Telê Santana, avisou que a sua rapaziada trabalharia entre as duas intermediárias, só tocando a bola, em vez de sair matando, como sempre fazia. Tática: esperar pelo adversário indo com tudo pra cima, e apanhá-lo no contra-ataque. O lateral, Oldair, o volante Vanderlei, os meias Humberto Ramos e Lola, e os atacantes Ronaldo e Tião “Cavadinha” cumpriram bem o trato. Depois do gol, a turma recuou, em bloco, deixando somente o “Peito-de- Aço” brigando com os beques cariocas. Funcionou.
O Atlético-MG jogou com: Renato; Humberto, Grapete, Vantuir e Oldair: Vanderlei e Humberto Ramos; Ronaldo, Lola (Spencer), Dario e Tião. O Botafogo foi: Wendell; Mura, Djalma Dias, Queirós e Valtencir; Carlos Roberto e Marco Antônio (Didinho); Zequinha, Nei (Tuca), Jairzinho e Careca. Armando Marques apitou a partida, com renda de Cr$ 294.420,00 (cruzeiros), moeda da época.
PALMEIRAS NO GRAMADO - O segundo Brasileirão foi decidido nas vésperas do Natal. Em 23 de dezembro de 1972, o Palmeiras carregava a taça, com o empate, por 0 x 0, no Morumbi, com o Botafogo. Na verdade, título no Parque Antarctica era mais do que uma obrigação. Afinal, o “Verdão” ganhara cinco disputas na temporada, dirigido pelo técnico Osvaldo Brandão. Para se ter uma idéia do seu poderia, os botafoguenses reconheciam que os palmeirenses mereciam ser os campeões e que não tinham como vencê-los.
A final foi marcada pela tradicional catimba. Enquanto os alvinegros queriam o Morumbi, os alviverdes brigavam pelo Pacaembu, para ficarem mais próximos do barulho de sua torcida. Perderam na escolha, pela antiga Confederação Brasileira de Desportos – atual CBF, mas administraram bem o placar. Ademir da Guia segurou o adversário, levando seu time a jogar pelo regulamento. A partida foi feio, arrastado, mas o que os anfitriões queriam era comemorar.
O Palmeiras foi campeão, jogando com: Leão; Eurico, Luís Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu (Zé Carlos) e Ademir da Guia; Edu (Ronaldo), Leivinha, Madurga e Nei. O Botafogo, treina por Sebatião Leônidas, foi: Cao; Valtencir, Brito, Osmar Guarnelli e Marinho Chagas; Carlos Roberto e Nei Conceição; Zequinha, Jairzinho, Fisher e Ademir (Ferreti). O gaúcho Agomar Martins apitou, a renda foi de Cr$ 649.5,00 e o público de 58.287 pagantes.
TAÇA NOS PAMPAS – Em 14 de dezembro de 1975, um gol, de cabeça, do zagueiro chileno Elias Figueroa, aos 11 minutos do segundo tempo, o Internacional venceu o Cruzeiro, por 1 x 0, no Beira-Rio, em Porto Alegre, e levou a taça, sem contestação.
Como o time gaúcho era fortíssimo, o treinador cruzeirense, Zezé Moreira, segurou os seus laterais, pois os ponteiros colorados, Valdomiro e Lula – este chegou a mandar uma bola na trave – , eram velozes e perigosíssimos. Do lado gaúcho, o técnico Rubens Minelli fechou-se aos contra-ataques mineiros, principalmente ao veneno do atacante Palhinha. Por sinal, para contê-lo, Figueroa acertou-lhe um cotovelaço, no nariz, o que não foi suficiente para minar-lhe o brio. Mas, heroísmos por heroísmos, o goleiro Manga, do Inter, também fez a sua parte: jogou o segundo tempo sofrendo dores musculares. Mesmo assim, segurou todas as bombas soltadas por Nelinho.
