O Brasil vivia os dourados anos-JK. Construía-se Brasília, surgia uma nova bossa de cantar baixinho, sentado em um banquinho, tocando violão; automóveis já eram fabricados no país; aumentava-se o consumo de eletrodomésticos; Erasmo conhecia Roberto e surgia um garoto magricela capaz de fazer coisas incríveis com uma bola. Estreara pela Seleção Brasileira em 7 de setembro de 1957, mrcando gls nos argentinos (foto).
Era 1958. Por aquele tempo, a Confederação Brasileira de Desportos, antecessora da CBF, mudara tudo o que fizera (de errado), antes, para preparar uma equipe e enviá-la à Copa do Mundo da Suécia. Mas, pra variar, não deixou de levar, na bagagem, um pouquinho de desorganização. Por exemplo, não numerou os jogadores, para ficar a história de que aquele trabalho teria sido feita, aleatoriamente, por um uruguaio, membro do Comitê Organizador da Fifa. Já não bastava eles terem nos tirado a Copa de 50?
Sorteados para o fortíssimo Grupo 4, os “canarinhos” estrearam no dia 8 de junho, vencendo a Áustria, no estádio Rimmewallen, em Uddevalla, por 3 x 0, com um futebol elegante, prático, deslumbrante. Mazolla, aos 38 minutos do primeiro tempo, e aos 35 do segundo, e Nilton Santos, aos 4 da etapa final, marcaram os gols. Ainda não se falava de Pelé e nem de Garrincha. O treinador Vicente Feola não tinha muita confiança neles, por vê-los muito jovens, o que não era o mesmo pensamento de Nilton Santos, Didi (foto/C) e Bellini, os três líderes da equipe.
Taticamente inovador, com o 4-2-4 que variava, para o 4-3-3, Feola abandonou o 2-3-5 dos Mundiais passados, e, além de Pelé e Mané Garrincha, deixou, também, Djalma Santos, Zito e Vavá na reserva. Preferiu apostar em Sordi, Dino Sani, Joel Martins, Mazolla e Dida, todos brancos. No máximo, morenos. E, como a turma se dera bem na estreia, era natural que fosse mantida – só Dida, que atuara mal, perdera a vaga – para o jogo de 11 de junho, em Goteborg, o empate com os ingleses, no primeiro 0 x 0 da história das Copas. Literalmente, o time branco de Seu Feola esbarrou em um goleiro com nome de lanchonete, McDonald.
A igualdade com o “time da rainha” fora preocupante, visto como alerta, pois, pelo que se comentava, o pior estaria por vir, diante da temível equipe que usava camisas vermelhas, carregando, no peito, as letras CCCP (União as Repúblicas Socialistas Soviéticas). Era o time campeão olímpico de 1956, com os mesmos atletas e que, segundo espalhava a propaganda do regime do Leste Europeu, seria programado pelo cérebro eletrônico. “Pelo quê?” Mané Garrincha (desdenho) conhecia geladeira, liquidificador, aspirador de pó, batedeira de bolo, essas coisas que via na concentração do Botafogo. “Célebro, o que mesmo, compadre?”, perguntava a Nilton Santos. Daquele barato estranho ele jamais ouvira falar. Mas prometia “esculhambar com essas maluquices de comunistas”, caso jogasse contra eles.
Pois bem! Como os “comunas” haviam vencido os austríacos e empatado com os ingleses, se o cérebro eletrônico produzisse uma pane na Seleção Brasileira, a coisa ficaria preta, para nós. E ficou, antes que ficasse. Nílton Santos, Didi e Bellini foram até a comissão técnica do “scratch” nacional e pressionaram pela escalação de um garoto escurinho, que tivera o apelido de Gasolina, e de um todo torto homem de Pau Grande – município de Magé, no estado do Rio de Janeiro. De quebra, pintou uma vaguinha, também, pra José Eli de Miranda, o futuro líder Zito, que marcava melhor do que o clássico Din Sani.
Chegou o dia do jogo, em 15 de junho, e Garrincha teria perguntado, logo, ao compadre Nílton Santos, que nunca confirmou a história. “O time do América, também, é comunista?”. Fazia sentido, para ele. Afinal, as camisas não eram iguais? Vermelhinhas! Enfim, rolou a bola e, de cara, Garrincha deixou a platéia com o queixo caído. De onde viera aquele sujeito? Nunca se vira nada igual em um campo de futebol. O lateral-esquerdo soviético, Kuznetsov, ficara tonto. Em poucos minutos, depois de driblar vários adversários, Mané mandou uma bola na trave. Pouco depois, fez um passe a Pelé, que, também, carimbou um poste defendido pelo “Aranha Negra” Yshin. Aos 3 minutos, Didi lançou Vavá e este acabou com tantos mistérios sobre a turma de Moscou: 1 x 0. O segundo gol, no entanto, só sairia aos 26 minutos do segundo tempo. Pelé tabelou com Vavá, que finalizou: 2 x 0. Depois daquele assombro, os comunistas, para irem adiante, precisaram vencer os ingleses, por 1 x 0, em um jogo extra, após 2 x 2 na primeira partida.
Pelé, quando veio a Brasília lançar o Filme “Pelé Eterno”, disse que não tivera conhecimento da tal reunião de Nilton Santos (foto), Didi e Bellini, com Feola, Paulo Machado de Carvalho (chefe da delegação) e Paulo Amaral (preparador físico), exigindo a sua entrada no time. E nem precisava. Ele era um menino. Mas que houve, houve. O Enciclopédia já contou isso, várias vezes, como contou, também, que é lenda os tais gritos do treinador, mandando-o voltar, no lance em que marcara seu gol contra a Áustria. “Se gritou, não ouvi nada”, afirmou.
Outra história que Nilton não confirma, do jogo contra os “russos”, é a de que, quando os dois times saíam de campo, no intervalo, Garrincha lhe indagara onde estava o tal cérebro eletrônico, que ele não vira. E não vira outras coisass, que se contam por aí, como: “Compadre, ouvi dizer que os comunistas iriam botar uma aranha preta debaixo das traves deles, pra gente não chegar perto. Não vi nem formiga no campo”. Esta seria uma alusão ao goleiro Yashin, o "Aranha Negra". Segundo Nilton Santos, aquilo “era sacanagem de João Saldanha e de Sandro Moreira”, dois jornalistas botafoguenses.
Enfim, entre bolas e lendas, depois dos soviéticos, o Brasil venceu o País de Gales, por 1 x 0; a França, por 5 x 2, e a Suécia, pelo mesmo placar, trazendo o “caneco” de um “torneio mixuruca, que não tem nem returno”, segundo Garrincha. Esta foi verdade, garante o seu compadre, que precisou lhe avisar que eles eram campeões do mundo, quando o “Torto” lhe cutucava, apontando pra Djalma Santos, dizendo. “Que falta de vergonha! Um negão daquele tamanho chorando”.
O Brasil venceu então União das Repúblicas Socialista Soviéticas, jogando com Gilmar; De Sordi, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo. Os “russos”, treinados por Gavril Katchalin, foram: Yashin; Kesariev, Krijevski, Voinov e Kuznetsov; Tsrev e Aleksander Ivanov; Valentin Ivanov, Simonian, Igor Neto e Ilyin. A partida, assistida por 51 mil pagantes, foi jogada no estádio Nya Ullevi, em Gotemburgo, apitada pelo francês Maurice Guigue.
domingo, 6 de junho de 2010
JOGOS HISTÓRICOS – BRASIL 3 X 1 INGLATERRA - 1962
No dia 21 de março de 1960, o Chile foi sacudido por um violento terremoto que atingiu 400 km do seu território, destruindo, desabrigando e matando. A FIFA chegou a estudar transferir o Mundial para um outro país, mas os chilenos cumpriram tudo o que prometeram. Assim, em 30 de maio de 1962, a seleção chilena pisou no gramado do Estádio Nacional de Santiago, abrindo a competição e vencendo a Suíça, por 3 x 1, numa disputa que mantinha a fórmula usada em 1958, exceto na classificação da primeira fase, que privilegiava a equipe com o melhor saldo de gols, em caso de empate.
A Copa do Mundo de 1962 foi a consagração de Mané Garrincha, dentro de uma Seleção Brasileira quatro anos mais velha. Os titulares eram os mesmos de 1958, exceto Orlando – perdera a vaga, para Zózimo, porque estava jogando pelo argentino Boca Juniors e, na época, só se convocava quem atuava no país –, e Mauro – barrara Bellini, porque o capitão na Suécia não agradara ao técnico Aimoré Moreira, nas vitórias sobre os paraguaios – 2 x 0, em 30.04.1961, e 3 x 2, em 03.05, ambas pela Taça Osvaldo Cruz.
Em 7 de maio, nos 2 x 1, sobre o Chile, pela Taça O´Higgens, Aymoré Moreira – tornara-se o treinador devido problemas de saúde com Vicente Feola – entregou a zaga central a Mauro, que a segurou em Brasil 1 x 0, em 11.05.1961. Abatido pela barração, Bellini declarou que, na reserva, não sentia mais prazer em estar na Seleção. Pegou mal, muito mal. Ele até foi titular e capitão, ainda, em dois jogos pela Taça Osvaldo Cruz, nas goleadas – 6 x 0, em 21.04.1962, e 4 x 0, em 24.04, sobre o Paraguai – e em um amistoso – 2 x 1, em 06.05, contra Portugal. Além da troca de Feola, por Aymoré, e do capitão, uma outra mudança ocorreu na comissão técnica. Saiu o psicólogo João Carvalhaes, aquele que, em 1958, considerara Garrincha maluco, entrando Ataíde Ribeiro, em seu lugar.
O SHOW DE MANÉ - Seguramente, foi nos 3 x 1 sobre os ingleses que Garrincha (foto) se excedeu naquela Copa de 62. Mas não for fácil para o Brasil chegar até aquele dia. Logo na estreia, em 30 de maio, no Estádio Sausalito, em Viña del Mar, começou a perder Pelé, com uma distensão muscular, dor na virilha, que atingiu o clímax quando o camisa 10 chutou a gol, aos 25 minutos do 0 x 0 com a então Tcheco-Eslováquia, em 2 de junho. Perdia-se o “Rei”. Que mau! Mas estava escrito que aquela seria a Copa do Mané. Pra começo de conversa, o “Torto” já começara a aparecer no lance do primeiro gol contra os mexicanos. Livrara-se de Najera e lançara Pelé, que dera um toque na bola, à meia-altura, para Zagallo abrir o caminho do bi – Pelé fez o outro gol.
Antes daquele jogo, um incidente: Aymoré Moreira tentara devolver a zaga central à Bellini, tendo em vista que Mauro andara vacilão na estréia. Mauro, no entanto, reagiu, ameaçando ir embora, caso fosse barrado. E o time terminou sendo repetido no segundo jogo.
Copa vai, Copa vem, de repente, a seleção canarinha estava diante do terceiro grande problema, depois da contusão de Pelé e do “Caso Mauro”: a inferioridade no placar, em 6 de junho, ante os espanhóis. Se o árbitro não tivesse deixado de marcar um pênalti, cometido por Nilton Santos, dificilmente, Garrincha chegaria ao seu brilho máximo diante da Inglaterra, em 10 de junho. Ainda bem que Amarildo virou o placar e a Espanha foi passada pra trás: 2 x 1. Vale ressaltar que, no gol da virada, foi o Mané quem cruzou, da linha de fundo, para o “Possesso” cabecear para a rede.
Com a vaga garantida nas quartas-de-final, viera a grande tarde de domingo, em Sausalito, de onde os brasileiros não saíram, por terem sido os primeiros do se grupo, enquanto os britânicos foram os segundos no deles. Rolou a bola. Como a seleção de Aymoré Moreira mostrava-se muito enrolada, a partir dos 31 minutos do primeiro tempo, Garrincha resolveu acontecer. Chamou as responsabilidades para si. E abriu o plalcar, de forma inacreditável. Durante uma cobrança de escanteio, saltou junto com o grandalhão Norman, que era 12 centímetros mais alto, e conseguiu cabecear a bola para a rede. Os ingleses empataram, aos 36 minutos, por intermédio de Hitchens, mas, por aquilo, pagaram caro.
Após um primeiro tempo empatado, por 1 x 1, aos oito minutos da etapa final, Didi preparava-se para cobrar uma falta, pela direita, pertinho da grande área. Sem que ele pudesse imaginar, surgiu um moleque Garrincha à sua frente. E mandou o pé na pelota. O goleiro inglês Springett rebateu a bola para a frente, na cabeça de Vavá, que não o perdoou: 2 x 1. Aos 14, Garrincha viu o camisa um inglês adiantado e chutou, quase da intermediária, por cobertura: 3 x 1. Golão!
Cabeçada, chute por cobertura, cobrança de falta, normalmente, Garrincha não fazia nada daquilo, no Botafogo. De normal mesmo só ele dizer que não tinha medo do tal de “Fralda”, referindo-se a Flowers, o lateral que iria marcá-lo e que prometia sumir com ele do jogo. Naquele dia, porém, o Mané, que esteve “indomável”. Só não conseguiu dominar um cachorrinho preto (foto) que invadiu o gramado, antecipando-se às diabruras que ele iria aprontar. Depois de driblar o “Demônio da Copa”, o cãozinho só foi capturado quando o inglês Jimmy Greaves ajoelhou-se à sua frente e os dois ficaram olhos nos olhos, se namorando. Num bote rápido, o atacante fez o que Mané Garrincha não conseguira, único pecado do “Demônio das Pernas Tortas”.
O SHOW TEVE DE CONTINUAR - O jogo em que o Brasil venceu o Chile, por 4 x 2, em 13 de junho, pelas semifinais, pareceu a continuação dos 3 x 1 sobre a Inglaterra. Garrincha repetiu o baile dado nos ingleses. Aos 9 minutos, Zagallo chutou, a bola bateu em Amarildo e em Vavá, e sobrou para o “Torto” pegar, de canhota. O espírito do jogo contra aos ingleses já estava lhe baixando, novamente. E aquele gol era outra novidade, pois ele nunca chutava de esquerda.
