Seleção Brasileria espremida pela "Laranja", em 1974
Com o Brasil dono, em definitivo, da Taça Jules Rimet, a Copa do Mundo de 1974 colocou em jogo a Taça FIFA, de ouro maciço – 18 quilates – , com 37 centímetros de altura e pesando cinco quilos. Produzida pelo escultor italiano Silvio Gazzaniga, que venceu outros 52 projetos, o troféu foi fabricado em Milão, pela Casa Bertoni, e passou a ser de posse transitória. Cada vencedor passaria a ter o seu nome gravado na base e o repassaria, quatro anos depois, a um outro campeão – caso isso ocorresse – e ficaria com uma réplica.
A Copa-94 começou com um problema político. Porque a FIFA aceitara a inscrição da Coréia do Norte, fora do prazo, alguns países, em protesto, boicotaram a promoção, que passava a garantir vagas a todos os continentes, exceto à Oceania, obrigada a duelar – e vencer – a Coréia do Sul. Noventa seleções foram para as Eliminatórias, que preservaram o Brasil, campeão do último Mundial, e a Alemanha, a nova promotora. Ao final dessa fase, as novidades eram a Austrália, o Haiti e o Zaire, sem nenhuma tradição no futebol. Inglaterra e Espanha, desclassificadas, respectivamente, por Polônia e a então Iugoslávia, era as ausências reclamadas.
O Mundial da Alemanha teve, ainda, nova forma de disputa. Desprezou-se a eliminação nas quartas-de-final e nas semifinais, para a formação de dois grupos, totalizando oito equipes, as duas melhores dos quatro chaves da fase inicial. No duelo em duas novas divisões de quatro times, os dois primeiros de cada uma iria para a final, enquanto os segundos colocados disputariam o terceiro lugar da Copa.
BRASIL SEM REI – Pelé já havia abandonado a Seleção Brasileira. Fazendo marketing para uma empresa multinacional norte-americana, ele limitou-se a participar das solenidades de abertura. Enquanto isso, o time do técnico Mário Jorge Lobo Zagallo mantinha Wilson Piazza, Jairzinho, Rivellino e Paulo César “Caju” do grupo titular que jogara durante a campanha do tri. Dos que estavam no grupo de 1970, mas não haviam jogado, o goleiro Leão e o lateral-direito Zé Maria eram os novos donos de suas posições.
Até chegar a 13 de junho de 1974, quando estreou, empatando, 0 x 0, com a então Iugoslávia (foto), o time canarinho havia feito 12 amistosos, naquele ano, com oito vitórias e quatro empates. Este retrospecto não animava, pois as igualdades no placar haviam sido com equipes fracas – México, Grécia, Áustria e até um time francês chamado Racing Pierrot –, além do que o time não se definia. Na abertura da Copa, no Waldstadion, em Frankfurt, 59 mil testemunhas viram os iugoslavos merecendo muito mais a vitória, pois colocaram até bola na trave. Pelo lado brasileiro, apenas os dois Marinhos, o Perez e o Chagas, estiveram bem.
O Brasil jogou com: Leão: Nelinho, Luís Pereira, Marinhoi Perez e Marinho Chagas; Piazza, Rivellino e Paulo César; Jairzinho, Mirandinha e Leivinha (Paulo César Carpeggiani). Iugoslávia, treinada por Miljan Miljanic, alinhou: Maric; Buljan, Katalinski, Bogicevic e Hadziabdic; Muzinic, Oblak e Acimovic; Ilija Petkovic, Surjak e Dzahuc. O suíço Rudolf Scheurer apitou a partida.
No jogo seguinte, em 18 de junho, no mesmo estádio, a Seleção Brasileira repetiu o indesejável 0 x 0 da partida anterior – terceira abertura consecutiva da Copa com aquele placar –, se enganchando nos escoceses. Na verdade, repetiu tudo: escalação inicial, substituição e incapacidade de vencer, decepcionando 62 mil assistentes. Sem comentários! Brasil: Leão; Nelinho, Luís Pereira, Marinho Perez e Marinho Chagas; Piazza, Rivellino e Paulo César; Jairzinho, Mirandinha e Leivinha (Carpeggiani). Escócia, do técnico William Ormond, foi: Harvey; Jardini, McGrain, Holton e Buchan; Bremner, Hay e Dalglish; Morgan,Jordan e Lorimer. O holandês Arie Van Gemmert apitou.
VENCE OU VOLTA – Como a Iugoslávia havia feito 9 x 0 e a Escócia 2 x 0 sobre o Zaire, o Brasil teria que ganhar, por muitos gols, do time africano, para não depender de iugoslavos e escoceses – ficaram no 1 x 1. Conseguiu, com 3 x 0, que passaram por um frango do goleiro da equipe treinada pelo iugoslavo Blagoje Vidinic. A Seleção seguiu em frente, em 22 de junho, no Parkstadion, em Gelsenkirchen, com gols de Jairzinho, aos 13 minutos do primeiro tempo; de Rivellino, aos 22, e de Valdomiro, aos 34 do segundo. Nicolae Rainea, da Romênia, apitou o jogo, assistido por 35 mil presentes. O Brasil teve: Leão; Nelinho, Luís Pereira, Marinho Perez e Marinho Chagas; Piazza (Mirandinha), Rivelino e Paulo César; Jairzinho, Leivinha (Valdomiro) e Edu. O Zaire formou com: Kazadi; Mwepu, Mukombo, Buhanga e Lobilo; Kibonge, Tshinabu (Kembo) e Mana; Ntumba, Kidumu (Kilasu) e Myanga.
Classificado, no sufoco, o Brasil teve mais dificuldades pela frente. No dia 26, ganhou da Alemanha Oriental, 1 x 0, contando com a malandragem. Aos 16 minutos do segundo tempo, falta contra a então República Democrática Alemã. Rivellino ajeita a bola e Jairzinho se introduz no meio da barreira. Riva bate em cima do Furacão, que se abaixa. É gol. A malandragem merece aplausos dos 58.463 presentes ao Niedersachenstadion, em Hannover. No mais, o Brasil não brilhou. Aceitou o jogo do adversário, que era não deixá-lo jogar. Por isso, não se incomodou com a sua retranca. Um golzinho estava bom demais.
A Seleção do dia foi: Leão; Zé Maria, Luís Pereira, Marinho Perez e Marinho Chagas; Carpeggiani, Rivellino e Paulo César “Caju”; Valdomiro, Jairzinho e Dirceu. O técnico George Buschner escalou a DDR assim: Croy; Kisch, Waetzlich, Lauck (Löwe) e Bransche; Weise, Streich e Hamman; Sparwasser, Kurbjuweit e Hoffman. O árbitro foi Clive Tlhomas, do País de Gales.
Quatro dias depois, no mesmo estádio, vieram os argentinos. E o Brasil seguiu vencendo: 2 x 1. Rivellino, aos 32 minutos do primeiro tempo, e Jairzinho, aos 3 do segundo, marcaram os nossos gols. Brindisi, aos34, da etapa inicial, fez o deles. O time foi o mesmo da partida passada, enquanto Vladislao Cap escalou “los hermanos” com: Carnevali; Glaria, Heredia, Bargas e Sá (Carrascosa); Brindisi, Squeo e Babington; Balbuena, Ayala e Kempes (Houseman). O belga Vital Loraux apitou o jogo, que teve 38 mil assistentes.
SUCO DE LARANJA – O futebol canarinho estava infinitamente distante do jogado, há quatro anos, no México. Mesmo assim, o Brasil ia chegando perto da final. Em 3 de julho, no entanto, o sonho do tetra esbarrou na seleção holandesa, a “Laranja Mecânica”. Era o time sensação da Copa, treinado por Rinus Mitchel, que armara um esquema tático repleto de variantes, executadas por jogadores polivalentes. O mundo passava a conhecer o “Carrossel Holandês”, pilotado por Cruyff.
Até chegar ao confronto com o Brasil (foto), a Holanda só empacara na Suécia, 0 x 0, em seu segundo jogo. No mais: 2 x 0 Uruguai; 4 x 1 Bulgária; 4 x 0 Argentina e 2 x 0 Alemanha Oriental. A turma de Cruyff, Neeskens, Rep, Resenbrink, Van Hanegen estava demais. Se bem que andou dando uns vacilos e deixando Jairzinho e Paulo César em boas condições para marcar, no primeiro tempo do jogo contra o Brasil. No segundo tempo, porém, aos 5 minutos, Neskens abriu o placar. Aos 20, Cruyff fez o segundo, com os brasileiros reclamando impedimento. Aos 40, Luís Pereira foi expulso de campo.
O Brasil jogou com: Leão; Zé Maria, Luís Pereira, Marinho Perez e Marinho Chagas; Carpeggiani, Rivellino e Paulo César (Mirandinha); Valdomiro, Jairzinho e Dirceu. Holanda: Jonglbloed; Suurbier, Krol, Hann e Rijsbergen; Neeskens (Israel), Van Habnegen e Jansen; Rep, Cruyff e Resenbrinck (De Jong). A assistência foi de 52.500 pagantes e o apito do alemão oriental Kurt Tschencher.
Restava ao Brasil, disputar o terceiro lugar, com a Polônia. Aconteceu em 6 de julho, no Estádio Olímpico de Munique, sob as vistas de 74.100 pagantes. O jogo marcou a despedida da Seleção de Ademir da Guia, um dos maiores nomes do futebol brasileiro e que só fizera aquela partida em Copas do Mundo.
Os poloneses, também, vinham sendo sensação naquele Mundial. Seus resultados: 3 x 2 Argentina; 7 x 0 Haiti; 2 x 1 Itália; 1 x 0 Suécia; 2 x 1 Iugoslávia e 0 x 1 Alemanha Ocidental. Foi a sua melhor seleção em Copas do Mundo com destaques para o goleiro Tomaszewski, o apoiador Deyna e os ponteiros Lato e Godocha. Por sinal, foi Lato o autor do gol da vitória, por 1 x 0, sobre o Brasil, aos 30 minutos do segundo tempo, percorrendo 50 metros com bola dominada, aproveitando-se de uma avenida deixada aberta por Marinho Chagas.
O Brasil formou com: Leão; Zé Maria, Alfredo Mostarda, Marinho Perez e Marinho Chagas; Carpeggiani, Ademir da Guia (foto) (Mirandinha) e Rivellino; Valdomiro, Jairzinho e Dirceu. Os poloneses, treinados por Kazimiersz Gorski, foram: Tomaszewski; Szymanowski, Zmuda, Gorgon e Musial; Kasperczak (Cmikiewcz), Kazimiersz Deyna e Maszcyk; Grzegorz Lato, Szamach (Kapka) e Robert Godocha.
A FINAL - Em 7 de julho, no Estádio Olímpico de Munique, os donos da festa conquistaram o seu segundo título mundial – o primeiro havia sido na Copa de 1954, na Suiça –, vencendo a favorita Holanda, por 2 x 1. Na vez passada, o adversário, a Hungria, também era o favorito.
Com um minuto de jogo, sem que os alemães tivessem tocado na bola, a Holanda já abriu o placar, com Neeskens cobrando um pênalti, sofrido por Cruyff. Mas o encantador futebol da “Laranja” não se encorpou depois do tento. O time de Rinus Mitchel deixou o concorrente chegar nele e empatar, aos 26, com Breitner, também, cobrando pênalti. No segundo tempo, aos 44 minutos, Gerd Müller fez o tento da vitória alemã: 2 x 1.
Não fora por acaso que o capitão Franz Beckenbauer, eleito o craque da Copa, levantara a primeira Taça FIFA em jogo. Basta conferir os placares alemães: 1 x 0 Chile; 3 x 0 Austrália; 0 x 1 Alemanha Oriental; 2 x 0 Iugoslávia; 4x 2 Suécia e 1 x 0 Polônia, antes da final. Especulou-se muito que a derrota para a vizinhos orientais foi proposital, para fugir de uma tabela que não interessava, em caso de vitória.
A Alemanha do jogo final foi: Maier; Vogts, Schwarzenbeck, Hoeness e Breitner; Beckenbauer, Bonhof e Overath; Grabowski, Muller e Holzenbein. O técnico era Helmuth Schoen. A Holanda teve: Jongbloed; Suurbier, Rudi Krol, Hann e Willem Rijsbergen (De Jong); Neeskens, Van Hanegen e Jansen; Rep, Cruyff e Resenbrinck ( René Van der Kerkhof). O jogo teve 60 mil espectadores e apito do inglês John Taylor.
TODOS OS RESULTADOS – Alemanha Ocidental 1 x 0 Chile; Austrália 0 x 2 Alemanha Oriental; Alemanha Ocidental 3 x 0 Austrália; Austrália 0 x 0 Chile; Alemanha Oriental 1 x 0 Alemanha Ocidental; Brasil 0 x 0 Iugoslávia; Escócia 2 x 0 Zaire; Iugoslávia 9 x 0 Zaire; Escócia 0 x 0 Brasil; Brasil 3 x 0 Zaire; Iugoslávia 1 x 1 Escócia; Suécia 0 x 0 Bulgária; Holanda 2 x 0 Uruguai; Holanda 0 x 0 Suécia; Bulgária 1 x 1 Uruguai; Suécia 3 x 0 Uruguai; Holanda 4 x 1 Bulgária; Itália 3 x 1 Haiti; Polônia 3 x 2 Argentina: Polônia 7 x 0 Haiti; Argentina 1 x 1 Itália; Argentina 4 x 1 Haiti; Polônia 2 x 1 Itália; Holanda 4 x 0 Argentina; Polônia 1 x 0 Suécia; Polônia 2 x 1 Iugoslávia; Alemanha Ocidental 4 x 2 Suécia; Alemanha Ocidental 1 x 0 Polônia; Suécia 2 x 1 Iugoslávia; Polônia 1 x 0 Brasil e Alemanha Ocidental 2 x 1 Holanda.
CLASSIFICAÇÃO FINAL – 1- Alemanha Ocidental: 2 – Holanda: 3 – Polônia; 4 – BRASIL; 5 – Suécia; 6 – Alemanha Oriental; 7 – Iugoslávia; 8 - Argentina; 9 – Escócia; 10 – Itália; 11 – Chile; 12 – Bulgária; 13 – Uruguai; 14 – Austrália; 15 – Haiti e 15 – Zaire.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
O ROMANCE (DO BRASIL) DA COPA DO MUNDO–12
O dia em que o Brasil ficou campeão moral
Um ano e quatro meses antes da Copa do Mundo de 1978, a Seleção Brasileira trocou o experiente treinador Oswaldo Brandão, pelo teórico Cláudio Coutinho. Para este, um militar até pouco tempo, já era hora de os brasileiros pararem de privilegiar a criatividade e passarem a adotar conceitos europeus, como a polivalência que levara Alemanha Ocidental, Holanda e Polônia ao sucesso no Mundial-74.
Coutinho inovou o vocabulário do futebol brasileiro, é verdade. Mas “inventou” na mesma medida. Transformou o quarto-zagueiro Edinho, do Fluminense, em lateral-esquerdo e fez do lateral-direito Toninho, do Flamengo, o seu ponteiro direito. Inexplicável foi não ter levado ao Mundial um dos maiores talentos do aís, o apoiador Falcão, do Internacional. A vaga ficou com o “brucutu”, Chicão, do São Paulo.