O Internacional levou aquela, por causa de: Manga; Valdir, Figueroa, Hermínio e Chico Fraga: Caçapava, Falcão e Paulo César Carpegiani; Valdomiro, Jair, Flávio e Lula. O Cruzeiro, do “Seu Zezé”, escalou: Raul; Nelinho, Morais, Darci Menezes e Isidoro: Wilson Piazza e Zé Carlos; Roberto Batata (Eli), Eduardo Amorim (Souza), Palhinha e Joãozinho. O paulista Dulcídio Vanderlei Boschilia apitou, a renda foi de Cr$ 1.743, 805, 00 e o público de 82.568 pagantes.
REPETECO COLORADO – O Internacional tinha, em 1976, indiscutivelmente, o melhor time brasileiro. Aliás, desde o ano anterior. Por isso, o Corinthians não foi páreo para os gaúchos na decisão de 12 de dezembro, quando o técnico Rubens Minelli privilegiava os atletas de maior estatura – sete dos seus titulares mediam 1m80cm.
Naquela tarde, de nada adiantou 15 mil corintianos comparecerem ao Beira-Rio, para gritarem pelo seu time. A festa colorada começou, aos 29 minutos do primeiro tempo, quando o centroavante Dario, o “Dadá Peito-de-Aço”, subiu mais do que o “xerifão” Moisés e cabeceou a bola, saída de uma falta, cobrada por Valdomiro, para o canto direito do goleiro Tobias, que nada pode fazer.
O Timão correu atrás do empate, chegou a dominar os minutos finais do primeiro tempo e os primeiros da etapa final, inclusive perdendo gols e chutando uma bola contra a baliza gaúcha. O Inter, porém, reagiu, aos 12, quando Valdomiro cobrou uma falta, para a bola bater numa das traves, quicar por 20 centímetros além da linha fatal e sair. O árbitro José Roberto Wright confirmou o gol, os corintianos, liderados pelo técnico Duque, ameaçaram sair de campo, mas catimba não adiantou. O Internacional levou a taça.
O Inter jogou com: Manga; Cláudio Duarte, Figueroa, Marinho e Vacaria; Caçapava e Batista; Valdomiro, Falcão, Dario e Lula. O Corinthians foi: Tobias; Zé Maria, Moisés, Zé Eduardo e Vladimir; Givanildo e Ruço; Vaguinho, Neca, Geraldo e Romeu. A renda atingiu Cr$ 3.200, 795,00 cruzeiros.
TRILEGAL, TCHÊ! – Em 23 de dezembro de 1979, o Internacional levou o seu terceiro troféu. Não teve nem graça. Os colorados mereciam um adversário, tal eram as suas qualidade técnica e superioridade, sobre o Vasco, treinado por Oto Glória e que precisava vencer a finalíssima, por 3 x 0.
Naquela temporada, o capitão já era Paulo Roberto Falcão, que deslumbrara platéias, durante as vitórias contra o Cruzeiro, no Mineirão, e o Palmeiras, no Morumbi, ambas pelo mesmo placar de 3 x 2, e o Vasco, por 2 x 0, no Maracanã. Ele fora o autor do segundo gol colorado, no domingo da final, num lance quase igual ao do primeiro gol.
Como o lateral-direito vascaíno, Orlando Lelé, subia demais ao ataque, abrindo espaços para Mário Sérgio trabalhar, o Internacional viu, por ali, o “mapa da mina”. Assim, aos 41 minutos, bola saída da esquerda teve disputa, entre Bira e Gaúcho, e sobra para Jair driblar o goleiro Leão e abrir o placar. Aos 13 do segundo tempo, novo cruzamento, da esquerda, nova trombada, de Bira, com a zaga, e rebote, para Falcão “matar”. O Vasco diminuiu o placar, aos 41, num chute, de longe, de Wilsinho. Falha incrível do goleiro paraguaio Benitez.