O raio estava caindo, pela segunda vez, no mesmo lugar. Aos 32 minutos, Garrincha aprontou outra. Zagallo cobrou escanteio e ele subiu no meio da zaga, para cabecear e marcar: 2 x 0. No segundo tempo, aos dois minutos, Mané cobrou escanteio, Vavá cabeceou e o Brasil voltou à rede. O mesmo Vavá, aos 32, fechou o placar em 4 x 2. Pena que, aos 42 minutos, Mané tivesse sido expulso (foto) de campo, dedurado ao árbitro peruano Arturo Yamazaki, pelo auxiliar de arbitragem uruguaio Esteban Marino, que o acusara de agredir o lateral chileno Rojas. No meio da confusão, quando saía de campo, Mané levou uma pedrada, na cabeça, que teve de ser enfaixada. (foto).Em 17 de junho, o Brasil estava na final, contra a Tcheco-Eslováquia, com uma defesa carregando nas costas a média de 32 anos de idade – Nílton Santos estava com 37. Sem Pelé com Garrincha ardendo a 38 graus de febre, os canarinhos sofreram um gol, aos 15 minutos. Dois minutos depois, Amarildo, de 21 anos, o substituto de Pelé, empatou, e o primeiro tempo ficou por aquilo. Na fase final, Zito, aos 23, e Vavá, aos 32, garantiram o bi: 3 x 1.
FICHA TÉCNICA
Brasil 3 x 1 Inglaterra
Local: Estádio Sausalito, em Viña del Mar (CHI)
Público: 17.736 pagantes
Árbitro: Pierre Schwinte (FRA)
Gols: Garrincha, aos 32 e Hitchens, aos 39 min do 1º tempo; Vavá, aos 9, e Garrincha, aos 14 min do 2º tempo.
BRASIL Gilmar: Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos: Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo e Zagallo. Técnico: Aymoré Moreira.
INGLATERRA: Springett; Armfield, Wilson, Morre e Flowers; Norman, Douglas e Hitchens; Haynes, Greaves e Bobby Charlton. Técnico: Walter Winterbottom.
O CARA
Manoel Francisco dos Santos (Garrincha).
Nascimento: 28 de outubro de 1933, em Magé-RJ.
Viveu até: 20 de janeiro de 1982
Altura: 1,67m
Jogos disputados: 716
Gols marcados: 283
Jogou por: Botafogo, Corinthians, Atlético Junior (COL); Flamengo; Olaria; Fortaleza-CE; Alecrim-RN; Novo Hamburgo-RS; Seleção Brasileira e Seleção Carioca.
Títulos pela Seleção Brasileira: Copas do Mundo de 1958 e 62.
Pelo Botafogo: campeão carioca, em 1957, 61 e 62; do Torneio Rio-São Paulo de 1962 e 64; Taça de Paris, em 1963; Torneio João Teixeira de Carvalho, em 1958;Torneio Quadrangular do Rio de Janeiro, em 1954; Pentgonal de Clubes do México, em 1958; Torneio Interncional da Colômbi, em 1960;; VI Torneio Pentagonal do Méxicop, em 1962; Torneio Governador Magalhães Pinto, em 1964; Toreneio Jubileu de Ouro da Associação de Fdutebol de La Paz, em 1964; Torenio Qudangualr do Suriname, em 1964;, em 1964; Torneio Íbero-Americano Quadrangular de Buenos Aires, em 1964.
Pelo Corinthians: Tornei Rio-São Paulo de 1966.
A Copa do Mundo de 1962 foi a consagração de Mané Garrincha, dentro de uma Seleção Brasileira quatro anos mais velha. Os titulares eram os mesmos de 1958, exceto Orlando – perdera a vaga, para Zózimo, porque estava jogando pelo argentino Boca Juniors e, na época, só se convocava quem atuava no país –, e Mauro – barrara Bellini, porque o capitão na Suécia não agradara ao técnico Aimoré Moreira, nas vitórias sobre os paraguaios – 2 x 0, em 30.04.1961, e 3 x 2, em 03.05, ambas pela Taça Osvaldo Cruz.
Em 7 de maio, nos 2 x 1, sobre o Chile, pela Taça O´Higgens, Aymoré Moreira – tornara-se o treinador devido problemas de saúde com Vicente Feola – entregou a zaga central a Mauro, que a segurou em Brasil 1 x 0, em 11.05.1961. Abatido pela barração, Bellini declarou que, na reserva, não sentia mais prazer em estar na Seleção. Pegou mal, muito mal. Ele até foi titular e capitão, ainda, em dois jogos pela Taça Osvaldo Cruz, nas goleadas – 6 x 0, em 21.04.1962, e 4 x 0, em 24.04, sobre o Paraguai – e em um amistoso – 2 x 1, em 06.05, contra Portugal. Além da troca de Feola, por Aymoré, e do capitão, uma outra mudança ocorreu na comissão técnica. Saiu o psicólogo João Carvalhaes, aquele que, em 1958, considerara Garrincha maluco, entrando Ataíde Ribeiro, em seu lugar.
O SHOW DE MANÉ - Seguramente, foi nos 3 x 1 sobre os ingleses que Garrincha (foto) se excedeu naquela Copa de 62. Mas não for fácil para o Brasil chegar até aquele dia. Logo na estreia, em 30 de maio, no Estádio Sausalito, em Viña del Mar, começou a perder Pelé, com uma distensão muscular, dor na virilha, que atingiu o clímax quando o camisa 10 chutou a gol, aos 25 minutos do 0 x 0 com a então Tcheco-Eslováquia, em 2 de junho. Perdia-se o “Rei”. Que mau! Mas estava escrito que aquela seria a Copa do Mané. Pra começo de conversa, o “Torto” já começara a aparecer no lance do primeiro gol contra os mexicanos. Livrara-se de Najera e lançara Pelé, que dera um toque na bola, à meia-altura, para Zagallo abrir o caminho do bi – Pelé fez o outro gol.
Antes daquele jogo, um incidente: Aymoré Moreira tentara devolver a zaga central à Bellini, tendo em vista que Mauro andara vacilão na estréia. Mauro, no entanto, reagiu, ameaçando ir embora, caso fosse barrado. E o time terminou sendo repetido no segundo jogo.
Copa vai, Copa vem, de repente, a seleção canarinha estava diante do terceiro grande problema, depois da contusão de Pelé e do “Caso Mauro”: a inferioridade no placar, em 6 de junho, ante os espanhóis. Se o árbitro não tivesse deixado de marcar um pênalti, cometido por Nilton Santos, dificilmente, Garrincha chegaria ao seu brilho máximo diante da Inglaterra, em 10 de junho. Ainda bem que Amarildo virou o placar e a Espanha foi passada pra trás: 2 x 1. Vale ressaltar que, no gol da virada, foi o Mané quem cruzou, da linha de fundo, para o “Possesso” cabecear para a rede.
Com a vaga garantida nas quartas-de-final, viera a grande tarde de domingo, em Sausalito, de onde os brasileiros não saíram, por terem sido os primeiros do se grupo, enquanto os britânicos foram os segundos no deles. Rolou a bola. Como a seleção de Aymoré Moreira mostrava-se muito enrolada, a partir dos 31 minutos do primeiro tempo, Garrincha resolveu acontecer. Chamou as responsabilidades para si. E abriu o plalcar, de forma inacreditável. Durante uma cobrança de escanteio, saltou junto com o grandalhão Norman, que era 12 centímetros mais alto, e conseguiu cabecear a bola para a rede. Os ingleses empataram, aos 36 minutos, por intermédio de Hitchens, mas, por aquilo, pagaram caro.
Após um primeiro tempo empatado, por 1 x 1, aos oito minutos da etapa final, Didi preparava-se para cobrar uma falta, pela direita, pertinho da grande área. Sem que ele pudesse imaginar, surgiu um moleque Garrincha à sua frente. E mandou o pé na pelota. O goleiro inglês Springett rebateu a bola para a frente, na cabeça de Vavá, que não o perdoou: 2 x 1. Aos 14, Garrincha viu o camisa um inglês adiantado e chutou, quase da intermediária, por cobertura: 3 x 1. Golão!
Cabeçada, chute por cobertura, cobrança de falta, normalmente, Garrincha não fazia nada daquilo, no Botafogo. De normal mesmo só ele dizer que não tinha medo do tal de “Fralda”, referindo-se a Flowers, o lateral que iria marcá-lo e que prometia sumir com ele do jogo. Naquele dia, porém, o Mané, que esteve “indomável”. Só não conseguiu dominar um cachorrinho preto (foto) que invadiu o gramado, antecipando-se às diabruras que ele iria aprontar. Depois de driblar o “Demônio da Copa”, o cãozinho só foi capturado quando o inglês Jimmy Greaves ajoelhou-se à sua frente e os dois ficaram olhos nos olhos, se namorando. Num bote rápido, o atacante fez o que Mané Garrincha não conseguira, único pecado do “Demônio das Pernas Tortas”.
O SHOW TEVE DE CONTINUAR - O jogo em que o Brasil venceu o Chile, por 4 x 2, em 13 de junho, pelas semifinais, pareceu a continuação dos 3 x 1 sobre a Inglaterra. Garrincha repetiu o baile dado nos ingleses. Aos 9 minutos, Zagallo chutou, a bola bateu em Amarildo e em Vavá, e sobrou para o “Torto” pegar, de canhota. O espírito do jogo contra aos ingleses já estava lhe baixando, novamente. E aquele gol era outra novidade, pois ele nunca chutava de esquerda.
O raio estava caindo, pela segunda vez, no mesmo lugar. Aos 32 minutos, Garrincha aprontou outra. Zagallo cobrou escanteio e ele subiu no meio da zaga, para cabecear e marcar: 2 x 0. No segundo tempo, aos dois minutos, Mané cobrou escanteio, Vavá cabeceou e o Brasil voltou à rede. O mesmo Vavá, aos 32, fechou o placar em 4 x 2. Pena que, aos 42 minutos, Mané tivesse sido expulso (foto) de campo, dedurado ao árbitro peruano Arturo Yamazaki, pelo auxiliar de arbitragem uruguaio Esteban Marino, que o acusara de agredir o lateral chileno Rojas. No meio da confusão, quando saía de campo, Mané levou uma pedrada, na cabeça, que teve de ser enfaixada. (foto).Em 17 de junho, o Brasil estava na final, contra a Tcheco-Eslováquia, com uma defesa carregando nas costas a média de 32 anos de idade – Nílton Santos estava com 37. Sem Pelé com Garrincha ardendo a 38 graus de febre, os canarinhos sofreram um gol, aos 15 minutos. Dois minutos depois, Amarildo, de 21 anos, o substituto de Pelé, empatou, e o primeiro tempo ficou por aquilo. Na fase final, Zito, aos 23, e Vavá, aos 32, garantiram o bi: 3 x 1.
FICHA TÉCNICA
Brasil 3 x 1 Inglaterra
Local: Estádio Sausalito, em Viña del Mar (CHI)
Público: 17.736 pagantes
Árbitro: Pierre Schwinte (FRA)
Gols: Garrincha, aos 32 e Hitchens, aos 39 min do 1º tempo; Vavá, aos 9, e Garrincha, aos 14 min do 2º tempo.
BRASIL Gilmar: Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos: Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo e Zagallo. Técnico: Aymoré Moreira.
INGLATERRA: Springett; Armfield, Wilson, Morre e Flowers; Norman, Douglas e Hitchens; Haynes, Greaves e Bobby Charlton. Técnico: Walter Winterbottom.
O CARA
Manoel Francisco dos Santos (Garrincha).
Nascimento: 28 de outubro de 1933, em Magé-RJ.
Viveu até: 20 de janeiro de 1982
Altura: 1,67m
Jogos disputados: 716
Gols marcados: 283
Jogou por: Botafogo, Corinthians, Atlético Junior (COL); Flamengo; Olaria; Fortaleza-CE; Alecrim-RN; Novo Hamburgo-RS; Seleção Brasileira e Seleção Carioca.
Títulos pela Seleção Brasileira: Copas do Mundo de 1958 e 62.
Pelo Botafogo: campeão carioca, em 1957, 61 e 62; do Torneio Rio-São Paulo de 1962 e 64; Taça de Paris, em 1963; Torneio João Teixeira de Carvalho, em 1958;Torneio Quadrangular do Rio de Janeiro, em 1954; Pentgonal de Clubes do México, em 1958; Torneio Interncional da Colômbi, em 1960;; VI Torneio Pentagonal do Méxicop, em 1962; Torneio Governador Magalhães Pinto, em 1964; Toreneio Jubileu de Ouro da Associação de Fdutebol de La Paz, em 1964; Torenio Qudangualr do Suriname, em 1964;, em 1964; Torneio Íbero-Americano Quadrangular de Buenos Aires, em 1964.
Pelo Corinthians: Tornei Rio-São Paulo de 1966.
JOGOS HISTÓRICOS – BRASIL 2 X 0 BULGÁRIA - 1966
Foi a festa das festas. Tinha-se o tri com certo. Tanto que, para satisfazer a todos os cartolas, a então Confederação Brasileira de Desportos (CBD) convocou 47 jogadores para os treinos. No dia 17 de junho de 1966, a delegação brasileira partiu, para a Inglaterra, com grande torcida comparecendo ao embarque.
O primeiro a chegar foi o lateral-direito Fidélis, do Bangu, clube do supervisor Carlos Nascimento, que provocou a dispensa do melhor jogador da posição, Carlos Alberto Torres. Saudado, festivamente, pelos presentes ao aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, o banguense aproveitou para ir à praia, ao lado, jogar um flor na água. Esperava lhe dar sorte.
No festejado “embarque para o tri” estiveram presentes diversos cartolas, entre eles os presidentes Luís Murgel, do Fluminense, Nei Cidade Palmeiro, do Botafogo, Veiga Brito, do Flamengo e outros nomes de peso em seus clubes, como o vascaíno Antônio Calçada, o alvinegro Otávio Pinto Guimarães, o tricolor Dílson Guedes, o treinador botafoguense Admildo Chirol, junto com os jogadores Dimas e Mura, só para citar poucos. A balbúrdia no aeroporto era tanta, que os jogadores paulistas, chegados ao Rio em um voo especial, tiveram de ficar na sala destinada aos passageiros em trânsito. Até o comandante Bungner, o piloto que transportara as seleções de 58 e 62, virou estrela, muito filmado e solicitado para fotos.
