quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O DUELO BRASIL X HOLANDA

UMA DISPUTA MUITO EQUILIBRADA

O contato entre brasileiros e holandeses é pequeno na bola. E tinha tudo para ser bem maior, afinal foi grande contribuição que eles deram à nossa formação como nação, ainda que tenha sido pela força de suas armas, durante uma dominação que durou de 1630 a 1654, numa parte que ia de Pernambuco ao Maranhão. Informados sobre a vulnerabilidade militar da colônia portuguesa, a Holanda, detentora de poderosa indústria naval, decidiu chegar. E chegou, deixando boas marcas, principalmente, após o conde João Maurício de Nassau trazer profissionais que impulsionaram a vida do "Brasil holandês" na economia, arquitetura, engenharia, letras e artes, durante sua administração, de 1637 e 1644.
No futebol, levou-se 309 anos, depois que os portugueses expulsaram os holandeses, para os brasileiros o desafiarem na pelota. Nos arquivos da Confederação Brasileira de Futebol consta que o primeiro duelo se deu, amistosamente, em 02.05.1963, no Estádio Olímpico de Amsterdã, e que os anfitriões fizeram 1 x 0, com Petersen marcando o gol, aos 44 minutos do segundo tempo. Só que não foi bem assim, segundo Geraldo Romualdo da Silva, um dos maiores historiadores do futebol brasileiro.
Contava o jornalista que a Seleção Brasileira, na realidade, participara de um “faz de conta que é um jogo”, contra o time da Phillips, que distribuíra aos visitantes radinhos de pilha, barbeadores e outros produtos que a empresa fabricava. Segundo ele, foram dois tempos, de 20 minutos, e, de tão irresponsáveis que estiveram os canarinhos naquele dia, aos 44 da fase final, a zaga da “Seleção Transistor” (apelido ganho depois do encontro), ficara brincando de driblar os gringos dentro da área, até perder a bola para Petersen fazer o gol.
Enfim, Brasil e Holanda se pegaram na bola por 10 vezes, em seis amistosos e quatro por Mundiais, com três vitórias nossas, três deles e quatro empates: 15 gols pra gente e 15 pra eles. Depois, da primeira "brincadeira", levamos 26 anos (20.12.1989) para vencê-los, demora que Portugal não teve, quando rechaçou a tentativa inicial de invasão holandesa à Bahia, em 1625, o que não foi grandes coisas, pois eles vieram com 1.700 homens. Mas a primeira vitória brasileira sobre a Holanda no futebol, também, não é lá grande feito. Comemorava-se os 100 anos da Federação Holandesa de Futebol e a seleção deles estava sem os craques Van Basten, Gullit e Rijkiaard. Com gol de Careca, 1 x 0, amistoso, em Roterdã. Nos outros amistosos, três 2 x 2: em 31.08.1966, em Amsterdã; em 05.05.1999, em Salvador, e em 08.10.1999, em Amsterdã.
COPAS DO MUNDO – Em 03.07.1974, no Westfalenstadion, diante de 52.500 almas, a Laranja Mecânica, de Cruijff e Neeskens, os atores dos gols embarcou no “carrossel” do técnico Rinus Michel e mandou incontestáveis 2 x 0, pelo primeiro Mundial promovido pela Alemanha – o segundo foi em 2006.
A resposta brasileira foi na Copa dos Estados Unidos-1994, com 3 x 2, em 09.07, no Estádio Cotton Bowl, em Dallas. Perante 63. 500 presentes, o time do técnico Carlos Alberto Parreira avançou às semifinais, criando o “gol embala neném”, com o qual Bebeto homenageou o nascimento do filho Mateus.
O penúltimo encontro de brasileiros com holandeses, por Mundiais, em 07.07.1997, no Velódrome, de Marselha, na França, terminou 1 x 1, no tempo normal, diante de 54 mil assistentes. A decisão foi para os pênaltis, e o goleiro Taffaarel defendeu dois, classificando o Brasil: 4 x 2, para decidir a Copa-98, com a França. O último marcou o final da segunda "Era Dunga" na Seleção Brasileira – a primeira fora na Copa-90, quando ele era jogador –, após 59 jogos, 41 vitórias, 12 empates e 5 derrotas, que resultaram nos títulos da Copa América-2007; da Copa das Confederações-2009; o pirmeiro lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2010 e a sexta colocação no Mundial da África do Sul.
No jogo deste Mundial africano, a Holanda mandou a Seleção Brasileira de volta pra casa (foto), por 2 x 1, em 2 de julho de 2010, no Estádio Nelson Mandela Bay, em Porto Elizabeth, com arbitragem do japonês Yuichi Nishimura e público de 40.186 almas. Robinho abriu o placar, aos 10 minutos do primeiro tempo. Aos 8 da etapa final, o goleiro Julio Cesar e o apoiador Felipe Melo se enrolaram numa bola, no gol de empate dos holandeses, com a pelota tocando, por último, no segundo. Depois, a FIFA atribuiu o gol a Sneijder, o autor do chute e, também, da cabeça da virada do placar, aos 22 da etapa final,quando. Felipe Melo foi expulso de campo, por chutar Robben, quando este estava caído.
Dirigida pelo treinador Bert van Marwijk, a seleção da Holanda venceu por causa de Stekelenburg; Van der Wiel, Heitinga, Ooijer e Van Bronckhorst; Van Bommel, De Jong, Sneijder e Kuyt; Van Persie (Huntelaar) e Robben. O time do técnico Dunga foi: Julio Cesar; Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos (Gilberto); Gilberto SIlva, Felipe Melo, Daniel Alves e Kaká; Robinho e Luís Fabiano (Nilmar).

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