O “Intertri” foi: Benitez; João Carlos, Mauro Pastor (Beliato), Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista e Falcão; Valdomiro (Chico Espina), Jair, Bira e Mário Sérgio. Vasco: Leão; Orlando, Gaúcho, Ivã e Paulo César; Zé Mário e Paulo Roberto (Xaxá); Catinha, Roberto, Paulinho e Wilsinho e (Zandonaide). O árbitro foi José Favile Neto (SP) e a renda Cr$ 4. 524.850,00.
NUNCA EM SETEMBRO – Até em janeiro, quando os clubes estão em pré-temporada, já se decidiu um Brasileiro. Foi em 18.01.2001, mas valendo pela disputa de 2000, quando Vasco sapecou 3 x 1 no São Caetano-SP, no Maracanã. Definições só não ocorreram em setembro. Assim, como em 1987, naquele campeonato houve novas confusões e a disputa foi chamada de Copa João Havelange. Outro tema para uma matéria à parte.
Em outubro de 2007, com quatro rodadas de antecedência, o São Paulo mandou 3 x 0, pra cima do América-RN, e liquidou a disputa, que rolou até 02.12. Em novembro, com 2 x 1, sobre o Paysandu-PA, no Mineirão, o Cruzeiro conquistou o seu primeiro título, em 22.11.2003, enquanto a rodada final era em 14.12.
As outras finalíssimas de dezembro foram: 2004 – Santos campeão, com 2 x 1 sobre o Vasco, em 19.12; 2005 – Corinthians primeirão, mesmo perdendo, por 2 x 3, para o Goiás, em 04.12; 2006 - São Paulo ganhador, em 1 x 1, com o Atlético-PR, em 02.12; 2008 – São Paulo, com 1 x 0, sobre o Goiás, em 19.12, no Bezerrão, no Gama.
Nos 10 primeiros Campeonatos Brasileiros, cinco decisões foram em dezembro, a começar pelas duas primeiras. A terceira – Palmeiras 0 x 0 São Paulo, com os alviverdes campeões – foi em 20 de fevereiro de 1974, valendo pelo título do ano anterior, e a quarta – Vasco 2 x 1 Cruzeiro – em 1ª de agosto, do mesmo 74. Os títulos de 1977 – deu São Paulo, nos pênaltis, contra o Atlético-MG – e de 1978 foram definidos no mesmo 1978, respectivamente, em 5 de março e 13 de agosto, data de Guarani, de Campinas 1 x 0 Palmeiras. Fechando o decênio, em 1º de junho de 1980, o Flamengo, com 3 x 2 sobre do Atlético-MG, levou o seu primeiro “caneco”.
TERREIRO DO GALO - A primeira finalísima foi numa tarde de domingo, no Maracanã, e o campeonato era chamado de Nacional. Deu Galo na cabeça. o Clube Atlético Mineiro venceu o Botafogo, por 1 x 0, com um gol do centroavante Dario, de cabeça, aos 13 minutos do segundo tempo, complementando um cruzamento, feito por Humberto Ramos.
Acompanhado, por cerca de 20 mil torcedores, os atleticanos pisaram no gramado precisando só empatar, pois já haviam “beliscado” o São Paulo, no Mineirão. Antes do jogo, o seu treinador, Telê Santana, avisou que a sua rapaziada trabalharia entre as duas intermediárias, só tocando a bola, em vez de sair matando, como sempre fazia. Tática: esperar pelo adversário indo com tudo pra cima, e apanhá-lo no contra-ataque. O lateral, Oldair, o volante Vanderlei, os meias Humberto Ramos e Lola, e os atacantes Ronaldo e Tião “Cavadinha” cumpriram bem o trato. Depois do gol, a turma recuou, em bloco, deixando somente o “Peito-de- Aço” brigando com os beques cariocas. Funcionou.