Entre os jogadores, Paulo Henrique, lateral do Flamengo, precisou de cordão de isolamento para entrar no Galeão. O meia botafoguense Gérson levava vários livros de contos policiais para ler durante a viagem. O seu colega e goleiro Manga recebera autorização para embarcar na escala em Recife. O zagueiro vascaíno Fontana revelava a promessa de doar Cr$ 1 milhão de cruzeiros a uma instituição de caridade, caso voltasse tri. Já o tricolor Altair jurava não ter feito promessa nenhuma. Preferia colar na esposa. Ao contrário dele, outro tricolor, o volante Denílson, entre um autógrafo e outro, não escondia ter aceso velas, diariamente, para Nossa Senhor do Rosário ajudá-lo.
Durante confusão para o embarque, Amarildo perdeu uma maleta de mão. Uma faixa, com letras berrantes, escrito “Avante Brasil. Vai dar Zebra em Londres”, dava zebra er para o atacante. Mais sorte tivera Tosão, que conseguira fazer uma ligação telefônica, embora se recusando a dizer para quem. Enquanto isso, Alcindo sofria com os caçadores se suvenir, que queriam a sua gravata. Evidentemente, que Pelé foi o mais saudado. Mas ninguém conseguiu chegar perto dele. Mais malandro foi o “xerifão” cruzmaltino Brito, que aproveitou o clima de euforia, para discutir renovação de contrato com os cartolas de São Januário. Enquanto isso, Helena, a mulher do lateral Rildo, contava que era a primeira vez que ela comparecia a um embarque do marido.
De acordo com empregados da Varig, a delegação levava 825 quilos em bagagem. Só o roupeiro Aristides juntara 1.200 travas de chuteiras, altas e médias. O Boeing 707, para o vôo 834, da Varig, levando 27 jogadores, quando só poderia inscrever 22 no Mundial, deveria partir às 22h30. Teve saída antecipada, para as 22h, mas só decolou às 22h35. O primeiro a chegar ao aeroporto foi Carlos Nascimento, e João Havelange, o presidente da CBD, o último a embarcar. De carona, viajou, também, o árbitro Armando Marques, muito saudado pelos torcedores.
Na Europa, a seleção fez este diário: 18.06 - pousou na Espanha e hospedou-se no hotel Wellington; 21.06 - amistoso com o Atlético de Madrid, no Estádio Chamartin; 22.06 – viagem para a inglesa Londres e a escocesa Glasgow, hospedando-se no Marina Hotel, em Troon; 23.06 - treino no Estádi Kilmarnock, perto de Troon; 24.06 coletivo no Hampden Park; 25.06 – amistoso, contra a Escócia; 26.06 - viajou para Londres e a sueca Estocolmo, onde almoçou, no aeroporto, com jornalistas, seguindo-se viagem, de ônibus, para Atvidaberg e hospedagem no Hotel Stllet; 27 e 28.06 – treinos; 29.06 - viajou para Gotemburgo e hospedou-se no Hotel Park Avenue; 30.06 – amistoso, com a seleção sueca; 1º.07 – volta para Atividaberg e dois dias de treinos; 04.07 – volta a Estocolmo, homenagens na embaixada brasileira e amistoso com o AIK; 05.07 - nova visita à embaida e viagem para Malmoe. 06.07 – amistoso com o Malmoe; 07.07 - viagem para a inglesa Mancheter, com escala na dinamarquesa Copenhague; 08/9/10/11.07 - treinos em Bolton.
ROLA A BOLA - Eram 19h30 locais – 15h30 no Brasil – do dia 12 de julho, quando a seleção do técnico Vicente Feola rolou a bola, em busca do tri. O jogo, apitado pelo alemão Kurt Tschencher, foi contra a Bulgária, no estádio do Everton, o Goodson Park, em Liverpool, diante de 47 mil pagantes. Ligados no rádio, pois ainda não havia transmissão direta pelas TVs brasileiras, os torcedores nem imaginavam que aquela seria a última partida em que a dupla Garrincha-Pelé atuaria junta. Em oito anos de parceria, 31 jogos, sem derrotas, pela Seleção Brasileira.
Vicente Feola escalou cinco jogadores que usara no Mundial 1858 – Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Garrincha e Pelé – e Jairzinho na ponta-esquerda, onde ele jamais atuara, para encarar os búlgaros. Até que funcionou. Aos 15 minutos do primeiro tempo, Pelé cobrou falta e marcou o primeiro gol da VIII Copa do Mundo. E, por 1 x 0, no primeiro tempo, o time canarinho animava todo o Brasil. Veio a segunda etapa e, aos 18 minutos, em nova cobrança de falta, Mané Garrincha, de pé direito, mandava uma curva na bola, que o goleiro búlgaro Naidenov não conseguia parar: 2 x 0, fim de papo e mais esperanças de tri.
A vitória, no entanto, não dava para enganar. Os canarinhos, fisicamente, mostraram-se piores do que os jogadores búlgaros, que formavam uma equipe fraca, toda fechada e que só sabia descer a botina sobre Pelé. Tanto que deixaram o “Rei” (desenho) em péssimas condições para o segundo jogo, contra a Hungria, três dias depois, no mesmo estádio, onde o Brasil caiu, por 3 x 1, poupando seu camisa 10 – entrou Tostão – trocando Denílson, por Gérson, recuperado de lesão, e recuando Lima. Aquela, por sinal, fora a última partida de Garrincha com a camisa da Seleção.
Assim, o “saldo” da vitória sobre a Bulgária foi o fim de uma invencibilidade de 12 anos, ou 13 jogos invictos em Copas do Mundo. A última derrota fora para a mesma Hungria, por 4 x 2, no Mundial de 1954, na Suíça. Por fim, em um Mundial para ser esquecido, a Seleção Brasileira foi eliminada ainda na primeira fase, em 19 de julho, também, no Goodson Park, com os 3 x 1 impostos por Portugal.
FICHA TÉCNICA
Local: Goodson Park, em Liverpool (ING)
Árbitro: Kurt Tschencher (ALE)
Gols: Pelé, aos 15 min do 1º tempo, e Garrincha, aos 18 min do 2º tempo.
Público: 47 mil pagantes.
Brasil: Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Altair e Paulo Henrique; Denílson e Lima; Garrincha, Alcindo, Pelé e Jairzinho.
Bulgária: Naidenov; Shalamanova, Penev, Kutzov e Gaganelov; Jetchev e Kitov; Dermendjev, Asparukhov, Yakimov e Kolev.
O CARA
Nome: Edson Arantes do Nascimento (Pelé).
Nascimento: 23 de outubro de 1940, em Três Corações (MG).
Onde jogou: Santos (SP), Seleção Brasileira, Cosmos (EUA).
Principais títulos: Copas do Mundo de 1958/62/70; Mundial Interclubes de 1962/63; Taça Libertadores de 1962/63; Recopa Sul-Americana e dos Campeões Intercontinentais de 1968; Taça Brasil de 1961/62/63/64/65; Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968; Torneio Rio-São Paulo de 1959,1963,1964,1966; Estadual Paulistas de 1960/61/62/64/65/67/68/69/73.
O primeiro a chegar foi o lateral-direito Fidélis, do Bangu, clube do supervisor Carlos Nascimento, que provocou a dispensa do melhor jogador da posição, Carlos Alberto Torres. Saudado, festivamente, pelos presentes ao aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, o banguense aproveitou para ir à praia, ao lado, jogar um flor na água. Esperava lhe dar sorte.
No festejado “embarque para o tri” estiveram presentes diversos cartolas, entre eles os presidentes Luís Murgel, do Fluminense, Nei Cidade Palmeiro, do Botafogo, Veiga Brito, do Flamengo e outros nomes de peso em seus clubes, como o vascaíno Antônio Calçada, o alvinegro Otávio Pinto Guimarães, o tricolor Dílson Guedes, o treinador botafoguense Admildo Chirol, junto com os jogadores Dimas e Mura, só para citar poucos. A balbúrdia no aeroporto era tanta, que os jogadores paulistas, chegados ao Rio em um voo especial, tiveram de ficar na sala destinada aos passageiros em trânsito. Até o comandante Bungner, o piloto que transportara as seleções de 58 e 62, virou estrela, muito filmado e solicitado para fotos.
Entre os jogadores, Paulo Henrique, lateral do Flamengo, precisou de cordão de isolamento para entrar no Galeão. O meia botafoguense Gérson levava vários livros de contos policiais para ler durante a viagem. O seu colega e goleiro Manga recebera autorização para embarcar na escala em Recife. O zagueiro vascaíno Fontana revelava a promessa de doar Cr$ 1 milhão de cruzeiros a uma instituição de caridade, caso voltasse tri. Já o tricolor Altair jurava não ter feito promessa nenhuma. Preferia colar na esposa. Ao contrário dele, outro tricolor, o volante Denílson, entre um autógrafo e outro, não escondia ter aceso velas, diariamente, para Nossa Senhor do Rosário ajudá-lo.
Durante confusão para o embarque, Amarildo perdeu uma maleta de mão. Uma faixa, com letras berrantes, escrito “Avante Brasil. Vai dar Zebra em Londres”, dava zebra er para o atacante. Mais sorte tivera Tosão, que conseguira fazer uma ligação telefônica, embora se recusando a dizer para quem. Enquanto isso, Alcindo sofria com os caçadores se suvenir, que queriam a sua gravata. Evidentemente, que Pelé foi o mais saudado. Mas ninguém conseguiu chegar perto dele. Mais malandro foi o “xerifão” cruzmaltino Brito, que aproveitou o clima de euforia, para discutir renovação de contrato com os cartolas de São Januário. Enquanto isso, Helena, a mulher do lateral Rildo, contava que era a primeira vez que ela comparecia a um embarque do marido.
De acordo com empregados da Varig, a delegação levava 825 quilos em bagagem. Só o roupeiro Aristides juntara 1.200 travas de chuteiras, altas e médias. O Boeing 707, para o vôo 834, da Varig, levando 27 jogadores, quando só poderia inscrever 22 no Mundial, deveria partir às 22h30. Teve saída antecipada, para as 22h, mas só decolou às 22h35. O primeiro a chegar ao aeroporto foi Carlos Nascimento, e João Havelange, o presidente da CBD, o último a embarcar. De carona, viajou, também, o árbitro Armando Marques, muito saudado pelos torcedores.
Na Europa, a seleção fez este diário: 18.06 - pousou na Espanha e hospedou-se no hotel Wellington; 21.06 - amistoso com o Atlético de Madrid, no Estádio Chamartin; 22.06 – viagem para a inglesa Londres e a escocesa Glasgow, hospedando-se no Marina Hotel, em Troon; 23.06 - treino no Estádi Kilmarnock, perto de Troon; 24.06 coletivo no Hampden Park; 25.06 – amistoso, contra a Escócia; 26.06 - viajou para Londres e a sueca Estocolmo, onde almoçou, no aeroporto, com jornalistas, seguindo-se viagem, de ônibus, para Atvidaberg e hospedagem no Hotel Stllet; 27 e 28.06 – treinos; 29.06 - viajou para Gotemburgo e hospedou-se no Hotel Park Avenue; 30.06 – amistoso, com a seleção sueca; 1º.07 – volta para Atividaberg e dois dias de treinos; 04.07 – volta a Estocolmo, homenagens na embaixada brasileira e amistoso com o AIK; 05.07 - nova visita à embaida e viagem para Malmoe. 06.07 – amistoso com o Malmoe; 07.07 - viagem para a inglesa Mancheter, com escala na dinamarquesa Copenhague; 08/9/10/11.07 - treinos em Bolton.
ROLA A BOLA - Eram 19h30 locais – 15h30 no Brasil – do dia 12 de julho, quando a seleção do técnico Vicente Feola rolou a bola, em busca do tri. O jogo, apitado pelo alemão Kurt Tschencher, foi contra a Bulgária, no estádio do Everton, o Goodson Park, em Liverpool, diante de 47 mil pagantes. Ligados no rádio, pois ainda não havia transmissão direta pelas TVs brasileiras, os torcedores nem imaginavam que aquela seria a última partida em que a dupla Garrincha-Pelé atuaria junta. Em oito anos de parceria, 31 jogos, sem derrotas, pela Seleção Brasileira.
Vicente Feola escalou cinco jogadores que usara no Mundial 1858 – Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Garrincha e Pelé – e Jairzinho na ponta-esquerda, onde ele jamais atuara, para encarar os búlgaros. Até que funcionou. Aos 15 minutos do primeiro tempo, Pelé cobrou falta e marcou o primeiro gol da VIII Copa do Mundo. E, por 1 x 0, no primeiro tempo, o time canarinho animava todo o Brasil. Veio a segunda etapa e, aos 18 minutos, em nova cobrança de falta, Mané Garrincha, de pé direito, mandava uma curva na bola, que o goleiro búlgaro Naidenov não conseguia parar: 2 x 0, fim de papo e mais esperanças de tri.
A vitória, no entanto, não dava para enganar. Os canarinhos, fisicamente, mostraram-se piores do que os jogadores búlgaros, que formavam uma equipe fraca, toda fechada e que só sabia descer a botina sobre Pelé. Tanto que deixaram o “Rei” (desenho) em péssimas condições para o segundo jogo, contra a Hungria, três dias depois, no mesmo estádio, onde o Brasil caiu, por 3 x 1, poupando seu camisa 10 – entrou Tostão – trocando Denílson, por Gérson, recuperado de lesão, e recuando Lima. Aquela, por sinal, fora a última partida de Garrincha com a camisa da Seleção.
Assim, o “saldo” da vitória sobre a Bulgária foi o fim de uma invencibilidade de 12 anos, ou 13 jogos invictos em Copas do Mundo. A última derrota fora para a mesma Hungria, por 4 x 2, no Mundial de 1954, na Suíça. Por fim, em um Mundial para ser esquecido, a Seleção Brasileira foi eliminada ainda na primeira fase, em 19 de julho, também, no Goodson Park, com os 3 x 1 impostos por Portugal.