Concentrada na Villa Marista, em Mar del Plata, a Seleção treinava debaixo de muito frio, sem esquentar a confiança dos brasileiros. Tanto que decepcionou nos empates dos primeiro dois jogos da Copa-78, competição que teve 106 inscritos, dos quais só 97 disputaram as Eliminatórias.
Na estréia, em 3 de junho, assistido por 312.569 pagantes, em “Mardel”, o Brasil sofreu o gol de abertura do placar – Sjoberg, aos 37 minutos do primeiro tempo –, enrolou-se muito com o gramado, mas conseguiu empatar, oito minutos depois, com Reinaldo, do Atlético-MG – quatro minutos antes do gol, o mesmo Sjoberg cabeceara uma bola contra o travessão. No segundo tempo, no último minuto, durante uma cobrança de escanteio, batido por Nelinho, da direita, Zico cabeceou, marcou, mas o árbitro Clive Thomas, do País de Gales, anulou, alegando ter apitado antes da cabeçada do Galinho.
BRASIL: Leão; Toninho, Oscar, Amaral e Edinho; Batista, Cerezzo (Dirceu) e Rivellino; Gil (Nelinho), Reinaldo e Zico foi o time. O treinador dos suecos, George Ericsson, escalou: Helström; Borg, Andersson, Nordqvist e Erlandsson; Tapper, Linderoth e Lennart Larsson (Edström); Sjöberg, Bo Larsson e Wendt.
Diante dos espanhóis, em 7 de junho, no mesmo Estádio Mundial-78, de Mar del Plata, foi bem pior. O Brasil só não perdeu porque Amaral salvou uma bola que ia entrando, em cima da linha. O time continuou enrolado, nunca agradando aos 34.771 assistentes que pagaram para vê-lo em ação. Edinho, na lateral, e Toninho, na ponta, realmente, não agradaram, bem como o placar de 0 x 0. Pra piorar, jogara desfalcado de Rivellino, que levara uma forte pancada no tornozelo direito, o que o tirou de maior parte da competição.
BRASIL: Leão; Nelinho (Gil), Oscar, Amaral e Edinho; Batista, Cerezzo e Dirceu; Toninho, Zico (Jorge Mendonça) e Reinaldo foi o time brasileiro. O do treinador dos espanhóis, o húngaro Ladislao Kubala, usou: Gonzalez; Uria (Guzman), Bianqueti (Biosca), Marcelino e Olmo; San José, Leal e Asensi; Cardenosa, Juanito e Santillana.
DINAMITE NELES – A Áustria havia vencido seus dois jogos e a Espanha perdido um e empatado o outro. A última rodada do Grupo 3 seria decisiva para brasileiros e espanhóis. Como ambos venceram, pelo mesmo placar de 1 x 0, os canarinhos levaram a vaga, em 11 de junho.
O perigo de ficar de fora do restante da Copa levou a Seleção Brasileira a mudar muito. Foi preciso o presidente da CBD, o almirante Heleno Nunes, exigir as trocas de Zico e Reinaldo, dois jogadores leves e que sofriam com o péssimo gramado do estádio de “Mardel”, pelos pesados Roberto Dinamite, do Vasco, e Jorge Mendonça, do Palmeiras. Além disso, Toninho voltou à lateral-direita e Edinho, para quem inventaram estar com três cartões amarelos, perdeu a vaga, para Rodrigues Neto, do Flamengo. Funcionou! Aos 44 minutos do primeiro tempo, Gil cruzou, da direita, Roberto matou a bola no peito, dinamitou os austríacos e classificou o Brasil.
A Seleção de Coutinho jogou com: Leão; Toninho, Oscar, Amaral e Rodrigues Neto; Batista, Cerezo (Chicão) e Dirceu; Gil, Jorge Mendonça (Zico) e Roberto Dinamite foi o time brasileiro. Pela Áustria, o técnico Helmut Senekowitsch usou: Koncillia; Sara (Weber), Pezzey, Obermayer e Breitenberger; Hickersberger, Prohaska e Kreuz; Krieger (Hapich), Krankl e Jara. O jogo foi assistido por 35.221 pagantes e teve arbitragem do francês Robert Wurtz.
Saído de uma apagada primeira fase, a Seleção Brasileira foi para Mendonza, no pé da Cordilheira dos Andes, passar mais frio e encarar os peruanos, no Estádio Parque General San Martín, em 14 de junho. Os novos adversários poderiam ter sido outros, pois o regulamento da Copa suscitava interpretações diferentes. Como Brasil e Áustria haviam pontuado iguais, mas os europeus feito um gol a mais, o primeiro lugar da chave seria por saldo de gols ou sorteio? A FIFA ficou com a primeira hipótese. E os canarinhos encararam peruanos, argentinos e poloneses, em vez de alemães ocidentais, austríacos, de novo, italianos e holandeses.
Naquela tarde do jogo contra o Peru, o time brasileiro desenrolou-se, jogou fácil e mandou 3 x 0 inquestionáveis, agradando aos 31.278 desportista que pagaram para vê-lo vencer. Dirceu abriu a porteira, aos 14, cobrando, com curva, uma falta. E fez o segundo, aos 27 minutos do primeiro tempo, com um chute de longe. Aos 25, da fase final, Zico cobrou pênalti, sofrido por Roberto Dinamite, e acabou com a história.
BRASIL: Leão; Toninho, Oscar, Amaral e Rodrigues Neto; Batista, Cerezzo (Chicão) e Dirceu; Gil (IZico), Jorge Mendonça e Roberto Dinamite. O técnico Marcos Calderón formou assim os peruanos: Quiroga; Duarte, Manzo, Chumpitaz e Diaz (Navarro); Velasquez, Muñante e Cueto; La Rosa, Cubillas e Oblitas.
A BATALHA DE ROSÁRIO – Na fase anterior, a Argentina havia perdido, para a Itália (0 x 1), mas derrotado os demais adversários – 2 x 1 Hungria, 2 x 1 França e 2 x 0 Polônia. Era uma campanha, em números, inferior à brasileira, que contabilizava dois empates – 1 x 1 Suécia e 0 x 0 Espanha – e duas vitórias – 1 x 0 Áustria e 3 x 0 Peru. No critério gols pró, os “hermanos” estavam com seis, um a mais do que os canarinhos. Mas a sua defesa levara três, contra apenas um da brasileira. Na realidade, relação equilibrada. Foi assim que Brasil e Argentina foram a campo, diante de 37.326 pgantes (foto).
Quando a bola rolou, em 18 de junho, no Estádio El Cordelon, em Rosario, logo se viu que o jogo seria muito pesado. Chicão, por exemplo, pegou Kempes, de jeito, e levou o cartão amarelo. Ele substituía Cerezzo, com “dores musculares psicológicas”, segundo o medido Lídio Toledo. Reinaldo, também, reclamou dores, num dos joelhos, e não jogou.
Como derrota, muito, certamente, tiraria a chance do perdedor, o Brasil administrou o empate. Achava que a vaga seria decidida, na bola, na última rodada. Praticamente, foi um jogo de chances iguais, com o placar de 0 x 0 servindo mais aos anfitriões, como veremos a seguir. O Brasil jogou com: Leão; Toninho, Oscar, Amaral e Rodrigues Neto (Edinho); Chicão, Batista e Dirceu; Gil, Jorge Mendonça (Zico) e Roberto Dinamite. Argentina: Fillol; Olguín, Galván, Passarella e Tarantini; Ardiles (Villa) e Gallego; Bertoni, Luqie, Kempes e Ortiz.
Em 21 de junho, de volta ao Parque General San Martín, em Mendoza, a Seleção fez 3 x 1 sobre a Polônia, com gols de Nelinho, aos 13 minutos do primeiro tempo, e de Roberto Dinamite, aos 12 e aos 17, da etapa final. Lato fez o tento polonês, aos 44 da primeira fase, assistido por 39.586 viventes.
O Brasil formou com: Leão; Nelinho, Oscar, Amaral e Toninho; Batista, Cerezzo (Rivellino) e Dirceu; Gil, Zico (Jorge Mendonça), Roberto Dinamite. A Polônia, do técnico Jacek Gmoch, foi: Kukla; Szymanowski, Maculewicz, Zmuda e Gorgon; Kasperczak (Lubanski), Deyna e Nawalka; Lato, Szarmach e Boniek.
ARMAÇÃO ILIMITADA – Como o italiano Benito Musolini, em 1934/38, e o general brasileiro Garrastazu Medicis, em 1970, já haviam obtido grandes dividendos políticos, com os títulos mundiais de suas respectivas seleções, o general Jorge Rafael Videla pretendia repetí-los, a bem do regime militar argentino. Então, criou o Ente Autárquico Mundial, para ser o caminho da conquista da Copa.
Preterida como sede das Copas de 50 e 62, organizadas, respectivamente, por Brasil e Chile, a Argentina estava decidida a ganhar tudo nos bastidores. Pra começar, convencera a FIFA a desconsiderar as pressões internacionais que acusavam seu governo de já ter matado mais de 10 mil dissidentes e sumido com cerca de outros 15 mil. A trégua celebrada entre militares e o grupo guerrilheiro urbano Motoneros, de ideologia peronista, era uma carta de fiança para a entidade. E garantiu-se como organizadora.
Na bola, estreou favorecendo-se da expulsão de dois húngaros. No segundo compromisso, passou pelos franceses, em jogo marcado por inúmeras irregularidades. Na decisão da vaga de finalista, com o Brasil, teve a ajuda do regulamento, para enfrentar o Peru em horário diferente de Brasil e Polônia. Entrou em campo sabendo que precisaria vencer, por três gols de diferença. Fez o dobro, deixando no ar a suspeita de suborno aos peruanos, o que foi confirmado, mais tarde, pelo zagueiro Manzo.
Vice-campeã olímpica, em 1928, e mundial, em 30, a Argentina, agora, não aceitava mais ser vice. Isso o presidente Videla conversara com os jogadores da sua seleção. E eles cumpriram a sua parte, em 25 de junho, perante 71.483 pagantes, no Estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. Venceram a Holanda, na final, por 3 x 1, após 1 x 1 na prorrogação. Kempes (2) e Bertoni foram os heróis do dia. Nanninga fez o tento holandês. Quanto ao Brasil, restou ser “campeão moral”, vencendo a Itália, por 2 x 1, em 24 de junho, na disputa pelo terceiro lugar. Saiu da Copa-78 invicta, com mais pontos do que os demais concorrentes, como leremos a seguir.
PONTOS DO CAMPEÃO – Quando o árbitro israelense Abraham Klein – auxiliado pelo húngaro Karoly Palotai e o mexicano Alfonso Archundia – apitou final de jogo – Brasil 2 x 1 Itália – e os brasileiros saíam de campo, abraçados, com suas camisas enroladas ao pescoço, só me vinha à mente, naquele sábado – 24 de junho de 1978 –, uma lembrança de poucos dias antes: o técnico Cláudio Coutinho, após vencer a Polônia, 3 x 1, chegando, surpreendentemente, ao centro de imprensa de Mendoza, à noite, e dizendo que o Brasil era o "campeão moral" daquele Mundial. Estávamos fora da da final, devido aos suspeitos 6 x 0 impostos, pela Argentina, ao Peru, a conta certa de quanto os "hermanos" precisavam para irem à decisão do título, contra a Holanda – na foto, Nelinho, Lão, Oscar, Amnaral, Batista e Toninho Baiano, em pé, da esquerda para a direita; Gil, Zico, Roberto Dinamite, Dirceu e Toninho Cerezzo, agachados, na mesma ordem.
Realmente, era duro ter um time invicto, fazendo o mesmo número de pontos do campeão e ficando em terceiro lugar na XI Copa do Mundo. No futebol brasileiro, ser terceiro, ou último, é a mesma coisa. Tanto que nós, jornalistas que estávamos no Estádio de Nuñez, em Buenos Aires, só por obrigação de enviar notícias para os nossos veículos, fomos indiferentes quando Dirceu virou, para 2 x 1, o jogo que o Brasil perdia, no primeiro tempo, por 1 x 0.
Debaixo de um frio intenso, a Seleção Brasileira, usando camisas azuis, de mangas compridas, calções brancos e meios brancos, entrou no gramado do River Plate tão desmotivada que, nos inícios da partida, passou dois por sufocos: uma falta, na entrada da área, cobrada por Maldera, colocou Leão pra se virar e, no outro lance, Antognoni acertou a trave do lado direito de Leão, já batido no lance. Depois daquilo, brasileiros e italianos entraram na lentas troca de passes laterais. Quando nada, eles ainda arriscavam uns contra-ataques. E foi num deles, aos 38 minutos que Causio “matou”. Antognoni penetrou, pelas costas de Rodrigues Neto, cruzou a bola para a área, Leão e Oscar não subiram para interceptá-la e Cáusio só a escorou para a rede.
O gol nos descontrolou e animou os europeus, que resolveram atacar. Aos 40 minutos, em novo vacilo da nossa defesa, eles mandaram outra bola na trave, daquela vez, chutada por Causio. E, novamente, com Leão batido no lance. E teve mais. No finalzinho do primeiro tempo, Paolo Rossi entrou, em velocidade, na área brasileira, chutou em cima de Leão, Causio pegou o rebote, na corrida, e acertou o travessão.
No segundo tempo, o Brasil trocou Gil, por Reinaldo. Se era pra ganhar mais velocidade, não rolou, pois o mineirinho recuava, buscava jogo. Até parecia combinado. O adversário fazia o mesmo, recuando seus atacantes, para combaterem no meio do campo. Quando contra-atacavam, não chegavam. Assim, o Brasil dominou e reclamou um pênalti, aos 13 minutos, sofrido por Jorge Mendonça e ignorado pela arbitragem.
Enfim, aos 19 minutos, nos embalos do nosso maior volume de jogo, atacamos forte. A bola sobrou para o lateral-direito Nelinho que, do lado de fora da área italiana, deu dois passos com a bola e soltou um “foguete”, enviesado, sem chances defesa para Dino Zoff. Um golaço, dos mais bonitos da Copa-78. Como comemoramos! Mudamos de vida, após Rivelino, que passara quase todo o Mundial tratando de uma contusão, substituir Toninho Cerezzo. Chances de gol passaram a se oferecer para Roberto Dinamite, (foto) Jorge Mendonça e Dirceuzinho, e este não desperdiçou a surgida, aos 25 minutos. Riva trabalhou o lance, pela esquerda, a bola foi até Jorge Mendonça, que deu-lhe uma peitada, manando-a para o Dirceuzinho, que bateu, de primeira, à direita de Zoff: 2 x 1.
Jogo virado, os italianos resolveram ir atrás do empate. Mas a defesa brasileira estava bem àquela altura, ainda ajuda pelo meio-de-campo, no primeiro combate. Pintaram alguns lances violentos e cartões amarelos, para Nelinho, Batista, Getile e Sala. No mais, o Brasil ficou trocando passes, de um lado para o outro, comandado por Rivelino, enquanto os italianos, aos 35 minutos, com Maldera, deram seu único chute a gol, na etapa. Se bem que, no último lance do jogo, Bettega cabeceou uma bola que bateu na trave – felizmente! E foi assim que o Brasil saiu de campo (foto) campeã moral – jogou com: Leão; Nelinho, Oscar, Amaral e Rodrigues Neto; Cerezzo (Rivelino) Batista e Dirceu; Gil (Reinaldo), Roberto Dinamite e Jorge Mendonça. Os italianos foram: Zoff; Gentille, Cuccuredu, Scirhea e Cabrini; Maldera, Antognoni (Cláudio Sala) e Patrício Sala; Causio, Paolo Rossi e Bettega.