O Atlético-MG jogou com: Renato; Humberto, Grapete, Vantuir e Oldair: Vanderlei e Humberto Ramos; Ronaldo, Lola (Spencer), Dario e Tião. O Botafogo foi: Wendell; Mura, Djalma Dias, Queirós e Valtencir; Carlos Roberto e Marco Antônio (Didinho); Zequinha, Nei (Tuca), Jairzinho e Careca. Armando Marques apitou a partida, com renda de Cr$ 294.420,00 (cruzeiros), moeda da época.
PALMEIRAS NO GRAMADO - O segundo Brasileirão foi decidido nas vésperas do Natal. Em 23 de dezembro de 1972, o Palmeiras carregava a taça, com o empate, por 0 x 0, no Morumbi, com o Botafogo. Na verdade, título no Parque Antarctica era mais do que uma obrigação. Afinal, o “Verdão” ganhara cinco disputas na temporada, dirigido pelo técnico Osvaldo Brandão. Para se ter uma idéia do seu poderia, os botafoguenses reconheciam que os palmeirenses mereciam ser os campeões e que não tinham como vencê-los.
A final foi marcada pela tradicional catimba. Enquanto os alvinegros queriam o Morumbi, os alviverdes brigavam pelo Pacaembu, para ficarem mais próximos do barulho de sua torcida. Perderam na escolha, pela antiga Confederação Brasileira de Desportos – atual CBF, mas administraram bem o placar. Ademir da Guia segurou o adversário, levando seu time a jogar pelo regulamento. A partida foi feio, arrastado, mas o que os anfitriões queriam era comemorar.
O Palmeiras foi campeão, jogando com: Leão; Eurico, Luís Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu (Zé Carlos) e Ademir da Guia; Edu (Ronaldo), Leivinha, Madurga e Nei. O Botafogo, treina por Sebatião Leônidas, foi: Cao; Valtencir, Brito, Osmar Guarnelli e Marinho Chagas; Carlos Roberto e Nei Conceição; Zequinha, Jairzinho, Fisher e Ademir (Ferreti). O gaúcho Agomar Martins apitou, a renda foi de Cr$ 649.5,00 e o público de 58.287 pagantes.
TAÇA NOS PAMPAS – Em 14 de dezembro de 1975, um gol, de cabeça, do zagueiro chileno Elias Figueroa, aos 11 minutos do segundo tempo, o Internacional venceu o Cruzeiro, por 1 x 0, no Beira-Rio, em Porto Alegre, e levou a taça, sem contestação.
Como o time gaúcho era fortíssimo, o treinador cruzeirense, Zezé Moreira, segurou os seus laterais, pois os ponteiros colorados, Valdomiro e Lula – este chegou a mandar uma bola na trave – , eram velozes e perigosíssimos. Do lado gaúcho, o técnico Rubens Minelli fechou-se aos contra-ataques mineiros, principalmente ao veneno do atacante Palhinha. Por sinal, para contê-lo, Figueroa acertou-lhe um cotovelaço, no nariz, o que não foi suficiente para minar-lhe o brio. Mas, heroísmos por heroísmos, o goleiro Manga, do Inter, também fez a sua parte: jogou o segundo tempo sofrendo dores musculares. Mesmo assim, segurou todas as bombas soltadas por Nelinho.
O Internacional levou aquela, por causa de: Manga; Valdir, Figueroa, Hermínio e Chico Fraga: Caçapava, Falcão e Paulo César Carpegiani; Valdomiro, Jair, Flávio e Lula. O Cruzeiro, do “Seu Zezé”, escalou: Raul; Nelinho, Morais, Darci Menezes e Isidoro: Wilson Piazza e Zé Carlos; Roberto Batata (Eli), Eduardo Amorim (Souza), Palhinha e Joãozinho. O paulista Dulcídio Vanderlei Boschilia apitou, a renda foi de Cr$ 1.743, 805, 00 e o público de 82.568 pagantes.