FICHA TÉCNICA
Local: Goodson Park, em Liverpool (ING)
Árbitro: Kurt Tschencher (ALE)
Gols: Pelé, aos 15 min do 1º tempo, e Garrincha, aos 18 min do 2º tempo.
Público: 47 mil pagantes.
Brasil: Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Altair e Paulo Henrique; Denílson e Lima; Garrincha, Alcindo, Pelé e Jairzinho.
Bulgária: Naidenov; Shalamanova, Penev, Kutzov e Gaganelov; Jetchev e Kitov; Dermendjev, Asparukhov, Yakimov e Kolev.
O CARA
Nome: Edson Arantes do Nascimento (Pelé).
Nascimento: 23 de outubro de 1940, em Três Corações (MG).
Onde jogou: Santos (SP), Seleção Brasileira, Cosmos (EUA).
Principais títulos: Copas do Mundo de 1958/62/70; Mundial Interclubes de 1962/63; Taça Libertadores de 1962/63; Recopa Sul-Americana e dos Campeões Intercontinentais de 1968; Taça Brasil de 1961/62/63/64/65; Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968; Torneio Rio-São Paulo de 1959,1963,1964,1966; Estadual Paulistas de 1960/61/62/64/65/67/68/69/73.
JOGOS HISTÓRICOS – INGLATERRA 4 X 2 ALEMANHA-1966
Os ingleses se consideram os inventores do futebol. Na realidade, o ato de chutar uma bola é antiquíssimo. Há 2.500 anos antes de Cristo os chineses já castigavam uma pelota de couro. E mais e mais exemplos rolaram ao longo da história. Digamos que os súditos da rainha deram o cunho moderno à coisa.
Este novo capítulo começa no século XIX, quando estudantes londrinos praticavam a modalidade, com regras diferentes em cada colégio. Aquilo, no mínimo, era um convite a brigas e discussões. Para evitá-las, em 26 de outubro de 1863, jovens footballers reuniram-se na taberna Freemason´s, para definir uma lei única. Só que terminaram desentendo-se. Moral da história: uma patota criou uma liga para o rugby e a outro a primeira entidade regularizadora do “ludopédio”, a Football Association, que saiu distribuindo a sua cartilha pelas escolas de Londres, a capital inglesa. Assim, os conterrâneos dos quatro cabeludos de Liverpool são os organizadores da festa. Vá lá, então, que os deixemos se considerarem os pais da criança, que desde 1904 obedece “tiazona” Federação Internacional de Futebol Associado, a FIFA, a coordenadora mundial da modalidade.
Muito bem! Há quem diga que o futebol tem sido muito ingrato com os seus “criadores”, já que o English Team só ganhou uma Copa do Mundo, a de 1966, que eles promoveram. Bola fora, pois os arrogantes ingleses não deram bolas para as três primeiras disputas, em 1930, 34 e 38, só vindo a entrar na brincadeira a 1950, no Brasil.
A COPA ROUBADA – Era domingo, 20 de março de 1966. Na tarde daquele dia, um sujeito chamado Edward Betchley foi até vitrine do Westminster Center Hall e roubou a Taça Jules Rimet, que promovia uma exposição de selos raros dos 16 países que estavam a 113 dias do Mundial que a Inglaterra ganhara o direito de promovê-la durante o Congresso da Fifa, em 1969, em Roma.
Para devolvê-la, o ladrão exigiu 15 mil libras. No entanto, três dias depois ele caiu nas nãos da Scotland Yard, embora se recusando a revelar onde escondera a “mulher alada”. E, como os policiais procuraram em vão, coube ao cãozinho Pickles (foto), farejando arbustos, pelo sul de Londres, encontrá-la, enrolada em jornais. Aí, quem se deu bem foi o seu proprietário, David Corbett, que levou uma recompensa de 3 mil libras, valor três vezes superior ao prêmio dos campeões mundiais. Sem falar que ele ainda tornou-se convidado de honra para o jogo de abertura da Copa. Aliás, cachorros e Inglaterra sempre se cruzaram em Copas do Mundo. Em 1962, no jogo dela contra o Brasil, em Vinh del Mar, um totozinho preto invadiu o gramado e aprontou. Depois de driblar Garrincha, o cão só foi capturado quando Jimmy Greaves ajoelhou-se à sua frente e os dois ficaram olhos nos olhos, se namorando. Num bote rápido, o atacante fez o que Mané Garrincha não conseguira, único pecado do “Demônio das Pernas Tortas” naquela partida.
Enfim, passado o susto, a comoção mundial e as desconfianças de que o sumiço da taça fora um golpe de marketing, a bola rolou e os árbitros, na dúvida, não deixaram de da uma “mãozinha” oara os anfitriões, que receberam 71 inscrições para o seu Mundial, se bem que 17 africanos tiraram o time de campo, antes das Eliminatórias, por não aceitarem jogar contra seleções da Ásia e da Oceania.
ROLOU A FESTA - Os ingleses começaram a caça à taça em 11 de julho de 1966, no já demolido estádio de Wembley, empatando, por 0 x 0 Uruguai abriu. Depois, mandaram o mesmo placar de 2 x 0 pra cima de mexicanos e franceses, e foram continuar a onda nas quartas de final, com 1 x 0 sobre os argentinos que tiveram um atleta, Rattin, expulso de campo, pelo árbitro alemão Rudolf Kreitlein.
Vieram as semifinais, e a Inglaterra, com uma belíssima exibição de Bobby Charlton, eliminou Portugal, que vinha sendo uma das grandes sensações daquele Mundial: 2 x 1 e o passaporte para a decisão, contra os alemães, que, comandados por Beckenbauer, haviam tirado a então União Soviética, também, por 2 x 1.
Os ingleses jogaram, sempre, em Londres. Na sua capital, em 30 de julho, eles precisaram disputar uma prorrogação para ficarem com a taça. De início, um susto: o alemão Haller abriu o placar, aos 12 minutos. Mas Geoffrei Hurst colocou a casa em ordem, aos 18, para Martin Peter desempatar, aos 33 da etapa final. A turma já comemorava, quando Webber, aos 45 minutos, na última bola do jogo, deixou tudo nos 2 x 2.
Veio a prorrogação e, aí, não teve pra ninguém. Os ingleses carregaram a taça, com dois gols de Hurst. Aos 11 minutos, ele apanhou um rebote, pegou de primeira, a bola bateu na parte interna do travessão e, até hoje, se caiu dentro, ou não, é uma tremenda discussão. Para o árbitro, foi gol. Depois, aos 15 minutos do segundo tempo, Hurst fechou o placar em 4 x 2. Uns 40 nos depois, ele disse que a bola não havia entrado. Embora Geoffrey Hurst tenha marcado três gols na final, o “cara” daquela conquista foi Bobby Charlton. Jogou demais, foi o melhor da Copa. Mereceu caregar a taça (foto).
FICHA TÉCNICA
Local: Wembley
Gols: Haller, aos 12, e Hurst, aos 18 min do 1º tempo; Martin Peters, aos 33 e Weber, os 45 min do 2º tempo; Hurts, aos 11 do 1º e aos 15 min do 2º tempo da prorrogação.
Público: 100 mil presentes.
Árbitro: Gottfried Dienstg (SUI)
INGLATERRA: Banks; Cohen, Jack Charlton, Bobby Moore e Wilson; Nobby Stiles e Bobby Charlton; Alan kBall, Hurst, Roger Hunt e Peters. Técnico: Alf Ramsey. ALEMANHA: Tillkowsky; Hottges, Schulz, Weber e Schinellinger; Beckenbauer, Halller e Overath; Seeler, Held e Emmerich. Técnico: Helmut Schoen.
O CARA
Nome: Robert Charlton.
Nascimento: 11.10.1937.
Local: Ashington
Altura: 1,67m.
Títulos: Nacional de 1956/57/65/67; Copa da Inglaterra de 1963; Copa dos Campeões da Europa de 1968 e Copa do Mundo de 1966.
Jogou por: Preston North End e Manchester United.
Este novo capítulo começa no século XIX, quando estudantes londrinos praticavam a modalidade, com regras diferentes em cada colégio. Aquilo, no mínimo, era um convite a brigas e discussões. Para evitá-las, em 26 de outubro de 1863, jovens footballers reuniram-se na taberna Freemason´s, para definir uma lei única. Só que terminaram desentendo-se. Moral da história: uma patota criou uma liga para o rugby e a outro a primeira entidade regularizadora do “ludopédio”, a Football Association, que saiu distribuindo a sua cartilha pelas escolas de Londres, a capital inglesa. Assim, os conterrâneos dos quatro cabeludos de Liverpool são os organizadores da festa. Vá lá, então, que os deixemos se considerarem os pais da criança, que desde 1904 obedece “tiazona” Federação Internacional de Futebol Associado, a FIFA, a coordenadora mundial da modalidade.
Muito bem! Há quem diga que o futebol tem sido muito ingrato com os seus “criadores”, já que o English Team só ganhou uma Copa do Mundo, a de 1966, que eles promoveram. Bola fora, pois os arrogantes ingleses não deram bolas para as três primeiras disputas, em 1930, 34 e 38, só vindo a entrar na brincadeira a 1950, no Brasil.
A COPA ROUBADA – Era domingo, 20 de março de 1966. Na tarde daquele dia, um sujeito chamado Edward Betchley foi até vitrine do Westminster Center Hall e roubou a Taça Jules Rimet, que promovia uma exposição de selos raros dos 16 países que estavam a 113 dias do Mundial que a Inglaterra ganhara o direito de promovê-la durante o Congresso da Fifa, em 1969, em Roma.
Para devolvê-la, o ladrão exigiu 15 mil libras. No entanto, três dias depois ele caiu nas nãos da Scotland Yard, embora se recusando a revelar onde escondera a “mulher alada”. E, como os policiais procuraram em vão, coube ao cãozinho Pickles (foto), farejando arbustos, pelo sul de Londres, encontrá-la, enrolada em jornais. Aí, quem se deu bem foi o seu proprietário, David Corbett, que levou uma recompensa de 3 mil libras, valor três vezes superior ao prêmio dos campeões mundiais. Sem falar que ele ainda tornou-se convidado de honra para o jogo de abertura da Copa. Aliás, cachorros e Inglaterra sempre se cruzaram em Copas do Mundo. Em 1962, no jogo dela contra o Brasil, em Vinh del Mar, um totozinho preto invadiu o gramado e aprontou. Depois de driblar Garrincha, o cão só foi capturado quando Jimmy Greaves ajoelhou-se à sua frente e os dois ficaram olhos nos olhos, se namorando. Num bote rápido, o atacante fez o que Mané Garrincha não conseguira, único pecado do “Demônio das Pernas Tortas” naquela partida.
Enfim, passado o susto, a comoção mundial e as desconfianças de que o sumiço da taça fora um golpe de marketing, a bola rolou e os árbitros, na dúvida, não deixaram de da uma “mãozinha” oara os anfitriões, que receberam 71 inscrições para o seu Mundial, se bem que 17 africanos tiraram o time de campo, antes das Eliminatórias, por não aceitarem jogar contra seleções da Ásia e da Oceania.
ROLOU A FESTA - Os ingleses começaram a caça à taça em 11 de julho de 1966, no já demolido estádio de Wembley, empatando, por 0 x 0 Uruguai abriu. Depois, mandaram o mesmo placar de 2 x 0 pra cima de mexicanos e franceses, e foram continuar a onda nas quartas de final, com 1 x 0 sobre os argentinos que tiveram um atleta, Rattin, expulso de campo, pelo árbitro alemão Rudolf Kreitlein.
Vieram as semifinais, e a Inglaterra, com uma belíssima exibição de Bobby Charlton, eliminou Portugal, que vinha sendo uma das grandes sensações daquele Mundial: 2 x 1 e o passaporte para a decisão, contra os alemães, que, comandados por Beckenbauer, haviam tirado a então União Soviética, também, por 2 x 1.
Os ingleses jogaram, sempre, em Londres. Na sua capital, em 30 de julho, eles precisaram disputar uma prorrogação para ficarem com a taça. De início, um susto: o alemão Haller abriu o placar, aos 12 minutos. Mas Geoffrei Hurst colocou a casa em ordem, aos 18, para Martin Peter desempatar, aos 33 da etapa final. A turma já comemorava, quando Webber, aos 45 minutos, na última bola do jogo, deixou tudo nos 2 x 2.
Veio a prorrogação e, aí, não teve pra ninguém. Os ingleses carregaram a taça, com dois gols de Hurst. Aos 11 minutos, ele apanhou um rebote, pegou de primeira, a bola bateu na parte interna do travessão e, até hoje, se caiu dentro, ou não, é uma tremenda discussão. Para o árbitro, foi gol. Depois, aos 15 minutos do segundo tempo, Hurst fechou o placar em 4 x 2. Uns 40 nos depois, ele disse que a bola não havia entrado. Embora Geoffrey Hurst tenha marcado três gols na final, o “cara” daquela conquista foi Bobby Charlton. Jogou demais, foi o melhor da Copa. Mereceu caregar a taça (foto).
FICHA TÉCNICA
Local: Wembley
Gols: Haller, aos 12, e Hurst, aos 18 min do 1º tempo; Martin Peters, aos 33 e Weber, os 45 min do 2º tempo; Hurts, aos 11 do 1º e aos 15 min do 2º tempo da prorrogação.
Público: 100 mil presentes.
Árbitro: Gottfried Dienstg (SUI)
INGLATERRA: Banks; Cohen, Jack Charlton, Bobby Moore e Wilson; Nobby Stiles e Bobby Charlton; Alan kBall, Hurst, Roger Hunt e Peters. Técnico: Alf Ramsey. ALEMANHA: Tillkowsky; Hottges, Schulz, Weber e Schinellinger; Beckenbauer, Halller e Overath; Seeler, Held e Emmerich. Técnico: Helmut Schoen.