VESTIÁRIOS - Naquele tempo, como não eram muitos os jornalistas que cobriam as Copas do Mundo, terminado o jogo, fomos todos esperar por jogadores e comissão técnica á saída dos vestiários. Cláudio Coutinho, que esperava o jogo ir para a prorrogação, disse: ”Não me considero o principal responsável pelo terceiro lugar do Brasil neta Copa do Mundo. Sou, apenas, uma pequena peça na grande engrenagem formada por estes rapazes que tanto souberam dignificar a camisa que vestiram”.
De sua parte, Heleno Nunes, o presidente da então Confederação Brasileira de Desportos, antecessora da CBF, se dizia mais do que recompensado com o que a sua seleção apresentara naquela Copa, e mandava o aviso ao mundo: “Se cuidem, pois, com este mesmo time, em 1982, ninguém nos tirará o título”– paramos nesta mesma Itália, do "carrasco" Paolo Rossi.
Dirceuzinho, o melhor jogador brasileiro no Mundial, preferia desabafar. Dizia esperar que ninguém mais o considerasse uma “barata tonta”, mas, sim, “um jogador moderno”, e culpava o regulamento pela perda do “caneco”. Já o goleiro Leão acentuava que o Brasil saía invicto, com a defesa menos vazada. Assim como ele, que se dizia satisfeito com a classificação, o zagueiro Oscar falava o mesmo, na expectativa de “ser eleito um dos bons zagueiros da competição.
De todos os jogadores e membros da comissão técnica, foi o zagueiro Amaral quem teve o discurso mais coerente, após o “choro” e jogo contra a Itália. Para ele, de nada adiantaria fazer sete, oito gols nas semifinais, e nem culpar o regulamento. “O Brasil não foi finalista, simplesmente, porque não venceu a Argentina”, resumiu – 0 x 0, nas quartas-de-final.
TODOS OS RESULTADOS: Itália 2 x 1 França; Argentina 2 x 1 Hungria; Itália 3 x 1 Hungria; Argentina 2 x 1 França; Itália 1 x 0 Argentina; França 3 x 1 Hungria; Alemanha 0 x 0 Polônia; Tunísia 3 x 1 México; Polônia 1 x 0 Tunísia; Alemanha 6 x 0 México; Tunísia 0 x 0 Alemanha; Polônia 3 x 1 México; Brasil 1 x 1 Suécia; Áustria 2 x 1 Espanha; Áustria 1 x 0 Suécia; Brasil 0 x 0 Espanha; Brasil 1 x 0 Áustria; Espanha 1 x 0 Suécia; Holanda 3 x 0 Irã; Peru 3 x 1 Escócia; Holanda 0 x 0 Peru; Escócia 1 x 1 Irã; Escócia 3 x 2 Holanda; Peru 4 x 1 Irã; Itália 0 x 0 Alemanha; Holanda 5 x 1 Áustria; Alemanha 2 x 2 Holanda; Itália 1 x 0 Áustria; Holanda 2 x 1 Itália; Áustria 3 x 2 Alemanha; Brasil 3 x 0 Peru; Argentina 2 x 0 Polônia; Polônia 1 x 0 Peru; Argentina 0 x 0 Brasil; Brasil 3 x 1 Polônia; Argentina 6 x 0 Peru; Brasil 2 x 1 Itália e Argentina 3 x 1 Holanda.
CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1 - Argentina; 2 – Holanda; 3 – BRASIL; 4 – Itália; 5 – Polônia; 6 – Alemanha; 7 – Áustria; 8 – Peru; 9 – Tunísia; 10 – Espanha; 11 – Escócia; 12 – França; 13 – Suécia; 14 – Irã; 15 – Hungria e 16 – México.
Um ano e quatro meses antes da Copa do Mundo de 1978, a Seleção Brasileira trocou o experiente treinador Oswaldo Brandão, pelo teórico Cláudio Coutinho. Para este, um militar até pouco tempo, já era hora de os brasileiros pararem de privilegiar a criatividade e passarem a adotar conceitos europeus, como a polivalência que levara Alemanha Ocidental, Holanda e Polônia ao sucesso no Mundial-74.
Coutinho inovou o vocabulário do futebol brasileiro, é verdade. Mas “inventou” na mesma medida. Transformou o quarto-zagueiro Edinho, do Fluminense, em lateral-esquerdo e fez do lateral-direito Toninho, do Flamengo, o seu ponteiro direito. Inexplicável foi não ter levado ao Mundial um dos maiores talentos do aís, o apoiador Falcão, do Internacional. A vaga ficou com o “brucutu”, Chicão, do São Paulo.
Concentrada na Villa Marista, em Mar del Plata, a Seleção treinava debaixo de muito frio, sem esquentar a confiança dos brasileiros. Tanto que decepcionou nos empates dos primeiro dois jogos da Copa-78, competição que teve 106 inscritos, dos quais só 97 disputaram as Eliminatórias.
Na estréia, em 3 de junho, assistido por 312.569 pagantes, em “Mardel”, o Brasil sofreu o gol de abertura do placar – Sjoberg, aos 37 minutos do primeiro tempo –, enrolou-se muito com o gramado, mas conseguiu empatar, oito minutos depois, com Reinaldo, do Atlético-MG – quatro minutos antes do gol, o mesmo Sjoberg cabeceara uma bola contra o travessão. No segundo tempo, no último minuto, durante uma cobrança de escanteio, batido por Nelinho, da direita, Zico cabeceou, marcou, mas o árbitro Clive Thomas, do País de Gales, anulou, alegando ter apitado antes da cabeçada do Galinho.
BRASIL: Leão; Toninho, Oscar, Amaral e Edinho; Batista, Cerezzo (Dirceu) e Rivellino; Gil (Nelinho), Reinaldo e Zico foi o time. O treinador dos suecos, George Ericsson, escalou: Helström; Borg, Andersson, Nordqvist e Erlandsson; Tapper, Linderoth e Lennart Larsson (Edström); Sjöberg, Bo Larsson e Wendt.
Diante dos espanhóis, em 7 de junho, no mesmo Estádio Mundial-78, de Mar del Plata, foi bem pior. O Brasil só não perdeu porque Amaral salvou uma bola que ia entrando, em cima da linha. O time continuou enrolado, nunca agradando aos 34.771 assistentes que pagaram para vê-lo em ação. Edinho, na lateral, e Toninho, na ponta, realmente, não agradaram, bem como o placar de 0 x 0. Pra piorar, jogara desfalcado de Rivellino, que levara uma forte pancada no tornozelo direito, o que o tirou de maior parte da competição.
BRASIL: Leão; Nelinho (Gil), Oscar, Amaral e Edinho; Batista, Cerezzo e Dirceu; Toninho, Zico (Jorge Mendonça) e Reinaldo foi o time brasileiro. O do treinador dos espanhóis, o húngaro Ladislao Kubala, usou: Gonzalez; Uria (Guzman), Bianqueti (Biosca), Marcelino e Olmo; San José, Leal e Asensi; Cardenosa, Juanito e Santillana.
DINAMITE NELES – A Áustria havia vencido seus dois jogos e a Espanha perdido um e empatado o outro. A última rodada do Grupo 3 seria decisiva para brasileiros e espanhóis. Como ambos venceram, pelo mesmo placar de 1 x 0, os canarinhos levaram a vaga, em 11 de junho.
O perigo de ficar de fora do restante da Copa levou a Seleção Brasileira a mudar muito. Foi preciso o presidente da CBD, o almirante Heleno Nunes, exigir as trocas de Zico e Reinaldo, dois jogadores leves e que sofriam com o péssimo gramado do estádio de “Mardel”, pelos pesados Roberto Dinamite, do Vasco, e Jorge Mendonça, do Palmeiras. Além disso, Toninho voltou à lateral-direita e Edinho, para quem inventaram estar com três cartões amarelos, perdeu a vaga, para Rodrigues Neto, do Flamengo. Funcionou! Aos 44 minutos do primeiro tempo, Gil cruzou, da direita, Roberto matou a bola no peito, dinamitou os austríacos e classificou o Brasil.
A Seleção de Coutinho jogou com: Leão; Toninho, Oscar, Amaral e Rodrigues Neto; Batista, Cerezo (Chicão) e Dirceu; Gil, Jorge Mendonça (Zico) e Roberto Dinamite foi o time brasileiro. Pela Áustria, o técnico Helmut Senekowitsch usou: Koncillia; Sara (Weber), Pezzey, Obermayer e Breitenberger; Hickersberger, Prohaska e Kreuz; Krieger (Hapich), Krankl e Jara. O jogo foi assistido por 35.221 pagantes e teve arbitragem do francês Robert Wurtz.
Saído de uma apagada primeira fase, a Seleção Brasileira foi para Mendonza, no pé da Cordilheira dos Andes, passar mais frio e encarar os peruanos, no Estádio Parque General San Martín, em 14 de junho. Os novos adversários poderiam ter sido outros, pois o regulamento da Copa suscitava interpretações diferentes. Como Brasil e Áustria haviam pontuado iguais, mas os europeus feito um gol a mais, o primeiro lugar da chave seria por saldo de gols ou sorteio? A FIFA ficou com a primeira hipótese. E os canarinhos encararam peruanos, argentinos e poloneses, em vez de alemães ocidentais, austríacos, de novo, italianos e holandeses.
Naquela tarde do jogo contra o Peru, o time brasileiro desenrolou-se, jogou fácil e mandou 3 x 0 inquestionáveis, agradando aos 31.278 desportista que pagaram para vê-lo vencer. Dirceu abriu a porteira, aos 14, cobrando, com curva, uma falta. E fez o segundo, aos 27 minutos do primeiro tempo, com um chute de longe. Aos 25, da fase final, Zico cobrou pênalti, sofrido por Roberto Dinamite, e acabou com a história.
BRASIL: Leão; Toninho, Oscar, Amaral e Rodrigues Neto; Batista, Cerezzo (Chicão) e Dirceu; Gil (IZico), Jorge Mendonça e Roberto Dinamite. O técnico Marcos Calderón formou assim os peruanos: Quiroga; Duarte, Manzo, Chumpitaz e Diaz (Navarro); Velasquez, Muñante e Cueto; La Rosa, Cubillas e Oblitas.
A BATALHA DE ROSÁRIO – Na fase anterior, a Argentina havia perdido, para a Itália (0 x 1), mas derrotado os demais adversários – 2 x 1 Hungria, 2 x 1 França e 2 x 0 Polônia. Era uma campanha, em números, inferior à brasileira, que contabilizava dois empates – 1 x 1 Suécia e 0 x 0 Espanha – e duas vitórias – 1 x 0 Áustria e 3 x 0 Peru. No critério gols pró, os “hermanos” estavam com seis, um a mais do que os canarinhos. Mas a sua defesa levara três, contra apenas um da brasileira. Na realidade, relação equilibrada. Foi assim que Brasil e Argentina foram a campo, diante de 37.326 pgantes (foto).
Quando a bola rolou, em 18 de junho, no Estádio El Cordelon, em Rosario, logo se viu que o jogo seria muito pesado. Chicão, por exemplo, pegou Kempes, de jeito, e levou o cartão amarelo. Ele substituía Cerezzo, com “dores musculares psicológicas”, segundo o medido Lídio Toledo. Reinaldo, também, reclamou dores, num dos joelhos, e não jogou.
Como derrota, muito, certamente, tiraria a chance do perdedor, o Brasil administrou o empate. Achava que a vaga seria decidida, na bola, na última rodada. Praticamente, foi um jogo de chances iguais, com o placar de 0 x 0 servindo mais aos anfitriões, como veremos a seguir. O Brasil jogou com: Leão; Toninho, Oscar, Amaral e Rodrigues Neto (Edinho); Chicão, Batista e Dirceu; Gil, Jorge Mendonça (Zico) e Roberto Dinamite. Argentina: Fillol; Olguín, Galván, Passarella e Tarantini; Ardiles (Villa) e Gallego; Bertoni, Luqie, Kempes e Ortiz.
Em 21 de junho, de volta ao Parque General San Martín, em Mendoza, a Seleção fez 3 x 1 sobre a Polônia, com gols de Nelinho, aos 13 minutos do primeiro tempo, e de Roberto Dinamite, aos 12 e aos 17, da etapa final. Lato fez o tento polonês, aos 44 da primeira fase, assistido por 39.586 viventes.
O Brasil formou com: Leão; Nelinho, Oscar, Amaral e Toninho; Batista, Cerezzo (Rivellino) e Dirceu; Gil, Zico (Jorge Mendonça), Roberto Dinamite. A Polônia, do técnico Jacek Gmoch, foi: Kukla; Szymanowski, Maculewicz, Zmuda e Gorgon; Kasperczak (Lubanski), Deyna e Nawalka; Lato, Szarmach e Boniek.
ARMAÇÃO ILIMITADA – Como o italiano Benito Musolini, em 1934/38, e o general brasileiro Garrastazu Medicis, em 1970, já haviam obtido grandes dividendos políticos, com os títulos mundiais de suas respectivas seleções, o general Jorge Rafael Videla pretendia repetí-los, a bem do regime militar argentino. Então, criou o Ente Autárquico Mundial, para ser o caminho da conquista da Copa.
Preterida como sede das Copas de 50 e 62, organizadas, respectivamente, por Brasil e Chile, a Argentina estava decidida a ganhar tudo nos bastidores. Pra começar, convencera a FIFA a desconsiderar as pressões internacionais que acusavam seu governo de já ter matado mais de 10 mil dissidentes e sumido com cerca de outros 15 mil. A trégua celebrada entre militares e o grupo guerrilheiro urbano Motoneros, de ideologia peronista, era uma carta de fiança para a entidade. E garantiu-se como organizadora.
Na bola, estreou favorecendo-se da expulsão de dois húngaros. No segundo compromisso, passou pelos franceses, em jogo marcado por inúmeras irregularidades. Na decisão da vaga de finalista, com o Brasil, teve a ajuda do regulamento, para enfrentar o Peru em horário diferente de Brasil e Polônia. Entrou em campo sabendo que precisaria vencer, por três gols de diferença. Fez o dobro, deixando no ar a suspeita de suborno aos peruanos, o que foi confirmado, mais tarde, pelo zagueiro Manzo.
Vice-campeã olímpica, em 1928, e mundial, em 30, a Argentina, agora, não aceitava mais ser vice. Isso o presidente Videla conversara com os jogadores da sua seleção. E eles cumpriram a sua parte, em 25 de junho, perante 71.483 pagantes, no Estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. Venceram a Holanda, na final, por 3 x 1, após 1 x 1 na prorrogação. Kempes (2) e Bertoni foram os heróis do dia. Nanninga fez o tento holandês. Quanto ao Brasil, restou ser “campeão moral”, vencendo a Itália, por 2 x 1, em 24 de junho, na disputa pelo terceiro lugar. Saiu da Copa-78 invicta, com mais pontos do que os demais concorrentes, como leremos a seguir.