REPETECO COLORADO – O Internacional tinha, em 1976, indiscutivelmente, o melhor time brasileiro. Aliás, desde o ano anterior. Por isso, o Corinthians não foi páreo para os gaúchos na decisão de 12 de dezembro, quando o técnico Rubens Minelli privilegiava os atletas de maior estatura – sete dos seus titulares mediam 1m80cm.
Naquela tarde, de nada adiantou 15 mil corintianos comparecerem ao Beira-Rio, para gritarem pelo seu time. A festa colorada começou, aos 29 minutos do primeiro tempo, quando o centroavante Dario, o “Dadá Peito-de-Aço”, subiu mais do que o “xerifão” Moisés e cabeceou a bola, saída de uma falta, cobrada por Valdomiro, para o canto direito do goleiro Tobias, que nada pode fazer.
O Timão correu atrás do empate, chegou a dominar os minutos finais do primeiro tempo e os primeiros da etapa final, inclusive perdendo gols e chutando uma bola contra a baliza gaúcha. O Inter, porém, reagiu, aos 12, quando Valdomiro cobrou uma falta, para a bola bater numa das traves, quicar por 20 centímetros além da linha fatal e sair. O árbitro José Roberto Wright confirmou o gol, os corintianos, liderados pelo técnico Duque, ameaçaram sair de campo, mas catimba não adiantou. O Internacional levou a taça.
O Inter jogou com: Manga; Cláudio Duarte, Figueroa, Marinho e Vacaria; Caçapava e Batista; Valdomiro, Falcão, Dario e Lula. O Corinthians foi: Tobias; Zé Maria, Moisés, Zé Eduardo e Vladimir; Givanildo e Ruço; Vaguinho, Neca, Geraldo e Romeu. A renda atingiu Cr$ 3.200, 795,00 cruzeiros.
TRILEGAL, TCHÊ! – Em 23 de dezembro de 1979, o Internacional levou o seu terceiro troféu. Não teve nem graça. Os colorados mereciam um adversário, tal eram as suas qualidade técnica e superioridade, sobre o Vasco, treinado por Oto Glória e que precisava vencer a finalíssima, por 3 x 0.
Naquela temporada, o capitão já era Paulo Roberto Falcão, que deslumbrara platéias, durante as vitórias contra o Cruzeiro, no Mineirão, e o Palmeiras, no Morumbi, ambas pelo mesmo placar de 3 x 2, e o Vasco, por 2 x 0, no Maracanã. Ele fora o autor do segundo gol colorado, no domingo da final, num lance quase igual ao do primeiro gol.
Como o lateral-direito vascaíno, Orlando Lelé, subia demais ao ataque, abrindo espaços para Mário Sérgio trabalhar, o Internacional viu, por ali, o “mapa da mina”. Assim, aos 41 minutos, bola saída da esquerda teve disputa, entre Bira e Gaúcho, e sobra para Jair driblar o goleiro Leão e abrir o placar. Aos 13 do segundo tempo, novo cruzamento, da esquerda, nova trombada, de Bira, com a zaga, e rebote, para Falcão “matar”. O Vasco diminuiu o placar, aos 41, num chute, de longe, de Wilsinho. Falha incrível do goleiro paraguaio Benitez.
O “Intertri” foi: Benitez; João Carlos, Mauro Pastor (Beliato), Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista e Falcão; Valdomiro (Chico Espina), Jair, Bira e Mário Sérgio. Vasco: Leão; Orlando, Gaúcho, Ivã e Paulo César; Zé Mário e Paulo Roberto (Xaxá); Catinha, Roberto, Paulinho e Wilsinho e (Zandonaide). O árbitro foi José Favile Neto (SP) e a renda Cr$ 4. 524.850,00.