O CARA
Nome: Robert Charlton.
Nascimento: 11.10.1937.
Local: Ashington
Altura: 1,67m.
Títulos: Nacional de 1956/57/65/67; Copa da Inglaterra de 1963; Copa dos Campeões da Europa de 1968 e Copa do Mundo de 1966.
Jogou por: Preston North End e Manchester United.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
JOGOS HISTÓRICOS – BRASIL 4 X 1 ITÁLIA-1970
O Brasil não ganhava uma Copa do Mundo desde 1962. Mas, a partir de 1968, via o seu PIB (Produto Intrno Bruto, que mede a riqueza da nação) vencer o de todas as pátrias, de chuteiras, ou não. Era a época do “milagre econômico” dos governos miltares que impuseram ao país uma didatura de 21 anos.
Em 1970, o regime do general Emílio Garrastazu Medici precisava da volta da Taça Jules Rimet, para coroar uma fase em que a classe média já tinha dois carros na gargem. Ao som da marchinha “Pra Frente Brasil”, de Miguel Gustavo, a tortura e a censura eram escanteadas, para o povo imaginar que fosse muito feliz, sem saber. “Se houvesse eleição direta, para presidente da república, naquela época, o general ganharia, com facilidade”, constatava, anos depois, o futuro ocupante daquele cargo, o ex-líder operário Luiz Inácio Lula da Silva.
Saiu tudo como deveria ser. Após seis vitórias nas Eliminatórias e mais seis durante as disputas no México, a Seleção ficou tri. Trilegal! De quebra, levou a consideração de melhor equipe nacional de todos os tempos. Para isso, porém, foi preciso dar um jeito nas bagunças que culminaram com o estrondoso fracasso na Copa-66, na Inglaterra.
Antes de chegar ao México, a equipe canarinha trocou o seu treinador comunista, João Saldanha, que não aceitava palpites da ditadura em sua equipe – ela que escalasse o seu ministério –, por Mário Jorge Lobo Zagallo, bicmpeão, como atleta, em 1958/62, e que vinha fazendo sucesso dirigindo o Botafogo.
E rola a bola na Copa-70,com 90 milhões em ação, torcendo, fervorosamente. A rapaziada etreou goleando a então Techeco-Eslováquia, por 4 x 1, em 3 de junho daquele chumboso 1970. Quatro dias depois, teve muito trabalho para fazer 1 x 0 nos violentos ingleses. Em 10 de junho sacramentou a classificação à segunda fase do Mundial, mandando 3 x 2 na Romênia. Tudo no mesmo local das partidas anteriores, o Estádio Jalisco, em Guadalajara.
Como primeiro do Grupo 3, o Brasil encarou, ainda em Guadalajara, o Peru, segundo do Grupo 4 e treinado por Didi, campeão mundial de 1958. Mandou 4 x 2, sem problemas. Em 17 de junho, a nova vítima seria o Uruguai: 3 x 1 e estávamos vingados do “Maracanazo” de 1950, quando eles foram ao Rio de Janeiro e levaram o “caneco” pra Montevideu.
DIA DO TRI – A turma verde-e-amarelo saiu de Jalisco e foi para o Estádi Azteca, na Ciudad de México. Era 21 de junho, um meio-dia mexicano de um domingo muito ensolarado. A Seleção canarinha, de Seu Zagallo, mandou 4 x 1 nos italianos, que haviam chegado à final despachando os alemães, por 4 x 3, numa prorrogação, após 1 x 1 no tempo normal.
O Brasil abriu o placar, aos 18 minutos, numa cabeçada de Pelé, complementando cruzamento de Tostão. Era o 100º gol brasileiro em Copas do Mundo. Os italianos empataram, aos 37, com Bonisegna, aproveitando-se da brincadeira de Clodoaldo, de fazer uma jogada de letra. Jairzinho, aos 24 do segundo tempo, e Carlos Alberto, aos 42, completaram a goleada. Minutos depois, o mesmo Carlos Alberto Torres repetiria, diante do presidente mexicano, Gustavo Dias Ordaz, o gesto iniciado por Bellini, diante do Rei Gustavo Adolfo, na Suécia, em 1958, e continuado por Mauro, em 62, no Chile.
Até o Brasil chegar ao tri, a Copa do Mundo havia realizado, em quatro décadas, 231 jogos, com 846 gols marcados. O alemão Gerd Muller foi o artilheiro da edição-40, marcando 10 vezes. Pelo Brasil, Jairzinho foi o principal goleador, com sete bolas nas redes, comparecendo ao filó em todos os jogos.
O Brasil tri foi: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everldo; Clodoaldo e Gérson: Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino. A Azurra, treinada por Ferrucio Valcareggi, alinhou: Albertosi; Burgnich, Cera, Rosato e Fachetti; Bertini (Juliano), Mazzola e De Sisti; Domenghini, Bonisegna (Rivera) e Didi Riva. O árbitro foi o então alemão oriental Rudolf Glockner e o público de 104.412, no Estádio Azteca, da Cidade do México.
GOL ANUNCIADO - Zagallo observara, por vídeos, que os italianos costumavam concentrar demais o jogo pelo ladodireito. Entaõ, armou o esquema de, numa roubada de bola, por aquele setor, o lateral-direito subir, rapidmente, ao ataque, para Jarizinho, Tostão ou Pelé lançá-lo. Supondo que o flanco dirieto estivesse pouco povodo, Carlos Alberto (foto) deveria finalizar o plano. E o lance rolou, aos 42 minutos do segundo tempo.
Redimindo-se da brincadeira do gol de empate italiano, Clodoaldo driblou quatro adversários, na intermediária, serviu Rivellino, que passou a bola a Jairzinho, que a entregou a Pelé. Tudo muito rápido. Tão veloz que Carlos Alberto chegou, para ser acionado pelo “Rei” (desenho) e chutar sem nenhum combate. Bola na caçapa, como o Lobo estudara.
Carlos Alberto Torres tinha 25 anos – 17 de julho de 1944 – quando ergueu a Taça Jules Rimet e era jogdor do Santos. Carioca, fora cria do Fluminense, pelo qual estreara no time principal, em 1964, sendo campeão estadual, de cara. Resultado: foi parar na Seleção Brasileira e, em 1965, no time de Pelé, para ser campeão paulista, título que repetiu em 1967/69. Em 1971, esteve no Botafogo; em 72, no Flamengo; em 73, voltou ao Santos, para ganhar outro Paulistão; em 75, a volta foi para a “máquina” do Flu de Francisco Horta. Em 1977, mudou-se para o Cosmos, de Novas York, onde encerrou uma bela história de bola, em 1982. Carlos Alberto jogou 53 vezes e marcou oito gols com a camisa canarinha. Em 1966, foi, inexplicavelmente, riscado dos planos para o Mundial da Inglaterra – sorte dele!
Em 1970, o regime do general Emílio Garrastazu Medici precisava da volta da Taça Jules Rimet, para coroar uma fase em que a classe média já tinha dois carros na gargem. Ao som da marchinha “Pra Frente Brasil”, de Miguel Gustavo, a tortura e a censura eram escanteadas, para o povo imaginar que fosse muito feliz, sem saber. “Se houvesse eleição direta, para presidente da república, naquela época, o general ganharia, com facilidade”, constatava, anos depois, o futuro ocupante daquele cargo, o ex-líder operário Luiz Inácio Lula da Silva.
Saiu tudo como deveria ser. Após seis vitórias nas Eliminatórias e mais seis durante as disputas no México, a Seleção ficou tri. Trilegal! De quebra, levou a consideração de melhor equipe nacional de todos os tempos. Para isso, porém, foi preciso dar um jeito nas bagunças que culminaram com o estrondoso fracasso na Copa-66, na Inglaterra.
Antes de chegar ao México, a equipe canarinha trocou o seu treinador comunista, João Saldanha, que não aceitava palpites da ditadura em sua equipe – ela que escalasse o seu ministério –, por Mário Jorge Lobo Zagallo, bicmpeão, como atleta, em 1958/62, e que vinha fazendo sucesso dirigindo o Botafogo.
E rola a bola na Copa-70,com 90 milhões em ação, torcendo, fervorosamente. A rapaziada etreou goleando a então Techeco-Eslováquia, por 4 x 1, em 3 de junho daquele chumboso 1970. Quatro dias depois, teve muito trabalho para fazer 1 x 0 nos violentos ingleses. Em 10 de junho sacramentou a classificação à segunda fase do Mundial, mandando 3 x 2 na Romênia. Tudo no mesmo local das partidas anteriores, o Estádio Jalisco, em Guadalajara.
Como primeiro do Grupo 3, o Brasil encarou, ainda em Guadalajara, o Peru, segundo do Grupo 4 e treinado por Didi, campeão mundial de 1958. Mandou 4 x 2, sem problemas. Em 17 de junho, a nova vítima seria o Uruguai: 3 x 1 e estávamos vingados do “Maracanazo” de 1950, quando eles foram ao Rio de Janeiro e levaram o “caneco” pra Montevideu.
DIA DO TRI – A turma verde-e-amarelo saiu de Jalisco e foi para o Estádi Azteca, na Ciudad de México. Era 21 de junho, um meio-dia mexicano de um domingo muito ensolarado. A Seleção canarinha, de Seu Zagallo, mandou 4 x 1 nos italianos, que haviam chegado à final despachando os alemães, por 4 x 3, numa prorrogação, após 1 x 1 no tempo normal.
O Brasil abriu o placar, aos 18 minutos, numa cabeçada de Pelé, complementando cruzamento de Tostão. Era o 100º gol brasileiro em Copas do Mundo. Os italianos empataram, aos 37, com Bonisegna, aproveitando-se da brincadeira de Clodoaldo, de fazer uma jogada de letra. Jairzinho, aos 24 do segundo tempo, e Carlos Alberto, aos 42, completaram a goleada. Minutos depois, o mesmo Carlos Alberto Torres repetiria, diante do presidente mexicano, Gustavo Dias Ordaz, o gesto iniciado por Bellini, diante do Rei Gustavo Adolfo, na Suécia, em 1958, e continuado por Mauro, em 62, no Chile.
Até o Brasil chegar ao tri, a Copa do Mundo havia realizado, em quatro décadas, 231 jogos, com 846 gols marcados. O alemão Gerd Muller foi o artilheiro da edição-40, marcando 10 vezes. Pelo Brasil, Jairzinho foi o principal goleador, com sete bolas nas redes, comparecendo ao filó em todos os jogos.
O Brasil tri foi: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everldo; Clodoaldo e Gérson: Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino. A Azurra, treinada por Ferrucio Valcareggi, alinhou: Albertosi; Burgnich, Cera, Rosato e Fachetti; Bertini (Juliano), Mazzola e De Sisti; Domenghini, Bonisegna (Rivera) e Didi Riva. O árbitro foi o então alemão oriental Rudolf Glockner e o público de 104.412, no Estádio Azteca, da Cidade do México.
GOL ANUNCIADO - Zagallo observara, por vídeos, que os italianos costumavam concentrar demais o jogo pelo ladodireito. Entaõ, armou o esquema de, numa roubada de bola, por aquele setor, o lateral-direito subir, rapidmente, ao ataque, para Jarizinho, Tostão ou Pelé lançá-lo. Supondo que o flanco dirieto estivesse pouco povodo, Carlos Alberto (foto) deveria finalizar o plano. E o lance rolou, aos 42 minutos do segundo tempo.
Redimindo-se da brincadeira do gol de empate italiano, Clodoaldo driblou quatro adversários, na intermediária, serviu Rivellino, que passou a bola a Jairzinho, que a entregou a Pelé. Tudo muito rápido. Tão veloz que Carlos Alberto chegou, para ser acionado pelo “Rei” (desenho) e chutar sem nenhum combate. Bola na caçapa, como o Lobo estudara.
Carlos Alberto Torres tinha 25 anos – 17 de julho de 1944 – quando ergueu a Taça Jules Rimet e era jogdor do Santos. Carioca, fora cria do Fluminense, pelo qual estreara no time principal, em 1964, sendo campeão estadual, de cara. Resultado: foi parar na Seleção Brasileira e, em 1965, no time de Pelé, para ser campeão paulista, título que repetiu em 1967/69. Em 1971, esteve no Botafogo; em 72, no Flamengo; em 73, voltou ao Santos, para ganhar outro Paulistão; em 75, a volta foi para a “máquina” do Flu de Francisco Horta. Em 1977, mudou-se para o Cosmos, de Novas York, onde encerrou uma bela história de bola, em 1982. Carlos Alberto jogou 53 vezes e marcou oito gols com a camisa canarinha. Em 1966, foi, inexplicavelmente, riscado dos planos para o Mundial da Inglaterra – sorte dele!
A GRANDE SELEÇÃO DE 1958
A turmae canarinha de 1970, quando voltou do México, com o tri, de quebra, passou a ser considerado a “melhor seleção brasileira de todos os tempos”. Realmente, foi um timaço que, em seis jogos, marcou 19 e levou 7 gols, sobrando um saldo de 12. Além disso, colocou Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Gérson, Jairzinho, Pelé e Rivelino, na seleção dos melhores da Copa – os outros foram Banks, Bobby Moore e Terence Cooper (ING), Beckenbauer e Gerd Muller (ALE) – e, ainda, fez o segundo artilheiro, “O Furacão” Jair Ventura Filho, com 7 gols, três a menos do que o líder alemão Müller.
Durante aquele que foi o primeiro Mundial transmitido, ao vivo, pela TV, para o Brasil, a Seleção passava tanta confiança, que a vitória era esperada, com certeza. Foi fantástico, emocionante. No entanto, a equipe de 70 durou apenas uma Copa. Em 1974, não tínhamos mais Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Clodoaldo, Gérson, Tostão e Pelé, se bem que o “Rei do Futebol” não foi à Alemanha porque decidiu, antes, encerrar a carreira. Então, Jairzinho e Rivellino foram os titulares que restaram – atuaram, também, o lateral-direito Zé Maria e o atacante Paulo César “Caju”, reservas, em 70, e titulares, em 74.