PONTOS DO CAMPEÃO – Quando o árbitro israelense Abraham Klein – auxiliado pelo húngaro Karoly Palotai e o mexicano Alfonso Archundia – apitou final de jogo – Brasil 2 x 1 Itália – e os brasileiros saíam de campo, abraçados, com suas camisas enroladas ao pescoço, só me vinha à mente, naquele sábado – 24 de junho de 1978 –, uma lembrança de poucos dias antes: o técnico Cláudio Coutinho, após vencer a Polônia, 3 x 1, chegando, surpreendentemente, ao centro de imprensa de Mendoza, à noite, e dizendo que o Brasil era o "campeão moral" daquele Mundial. Estávamos fora da da final, devido aos suspeitos 6 x 0 impostos, pela Argentina, ao Peru, a conta certa de quanto os "hermanos" precisavam para irem à decisão do título, contra a Holanda – na foto, Nelinho, Lão, Oscar, Amnaral, Batista e Toninho Baiano, em pé, da esquerda para a direita; Gil, Zico, Roberto Dinamite, Dirceu e Toninho Cerezzo, agachados, na mesma ordem.
Realmente, era duro ter um time invicto, fazendo o mesmo número de pontos do campeão e ficando em terceiro lugar na XI Copa do Mundo. No futebol brasileiro, ser terceiro, ou último, é a mesma coisa. Tanto que nós, jornalistas que estávamos no Estádio de Nuñez, em Buenos Aires, só por obrigação de enviar notícias para os nossos veículos, fomos indiferentes quando Dirceu virou, para 2 x 1, o jogo que o Brasil perdia, no primeiro tempo, por 1 x 0.
Debaixo de um frio intenso, a Seleção Brasileira, usando camisas azuis, de mangas compridas, calções brancos e meios brancos, entrou no gramado do River Plate tão desmotivada que, nos inícios da partida, passou dois por sufocos: uma falta, na entrada da área, cobrada por Maldera, colocou Leão pra se virar e, no outro lance, Antognoni acertou a trave do lado direito de Leão, já batido no lance. Depois daquilo, brasileiros e italianos entraram na lentas troca de passes laterais. Quando nada, eles ainda arriscavam uns contra-ataques. E foi num deles, aos 38 minutos que Causio “matou”. Antognoni penetrou, pelas costas de Rodrigues Neto, cruzou a bola para a área, Leão e Oscar não subiram para interceptá-la e Cáusio só a escorou para a rede.
O gol nos descontrolou e animou os europeus, que resolveram atacar. Aos 40 minutos, em novo vacilo da nossa defesa, eles mandaram outra bola na trave, daquela vez, chutada por Causio. E, novamente, com Leão batido no lance. E teve mais. No finalzinho do primeiro tempo, Paolo Rossi entrou, em velocidade, na área brasileira, chutou em cima de Leão, Causio pegou o rebote, na corrida, e acertou o travessão.
No segundo tempo, o Brasil trocou Gil, por Reinaldo. Se era pra ganhar mais velocidade, não rolou, pois o mineirinho recuava, buscava jogo. Até parecia combinado. O adversário fazia o mesmo, recuando seus atacantes, para combaterem no meio do campo. Quando contra-atacavam, não chegavam. Assim, o Brasil dominou e reclamou um pênalti, aos 13 minutos, sofrido por Jorge Mendonça e ignorado pela arbitragem.
Enfim, aos 19 minutos, nos embalos do nosso maior volume de jogo, atacamos forte. A bola sobrou para o lateral-direito Nelinho que, do lado de fora da área italiana, deu dois passos com a bola e soltou um “foguete”, enviesado, sem chances defesa para Dino Zoff. Um golaço, dos mais bonitos da Copa-78. Como comemoramos! Mudamos de vida, após Rivelino, que passara quase todo o Mundial tratando de uma contusão, substituir Toninho Cerezzo. Chances de gol passaram a se oferecer para Roberto Dinamite, (foto) Jorge Mendonça e Dirceuzinho, e este não desperdiçou a surgida, aos 25 minutos. Riva trabalhou o lance, pela esquerda, a bola foi até Jorge Mendonça, que deu-lhe uma peitada, manando-a para o Dirceuzinho, que bateu, de primeira, à direita de Zoff: 2 x 1.
Jogo virado, os italianos resolveram ir atrás do empate. Mas a defesa brasileira estava bem àquela altura, ainda ajuda pelo meio-de-campo, no primeiro combate. Pintaram alguns lances violentos e cartões amarelos, para Nelinho, Batista, Getile e Sala. No mais, o Brasil ficou trocando passes, de um lado para o outro, comandado por Rivelino, enquanto os italianos, aos 35 minutos, com Maldera, deram seu único chute a gol, na etapa. Se bem que, no último lance do jogo, Bettega cabeceou uma bola que bateu na trave – felizmente! E foi assim que o Brasil saiu de campo (foto) campeã moral – jogou com: Leão; Nelinho, Oscar, Amaral e Rodrigues Neto; Cerezzo (Rivelino) Batista e Dirceu; Gil (Reinaldo), Roberto Dinamite e Jorge Mendonça. Os italianos foram: Zoff; Gentille, Cuccuredu, Scirhea e Cabrini; Maldera, Antognoni (Cláudio Sala) e Patrício Sala; Causio, Paolo Rossi e Bettega.
VESTIÁRIOS - Naquele tempo, como não eram muitos os jornalistas que cobriam as Copas do Mundo, terminado o jogo, fomos todos esperar por jogadores e comissão técnica á saída dos vestiários. Cláudio Coutinho, que esperava o jogo ir para a prorrogação, disse: ”Não me considero o principal responsável pelo terceiro lugar do Brasil neta Copa do Mundo. Sou, apenas, uma pequena peça na grande engrenagem formada por estes rapazes que tanto souberam dignificar a camisa que vestiram”.
De sua parte, Heleno Nunes, o presidente da então Confederação Brasileira de Desportos, antecessora da CBF, se dizia mais do que recompensado com o que a sua seleção apresentara naquela Copa, e mandava o aviso ao mundo: “Se cuidem, pois, com este mesmo time, em 1982, ninguém nos tirará o título”– paramos nesta mesma Itália, do "carrasco" Paolo Rossi.
Dirceuzinho, o melhor jogador brasileiro no Mundial, preferia desabafar. Dizia esperar que ninguém mais o considerasse uma “barata tonta”, mas, sim, “um jogador moderno”, e culpava o regulamento pela perda do “caneco”. Já o goleiro Leão acentuava que o Brasil saía invicto, com a defesa menos vazada. Assim como ele, que se dizia satisfeito com a classificação, o zagueiro Oscar falava o mesmo, na expectativa de “ser eleito um dos bons zagueiros da competição.
De todos os jogadores e membros da comissão técnica, foi o zagueiro Amaral quem teve o discurso mais coerente, após o “choro” e jogo contra a Itália. Para ele, de nada adiantaria fazer sete, oito gols nas semifinais, e nem culpar o regulamento. “O Brasil não foi finalista, simplesmente, porque não venceu a Argentina”, resumiu – 0 x 0, nas quartas-de-final.
TODOS OS RESULTADOS: Itália 2 x 1 França; Argentina 2 x 1 Hungria; Itália 3 x 1 Hungria; Argentina 2 x 1 França; Itália 1 x 0 Argentina; França 3 x 1 Hungria; Alemanha 0 x 0 Polônia; Tunísia 3 x 1 México; Polônia 1 x 0 Tunísia; Alemanha 6 x 0 México; Tunísia 0 x 0 Alemanha; Polônia 3 x 1 México; Brasil 1 x 1 Suécia; Áustria 2 x 1 Espanha; Áustria 1 x 0 Suécia; Brasil 0 x 0 Espanha; Brasil 1 x 0 Áustria; Espanha 1 x 0 Suécia; Holanda 3 x 0 Irã; Peru 3 x 1 Escócia; Holanda 0 x 0 Peru; Escócia 1 x 1 Irã; Escócia 3 x 2 Holanda; Peru 4 x 1 Irã; Itália 0 x 0 Alemanha; Holanda 5 x 1 Áustria; Alemanha 2 x 2 Holanda; Itália 1 x 0 Áustria; Holanda 2 x 1 Itália; Áustria 3 x 2 Alemanha; Brasil 3 x 0 Peru; Argentina 2 x 0 Polônia; Polônia 1 x 0 Peru; Argentina 0 x 0 Brasil; Brasil 3 x 1 Polônia; Argentina 6 x 0 Peru; Brasil 2 x 1 Itália e Argentina 3 x 1 Holanda.
CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1 - Argentina; 2 – Holanda; 3 – BRASIL; 4 – Itália; 5 – Polônia; 6 – Alemanha; 7 – Áustria; 8 – Peru; 9 – Tunísia; 10 – Espanha; 11 – Escócia; 12 – França; 13 – Suécia; 14 – Irã; 15 – Hungria e 16 – México.
terça-feira, 27 de abril de 2010
O ROMANCE (DO BRASIL) DA COPA DO MUNDO - 13
Maravilhosa Seleção Brasileira jogou demais, mas não levou.
O Brasil tirou a Bolívia e a Venezuela, nas Eliminatórias, para chegar ao Mundial de 1982, na Espanha, formou uma de suas melhores seleções, mas não chegou às semifinais. Assim como, em 1954, com a Hungria, e, em 1974, com a Holanda, a Copa do Mundo cometeu uma tremenda injustiça contra a Seleção Brasileira, que mostrou o mais bonito futebol daquela disputa.
O time campeão foi o da Itália, que começara a Copa vivendo um ambiente muito conturbado, vindo de quase sete meses sem vitórias e revelando brigas entre jogadores e imprensa de seu país, por causa de suas pífias apresentações contra Polônia (0 x 0), Peru (1 x 1) e Camarões (1 x 1). A classificação à segunda fase só saiu porque os italianos, com dois gols pró e dois contra, haviam marcados mais do que Camarões, que ficara em um gol pró e um contra.
A Copa-82, que inscreveu 107 candidatos para as Eliminatórias, passou a ter 24 seleções e novo regulamento: fase inicial com seis grupos de quatro, seguida de quatro grupos de três, com os dois melhores de cada chave preliminar. Dali sairiam quatro semifinalistas, que brigariam para irem à final.
BRASIL DIVINO – Telê Santana (na foto, entre Sócrates e Zico) dirigia o time canarinho desde abril de 1980. Até desembarcar na Espanha, havia vencido 24 vezes, empatado seis e perdido apenas duas. Por isso, seus jogadores levavam até excessivos otimismo e confiança. Mas, na estréia, em 14 de junho, diante da União Soviética, o que se viu foi frango do goleiro Waldir Peres e o árbitro espanhol Lamo Castillo deixando de marcar dois pênaltis, cometidos por Luisinho, do Atlético-MG. Isso sem falar que Serginho, do São Paulo, irritou os colegas, desperdiçando boas chances de gol.
Os soviéticos marcaram primeiro, aos 33 minutos, por intermédio de Bal. A Seleção Brasileira, no entanto, era muito boa e virou, para 2 x 1, no segundo tempo, com Sócrrates, aos 30, e Éder Aleixo, aos 43, este um belíssimo gol, um toquinho, por cobertura, quando todos esperavam o atacante desferir a sua conhecida “bomba”, de pé esquerdo.
O Brasil teve: Waldir Peres; Leandro, Oscar, Luisinho e Júnior; Falcão, Sócrates e Dirceu (Paulo Isidoro); Zico, Serginho e Éder. Os soviéticos, treinados por Konstantin Boskov, foram: Dassaev; Sulakvelidze, Chivadze, Baltacha e Demianenko; Shengeliza, Bessonov e Gavrilov (Suslopanov); Bal, Daraselija e Blokhin. O jogo, no Estádio Sanchez Pizjuan, em Sevilha, contou com 68 mil pagantes.
Passada estréia dos vacilos, quatro dias depois, no Estádio Benito Villamarin, na mesma Sevilha, o Brasil desenrolou-se e goleou a Escócia, por 4 x 1, diante de 47.379 pagantes. De novo, o time sofreu o primeiro gol, marcado por Narey, aos 18 minutos. Zico empatou, aos 33, para a grande virada acontecer no segundo tempo. Oscar, aos 3, Éder, aos 19, e Falcão, aos 41, completaram o serviço.
Seleção Brasileira: Waldir Peres; Leandro, Oscar, Luisinho e Júnior; Cerezzo, Falcão e Zico; Serginho (Paulo Isidoro), Sócrates e Éder. A Escócia, do técnico Jocik Stein, foi: Rough; Narey, Hansen, Gray e Miller; Hartford (McLeish), Wark e Souness; Archibald, Strachan (Dalglish) e Robertson.
Pra fechar a primeira fase, a Seleção fez 4 x 0 sobre a Nova Zelândia, cujos jogadores, depois do vareio de bola, saíram de campo chamando o Brasil de “campeon”. O jogo, em 23 de junho, foi no mesmo local do anterior, assistido por 43 mil pagantes e apitado pelo então iugoslavo Damar Matovinovic. Zico, aos 29 e aos 31 minutos do primeiro tempo; Falcão, aos 9, e Serginho, aos 25, da fase final, fizeram os estragos.
Brasil: Waldir Peres; Leandro, Oscar (Edinho), Luisinho e Júnior; Cerezzo, Falcão e Zico; Serginho (Paulo Isidoro), Sócrates e Éder. Nova Zelândia: Van Hattum; Dodds, Herbert, Elrick e Boath; Sumnner, McKay e Cresswell; Almond, Woodin e Rufer. Técnico: John Adshead.
Em 2 de julho, pela terceira vez seguida, em Mundiais, os brasileiros enfrentariam os argentinos. E foram para o gramado do Estádio Sarriá, em Barcelona, encarar o desfio, diante de 44 mil almas. Depois dos 2 x 1 de 1974 e do 0 x 0 de 1978, a Seleção fez 3 x 1 nos “hermanos”, com Diego Maradona dando vexame: expulso de campo. Foi uma bela exibição, com gols de Zico (foto), aos 12 minutos do primeiro tempo; Serginho, aos 22, e Júnior, aos 29 da segunda etapa. Ramon Diaz, aos 44, fez o tento de honra dos “albicelestes”, que preservavam como titulares oito remanescentes da Copa que ganharam, emcasa, em 1978.
Brasil: Waldire Peres; Leandro (Edevaldo), Oscar, Luisinho e Júnior; Cerezzo, Falcão e Zico (Batista); Serginho, Sócrates e Éder. Argentina; Fillol; Olguín, Galván, Passarella e Tarantini; Barbas, Calderon e Ardilles; Bertoni (Santamaría), Marradona e Kempes (Ramon Diaz). Técnico: Cesar Menotti. O árbitro do mairo clássico sul-americano foi o mexicano Rubio Vasquez.
A TRAGÉDIA DE SARRIÁ – Era o dia 5 de julho. O Brasil, inteiramente, favorito, diante de uns italianos que, duramente, só haviam vencido os argentinos, por 2 x 1. Enquanto a Azurra marcara quatro e sofrera três gols, o time de Telê esnobava um cartel de quatro vitórias, com 13 bolas nas redes dos adversários e três nas suas. Belíssimo saldo de 10 gols.