NUNCA EM SETEMBRO – Até em janeiro, quando os clubes estão em pré-temporada, já se decidiu um Brasileiro. Foi em 18.01.2001, mas valendo pela disputa de 2000, quando Vasco sapecou 3 x 1 no São Caetano-SP, no Maracanã. Definições só não ocorreram em setembro. Assim, como em 1987, naquele campeonato houve novas confusões e a disputa foi chamada de Copa João Havelange. Outro tema para uma matéria à parte.
Em outubro de 2007, com quatro rodadas de antecedência, o São Paulo mandou 3 x 0, pra cima do América-RN, e liquidou a disputa, que rolou até 02.12. Em novembro, com 2 x 1, sobre o Paysandu-PA, no Mineirão, o Cruzeiro conquistou o seu primeiro título, em 22.11.2003, enquanto a rodada final era em 14.12.
As outras finalíssimas de dezembro foram: 2004 – Santos campeão, com 2 x 1 sobre o Vasco, em 19.12; 2005 – Corinthians primeirão, mesmo perdendo, por 2 x 3, para o Goiás, em 04.12; 2006 - São Paulo ganhador, em 1 x 1, com o Atlético-PR, em 02.12; 2008 – São Paulo, com 1 x 0, sobre o Goiás, em 19.12, no Bezerrão, no Gama.
sábado, 5 de dezembro de 2009
BRASILEIRÃO: 1 X 0 NA FINALÍSSIMA É A PREFERÊNCIA DOS CAMPEÕES
Antes de começar a “era dos pontos corridos”, em 2003, quando o Cruzeiro foi o campeão, “sacramentando” a conquista, com 2 x 1 , sobre o paraense Paysandu, no Mineirão, o Campeonato Brasileiro de Futebol, iniciado em 1971 e sempre decidido por fórmulas variadas, teve o placar de 1 x 0 como o mais presente na partida que valeu a taça de campeão. Foram nove repetecos, contra oito 0 x 0.
O 1 x 0 começou já na primeira finalíssima, com Dario cabeceando e o Atlético-MG vencendo o Botafogo. O primeiro 0 x 0 aconteceu em 1973, entre Palmeiras e São Paulo, com o Verdão se dando bem. Dois anos depois, nova cabeçada – do zagueiro chileno Figueroa – fez o Internacional bater o Cruzeiro e colocar as faixas.
Em 1977, quem se deu melhor no 0 x 0 foi o São Paulo, diante do Atlético-MG, que havia feito a melhor campanha. Ganhou na decisão por pênaltis. Em 78, o garoto Careca fez o gol e o Guarani tirou o título dos palmeirenses. O placar se repetiu, em 1981, com Baltazar matando a bola no peito e pegando, de primeira, para o Grêmio sapecar 1 x 0 pra cima do São Paulo. Um ano depois, o mesmo resultado derrubava os gremistas. Nunes marcava e o Flamengo levava a taça.
Em 1984, a finalíssima voltou a ser 0 x 0, entre Fluminense e Vasco. Festa tricolor. Em 87, novo 1 x 0 flameguista sobre um time gaúcho, daquela vez o Internacional. Bebeto fez o gol. Como a Confederação Brasileira de Futebol não reconheceu a decisão, porque Fla e Inter se recusaram a participar de um cruzamento, com Sport Recife e Guarani, de Campinas, estes fizera outra finalíssima, e deu o time pernambucano, também, por 1 x 0 e gol de Marco Antônio.
Em 1988, o Bahia segurou o Internacional, com 0 x 0, no Beira-Rio, e foi o campeão. Em 89, um gol de Sorato, de cabeça, complementando cruzamento feito pelo lateral-direito Luis Carlos Winck, tirou a taça do Morumbi e a mandou para São Januário.
No início das disputas da década-90, 1 x 0, com gol de Tupãzinho, foi o placar do primeiro título corintiano, diante do São Paulo, que ficou no 0 x 0 da finalíssima seguinte, a de 1991, contra o também paulista Bragantino.