Nas antigas histórias para jovens desportistas, pouco já se cultua a seleção de 1958, a do nosso primeiro título mundial, na Suécia. Ela começa a perder força junto aos pesquisadores, embora tenha sido o começo dessa história de grandiosas glórias. O time que aparece nesta foto, com Djalma Santos, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando, Gilmar (em pé), Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagalo, além do massagista Mário Américo, ao contrário do de 1970, atingiu duas Copas, trazendo, do Chile, o bicampeonato, em 1962, com duas trocas, apenas, no time titular: os zagueiros Orlando Peçanha de Carvalho – jogava pelo argentino Boca Junior e, na época, não se convocava quem atuasse no exterior – cedeu a sua vaga a Zózimo, enquanto Bellini passou a braçadeira de capitão a Mauro Ramos de Oliveira.
Se o time do tri regressou com o saldo de12 gols, em seis vitórias, a rapaziada do bi fez 16 e sofreu quatro, em igual número de partidas, ms com um empate. Portanto, o mesmo saldo. E, assim como no México, fez, também, o segundo artilheiro nas disputas da Suécia, o garoto Pelé, de 17 anos, com seis tentos, empatado com o alemão Helmut Rahn – o principal artilheiro foi o francês Just Fontine, com 13 bolas nas redes. No quesito “Seleção da Copa”, porém, os “tri” ganham, por 8 x 6. De 58, foram selecionados Djalma Santos, Nilton Santos, Zito, Garrincha, Didi, o melhor da Copa, e Pelé – o “time ideal” teve, ainda, Yashin e Voinov (URSS), Blanchflower (Irlanda do Norte), Liedlholm e Skoglund (SUS), e Fontaine (FRA).
A equipe de 58 compensa a perda no quesito acima, comparecendo à história dos Mundiais de futebol com dois goleadores no topo da lista dos “matadores” da VII Copa do Mundo: Vavá e Grrincha, cada um, com quatro gols, empatados com o chileno Leonel Sanchez, o húngaro Florian Albert e o então soviético Valentin Ivanov – o então iugoslavo Dragan Jerkovic, com cinco gols, foi o primeiro colocado. Por extensão, como a seleção de 58 é quase a mesma de 62, vale ressaltar que, quatro anos envelhecida, ela contribuiu com Gilmar, Djalma Santos, Zito, Garrincha e Vavá no “time da disputa”, que teve, também, Schnellinger (ALE), Voronin (URSS), Novak e Masopust (TCH), Toro (CHI) e Skoblar (IUG). Portanto, vida longa, em nossa memória, para a seleção de 1958.
Só para reverenciar: embora não tivessem sido campeãs mundiais, vale lembrar que as seleções de 1938 e de 1950 fizeram os artilheiros dos seus respectivos Mundiais: Leônidas da Silva, com oito, e Ademir Marques de Menezes, cm nove gols.
Durante aquele que foi o primeiro Mundial transmitido, ao vivo, pela TV, para o Brasil, a Seleção passava tanta confiança, que a vitória era esperada, com certeza. Foi fantástico, emocionante. No entanto, a equipe de 70 durou apenas uma Copa. Em 1974, não tínhamos mais Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Clodoaldo, Gérson, Tostão e Pelé, se bem que o “Rei do Futebol” não foi à Alemanha porque decidiu, antes, encerrar a carreira. Então, Jairzinho e Rivellino foram os titulares que restaram – atuaram, também, o lateral-direito Zé Maria e o atacante Paulo César “Caju”, reservas, em 70, e titulares, em 74.
Nas antigas histórias para jovens desportistas, pouco já se cultua a seleção de 1958, a do nosso primeiro título mundial, na Suécia. Ela começa a perder força junto aos pesquisadores, embora tenha sido o começo dessa história de grandiosas glórias. O time que aparece nesta foto, com Djalma Santos, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando, Gilmar (em pé), Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagalo, além do massagista Mário Américo, ao contrário do de 1970, atingiu duas Copas, trazendo, do Chile, o bicampeonato, em 1962, com duas trocas, apenas, no time titular: os zagueiros Orlando Peçanha de Carvalho – jogava pelo argentino Boca Junior e, na época, não se convocava quem atuasse no exterior – cedeu a sua vaga a Zózimo, enquanto Bellini passou a braçadeira de capitão a Mauro Ramos de Oliveira.
Se o time do tri regressou com o saldo de12 gols, em seis vitórias, a rapaziada do bi fez 16 e sofreu quatro, em igual número de partidas, ms com um empate. Portanto, o mesmo saldo. E, assim como no México, fez, também, o segundo artilheiro nas disputas da Suécia, o garoto Pelé, de 17 anos, com seis tentos, empatado com o alemão Helmut Rahn – o principal artilheiro foi o francês Just Fontine, com 13 bolas nas redes. No quesito “Seleção da Copa”, porém, os “tri” ganham, por 8 x 6. De 58, foram selecionados Djalma Santos, Nilton Santos, Zito, Garrincha, Didi, o melhor da Copa, e Pelé – o “time ideal” teve, ainda, Yashin e Voinov (URSS), Blanchflower (Irlanda do Norte), Liedlholm e Skoglund (SUS), e Fontaine (FRA).
A equipe de 58 compensa a perda no quesito acima, comparecendo à história dos Mundiais de futebol com dois goleadores no topo da lista dos “matadores” da VII Copa do Mundo: Vavá e Grrincha, cada um, com quatro gols, empatados com o chileno Leonel Sanchez, o húngaro Florian Albert e o então soviético Valentin Ivanov – o então iugoslavo Dragan Jerkovic, com cinco gols, foi o primeiro colocado. Por extensão, como a seleção de 58 é quase a mesma de 62, vale ressaltar que, quatro anos envelhecida, ela contribuiu com Gilmar, Djalma Santos, Zito, Garrincha e Vavá no “time da disputa”, que teve, também, Schnellinger (ALE), Voronin (URSS), Novak e Masopust (TCH), Toro (CHI) e Skoblar (IUG). Portanto, vida longa, em nossa memória, para a seleção de 1958.
Só para reverenciar: embora não tivessem sido campeãs mundiais, vale lembrar que as seleções de 1938 e de 1950 fizeram os artilheiros dos seus respectivos Mundiais: Leônidas da Silva, com oito, e Ademir Marques de Menezes, cm nove gols.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
LÚCIO, O PRIMEIRO "PORTUGUÊS”
Dizem os marqueteiros que Brasil e Portugal são países irmãos. Então, já que é assim, nada de mais os “brasilairos vestirem a camisola da equipa lusa”. Nesse papo, teremos, na Copa do Mundo-2010, o zagueiro Pepe (Kepler Laveran Lima Ferreira), o meia-atacante Deco (Anderson Luís de Sousa) e o goleador Liédson (da Silva Muniz) indo ao “relvado”, não só para defender a honra do time das plagas do cruel, impiedoso e bombardeador Vasco da Gama, como, até, nos desafiar, no dia 26 de junho.
Pois bom, meu venturoso rei! Não é de agora, desses tempos pós-modernos, que brasileiros jogam pelo selecionado lusitano de futebol. Ou o dirigem. Por exemplo: durante a Copa-66, roubada na Inglaterra – depois, eu conto esta história –, o time canarinho, do técnico Vicente Feola, foi mandado embora, da terra dos Betles, por conta de indiscutíveis 3 x 1 lusitanos. Era treinada pelo "vascaíno" Oto Glória. Mais recentemente, na “Era Dunga”, sob as ordens do "gremista" Luiz Felipe Scolari, o Felipão, eles nos mandaram indiscutíveis 2 x 0, amistosamente, em 6 de fevereiro de 2007, no Emirate Stadium, de Londres.
Na década-70 tivemos Celso Matos, “um médio, do Porto e, também, oriundo das terras de Ver Cruz, brigando pela bola em nome da, também chamada, “pátria mãe”, em três compromissos. No entanto, a honra de ter sido o primeiro brasileiro a jogar pela seleção portuguesa de “ludopédio” coube ao zagueirão Lúcio Soares, que mandava um pau seguro na zaga do Soprting, de Lisboa. Nascido em 31 de maio de 1934, ele foi cria da Portuguesa Carioca, a “Zebra da Ilha do Governador”, pela qual jogou, até 1955, quando transferiu-se, para o América. Em 57, o "Mequinha" o negocuiou por antigosCr$ 7 milhões de cruzeiros, e ele atravessou o Atlântico, rumo à sua aventura sportinguista, que o deixou rico.
Quando chegou em terras lusas, Lúcio foi alertado, pelos mais velhos na praça, de que o futebol de lá uma verdadeira bagunça. Melhorias só depois que Oto Glória começou a exigir mais profissionalismo do Benfica, despertando o gigante adormecido.
Lúcio, filho de portugueses, foi titular por cinco jogos da seleção portuguesa. Em 1962, durante os preparativos dos brasileiros, visando o bi trazido do Chile, ele jogou, duas vezes, contra seu povo. Em seis de maio daquele “meia-dois”, amistosamente, no Pacaembu, em São Paulo, o Brasil fez 2 x 1 nos “gajos”, com gols de Zagallo e Zequinha, enquanto Coluna descontou, abrindo o placar. A seleção portuguesa contou com: Costa Pereira, Lino (José Carlos), Fernando Mendes, Hilário, Lúcio, Vicente, Yaúca, Eusébio, José Augusto (Simões), Coluna e Serafim. Três dias depois, com 130.874 pagantes, no Maracanã – o jogo em Sampa não teve público e renda divulgados –, o Brasil fez 1 x 0, com gol de Pelé. O time português foi o mesmo, mas com Simões substituindo Serafim, a partir dos 46 minutos.
Naqueles amistosos, os portugueses foram dirigidos por dois treinadores, Júlio Cernadas Pereira, o Juca, e Armando Ferreira. O árbitro das duas partidas foi o chileno Cláudio Vicuña.
No final da carreira, Lúcio defendeu o mineiro Flamengo, de Varginha, que chegou a empatar, por 0 x 0, com o Cruzeiro, no Mineirão, pelo Estadual de 1971, em 14 de março, diante de 3.738 pagantes, um dos quais era eu. O time dele era: Eduardo (Roberto), Arnaldo, Lúcio, Duza, Grego, Toninho, Marcílio, Carlos Roberto, Julião, Paulão (Selmo) e Parodi, dirigidos por Moacir Rodrigues. A Raposa do dia teve: Hélio; Pedro Paulo, Mário Tito, Miro e Vanderley; Toninho, Spencer (Dirceu Batista) e Gilberto. Eduardo Amorim (Gil), Palhinha e Rodrigues. O técnico, João Crispim.
Pois bom, meu venturoso rei! Não é de agora, desses tempos pós-modernos, que brasileiros jogam pelo selecionado lusitano de futebol. Ou o dirigem. Por exemplo: durante a Copa-66, roubada na Inglaterra – depois, eu conto esta história –, o time canarinho, do técnico Vicente Feola, foi mandado embora, da terra dos Betles, por conta de indiscutíveis 3 x 1 lusitanos. Era treinada pelo "vascaíno" Oto Glória. Mais recentemente, na “Era Dunga”, sob as ordens do "gremista" Luiz Felipe Scolari, o Felipão, eles nos mandaram indiscutíveis 2 x 0, amistosamente, em 6 de fevereiro de 2007, no Emirate Stadium, de Londres.
Na década-70 tivemos Celso Matos, “um médio, do Porto e, também, oriundo das terras de Ver Cruz, brigando pela bola em nome da, também chamada, “pátria mãe”, em três compromissos. No entanto, a honra de ter sido o primeiro brasileiro a jogar pela seleção portuguesa de “ludopédio” coube ao zagueirão Lúcio Soares, que mandava um pau seguro na zaga do Soprting, de Lisboa. Nascido em 31 de maio de 1934, ele foi cria da Portuguesa Carioca, a “Zebra da Ilha do Governador”, pela qual jogou, até 1955, quando transferiu-se, para o América. Em 57, o "Mequinha" o negocuiou por antigosCr$ 7 milhões de cruzeiros, e ele atravessou o Atlântico, rumo à sua aventura sportinguista, que o deixou rico.
Quando chegou em terras lusas, Lúcio foi alertado, pelos mais velhos na praça, de que o futebol de lá uma verdadeira bagunça. Melhorias só depois que Oto Glória começou a exigir mais profissionalismo do Benfica, despertando o gigante adormecido.
Lúcio, filho de portugueses, foi titular por cinco jogos da seleção portuguesa. Em 1962, durante os preparativos dos brasileiros, visando o bi trazido do Chile, ele jogou, duas vezes, contra seu povo. Em seis de maio daquele “meia-dois”, amistosamente, no Pacaembu, em São Paulo, o Brasil fez 2 x 1 nos “gajos”, com gols de Zagallo e Zequinha, enquanto Coluna descontou, abrindo o placar. A seleção portuguesa contou com: Costa Pereira, Lino (José Carlos), Fernando Mendes, Hilário, Lúcio, Vicente, Yaúca, Eusébio, José Augusto (Simões), Coluna e Serafim. Três dias depois, com 130.874 pagantes, no Maracanã – o jogo em Sampa não teve público e renda divulgados –, o Brasil fez 1 x 0, com gol de Pelé. O time português foi o mesmo, mas com Simões substituindo Serafim, a partir dos 46 minutos.
Naqueles amistosos, os portugueses foram dirigidos por dois treinadores, Júlio Cernadas Pereira, o Juca, e Armando Ferreira. O árbitro das duas partidas foi o chileno Cláudio Vicuña.