Cinco minutos depois de o árbitro israelense Abrahamn Klein apitar o início de jogo, Toninho Cerezzo, displicentemente, desatentamente, desnecessariamente, atrasou a bola para o meio da zaga canarinha. Paulo Rossi recebeu o presente e abriu o placar. Sócrates empatou, aos 12, colocando a casa em ordem. Por pouco tempo. Aos 25, Rossi voltou a marcar, e a Itália virou de tempo em vantagem. Foi duro para o Brasil "reempatar", a 22 minutos do final, num belo chute de Falcão. O empate ia nos classificando. Até que, numa falta a favor dos italianos, com bola sobre a nossa área, aos 30 minutos, a defesa brasileira voltou a errar e Paolo Rossi (foto) acabou com o sonho de uma maravilhosa geração: Itália 3 x 2. Os 44 mil pagantes saíram do estádio incrédulos.
Brasil: Waldir Peres; Leandro, Oscar, Luisinho e Júnior; Cerezzo, Falcão e Zico; Serginho (Paulo Isidoro), Sócrates e Éder. Itália; Dino Zoff; Gentile, Scirea, Collovati (Bergomi) e Cabrini; Tardelli (Marini) Antognoni e Orialli; Bruno Conti, Paolo Rossi e Graziani. Técnico: Enzo Bearzot.
TAÇA NA BOTA – Feito o inimaginável, eliminar o Brasil, a Itália tirou a Polônia, com 2 x 0, nas semifinais, com mais dois gols de Paolo Rossi. Finalmente, em 11 de julho, com 3 x 1 sobre a Alemanha, em partida apitada pelo brasileiro Arnaldo César Coelho, no Estádio Santiago Bernabeu, em Madrid, a Azurra mandou 3 x 1 pra cima doss alemães, com gols marcados por Paolo Rossi, Tardelli e Altobelli. Breitner, de pênalti, descontou para os vice-campeões.
Itália: Zoff; Gentile, Scirea, Colovatti e Cabrini; Bergomi, Tardelli e Orialli; Conti, Rossi e Graziani (Altobelli/Causio. Alemanha: Schumacher; Kaltz, Karl Forster, Bernd Foster e Breitner; Stielik, Dremmler (Hrubesch) e Briegel; Littbarski, Fischer e Rummenigge (Hansi Muller). Técnico: Jupp Derwall. O jogo, com 100 mil pagantes, marcou o tri da seleção italiana, que, ainda, teve Paolo Rossi como o principal artilheiro, com 6 gols, e o craque da Copa.
TODOS OS RESULTADOS: Itália 0 x 0 Polônia; Peru 0 x 0 Camarões; Itália 1 x 1 Peru; Polônia 0 x 0 Camarões; Polônia 5 x 1 Peru; Itália 1 x 1 Camarões; Alemanha 1 x 2 Argélia; Áustria 1 x 0 Chile; Alemanha 4 x 1 Chile; Áustria 2 x 0 Argélia; Argélia 3 x 2 Chile; Alemanha 1 x 0 Áustria; Bélgica 1 x 0 Argentina; Hungria 10 x 1 El Salvador; Argentina 4 x 1 Hungria; Bélgica 1 x 0 El Salvador; Hungria 1 x 1 Bélgica; Argentina 2 x 0 El Salvador; Inglaterra 3 x 1 França; Tcheco-Eslováquia 1 x 1 Kuwait; Inglaterra 2 x 0 Tcheco-Eslováquia; França 4 x 1 Kuwait; França 1 x 1 Tcheco-Eslováquia; Inglaterra 1 x 0 Kuwait; Espanha 1 x 1 Honduras; Iugoslávia 0 x 0 Irlanda do Norte; Espanha 2 x 1 Iugoslávia; Honduras 1 x 1 Irlanda do Norte; Honduras 0 x 1 Iugoslávia; Espanha 0 x 1 Irlanda do Norte; Brasil 2 x 1 União Soviética; Escócia 5 x 2 Nova Zelândia; Brasil 4 x 1 Escócia; União Soviética 3 x 0 Nova Zelândia; União Soviética 2 x 2 Escócia; Brasil 4 x 0 Nova Zelândia; Polônia 3 x 0 Bélgica; União Soviética 1 x 0 Bélgica; União Soviética 0 x o Polônia; Alemanha 0 x 0 Inglaterra; Alemanha 2 x 1 Espanha; Inglaterra 0 x 0 Espanha; Itália 2 x 1 Argentina; Brasil 3 x 1 Argentina; Itália 3 x 2 Brasil; França 1 x 0 Áustria; Irlanda do Norte 2 x 2 Áustria; França 4 x 1 Irlanda; Itália 2 x 0 Polônia; Alemanha 3 x 3 França (Pênaltis, Alemanha 8 x 7); Polônia 3 x 2 França e Itália 3 x 1 Alemanha.
CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1 – Itália; 2 – Alemanha; 3 – França; 4 – Polônia; 5 – BRASIL; 6 – Inglaterra; 7 – União Soviética; 8 – Áustria; 9 – Irlanda do Norte; 10 – Bélgica; 11 – Argentina; 12 – Espanha; 13 – Argélia; 14 – Hungria; 15 – Escócia; 16 – Iugoslávia; 17 – Camarões; 18 – Tcheco-Eslováquia; 19 – Honduras; 20 – Peru; 21 – Kuwait; 22 – Chile; 23 – Nova Zelândia e 24 – El Salvador.
O ROMANCE (DO BRASIL) DA COPA DO MUNDO-14
Em 1986, a segunda chance de Telê Santana
Jogar no El Campín, em Bogotá, a 2.600 metros de altitude, sempre fora difícil para a Seleção Brasileira. Naquele estádio, quando o Brasil enfrentou a Colômbia, por Eliminatórias da Copa, só havia vencido (2 x 0) em 1969, na “Era Pelé”. Em 1977 e em 1981, respectivamente, foram 0 x 0 e 1 x 1. Em 1985, num amistoso, a vitória foi deles, por 1 x 0. Naquele dia, 15 de maio, começava a cair o técnico Evaristo de Macedo, pois a Seleção Brasileira jamais havia perdido para a colombiana. E o treinador que não teve escapatória, seis dias depois, quando caiu, por 1 x 2, para o Chile, também, amistosamente, em Santiago, quando os anfitriões perderam uma boa oportunidade para dar uma goleada.
Os dois reveses levaram o então presidente da CBF, Giulite Coutinho, a derrubar Evaristo e substituí-lo por Telê Santana, de volta à Seleção, da qual se desligara, após a eliminação na Copa-82. Telê, que estava treinando o Al Ahli, da Arábia Saudita, ganhou uma licença, de 40 dias, e reestreou no comando do time canarinho, vencendo a Bolívia, por 2 x 0, em 2 de junho, pelas Eliminatórias. Dali até a estréia, na Copa-86, foram seis vitórias, três empates e duas derrotas.
Em sua segunda chance de ganhar uma Copa do Mundo, Telê viu a sua equipe sofrer para estrear vencendo a Espanha, por 1 x 0, em 1º de junho daquele 1986, com a ajuda do árbitro australiano Christopher Bambridge. Aos sete minutos do segundo tempo, o espanhol Michel mandou uma bomba que bateu no travessão e dentro do gol. Os 35.748 pagantes que estavam no Estádio Jalisco, em Guadalajara, viram. O árbitro, não. Contando com esta “mãozinha”, o Brasil fez 1 x 0, com Sócrates, 11 minutos depois.
O Brasil jogou com: Carlos; Édson Boaro, Júlio César, Edinho e Branco; Alemão, Elzo, Júnior (Falcão) e Sócrates; Careca e Casagrande (Müller). Espanha: Zubizarreta; Tomas, Moñoz, Goicoetxea e Camacho; Maceda, Michel Gonzalez e Javier Lopez (Señor); Butragueño, Moreno e Salinas. Técnico: Miguel Muñoz.
Cinco dias depois, diante de 48 mil testemunhas, o Brasil voltou a ter vitória difícil, pelo mesmo 1 x 0, sobre a Argélia, no mesmo estádio. A Seleção precisou de 76 minutos para o centroavante Careca achar o caminho do gol. Telê repetiu a escalação inicial e a substituição de Casagrande, por Müller) – Falcão entrou no lugar de Edson Boaro, por contusão do lateral-direito. A Argélia, do técnico Rabah Saddane, formou com: Drid; Medjadi, Said, Megharia e Mansouri; Guendouz, Assad (Bensaoula), Mabrouk e Menad; Belloumi (Djamel Zidane) e Rabah Madjer. O árbitro foi o guatemalteco Rômulo Mendez Molina.
O QUE PEGOU? – Antes da viagem para o México, a Seleção havia sofrido o abalo da recusa de Leandro em viajar, por sentir-se culpado pelo corte de Renato Gaúcho – os dois haviam pulado o muro da concentração, pra se divertirem na noite de Belo Horizonte, onde o time trabalhava. Mas o problema maior era o grande número de leões, sendo a principal a de Zico, quebrado pelo zagueiro Márcio Nunes, do Bangu e ainda tratando de um dos joelhos operado.
Com tantos fatos negativos, Telê testava um time a cada jogo-treino. Terminou com Oscar sendo barrado, por Júlio César, do Guarani de Campinas, e Falcão perdendo a vaga para o “brucutu” Elzo, do Atlético-MG. Do grupo de 1982, sobravam ainda Júnior, jogando no meio-de-campo, e Sócrates. No mais, a Seleção estava na mesma sede que jogara em 1970, em Guadalajara, e feito a adaptação, em Toluca, a 2,700 metros de altitude.
No terceiro jogo, em 12 de junho, o time continuou em Guadalajara, melhorou e mandou 3 x 0 na Irlanda do Norte, diante de 51 mil pagantes e com gols de Careca, aos 15 minutos do primeiro tempo e aos 43 do segundo, e do botafoguense Josimar, o substituto de Leandro, aos 41 da primeira etapa. A formação foi: Carlos; Josimar, Júlio César, Edinho e Branco; Alemão, Elzo, Júnior e Sócrates (Zico); Careca e Casagrande (Muller). Irlanda do Norte: Pat Jennings; Nicholl, McDonald, O´Neill e Donaghy; Campbel (Armstrong), McIllroy, McCreery e Stewart; Clarke e Whiteside (Hamilton). O treinador era Billy Bingham.
Animada pela melhora nas suas apresentações, se bem que diante de uma equipe fraca, a Seleção Brasielira de Telê Santana fez o seu grande jogo na Copa-86, goleando a Polônia, por 4 x 0, no mesmo estádio Jalisco, de Guadalajara. O jogo foi assistido por 45 mil pagantes e os gols foram marcados por Careca, aos 30 minutos do primeiro tempo e aos 38 do segundo, este em cobrança de pênalti, e por Josimar, aos 10, e Edinho, aos 34, ambos na da etapa final.– na foto ao lado, em pé,da esquerda para adireita: Sócrates, Elzo, Júlio César, Edinho, Branco e Carlos; agachdos, na mesma ordem: Nocaute Jack, massgista, Josimar, Müller, Júnior, Careca, Alemão e o rouperiro Ximbica.
Naquela partida, a formação do Brasil foi: Carlos; Josimar, Júlio César, Edinho e Branco; Alemão, Elzo, Júnior e Sócrates; Müller (Silas) e Careca. A Polônia mandou aogramdo : Mlynarczyk; Wojcicki, Przybys (Furtok), Majewski e Ostrowski; Tarasiewicz, Karas, Urban (Zmuda) e Dziekanowski; Boniek e Smolrek. Técnico: Antoni Piechniczek.

FIM DE LINHA – Em 21 de junho, no mesmo Estádio Jalisco, a Seleção de Telê Santana despediu-se da segunda Copa do México, eliminada, pela França, por 4 x 3, nas cobranças de pênaltis, após 1 x 1 no tempo regulamentar. A decepção foi diante de 65 mil pagantes, que viram o Brasil sair na frente do placar, aos 18 minutos, com o gol de Careca. Mas Michel Platini empatou, ainda no primeiro tempo, aos 42.
O desastre começou a acontecer aos 27 minutos do segundo tempo, quando Telê apostou em Zico, tirando Muller. Assim que entrou, o “Galinho” lançou Branco, que atacou e sofreu um pênalti (foto). Ainda frio, Zico bateu e o goleiro francês Joel Bats defendeu. Nas cobranças de penais, Sócrates e Júlio César erraram. Fim de linha para uma geração.
Brasil: Carlos: Josimar, Júlio César, Edinho e Branco; Alemão, Elzo, Júnior (Silas) e Sócrates: Müller (Zico) e Careca. França: Bats; Amoros, Tusseau, Bossis e Batiston; Giresse (Ferreri), Platini, Fernandez e Rocheteau (Bellone); Tigana e Stopyra. Técnico: Henri Michel. O árbitro foi o romeno Ioan Igna.
A COPA DE MARADONA – Quem se ligava a crendices, supertições, o motivo estava na cara. Para aqueles, “A Maldição da Copa”, que tirara os títulos dos Mundiais de 54, 74 e 82, respectivamente, de seleções maravilhosas, como as da Hungria, da Holanda e do Brasil, escolhera o México, para nova vítima.
Primeiramente, porque o Mundial número 13 seria pobre de craques – grandes nomes de Copas anteriores estavam em final de carreira ou já haviam parado – e um terremoto, há oito meses da abertura da disputa, colocava tudo em perigo.
A Copa do Mundo de número 13 seria na Colômbia, que não deu conta de realizá-la, por falta de condições financeiras e turbulências políticas. Da mesma forma, sem grana, o Brasil recusou promovê-la. Os Estados Unidos tentaram agarrá-a, mas a FIFA vetou, porque o Tio Sam não tinha tradição no futebol. Assim como os chilenos se recuperam de um terremoto, em 1962, e realizaram seu Mundial, os mexicanos, também, deram a volta por cima e fizeram a sua segunda edição do grande evento.
A Copa-86 foi a consagração de Diego Armando Maradona, que levou a seleção argentina a um indiscutível título. De tudo ele fez na competição. De gol de placa a tento ilegal, com uma mão, iludindo a arbitragem. Enfim, sobrou, excedeu.
A Argentina de Maradona estreou vencendo a Coreia do Sul, por 3 x 1. Fácil, fácil! Em seguida, empatou, por 1 x 1, com a Itália. E garantiu a passagem de fase, com 2 x 0 sobre a Bulgária. Nas oitavas-de-final, apertou-se pra fazer 1 x 0 em cima do Uruguai, mas barbarizou, nas quartas, com 2 x 1 contra a Inglaterra, no jogo em que Maradona apanhou a bola no meio do campo e passou por quase todo o time inglês, para fazer o gol. Nas semifinais, foram 2 x 0 na Bélgica e, na final, 3 x 2 para os alemães aplaudirem o talento sul-americano.
O time campeão jogou com: Pumpido; Cucciuffo, Ruggeri, Brown e Olarticoechea; Batista, Enrique, Giusti e Burruchaga; Maradona e Valdano. Técnico: Carlos Bilardo. Alemanha: Schumacher; Berthold, Eder, Foster e Brehme; Briegel, Jakobs, Lothar Matthaus e Magath; Allofs (Voller) e Rummenigge. Técnico: Franz Beckenbuer.