Nas três últimas disputas antes de uma nova era, Vasco e Palmeiras ficaram no 0 x 0 na final de 1997, mesmo resultado de Corinthians e Atlético-MG, em 99. Em 2001, Alex Mineiro balançou a rede do São Caetano e o Atlético-PR foi o primeirão. Assim, sem pontos corridos, o 1 x 0 vence o 0 x 0, por 9 x 8.
Quanto ao gaúcho Grêmio, que enfrentará o Flamengo (64 pontos), hoje, no Maracanã, a sua atuação interessa a Internacional (62), Palmeiras (62) e São Paulo (62). O Tricolor dos Pampas já esteve em três finalíssimas de Brasileiros: em 1981, venceu o São Paulo, por 1 x 0, fora; em 1982, perdeu, para o Flamengo, em casa, pelo mesmo placar, e, em 1996, sem seu reduto, fez 2 x 0 sobre a Portuguesa de Desportos.
O 1 x 0 começou já na primeira finalíssima, com Dario cabeceando e o Atlético-MG vencendo o Botafogo. O primeiro 0 x 0 aconteceu em 1973, entre Palmeiras e São Paulo, com o Verdão se dando bem. Dois anos depois, nova cabeçada – do zagueiro chileno Figueroa – fez o Internacional bater o Cruzeiro e colocar as faixas.
Em 1977, quem se deu melhor no 0 x 0 foi o São Paulo, diante do Atlético-MG, que havia feito a melhor campanha. Ganhou na decisão por pênaltis. Em 78, o garoto Careca fez o gol e o Guarani tirou o título dos palmeirenses. O placar se repetiu, em 1981, com Baltazar matando a bola no peito e pegando, de primeira, para o Grêmio sapecar 1 x 0 pra cima do São Paulo. Um ano depois, o mesmo resultado derrubava os gremistas. Nunes marcava e o Flamengo levava a taça.
Em 1984, a finalíssima voltou a ser 0 x 0, entre Fluminense e Vasco. Festa tricolor. Em 87, novo 1 x 0 flameguista sobre um time gaúcho, daquela vez o Internacional. Bebeto fez o gol. Como a Confederação Brasileira de Futebol não reconheceu a decisão, porque Fla e Inter se recusaram a participar de um cruzamento, com Sport Recife e Guarani, de Campinas, estes fizera outra finalíssima, e deu o time pernambucano, também, por 1 x 0 e gol de Marco Antônio.
Em 1988, o Bahia segurou o Internacional, com 0 x 0, no Beira-Rio, e foi o campeão. Em 89, um gol de Sorato, de cabeça, complementando cruzamento feito pelo lateral-direito Luis Carlos Winck, tirou a taça do Morumbi e a mandou para São Januário.
No início das disputas da década-90, 1 x 0, com gol de Tupãzinho, foi o placar do primeiro título corintiano, diante do São Paulo, que ficou no 0 x 0 da finalíssima seguinte, a de 1991, contra o também paulista Bragantino.
Nas três últimas disputas antes de uma nova era, Vasco e Palmeiras ficaram no 0 x 0 na final de 1997, mesmo resultado de Corinthians e Atlético-MG, em 99. Em 2001, Alex Mineiro balançou a rede do São Caetano e o Atlético-PR foi o primeirão. Assim, sem pontos corridos, o 1 x 0 vence o 0 x 0, por 9 x 8.
Quanto ao gaúcho Grêmio, que enfrentará o Flamengo (64 pontos), hoje, no Maracanã, a sua atuação interessa a Internacional (62), Palmeiras (62) e São Paulo (62). O Tricolor dos Pampas já esteve em três finalíssimas de Brasileiros: em 1981, venceu o São Paulo, por 1 x 0, fora; em 1982, perdeu, para o Flamengo, em casa, pelo mesmo placar, e, em 1996, sem seu reduto, fez 2 x 0 sobre a Portuguesa de Desportos.
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