No final da carreira, Lúcio defendeu o mineiro Flamengo, de Varginha, que chegou a empatar, por 0 x 0, com o Cruzeiro, no Mineirão, pelo Estadual de 1971, em 14 de março, diante de 3.738 pagantes, um dos quais era eu. O time dele era: Eduardo (Roberto), Arnaldo, Lúcio, Duza, Grego, Toninho, Marcílio, Carlos Roberto, Julião, Paulão (Selmo) e Parodi, dirigidos por Moacir Rodrigues. A Raposa do dia teve: Hélio; Pedro Paulo, Mário Tito, Miro e Vanderley; Toninho, Spencer (Dirceu Batista) e Gilberto. Eduardo Amorim (Gil), Palhinha e Rodrigues. O técnico, João Crispim.
sábado, 1 de maio de 2010
O ROMANCE (DO BRASIL) DA COPA DO MUNDO–1
Futebol promove o maior espetáculo da terra

O futebol tem como ponto de partida o chute primitivo, em diversos objetos. Há 2.500 anos antes de Cristo (AC), por exemplo, os chineses já usavam uma esfera de couro, para golpear. Havia quem mandava a pancada na cabeça cortada dos vencidos em combates, num ritual de guerra. Na Grécia (foto), um século AC, a bola era de bexiga de boi, cheia de areia. Outros a faziam com tecidos.
De forma moderna, o futebol surgiu por intermédio de estudantes ingleses, no século 19, com cada colégio tendo as suas regras - convite certo para brigas e discussões. Para evitá-las, em 26 de outubro de 1863, os jovens futeboleiros londrinos reuniram-se na taberna Freemason´s, para definir uma lei única. Mas terminaram desentendo-se. Resultado: um grupo criou uma liga, para o rugby,e o outro a primeira entidade regularizadora da modalidade, a Football Association, que distribuiu a sua cartilha, pelas escolas da capital inglesa. Em 1904, surgiu a Federação Internacional de Futebol Associado, a FIFA, que coordena a entidade, mundialmente.
No Brasil, segundo os pesquisadores, o futebol foi jogado, inicialmente, por marinheiros estrangeiros e convidados brasileiros, em praias de Pernambuco e de Santos-SP, e por estudantes, nas escolas católicas e laicas, de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. Mas coube ao paulista Charles Miller (foto) – filho de imigrantes ingleses que passara 10 anos estudando na Europa – organizá-lo, em 1894. Na volta, ele trouxe duas bolas de couro, um livro de regras e uniformes para os times.
Em abril do mesmo 1894, realizou-se aquela que é considerada a primeira partida do futebol brasileiro, com a equipe de Charles Miller – fez dois gols –, o São Paulo Railway, vencendo o Gás Company, por 4 x 2, no bairro do Brás, na várzea do Carmo, em frente ao gasômetro da capital paulista.
No Rio de Janeiro, poucos conheciam a nova modalidade esportiva, com exceção de ingleses que praticavam o críquete, chegado um século antes. Foi outro sujeito que, também, estudara na Europa - Oscar Cox -, de onde regressara, em 1897, quem o integrou aos cariocas (foto), levando quatro anos para conseguir reunir 10 rapazes que pudessem formar, com ele, um time. Assim, o primeiro jogo de futebol no Rio de Janeiro só ocorreu em 1º de agosto de 1901, com a turma de Cox encarando os ingleses do Rio Cricket Clube, em Niterói. Arrancaram o empate, por 1 x 1.
Naqueles primórdios da bola rolando por aqui – a primeira, de couro cru, segundo a maioria dos pesquisadores, foi feita pelo padre Manuel Gonzales, para os seus alunos, no Colégio Vicente de Paula, em Petrópolis-RJ -, só os ricos podiam jogar o futebol, pois o material de prática era caro e importado.
CLUBES MAIS ANTIGOS – Em 13 de maio de 1888, entre um gole e outro, numa mesa de um bar da paulistana Rua São Bento, engenheiros ingleses, da São Paulo Railway - entre eles, William Snape, William Speer, William Rule, Charles Walker, Percy Lupton e Peter Miller - e alguns comerciantes da terra, criaram a primeira entidade social-desportiva da cidade, o São Paulo Athletic Club, inicialmente, dedicado ao críquete e que, depois, manteve o futebol, até 1912, tendo conquistado os títulos paulistas de 1902/3/4 – atualmente,Clube Atlético São Paulo, disputando só competições amadoras. A glória da maior antiguidade, portanto, é do SPAC (foto), como era chamado.
Das agremiações em atividade, a mais antiga é o gaúcho Sport Club Rio Grande, nascido em 19 de julho de 1900. Torcedores do Botafogo Futebol e Regatas (01.07.1894); do Clube de Regatas Flamengo (17.11.1895); do Clube de Regatas Vasco da Gama (21.08.1898); do Esporte Clube Vitória-BA (13.05.1899) e da Associação Atlética Ponte Preta, de Campinas-SP (11.08.1900) alegam que os seus clubes são mais velhos. Tudo bem! Só que eles não surgiram dedicados ao futebol. Isso pintou depois.
Também, naqueles primórdios, foram criados clubes, como o Rio Cricket Athletic Association-RJ (1897); Associação Athlética Mackenzie College-SP(1898); Esporte Clube Internacional-SP e Esporte Clube Germânia-SP(1899); Clube Atlético Paulistano-SP e Savóia de Voltorantim-SP (1900); Paisandu Cricket Clube-RJ; Fluminense Futebol Clube-RJ (foto) e Clube Atlético Internacional-SP (1902); Esporte Clube Americano-SP, Foot-ball and Athletic Club-RJ e Esporte Clube Baiano-BA (1903). Foi a partir dessa semente que o Brasil conquistou cinco Copas do Mundo.
RUMO AO PENTA - Em 1930, desorganização; em 34, melhoramos, um pouco; em 38, mostramos o talento do lateral Domingos da Guia e do goleador Leônidas da Silva; em 50, levamos um tombo monumental, após construirmos um templo para o futebol, o Maracanã, onde os uruguaios, com um time que quase não viria disputar o Mundial, levaram a taça que o velhinho Jules Rimet se preparava para nos entregar; em 54, demos um novo vexame, com gente saindo no tapa com quem era melhor em campo, e cartolas exigindo amor à bandeira nacional. Assim foram os nossos cinco primeiros Mundiais.
Para a Copa de 30, no Uruguai, os paulistas brigaram com a CBD, por não incluir nenhum dos seus homens na comissão técnica e, em represália, negaram os atletas das suas equipes à seleção. Em 34, os nossos atletas não sabiam que empatar um jogo seria bom para os dois times, e se matavam, em campo, desnecessariamente. Naquela Copa, até o divino Domingos deu pontapé em adversário, dentro da área. Não lhe avisaram que era pênalti.
Em 50, o treinador Flávio Costa invocou-se com o bico mole da chuteira do lateral Nilton Santos, que não jogou nenhuma partida, porque causa daquilo. Nilton, a Enciclopédia, foi eleito o melhor lateral-esquerdo do século 20. Ainda bem que as nossas pisadas na bola terminaram em 1958, quando foi planejado um trabalho para dar no que deu: Brasil, o melhor do mundo – bisou feito, em 1962 (foto).
O COMEÇO DA COPA - Em 8 de maio de 1902, o comerciante holandês Carl Wilhelm Hirschmann escreveu uma proposta de união das entidades comandantes do futebol em cada país. Na França, o presidente da Union des Societés Françaises de Sports Athletiques, Roberto Guérin, gostou do que lera e correu atrás. Dois anos 13 dias depois, reunidos em Paris, os dirigentes futebolísticos de Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Holanda, Suécia e Suíça fundaram a Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA). Era plano da entidade realizar um campeonato mundial entre seleções nacionais. Só que nenhum país topava promovê-lo, alegando deficiências nos seus meios de transportes e ainda a pouca receptividade do futebol.
Estava escrito, porém, que, em 1919, o presidente da entidade francesa (desde 1910), Jules Rimet (foto), estaria na presidência da FIFA e conseguiria mostrar aos cartolas, após as Olimpíadas de Paris-1924, que o torneio de futebol – com 25 equipes de vários continentes – deixara um bom lucro para os anfitriões.
Pelos próximos três anos, Rimet dedicou-se a viajar, pela Europa, vendendo o seu sonho de uma Copa do Mundo. Apresentou, oficialmente, a proposta, no congresso que a FIFA realizou, em 1927, em Helsinque, na Finlândia, e o aprovou, após as Olimpíadas de Amsterdan, na Holanda, um ano depois. O sonho virava realidade, de quatro em quatro anos. Équando o atleta brasileiro exibe todo o seu talento, pelos gramados do mundo, e o torcedor faz a festa, repleta de muita criatividade, principalmente quando se tem caneco na mala. Vamos conferir esta história, abaixo.
O ROMANCE (DO BRASIL) DA COPA DO MUNDO–2
Briga de cartolas prejudica Seleção de 1930
Bicampeão olímpico, em 1924 e em 1928, e vivendo, em 1930, o ano do seu centenário de independência, o Uruguai candidatou-se a promover o pioneiro Mundial de Futebol, oferecendo o pagamento das despesas dos visitantes. Como as viagens intercontinentais ainda eram por navios, só cinco países europeus toparam: Bélgica, França, Iugoslávia e Romênia – Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Estados Unidos, México, Paraguai, Peru e, evidentemente, o Uruguai, foram os demais participantes: 13 seleções, com o Uruguai campeão, vencendo a Argentina, na final, por 4 x 2.

A bola rolou, em 13 de julho, no campo do Peñarol, em Pocitos, entre França e México. Aos 19 minutos do primeiro tempo, o francês Lucien Laurent (foto) marcou o primeiro gol de um Mundial, em jogo que os europeus golearam, por 4 x 1. Bolas e mais bolas adiante, no Grupo 1, os argentinos, campeões sul-americanos, em 1927 e 29, passaram franceses, mexicanos e chilenos para trás. No 2, deu Iugoslávia. No 3, os uruguaios foram melhores do que peruanos e romenos, enquanto o 4 teve os Estados Unidos surpreendendo paraguaios e belgas.
BRASILEIROS – Campeões continentais, em 1919 e em 1922, os nossos futebolistas ainda não viviam um regime totalmente profissional. Prejudicada pela briga entre a Confederação Brasileira de Desportos e Federação Paulista de Esportes Athléticos – devido a já citada não inclusão de um cartola paulista na comissão técnica –, a Seleção Brasileira foi formada só por jogadores de times cariocas. Teve, sim, um paulista, Araken, mas inscrito como sendo do Flamengo, já que estava sem contrato com seu clube, o Santos.
Por causa daquela briga, a equipe fez, apenas, três treinos, no Rio de Janeiro. Os demais foram a bordo do navio Conte Verde. A estréia, em 14 de julho, no Parque Central, foi apitada pelo uruguaio Domingo Lombardi, teve 5 mil espectadores e derrota, por 2 x 1, para a Iugoslávia. Três dias depois, com arbitragem do francês Gilbert Balway, os brasileiros golearam a Bolívia, por 4 x 0, sob as vistas de 3.200 tordcedores, no Estádio Centenário, placar insuficiente para ir adiante, pois os iugoslavo, também, haviam mandado 4 x 0 nos bolivianos. No confronto contra os “vizinhos andinos”, os gols foram de Moderato, aos 37 minutos do primeiro tempo e aos 28 do segundo, e de Preguinho, aos 12 e os 38 desta mesma etapa final.

O primeiro “gol copeiro” brasileiro foi marcado por Perguinho (João Coelho Neto) (foto), aos 16 minutos do segundo tempo, debaixo de um frio de dois graus negativos, o que fez a equipe jogar com casacos grossos, de lã, por debaixo da jaqueta branca, com golas azul-escuro. Os iugoslavos liquidaram o placar em apenas 10 minutos, entre os 21 e 31, respectivamente, com Tirmanick e Bek. A primeira Seleção Brasileira (foto) em Mundiais foi: Joel, Brilhante e Itália; Hermógenes, Fausto “Maravilha Negra” e Giudicelli; Poly, Nilo, Araken Patuska, Preguinho e Teófilo.
A equipe da segunda partida: Veloso, Zé Luís e Itália; Hermógenes, Fausto e Fernando Giudicelli; Benedito Menezes, Russinho,Carvalho Leite (foto, de bigode), Preguinho e Moderato. O comando coube a uma comissão técnica formada por Píndaro de Carvalho Rodrigues, Gilberto de Almeida Rego e Egas Mendonça.
TODOS OS RESULTADOS – França 4 x 1 México; Argentina 1 x 0 França; Chile 3 x 0 México; Chile 1 x 0 França; Argentina 6 x 3 México; Argentina 3 x 1 Chile; Iugoslávia 2 x 1 Brasil; Iugoslávia 4 x 0 Bolívia; Brasil 4 x 0 Iugoslávia; Romênia 3 x 0 Peru; Uruguai 1 x 0 Peru; Uruguai 4 x 0 Romênia; Estados Unidos 3 x 0 Bélgica; Estados Unidos 3 x 0 Paraguai; Paraguai 1 x 0 Bélgica; Argentina 6 x 1 Estados Unidos; Uruguai 6 x 1 Iugoslávia e (final) Uruguai 4 x 2 Argentina. CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1 – Uruguai (foto); 2 – Argentina; 3 - Estados Unidos; 4 – Iugoslávia; 5 – Chile; 6 – BRASIL; 7 – Romênia; 8 – Paraguai; 9 – França; 10 – Peru; 11 – Bélgica; 12 - Bolívia e 13 - México.
Bicampeão olímpico, em 1924 e em 1928, e vivendo, em 1930, o ano do seu centenário de independência, o Uruguai candidatou-se a promover o pioneiro Mundial de Futebol, oferecendo o pagamento das despesas dos visitantes. Como as viagens intercontinentais ainda eram por navios, só cinco países europeus toparam: Bélgica, França, Iugoslávia e Romênia – Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Estados Unidos, México, Paraguai, Peru e, evidentemente, o Uruguai, foram os demais participantes: 13 seleções, com o Uruguai campeão, vencendo a Argentina, na final, por 4 x 2.

A bola rolou, em 13 de julho, no campo do Peñarol, em Pocitos, entre França e México. Aos 19 minutos do primeiro tempo, o francês Lucien Laurent (foto) marcou o primeiro gol de um Mundial, em jogo que os europeus golearam, por 4 x 1. Bolas e mais bolas adiante, no Grupo 1, os argentinos, campeões sul-americanos, em 1927 e 29, passaram franceses, mexicanos e chilenos para trás. No 2, deu Iugoslávia. No 3, os uruguaios foram melhores do que peruanos e romenos, enquanto o 4 teve os Estados Unidos surpreendendo paraguaios e belgas.