TODOS OS RESULTADOS: Itália 1 x 1 Bulgária; Argentina 3 x 1 Coreia do Sul; Itália 1 x 1 Argentina; Bulgária 1 x 1 Coreia do Sul; Itália 3 x 2 Coreia do Sul; Argentina 2 x 0 Bulgária; México 2 x 1 Bélgica; Paraguai 1 x 0 Iraque; México 1 x 1 Paraguai. Bélgica 2 x 1 Iraque; México 1 x 0 Iraque; Bélgica 2 x 2 Paraguai; França 1 x 0 Canadá; União Soviética 6 x 0 Hungria; França 1 x 1 União Soviética; Hungria 2 x 0 Canadá; França 3 x 0 Hungria; União Soviética 2 x 0 Canadá; Brasil 1 x 0 Espanha; Argélia 1 x 1 Irlanda do Norte; Brasil 1 x 0 Argélia; Espanha 2 x 1 Irlanda do Norte; Brasil 3 x 0 Irlanda do Norte; Espanha 3 x 0 Argélia; Alemanha 1 x 1 Uruguai; Dinamarca 1 x 0 Escócia; Alemanha 2 x 1 Escócia; Dinamarca 6 x 1 Uruguai; Dinamarca 2 x 0 Alemanha; Escócia 0 x 0 Uruguai; Polônia 0 x 0 Marrocos; Portugal 1 x 0 Inglaterra; Inglaterra 0 x 0 Marrocos; Polônia 1 x 0 Portugal; Inglaterra 3 x 0 Polônia; Marrocos 3 x 1 Portugal; México 2 x 0 Bulgária; Bélgica 4 x 3 União Soviética; Brasil 4 x 0 Polônia; Argentina 1 x 0 Uruguai; França 2 x 0 Itália; Alemanha 1 x 0 Marrocos; Inglaterra 3 x 0 Paraguai; Espanha 5 x 1 Dinamarca; França 1 x Brasil ( França 4 x 3 nos pênaltis); Alemanha 0 x 0 México (Alemanha 4 x 1 nos pênaltis); Argentina 2 x 1 Inglaterra; Bélgica 1 x 12 Espanha (Bélgica 5 x 4 nos pênaltis); Alemanha 2 x 0 França; Argentina 2 x 0 Bélgica; França 2 x 2 Bélgica (França 4 x 2 nos pênaltis) e Argentina 3 x 2 Alemanha.
CLSSIFICAÇÃO FINAL: 1 – Argentina; 2 – Alemanha; 3 – França; 4 – Bélgica; 5 – BRASIL; 6 – México; 7 – Espanha; 8 – Inglaterra; 9 – Dinamarca; 10 – União Soviética; 11 – Marrocos; 12 – Itália; 13 – Paraguai; 14 – Polônia; 15 – Bulgária; 16 – Uruguai; 17 – Portugal; 18 – Hungria; 19 – Escócia; 20 – Coréia do Sul; 21 - Irlanda do Norte; 22 – Argélia; 23 – Iraque; 24 – Canadá.
O ROMANCE (DO BRASIL) DA COPA DO MUNDO - 15
"Hermanos" mandam Seleção Brasileira pra casa. Alemães faturam.
A Copa do Mundo de 1990, novamente, na Itália, que já havia promovido a de 1934, foi o que se pode chamar de “Mundial da Retranca”. Os torcedores saíam dos estádios irritados com os placares de 0 x 0, 1 x 0 e 1 x 1. A metade do número total de jogos (52) não passou disso. Quando a imprensa criticou o defensivismo, foi muito citado ocaso da Argentina, a campeã da Copa anterior, que chegara à final, contra os alemães, empatando e vencendo nas decisões por pênaltis. Já os brasileiros! Que vexame (foto)
O segundo Mundial da Itália teve três seleções participando, pela primeira vez, da maior competição do futebol: Eire, Emirados Árabes e Costa Rica. Teve, também, a volta de quatro países que, de há muito, não disputavam a competição: Egito (1934), Estados Unidos (1950), Coréia do Sul (1954) e Colômbia (1962). Devido a queda do Muro de Berlim, com as suas respectivas implicações políticas, um ano antes, a Alemanha pôde contar com os atletas de sua antiga parte oriental, que formava a DDR-República Democrática Alemã, que disputa só o Mundial-1974. Mas iso não pesou na conquista.
Enquanto isso, a Seleção Brasileira fez uma de suas piores Copas. Terminou em nono lugar, atrás do Eire, se bem que tivesse vencido três jogos, enquanto aquele não ganhara nenhum. A péssima campanha pode ser atribuída ao pensamento do treinador Sebastião Lazaroni, que tirou a capacidade de improviso do jogador brasileiro, para enquadrá-lo em um sistema tático, tipicamente, europeu que abria espaço até para um líbero. O Brasil atuava com, apenas, dois atacantes. Se o 3-5-2 dera certo na conquista da Copa América, em 1989, em casa, após 40 anos de jejum, não funcionou na Itália.
ROLA A BOLA – A Seleção só pôde ter todos os convocados reunidos duas semanas antes da estréia. Como “nos melhores” anos de bagunça generalizada, Romário levou seu terapeuta particular, que não se encaixava bem com o médico Lídio Toledo; os empresários circulavam, livremente, pela concentração, na cidade de Gubbio, enchendo de sonhos milionárias as cabeças dos atletas, que estavam divididos em grupos, e havia uma excessiva preocupação com faturamento publicitário, além de pressões pela fixação do prêmio pela conquista.
Pra piorar, após jogos-treinos, contra equipes esquisitas, das terceira e da quarta divisões futebol italiano, o time de Lazaroni perdeu um desses preparativos, por 1 x 0, para um combinado da região da Úmbria, com um cara chamado Artistico fazendo o gol, em cobrança de falta, numa falha de Taffarel. Tava feia a coisa!
A estréia brasileira foi em 10 de junho, vencendo a Suécia, por 2 x 1, com dois gols de Careca – aos 40 minutos do primeiro tempo e aos 12 do segundo. Brolin, descontou, aos 33 –, mas a Seleção mostrou, de cara, que precisaria melhorar muito, se quisesse chegar ao título. Isso ficou evidente para 62.6728 pagantes do jogo apitado pelo italiano Túlio Lanese, no estádio Delle Alpi, em Turim.
Brasil: Taffarel; Mozer, Ricardo Gomes e Mauro Galvão; Jorginho, Dunga, Alemão, Valdo (Silas) e Branco; Careca e Muller. Suécia: Ravelli; Roland Nilsson, Larsson e Ljung (Strömberg); Schwarz, Ingesson, Limpar, Thern e Joaquim Nilson; Brolin e Magnusson (Peterson). Técnico: Olle Nordin.
Mesmo vencendo a fraca Suécia na estréia, o clima era pesado, para o segundo jogo, no mesmo estádio, em 16 de junho. Renato e Aldair reclamavam por estarem na reserva e Romário recusava-se, até mesmo, a sentar-se no banco com os demais companheiros. Resultado: Seleção penou para vencer a Costa Rica, por 1 x 0, com um gol de Muller, em chute que batera em Montero, aos 33 minutos do primeiro tempo. O jogo foi apitado pelo tunisiano Naji Jouini e teve 58.007 pagantes.
Brasil: Taffarel; Mozer, Ricardo Gomes e Mauro Galvão; Jorginho, Dunga, Alemão, Valdo (Silas) e Branco; Creca (Bebeto) e Muller. Costa Rica: Conejo; Marchena, Gonzalez, Montero e Chavez; Flores, Chavarria, Ramirez e Jara (Medford); Gómez e Cayasso (Alexandre Guimarães). Técnico: Bora Milutinovic.
Para o terceiro jogo, em 19 de junho – 1 x 0 sobre a Escócia, no Delle Alpi, com apito do austríaco Helmut Khol – o técnico Sebstião Lazaroni tirou Mozer e Muller, para lançar Ricardo Rocha e Romário. Mas, como este “reclamão” mostrava-se, inteiramente, sem ritmo de jogo, teve que ceder a sua vaga – aos 19 minutos da etapa final – a Müller que, quando nada, aproveitou uma sobra de bola dividida por Careca, com o goleiro escocês, para fazer o gol da vitória, faltando nove minutos para o final da partida. Outro “reclamão”, Renato Gaúcho, entrou, faltando sete minutos para o final da partida, no lugar do zagueiro Mauro Galvão.
Brasil: Taffarel; Ricardo Rocha, Ricardo Gomes e Mauro Galvão (Renato Gaúcho); Jorginho, Dunga, Alemão (Silas), Valdo e Branco; Careca e Romário (Müller). Escócia: Leighton; McKimmie, McPherson, McLeish e Malpas; Aitken, McLeod (Gillespie), McStay e McCall; McCoist (Fleck) e Johnston. Técnico: Alex Roxburg. O partida teve 61.381 pagantes.
ESTAÇÃO MARADONA – O fim de linha da Seleção na Copa-90 foi em 24 de junho, no mesmo Delle Alpi, na derrota, por 1 x 0, frente aos argentinos, apitada pelo francês Joel Quiniou. Por ironia do destino, naquele dia, o Brasil fazia a sua melhor apresentação no Mundial, perdendo gols e chutando bolas contra as traves dos “hermanos”.
Como quem não faz leva, aos 35 minutos do segundo tempo, Maradona apanhou a bola na intermediária, passou por Alemão e Dunga, e serviu Caniggia à esquerda da área brasileira. Enquanto Mauro Galvão trombava com Ricardo Gomes, que foi expulso do clássico sul-americano, Canigghia driblava Taffarel (foto) e mandava o Brasil de volta para casa: Argentina 1 x 0, após tantas discussões, dos canarinhos, por premiação.
Brasil: Taffarel; Ricardo Rocha, Ricardo Gomes e Mauro Galvão (Renato Gaúcho); Jorginho, Dunga, Alemão (Silas), Valdo e Branco: Careca e Muller. Argentina: Goycoechea; Basualdo, Simon, Monzon, Ruggeri e Olarticoechea; Giusti, Troglio (Calderon) e Burruchaga: Maradona e Caniggia. Técnico: Carlos Billardo. O jogo foi assistido por 61.381 pagantes.
TÍTULO ALEMÃO – Em 90, os alemães deram o troco aos argentinos, que haviam lhe vencido, na final anterior. Levou o seu terceiro título mundial, com um futebol ofensivo, diferente da maioria retranqueira. Seu destaque foi o atacante Lothar Matthaus, eleito o craque da Copa.
Comandados pelo treinador Franz Beckenbauer, na fase preliminar, os alemãs golearam Iugoslávia e Emirados Árabes, respectivamente, por 4 x 1 e 5 x 1, e empataram com a Colômbia:r 1 x 1. Nas oitavas-de-final, mandaram 2 x 1 na Holanda; nas quartas, 1 x 0 na Tcheco-Eslováquia e, nas semifinais, 5 x 4 sobre os ingleses, nas cobranças de pênaltis, após 1 x 1 no tempo normal. Na final, 1 x 0 em cima dos argentinos, com gol de Matthaus, cobrando pênalti, aos 40 minutos do segundo tempo, no Estádio Olímpico, de Roma, diante de 73.603 pagantes.
Alemanha: Ilgner; Berthold (Reuter), Kohler e Buchwald; Augenthaler, Hassler, Matthaus, Littbarski e Brehme; Voeller e Klinsmann. Argentina: Goycoechea; Basualdo, Simon, Ruggeri (Monzon), Lorenzo e Serrizuela; Sensini, Troglio e Burruchaga (Calderon); Maradona e Dezotti. Técnico: Carlos Bilardo. O árbitro foi o mexicano Edgardo Mendez Codesal.
TODOS OS RESULTADOS: Itália 1 x 0 Áustria; Tcheco-Eslováquia 5 x 1 Estados Unidos; Itália 1 x 0 Estados Unidos; Tcheco-Eslováquia 1 x 0 Áustria; Itália 2 x 0 Tcheco-Eslováquia; Áustria 2 x 1 Estados Unidos; Camarões 1 x 0 Argentina; Romênia 2 x 0 União Soviética; Argentina 2 x 0 União Soviética; Camarões 2 x 1 Romênia; União Soviética 4 x 0 Camarões; Argentina 1 x 1 Romênia; Brasil 2 x 1 Suécia; Costa Rica 1 x 0 Escócia; Brasil 1 x 0 Costa Rica; Escócia 2 x 1 Suécia; Brasil 1 x 0 Escócia; Costa Rica 2 x 1 Suécia; Colômbia 2 x 1 Emirados Árabes; Alemanha 4 x 1 Iugoslávia; Iugoslávia 1 x 0 Colômbia; Alemanha 5 x 1 Emirados Árabes; Alemanha 1 x 1 Colômbia; Bélgica 2 x 0 Coreia do Sul; Uruguai 0 x 0 Espanha; Bélgica 3 x 1 Uruguai; Espanha 3 x 1 Coreia do Sul; Espanha 2 x 1 Bélgica; Uruguai 1 x 0 Corei do Sul; Inglaterra 1 x 1 Eire; Holanda 1 x 1 Egito; Inglaterra 0 x 0 Holanda; Eire 0 x 0 Egito; Inglaterra 1 x 0 Egito; Holanda 1 x 1 Eire; Camarões 2 x 1 Colômbia; Tcheco-Eslováquia 4 x 1 Costa Rica; Brasil 0 x 1 Argentina; Alemanha 2 x 0 Holanda; Eire 0 x 0 Romênia (Eire 5 x 4 nos pênaltis); It´=alia 2 x 0 Uruguai; Iugoslávia 2 x 1 Espanha; Inglaterra 1 x 0 Bélgica; Argentina 0 x 0 Iugoslávia (Argentina 3 x 0 nos pênaltis); Itália 1 x 0 Eire; Alemanha 1 x 0 Tcheco-Eslováquia; Inglaterra 3 x 2 Camarões; Argentina 1 x 1 Itália (Argentina 5 x 4 nos pênaltis); Alemanha 1 x 1 Inglaterra (Alemanha 5 x 4 nos pênaltis); Itália 2 x 1 Inglaterra e Alemanha 1 x 0 Argentina.
CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1 – Alemanha; 2 – Argentina; 3 – Itália; 4 – Inglaterra; 5 – Iugoslávia; 6 – Tcheco-Eslováquia; 7 – Camarões; 8 – Eire; 9 – BRASIL; 10 – Espanha; 11 – Bélgica; 12 – Romênia; 13 – Costa Rica; 14 – Colômbia; 15 – Holanda; 16 – Uruguai; 17 – União Soviética; 18 – Áustria; 19 – Escócia: 20 – Egito; 21 – Suécia; 22 – Coreia do Sul; 23 – Estados Unidos; 24 – Emirados Árabes.
A Copa do Mundo de 1990, novamente, na Itália, que já havia promovido a de 1934, foi o que se pode chamar de “Mundial da Retranca”. Os torcedores saíam dos estádios irritados com os placares de 0 x 0, 1 x 0 e 1 x 1. A metade do número total de jogos (52) não passou disso. Quando a imprensa criticou o defensivismo, foi muito citado ocaso da Argentina, a campeã da Copa anterior, que chegara à final, contra os alemães, empatando e vencendo nas decisões por pênaltis. Já os brasileiros! Que vexame (foto)
O segundo Mundial da Itália teve três seleções participando, pela primeira vez, da maior competição do futebol: Eire, Emirados Árabes e Costa Rica. Teve, também, a volta de quatro países que, de há muito, não disputavam a competição: Egito (1934), Estados Unidos (1950), Coréia do Sul (1954) e Colômbia (1962). Devido a queda do Muro de Berlim, com as suas respectivas implicações políticas, um ano antes, a Alemanha pôde contar com os atletas de sua antiga parte oriental, que formava a DDR-República Democrática Alemã, que disputa só o Mundial-1974. Mas iso não pesou na conquista.
Enquanto isso, a Seleção Brasileira fez uma de suas piores Copas. Terminou em nono lugar, atrás do Eire, se bem que tivesse vencido três jogos, enquanto aquele não ganhara nenhum. A péssima campanha pode ser atribuída ao pensamento do treinador Sebastião Lazaroni, que tirou a capacidade de improviso do jogador brasileiro, para enquadrá-lo em um sistema tático, tipicamente, europeu que abria espaço até para um líbero. O Brasil atuava com, apenas, dois atacantes. Se o 3-5-2 dera certo na conquista da Copa América, em 1989, em casa, após 40 anos de jejum, não funcionou na Itália.
ROLA A BOLA – A Seleção só pôde ter todos os convocados reunidos duas semanas antes da estréia. Como “nos melhores” anos de bagunça generalizada, Romário levou seu terapeuta particular, que não se encaixava bem com o médico Lídio Toledo; os empresários circulavam, livremente, pela concentração, na cidade de Gubbio, enchendo de sonhos milionárias as cabeças dos atletas, que estavam divididos em grupos, e havia uma excessiva preocupação com faturamento publicitário, além de pressões pela fixação do prêmio pela conquista.
Pra piorar, após jogos-treinos, contra equipes esquisitas, das terceira e da quarta divisões futebol italiano, o time de Lazaroni perdeu um desses preparativos, por 1 x 0, para um combinado da região da Úmbria, com um cara chamado Artistico fazendo o gol, em cobrança de falta, numa falha de Taffarel. Tava feia a coisa!
A estréia brasileira foi em 10 de junho, vencendo a Suécia, por 2 x 1, com dois gols de Careca – aos 40 minutos do primeiro tempo e aos 12 do segundo. Brolin, descontou, aos 33 –, mas a Seleção mostrou, de cara, que precisaria melhorar muito, se quisesse chegar ao título. Isso ficou evidente para 62.6728 pagantes do jogo apitado pelo italiano Túlio Lanese, no estádio Delle Alpi, em Turim.
Brasil: Taffarel; Mozer, Ricardo Gomes e Mauro Galvão; Jorginho, Dunga, Alemão, Valdo (Silas) e Branco; Careca e Muller. Suécia: Ravelli; Roland Nilsson, Larsson e Ljung (Strömberg); Schwarz, Ingesson, Limpar, Thern e Joaquim Nilson; Brolin e Magnusson (Peterson). Técnico: Olle Nordin.
Mesmo vencendo a fraca Suécia na estréia, o clima era pesado, para o segundo jogo, no mesmo estádio, em 16 de junho. Renato e Aldair reclamavam por estarem na reserva e Romário recusava-se, até mesmo, a sentar-se no banco com os demais companheiros. Resultado: Seleção penou para vencer a Costa Rica, por 1 x 0, com um gol de Muller, em chute que batera em Montero, aos 33 minutos do primeiro tempo. O jogo foi apitado pelo tunisiano Naji Jouini e teve 58.007 pagantes.
Brasil: Taffarel; Mozer, Ricardo Gomes e Mauro Galvão; Jorginho, Dunga, Alemão, Valdo (Silas) e Branco; Creca (Bebeto) e Muller. Costa Rica: Conejo; Marchena, Gonzalez, Montero e Chavez; Flores, Chavarria, Ramirez e Jara (Medford); Gómez e Cayasso (Alexandre Guimarães). Técnico: Bora Milutinovic.
Para o terceiro jogo, em 19 de junho – 1 x 0 sobre a Escócia, no Delle Alpi, com apito do austríaco Helmut Khol – o técnico Sebstião Lazaroni tirou Mozer e Muller, para lançar Ricardo Rocha e Romário. Mas, como este “reclamão” mostrava-se, inteiramente, sem ritmo de jogo, teve que ceder a sua vaga – aos 19 minutos da etapa final – a Müller que, quando nada, aproveitou uma sobra de bola dividida por Careca, com o goleiro escocês, para fazer o gol da vitória, faltando nove minutos para o final da partida. Outro “reclamão”, Renato Gaúcho, entrou, faltando sete minutos para o final da partida, no lugar do zagueiro Mauro Galvão.
Brasil: Taffarel; Ricardo Rocha, Ricardo Gomes e Mauro Galvão (Renato Gaúcho); Jorginho, Dunga, Alemão (Silas), Valdo e Branco; Careca e Romário (Müller). Escócia: Leighton; McKimmie, McPherson, McLeish e Malpas; Aitken, McLeod (Gillespie), McStay e McCall; McCoist (Fleck) e Johnston. Técnico: Alex Roxburg. O partida teve 61.381 pagantes.
ESTAÇÃO MARADONA – O fim de linha da Seleção na Copa-90 foi em 24 de junho, no mesmo Delle Alpi, na derrota, por 1 x 0, frente aos argentinos, apitada pelo francês Joel Quiniou. Por ironia do destino, naquele dia, o Brasil fazia a sua melhor apresentação no Mundial, perdendo gols e chutando bolas contra as traves dos “hermanos”.
Como quem não faz leva, aos 35 minutos do segundo tempo, Maradona apanhou a bola na intermediária, passou por Alemão e Dunga, e serviu Caniggia à esquerda da área brasileira. Enquanto Mauro Galvão trombava com Ricardo Gomes, que foi expulso do clássico sul-americano, Canigghia driblava Taffarel (foto) e mandava o Brasil de volta para casa: Argentina 1 x 0, após tantas discussões, dos canarinhos, por premiação.
Brasil: Taffarel; Ricardo Rocha, Ricardo Gomes e Mauro Galvão (Renato Gaúcho); Jorginho, Dunga, Alemão (Silas), Valdo e Branco: Careca e Muller. Argentina: Goycoechea; Basualdo, Simon, Monzon, Ruggeri e Olarticoechea; Giusti, Troglio (Calderon) e Burruchaga: Maradona e Caniggia. Técnico: Carlos Billardo. O jogo foi assistido por 61.381 pagantes.
TÍTULO ALEMÃO – Em 90, os alemães deram o troco aos argentinos, que haviam lhe vencido, na final anterior. Levou o seu terceiro título mundial, com um futebol ofensivo, diferente da maioria retranqueira. Seu destaque foi o atacante Lothar Matthaus, eleito o craque da Copa.
Comandados pelo treinador Franz Beckenbauer, na fase preliminar, os alemãs golearam Iugoslávia e Emirados Árabes, respectivamente, por 4 x 1 e 5 x 1, e empataram com a Colômbia:r 1 x 1. Nas oitavas-de-final, mandaram 2 x 1 na Holanda; nas quartas, 1 x 0 na Tcheco-Eslováquia e, nas semifinais, 5 x 4 sobre os ingleses, nas cobranças de pênaltis, após 1 x 1 no tempo normal. Na final, 1 x 0 em cima dos argentinos, com gol de Matthaus, cobrando pênalti, aos 40 minutos do segundo tempo, no Estádio Olímpico, de Roma, diante de 73.603 pagantes.
Alemanha: Ilgner; Berthold (Reuter), Kohler e Buchwald; Augenthaler, Hassler, Matthaus, Littbarski e Brehme; Voeller e Klinsmann. Argentina: Goycoechea; Basualdo, Simon, Ruggeri (Monzon), Lorenzo e Serrizuela; Sensini, Troglio e Burruchaga (Calderon); Maradona e Dezotti. Técnico: Carlos Bilardo. O árbitro foi o mexicano Edgardo Mendez Codesal.
TODOS OS RESULTADOS: Itália 1 x 0 Áustria; Tcheco-Eslováquia 5 x 1 Estados Unidos; Itália 1 x 0 Estados Unidos; Tcheco-Eslováquia 1 x 0 Áustria; Itália 2 x 0 Tcheco-Eslováquia; Áustria 2 x 1 Estados Unidos; Camarões 1 x 0 Argentina; Romênia 2 x 0 União Soviética; Argentina 2 x 0 União Soviética; Camarões 2 x 1 Romênia; União Soviética 4 x 0 Camarões; Argentina 1 x 1 Romênia; Brasil 2 x 1 Suécia; Costa Rica 1 x 0 Escócia; Brasil 1 x 0 Costa Rica; Escócia 2 x 1 Suécia; Brasil 1 x 0 Escócia; Costa Rica 2 x 1 Suécia; Colômbia 2 x 1 Emirados Árabes; Alemanha 4 x 1 Iugoslávia; Iugoslávia 1 x 0 Colômbia; Alemanha 5 x 1 Emirados Árabes; Alemanha 1 x 1 Colômbia; Bélgica 2 x 0 Coreia do Sul; Uruguai 0 x 0 Espanha; Bélgica 3 x 1 Uruguai; Espanha 3 x 1 Coreia do Sul; Espanha 2 x 1 Bélgica; Uruguai 1 x 0 Corei do Sul; Inglaterra 1 x 1 Eire; Holanda 1 x 1 Egito; Inglaterra 0 x 0 Holanda; Eire 0 x 0 Egito; Inglaterra 1 x 0 Egito; Holanda 1 x 1 Eire; Camarões 2 x 1 Colômbia; Tcheco-Eslováquia 4 x 1 Costa Rica; Brasil 0 x 1 Argentina; Alemanha 2 x 0 Holanda; Eire 0 x 0 Romênia (Eire 5 x 4 nos pênaltis); It´=alia 2 x 0 Uruguai; Iugoslávia 2 x 1 Espanha; Inglaterra 1 x 0 Bélgica; Argentina 0 x 0 Iugoslávia (Argentina 3 x 0 nos pênaltis); Itália 1 x 0 Eire; Alemanha 1 x 0 Tcheco-Eslováquia; Inglaterra 3 x 2 Camarões; Argentina 1 x 1 Itália (Argentina 5 x 4 nos pênaltis); Alemanha 1 x 1 Inglaterra (Alemanha 5 x 4 nos pênaltis); Itália 2 x 1 Inglaterra e Alemanha 1 x 0 Argentina.
CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1 – Alemanha; 2 – Argentina; 3 – Itália; 4 – Inglaterra; 5 – Iugoslávia; 6 – Tcheco-Eslováquia; 7 – Camarões; 8 – Eire; 9 – BRASIL; 10 – Espanha; 11 – Bélgica; 12 – Romênia; 13 – Costa Rica; 14 – Colômbia; 15 – Holanda; 16 – Uruguai; 17 – União Soviética; 18 – Áustria; 19 – Escócia: 20 – Egito; 21 – Suécia; 22 – Coreia do Sul; 23 – Estados Unidos; 24 – Emirados Árabes.
O ROMANCE (DO BRASIL) DA COPA DO MUNDO – 16
Na terra do Tio Sam, em 1994, um baixinho carregou o caneco
Ninguém botava fé que os Estados Unidos pudessem promover um grande Mundial de futebol. Simplesmente, porque o país era visto sem tradição na modalidade, mesmo tendo se filado à FIFA, nove anos após a criação da entidade e participado da primeira Copa do Mundo, em 1930, no Uruguai. O que induzia se pensar assim era o fato de 13% da população norte-mericana não saber o que iria ocorrer por lá, há pouco mais de dois meses do início da competição.
Para tornar a Copa-94 mais atraente, mudou-se algumas regras. Os goleiros foram proibidos de segurar, com as mãos, as bolas recuadas, e premiou-se, com três pontos, os vencedores na primeira fase. Ajudou bastante. A média de gols por partida chegou a 2,71, perdendo só para a das Copa do Chile, em 1962, e da Inglaterra, em 1966, foi de 2, 78. No Mundial de 1990, na Itália, havia sido de 2,21.
O público presente aos estádios foi outra nota positiva. A melhor média, até então, era a do Mundial de 1950, no Brasil, com 47.511 presentes, por jogo – 1.045.246 assistentes, no total. Nos Estados Unidos, foram 68.604 almas por partida – total de 3.567.15 torcedores. Mas o Mundial teve uma nota muito triste: Diego Armando Maradona foram apanhado no exame antidoping e banido da disputa.

À SOMBRA DE PARREIRA – Carlos Alberto Parreira foi o treinador da Seleção Brasileira do tetra, que aparece, na foto ao lado, formando com Taffarel, Jorginho, Aldair, Mauro ssilva, Márcio Santos e Branco, em pé, da esquerda, para a direita; Mazinho, Romário, Dunga, Bebeto e Zinho, agachados, na mesma ordem. Tendo Mário Jorge Lobo Zagallo por auxiliar-técnico, ele assumiu o cargo, em 30 de outubro de 1991, vencendo a Iugoslávia, por 3 x 1, e prometendo futebol ofensivo. Mas o discurso começou a mudar durante as Eliminatórias, quando os canarinhos andaram nas “recuetas” da Copa de 1990.
No meio do caminho, Parreira andou perto de perder o emprego, devido a derrota, por 2 x 0, para a Bolívia, em La Paz, a primeira na história da Seleção. E só convocou Romário depois que a TV mostrou os gols belíssimos gols que o atacante vinha marcando, pelo espanhol Barcelona. O "Baixinho" passou a ser clamor nacional. Até então, não era convocado, por conta de um desentendimento com Zagallo.
Poucos dias antes de começar a campanha do tetra, o zagueiro Ricardo Gomes machucou-se, foi cortado e Márcio Santos virou titular. Durante a estréia brasileira na Copa do Tio Sam, em 20 de junho, no Estádio Stanford, em San Francisco, contra a Rússia – a União Soviética se fragmentara, em 1992, em 14 países –, Ricardo Rocha, também, se machucou. Entrou Aldair. Durante o jogo, Parreira já tinha uma nova zaga.
O Brasil começou vencendo os russos, por 2 x 0. Aos 26 minutos do primeiro tempo, Bebeto cobrou escanteio, Romário antecipou-se ao zagueiro Gorlukovich e abriu o placar. No segundo tempo, depois de os canarinhos terem reclamados a não marcação de dois pênaltis, finalmente, o árbitro Lim Kee Chong, das Ilhas Maurício, marcou um, sofrido por Romário, derrubado, dentro da área, por Ternavski. Raí cobrou e fechou o placar, aos 7 minutos. O jogo foi assistido por 81.061 pagantes.
BRASIL: Taffarel; Jorginho, Ricardo Rocha (Aldair) Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, Dunga, Raí (Mülller) e Zinho (Paulo Sérgio); Bebeto e Romário. RÚSSIA: Kharin; Gorlukovich, Ternavski, Nikiforov Kunznetsov; Khelestov, Karpin, Piatniski e Tsymbalar; Radchenko (Borodiuk) e Yuran (Salenko). Técnico: Pavel Sadryn.