BRASILEIROS – Campeões continentais, em 1919 e em 1922, os nossos futebolistas ainda não viviam um regime totalmente profissional. Prejudicada pela briga entre a Confederação Brasileira de Desportos e Federação Paulista de Esportes Athléticos – devido a já citada não inclusão de um cartola paulista na comissão técnica –, a Seleção Brasileira foi formada só por jogadores de times cariocas. Teve, sim, um paulista, Araken, mas inscrito como sendo do Flamengo, já que estava sem contrato com seu clube, o Santos.
Por causa daquela briga, a equipe fez, apenas, três treinos, no Rio de Janeiro. Os demais foram a bordo do navio Conte Verde. A estréia, em 14 de julho, no Parque Central, foi apitada pelo uruguaio Domingo Lombardi, teve 5 mil espectadores e derrota, por 2 x 1, para a Iugoslávia. Três dias depois, com arbitragem do francês Gilbert Balway, os brasileiros golearam a Bolívia, por 4 x 0, sob as vistas de 3.200 tordcedores, no Estádio Centenário, placar insuficiente para ir adiante, pois os iugoslavo, também, haviam mandado 4 x 0 nos bolivianos. No confronto contra os “vizinhos andinos”, os gols foram de Moderato, aos 37 minutos do primeiro tempo e aos 28 do segundo, e de Preguinho, aos 12 e os 38 desta mesma etapa final.

O primeiro “gol copeiro” brasileiro foi marcado por Perguinho (João Coelho Neto) (foto), aos 16 minutos do segundo tempo, debaixo de um frio de dois graus negativos, o que fez a equipe jogar com casacos grossos, de lã, por debaixo da jaqueta branca, com golas azul-escuro. Os iugoslavos liquidaram o placar em apenas 10 minutos, entre os 21 e 31, respectivamente, com Tirmanick e Bek. A primeira Seleção Brasileira (foto) em Mundiais foi: Joel, Brilhante e Itália; Hermógenes, Fausto “Maravilha Negra” e Giudicelli; Poly, Nilo, Araken Patuska, Preguinho e Teófilo.

A equipe da segunda partida: Veloso, Zé Luís e Itália; Hermógenes, Fausto e Fernando Giudicelli; Benedito Menezes, Russinho,Carvalho Leite (foto, de bigode), Preguinho e Moderato. O comando coube a uma comissão técnica formada por Píndaro de Carvalho Rodrigues, Gilberto de Almeida Rego e Egas Mendonça.
TODOS OS RESULTADOS – França 4 x 1 México; Argentina 1 x 0 França; Chile 3 x 0 México; Chile 1 x 0 França; Argentina 6 x 3 México; Argentina 3 x 1 Chile; Iugoslávia 2 x 1 Brasil; Iugoslávia 4 x 0 Bolívia; Brasil 4 x 0 Iugoslávia; Romênia 3 x 0 Peru; Uruguai 1 x 0 Peru; Uruguai 4 x 0 Romênia; Estados Unidos 3 x 0 Bélgica; Estados Unidos 3 x 0 Paraguai; Paraguai 1 x 0 Bélgica; Argentina 6 x 1 Estados Unidos; Uruguai 6 x 1 Iugoslávia e (final) Uruguai 4 x 2 Argentina. CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1 – Uruguai (foto); 2 – Argentina; 3 - Estados Unidos; 4 – Iugoslávia; 5 – Chile; 6 – BRASIL; 7 – Romênia; 8 – Paraguai; 9 – França; 10 – Peru; 11 – Bélgica; 12 - Bolívia e 13 - México.
O ROMANCE (DO BRASIL) DA COPA DO MUNDO–3
Seleção Brasileria só disputou um jogo em 1934
A Itália ganhou, em casa. Vitória com muitos proveitos políticos para o homem-forte italiano, o fascista Benito Mussolini, que atribuía a conquista à superioridade de sua raça. No poder, desde 1922, Mussolini colocou membros do seu partido na organização do Mundial, e até a presidência da entidade nacional do futebol da “bota” estava sob o comando de um general de sua total confiança, Giorgio Vaccaro. Fora do “script” para o segundo Mundial de Futebol só mesmo a ausência do primeiro ganhador, o Uruguai. Seus campeões exigiam grana alta para irem à Itália. Além do mais, uma briga interna, entre amadores e profissionais, era motivo para retribuir o boicote italiano ao torneio de 1930. Enquanto isso, os ingleses continuavam não querendo se misturar.
Se, para a Copa de 30, foi preciso adular os participantes, para a de 34, já se inscreveram 31 pretendentes a 16 vagas. O Brasil, que piorou e terminou em 14º lugar, não disputou eliminatórias, beneficiado pela desistência do Peru. O mesmo aconteceu à Argentina, tendo em vista que o Chile, também, caiu fora.
A disputa começou em 27 de maio, com os anfitriões goleando os Estados Unidos, por 7 x 1, no atual Estádio Flamínio, em Roma – antes, Estádio do Partido Nacional Fascista. Nas quartas-de-final, os italianos igualaram-se, com os espanhóis, 1 x 1, em Florença. Foi preciso um jogo extra, no dia seguinte, quando Giuseppe Meazza, o craque daquele Mundial, classificou a “Squadra Azurra” às semifinais: 1 x 0, mesmo placar da semifinal, contra a Áustria, no Estádio San Siro, em Milão.
Em 10 de junho, Itália e Tcheco-Eslováquia, que eliminara a Alemanha nazista, de Adolf Hitler, por 3 x 1, fizeram a decisão. Os visitantes abriram o placar, com Puc, mas a Itália, do treinador Vittorio Pozzo, virou: 2 x 1, com tentos de Orsi e Schiavio.
BRASILEIROS – Em 1930, uma briga entre cartolas; em 34, uma disputa política. E o Brasil comparecia a um novo Mundial sem a sua força máxima. Desta vez, porque, em 1933, a Associação Paulista de Esportes Athléticos e a Liga Carioca de Futebol – pró-profissionais – abandonaram a Confederação Brasileira de Desportos, fundaram a Federação Brasileira de Futebol e negaram os seus principais atletas à Seleção.
Como a CBD, filiada à FIFA, era dominada pelo Botafogo, seu principal cartola, Carlito Rocha, convocou nove jogadores alvinegros, e mais oito de outros clubes, entregando-os ao treinador Luís Vinhais. Em 12 de maio, o time embarcou, no navio Conte Biancamano, para uma viagem de 11 dias, entre o Rio de Janeiro e a italiana Gênova, e fez os treinos no convés da embarcação. Houve, por fora, 40 minutos de bate-bola, durante a escala na espanhola Barcelona, e uma outra movimentação com bola, em um terreno desgramado.

No meio daquela desorganização toda, a Seleção Brasileira (foto)só disputou um jogo na Copa de 34. Perdeu, por 3 x 1, da Espanha, em 27 de maio, diante de 40 mil assistentes, no Estádio Luigi Ferraris, de Gênova. Sobraram queixas, contra o árbitro alemão Alfred Birlem, que anulou um gol, de Luisinho, e não marcou um pênalti, cometido por Quincoces. Pra completar, lamentos pelo penal perdido, por Waldemar de Brito – defendido pela lenda Ricardo Zamora.
Os espanhóis marcaram, no primeiro tempo, por intermédio de Iraragorri, de pênalti, aos 18, e de Lángara, aos 27 minutos. Leônidas da Silva, aos 11, da etapa final, diminuiu, mas Lángara voltou a balançar a rede, aos 32. O time brasileiro jogou com: Pedrosa, Sylvio Hoffmnan e Luiz Luz; Tinoco, Martim Silveira e Canalli; Luisinho, Waldemar de Brito, Armandinho, Leônidas e Patesko.
TODOS OS RESULTADOS – Alemanha 5 x 2 Bélgica; Áustria 3 x 2 França; Hungria 4 x 2 Egito; Espanha 3 x 1 Brasil (foto); Itália 7 x 1 Estados Unidos; Suécia 3 x 2 Argentina; Suíça 3 x 2 Holanda; Tcheco-Eslováquia 2 x 1 Romênia; Áustria 2 x 1 Hungria; Itália 1 x 1 Espanha; Alemanha 2 x 1 Suécia; Tcheco-Eslováquia 3 x 2 Suiça; Itália 1 x 0 Espanha (desempate); Itália 1 x 0 Áutria: Tcheco-Eslováquia 3 x 1 Alemanha; Alemanha 3 x 2 Áustria e Itália 2 x 1 Tcheco-Eslováquia.
CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1 – Itália; 2 – Tcheco-Eslováquia; 3 – Alemanha; 4 – Áustria; 5 – Espanha; 6 – Hungria; 7 – Suiça; 8 – Suécia; 9 – Argentina; 10 – França; 11 – Holanda; 12 – Romênia; 13 – Egito; 14 – BRASIL; 15 – Bélgica e 16 – Estados Unidos.
A Itália ganhou, em casa. Vitória com muitos proveitos políticos para o homem-forte italiano, o fascista Benito Mussolini, que atribuía a conquista à superioridade de sua raça. No poder, desde 1922, Mussolini colocou membros do seu partido na organização do Mundial, e até a presidência da entidade nacional do futebol da “bota” estava sob o comando de um general de sua total confiança, Giorgio Vaccaro. Fora do “script” para o segundo Mundial de Futebol só mesmo a ausência do primeiro ganhador, o Uruguai. Seus campeões exigiam grana alta para irem à Itália. Além do mais, uma briga interna, entre amadores e profissionais, era motivo para retribuir o boicote italiano ao torneio de 1930. Enquanto isso, os ingleses continuavam não querendo se misturar.
Se, para a Copa de 30, foi preciso adular os participantes, para a de 34, já se inscreveram 31 pretendentes a 16 vagas. O Brasil, que piorou e terminou em 14º lugar, não disputou eliminatórias, beneficiado pela desistência do Peru. O mesmo aconteceu à Argentina, tendo em vista que o Chile, também, caiu fora.
A disputa começou em 27 de maio, com os anfitriões goleando os Estados Unidos, por 7 x 1, no atual Estádio Flamínio, em Roma – antes, Estádio do Partido Nacional Fascista. Nas quartas-de-final, os italianos igualaram-se, com os espanhóis, 1 x 1, em Florença. Foi preciso um jogo extra, no dia seguinte, quando Giuseppe Meazza, o craque daquele Mundial, classificou a “Squadra Azurra” às semifinais: 1 x 0, mesmo placar da semifinal, contra a Áustria, no Estádio San Siro, em Milão.
Em 10 de junho, Itália e Tcheco-Eslováquia, que eliminara a Alemanha nazista, de Adolf Hitler, por 3 x 1, fizeram a decisão. Os visitantes abriram o placar, com Puc, mas a Itália, do treinador Vittorio Pozzo, virou: 2 x 1, com tentos de Orsi e Schiavio.
BRASILEIROS – Em 1930, uma briga entre cartolas; em 34, uma disputa política. E o Brasil comparecia a um novo Mundial sem a sua força máxima. Desta vez, porque, em 1933, a Associação Paulista de Esportes Athléticos e a Liga Carioca de Futebol – pró-profissionais – abandonaram a Confederação Brasileira de Desportos, fundaram a Federação Brasileira de Futebol e negaram os seus principais atletas à Seleção.
Como a CBD, filiada à FIFA, era dominada pelo Botafogo, seu principal cartola, Carlito Rocha, convocou nove jogadores alvinegros, e mais oito de outros clubes, entregando-os ao treinador Luís Vinhais. Em 12 de maio, o time embarcou, no navio Conte Biancamano, para uma viagem de 11 dias, entre o Rio de Janeiro e a italiana Gênova, e fez os treinos no convés da embarcação. Houve, por fora, 40 minutos de bate-bola, durante a escala na espanhola Barcelona, e uma outra movimentação com bola, em um terreno desgramado.

No meio daquela desorganização toda, a Seleção Brasileira (foto)só disputou um jogo na Copa de 34. Perdeu, por 3 x 1, da Espanha, em 27 de maio, diante de 40 mil assistentes, no Estádio Luigi Ferraris, de Gênova. Sobraram queixas, contra o árbitro alemão Alfred Birlem, que anulou um gol, de Luisinho, e não marcou um pênalti, cometido por Quincoces. Pra completar, lamentos pelo penal perdido, por Waldemar de Brito – defendido pela lenda Ricardo Zamora.
Os espanhóis marcaram, no primeiro tempo, por intermédio de Iraragorri, de pênalti, aos 18, e de Lángara, aos 27 minutos. Leônidas da Silva, aos 11, da etapa final, diminuiu, mas Lángara voltou a balançar a rede, aos 32. O time brasileiro jogou com: Pedrosa, Sylvio Hoffmnan e Luiz Luz; Tinoco, Martim Silveira e Canalli; Luisinho, Waldemar de Brito, Armandinho, Leônidas e Patesko.
TODOS OS RESULTADOS – Alemanha 5 x 2 Bélgica; Áustria 3 x 2 França; Hungria 4 x 2 Egito; Espanha 3 x 1 Brasil (foto); Itália 7 x 1 Estados Unidos; Suécia 3 x 2 Argentina; Suíça 3 x 2 Holanda; Tcheco-Eslováquia 2 x 1 Romênia; Áustria 2 x 1 Hungria; Itália 1 x 1 Espanha; Alemanha 2 x 1 Suécia; Tcheco-Eslováquia 3 x 2 Suiça; Itália 1 x 0 Espanha (desempate); Itália 1 x 0 Áutria: Tcheco-Eslováquia 3 x 1 Alemanha; Alemanha 3 x 2 Áustria e Itália 2 x 1 Tcheco-Eslováquia.
CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1 – Itália; 2 – Tcheco-Eslováquia; 3 – Alemanha; 4 – Áustria; 5 – Espanha; 6 – Hungria; 7 – Suiça; 8 – Suécia; 9 – Argentina; 10 – França; 11 – Holanda; 12 – Romênia; 13 – Egito; 14 – BRASIL; 15 – Bélgica e 16 – Estados Unidos.
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