CAMARÕES NA PANELA – Quatro dias depois, no mesmo estádio, o Brasil aumentou seu público – 83.401 pagantes – e o placar: 3 x 0. A nova vítima foi Camarões, no jogo apitado pelo mexicano Arturo Brizio Carter. Contanto com o jogador mais velho a atuar numa Copa do Mundo, Roger Milla, de 42anos, a seleção de Camarões não era forte, como em 1990, e seus jogadores não batiam bem com o técnico francês Henri Michel. Dunga não queria saber daquilo. Aos 39 minutos, enfiou um passe, de trivela, para Romário vencer Mbouh e Song e mandar na rede.
No segundo tempo, o zagueiro Márcio Santos, complementou cruzamento, de Jorginho, aos 21 minutos, aumentando a fatura, que foi encerrada, aos 28, quando Romário driblou Nkongo, chutou mal e Bebeto conservou o restante.
BRASIL: Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, Dunga, Raí (Müller) e Zinho (Paulo Sérgio); Bebeto e Romário. CAMARÕES: Bell; Tataw, Agbo, Song e Kalla; Foé, Libiih, Mbouh Mfede (Kessak); Biyick e Embé (Roger Milla).
PEQUENO TROPEÇO – Em 28 de junho, a Seleção saiu de San Francisco, para empatar, por 1 x 1, com a Suécia, no Pontiac Silverdome, em Detroit, diante de 77.217 pagantes, em jogo apitado pelo húngaro Sandro Puhl. Foi a primeira partida de um Mundial em estádio coberto.
Pela primeira vez, os canarinhos ficavam atrás no placar. Aos 23 minutos do primeiro tempo, Kennet Anderson balançou a rede de Taffarel, com um chute de curva. Romário empatou, de bicuda, aos 2 minutos do segundo tempo, depois de tabelar com Zinho. Enquanto isso, no outro jogo do grupo, os russos mandavam 6 x 1 em Camarões, com 5 gols de Salenko, o recorde das Copas do Mundo.
BBRSIL: Taffarel: Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, (Mazinho), Dunga, Raí (Paulo Sérgio) e Zinho; Bebeto e Romário. SUÉCIA: Raveli; Roland Nilsson, Patrik Andersson, Kamark e Ljung; Schwarz, Thern, Ingesson e Brolin; Larsson e Kennet Anderson. Técnico: Tommy Svensson.
PANCADA NO DONO DA CASA – Literalmente! Os Estados Unidos apanharam na bola e numa cotovelada, desferida, por Leonardo, sobre Tab Ramos, o que valeu ao canarinho a suspensão pelo restante do Mundial. O esquisito no lance foi que Ramos, ao sair, de maca, com o osso parietal esquerdo fraturado, recebeu o cartão amarelo, por ter seguro o brasileiro, no lance da pancadaria.
Naquele dia, a Seleção Brasileira estava de volta ao Stanford Stadium, em San Francisco, para encarar os donos da festa, os Estados Unidos, em 4 de julho, a data nacional deles. A turma do Tio Sam jogou, nitidamente, para decidir a classificação nos pênaltis. Romário teve um gol anulado, erradamente, aos 8 minutos do segundo tempo, quando o árbitro francês Joel Quiniou viu um impedimento no lance.
Sempre superior, mesmo com um homem a menos, a Seleção de Parreira chegou à vitória, com o gol marcado por Bebeto, aos 27 minutos do segundo tempo. Cafu, que substituíra Zinho e jogava pela esquerda – ele era lateral-direito, reserva de Joginho – serviu Mazinho, que lançou Romário, que livrou-se de Dooley e lançou Bebeto, pela direita da área norte-americana. O baiano bateu rasteiro, à direita do goleiro: 1 x 0 e Brasil a três vitórias do título que não conquistava, há 24 anos.
BRASIL: Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho (Cafu); Bebeto e Romário. ESTADOS UNIDOS: Meola; Clavijo, Lalas, Balboa e Caligiuri; Dooley, Sorber, Tab Ramos e Hugo Perez; Cobi Jones e Stewart. Técnico: Bora Milutinovic. O público foi de 84.147 pagantes.
LARANJA DESCASCADA – Em 9 de julho, o Brasil devolveu à Holanda, a derrota sofrida na Copa de 1974, na Alemanha. Mandou 3 x 2, no Cotton Bowl, em Dallas, em jogo apitado pelo costa-riquenho Rodrigo Bdilla e assistido por 63.500 pagantes.
Sem o suspenso Leonardo, Parreira mandou o substituto Branco tomar conta do perigoso Overmars e recuou Dunga, para qualquer eventualidade. E, assim, os gols só saíram no segundo tempo. Aos 8minutos, o zagueiro Aldir esticou um passe, para Bebeto, pela esquerda. O “ baianinho chorão” lançou Romário,que mandou na rede: 1 x 0. O segundo gol brasileiro foi polêmico e gerou cobrança, do adversário, ao árbitro. Aos 18 minutos, o goleiro holandês, De Goej, deu um chutão, para a frente. Branco, de cabeça, rebateu a bola, que caiu entre Romário, em impedimento, e Bebeto, que dominou o lance, driblou o goleiro (foto) e aumentou: 2 x 0. Depois, saiu “embalando o neném”, em homenagem ao filho Mateus, nascido quando ele já havia viajado.
Um minuto depois do gol, a defesa brasileira bobeou e Holanda diminuiu, com Bergkamp. Pra piorar, ao 31, Winter empatou. O tento da vitória da Seleção, que jogava de azul, saiu aos 36. Branco avançou e foi imprensado, perto da área, por Jonk e Winter. Ele mesmo cobrou a falta, com a bola passando entre Romário e Valckx, para cair no canto esquerdo inferior da trave holandesa: 3 x 2.
BRASIL: Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco (Cafu); Mauro Silva, Dunga, Mazinho (Raí) e Zinho; Bebeto e Romário. HOLANDA: De Goej; Valckx, Koeman, Rijkaard (Ronald De Boer); Winter, Wouters, Jonk, e Witschge; Overmars, Bergkamp e Van Vossen (Roy). Técnico: Dick Advocaat.
DE NOVO, OS SUECOS – Do Cotton Bowl, em Dallas, para o Rose Bowl, em Los Angeles. Era 13 de julho e o Brasil "reenfrentava" a Suécia. Agora, valia vaga na final. Os suecos, que vinham de uma prorrogação, com a Romênia, foram bombardeados, por 26 chutes brasileiros, e jamais tiveram o domínio do jogo, no qual deram só três chutes a gol. Romário teve três boas chances de gol, mas este só saiu aos 35 minutos do segundo tempo. E de forma esquisita. Jorginho jogou a bola, pelo alto, na área. Romário, com 10 centímetros a menos do que Roland Nilsson, cabeceou para as redes: 1 x 0 e fim de papo. Brasil na final.
A semifinal foi assistida pore 91.856 almas e apitada pelo colombiano Torres Cadena. O Brasil foi: Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco; Mauro Silva, Dunga, Mazinho (Raí) e Zinho; Bebeto e Romário. A Suécia, do técnico Tommy Svensson, alinhou: Ravelli; Nilsson; Patrik Andersson, Bjorkblund e Ljung; Thern, Mild, Ingesson e Brolin; Dalhlin (Rehn) e Kennet Andersson.
TETRA NOS PÊNALTIS – Foi o primeiro Mundial decidido nos pênaltis. No tempo normal de jogo, enquanto os italianos tiveram quatro chutes ao gol, o Brasil fez 18. Num deles, de Mauro Silva, a bola escapou do goleiro Pagliuca e bateu no seu poste direito,que mereceu um beijo do camisa 1 da Azurra. Em outro lance perigoso, Cafu cruzou, para a pequena área, e Romário errou a conclusão. E ficou nisso.
Vieram as cobranças de pênaltis. Franco Baresi abriu série, chutando por cima da trave. Pra compensar, Márcio Santos permitiu a defesa de Pagliuca. Em seguida, Albertini, Romário, Evani e Branco acertaram as suas batidas. Massaro chutou para a defesa de Taffarel; Dunga conferiu e Roberto Baggio encerrou a Copa, mandando a bola pra fora, muito alta. Brasil 3 x 2 e taça levantada pelo capitão Dunga (foto).
BRASIL: Taffarel; Jorginho (Cafu), Aldair, Márcio Santos e Branco; Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho (Viola); Bebeto e Romário. ITÁLIA: Pagliuca; Benarrivo, Mussi (Apolloni), Baresi e Paolo Maldini; Albertini, Dino Baggio (Evani), Berti e Donadoni; Roberto Baggio e Massaro. Técnico: Arigo Saschi. Árbitro: Sandro Puhl, da Hungria. Público: 94.194 pagantes.
TODOS OS RESULTADOS: Estados Unidos 1 x 1 Suíça; Colômbia 1 x 3 Romênia; Romênia 1 x 4 Suíça; Estados Unidos 2 x 1 Colômbia; Estados Unidos 0 x 1 Romênia; Suíça 0 x 2 Colômbia; Camarões 2 x 2 Suécia; Brasil 2 x 0 Rússia; Brasil 3 x 0 Camarões; Suécia 3 x 1 Rússia; Brasil 1 x 1 Suécia; Rússia 6 x 1 Camarões; Alemanha 1 x 0 Bolívia; Espanha 2 x 2 Coreia do Sul; Alemanha 1 x 1 Espanha; Coreia do Sul 0 x 0 Bolívia; Alemanha 3 x 2 Coreia do Sul; Bolívia 1 x 3 Espanha; Argentina 4 x 0 Grécia; Nigéria 3 x 0 Bulgária; Argentina 2 x 1 Nigéria; Bulgária 4 x 0 Grécia; Argentina 0 x 2 Bulgária; Grécia 0 x 2 Nigéria; Itália 0 x 1 Eire; Noruega 1 x 0 México; Itália 1 x 0 Noruega; México 2 x 1 Eire; Itália 1 x 1 México; Eire 0 x 0 Noruega; Bélgica 1 x 0 Marrocos; Holanda 2 x 1 Arábia Saudita; Bélgica 1 x 0 Holanda; Arábia Saudita 2 x 1 Marrocos; Bélgica 0 x 1 Arábia Saudita; Marrocos 1 x 2 Holanda; Alemanha 3 x 2 Bélgica; Espanha 3 x 0 Suíça; Arábia Saudita 1 x 3 Suécia; Romênia 3 x 2 Argentina; Holanda 2 x 0 Eire; Brasil 1 x 0 Estados Unidos; Nigéria 1 x 2 Itália: México 1 x 1 Bulgária (Bulgária 3 x 1 nos pênaltis); Itália 2 x 1 Espanha; Holanda 2 x 3 Brasil; Bulgária 2 x 1 Alemanha; Romênia 2 x 2 Suécia (Suécia 5 x 4 nos pênaltis); Bulgária 1 x 2 Itália; Suécia 0 x 1 Brasil; Suécia 4 x 0 Bulgária e Brasil 0 x 0 Itália (Brasil 3 x 2 nos pânaltis).
CLSSIFICAÇÃO FINAL; 1 - BRASIL; 2 – Itália; 3 – Suécia; 4 – Bulgária; 5 – Alemanha; 6 – Romênia; 7 – Holanda; 8 – Espanha; 9 – Nigéria; 10 – Argentina; 11 – Bélgica; 12 – Arábia Saudita; 13 – México; 14 – Estados Unidos; 15 – Suíça; 16 – Eire; 17 – Noruega; 18 – Rússia; 19 – Colômbia; 20 – Coréia do Sul; 21 – Bolívia; 22 – Camarões; 23 – Marrocos; 24 – Grécia.
Ninguém botava fé que os Estados Unidos pudessem promover um grande Mundial de futebol. Simplesmente, porque o país era visto sem tradição na modalidade, mesmo tendo se filado à FIFA, nove anos após a criação da entidade e participado da primeira Copa do Mundo, em 1930, no Uruguai. O que induzia se pensar assim era o fato de 13% da população norte-mericana não saber o que iria ocorrer por lá, há pouco mais de dois meses do início da competição.
Para tornar a Copa-94 mais atraente, mudou-se algumas regras. Os goleiros foram proibidos de segurar, com as mãos, as bolas recuadas, e premiou-se, com três pontos, os vencedores na primeira fase. Ajudou bastante. A média de gols por partida chegou a 2,71, perdendo só para a das Copa do Chile, em 1962, e da Inglaterra, em 1966, foi de 2, 78. No Mundial de 1990, na Itália, havia sido de 2,21.
O público presente aos estádios foi outra nota positiva. A melhor média, até então, era a do Mundial de 1950, no Brasil, com 47.511 presentes, por jogo – 1.045.246 assistentes, no total. Nos Estados Unidos, foram 68.604 almas por partida – total de 3.567.15 torcedores. Mas o Mundial teve uma nota muito triste: Diego Armando Maradona foram apanhado no exame antidoping e banido da disputa.

À SOMBRA DE PARREIRA – Carlos Alberto Parreira foi o treinador da Seleção Brasileira do tetra, que aparece, na foto ao lado, formando com Taffarel, Jorginho, Aldair, Mauro ssilva, Márcio Santos e Branco, em pé, da esquerda, para a direita; Mazinho, Romário, Dunga, Bebeto e Zinho, agachados, na mesma ordem. Tendo Mário Jorge Lobo Zagallo por auxiliar-técnico, ele assumiu o cargo, em 30 de outubro de 1991, vencendo a Iugoslávia, por 3 x 1, e prometendo futebol ofensivo. Mas o discurso começou a mudar durante as Eliminatórias, quando os canarinhos andaram nas “recuetas” da Copa de 1990.
No meio do caminho, Parreira andou perto de perder o emprego, devido a derrota, por 2 x 0, para a Bolívia, em La Paz, a primeira na história da Seleção. E só convocou Romário depois que a TV mostrou os gols belíssimos gols que o atacante vinha marcando, pelo espanhol Barcelona. O "Baixinho" passou a ser clamor nacional. Até então, não era convocado, por conta de um desentendimento com Zagallo.
Poucos dias antes de começar a campanha do tetra, o zagueiro Ricardo Gomes machucou-se, foi cortado e Márcio Santos virou titular. Durante a estréia brasileira na Copa do Tio Sam, em 20 de junho, no Estádio Stanford, em San Francisco, contra a Rússia – a União Soviética se fragmentara, em 1992, em 14 países –, Ricardo Rocha, também, se machucou. Entrou Aldair. Durante o jogo, Parreira já tinha uma nova zaga.
O Brasil começou vencendo os russos, por 2 x 0. Aos 26 minutos do primeiro tempo, Bebeto cobrou escanteio, Romário antecipou-se ao zagueiro Gorlukovich e abriu o placar. No segundo tempo, depois de os canarinhos terem reclamados a não marcação de dois pênaltis, finalmente, o árbitro Lim Kee Chong, das Ilhas Maurício, marcou um, sofrido por Romário, derrubado, dentro da área, por Ternavski. Raí cobrou e fechou o placar, aos 7 minutos. O jogo foi assistido por 81.061 pagantes.
BRASIL: Taffarel; Jorginho, Ricardo Rocha (Aldair) Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, Dunga, Raí (Mülller) e Zinho (Paulo Sérgio); Bebeto e Romário. RÚSSIA: Kharin; Gorlukovich, Ternavski, Nikiforov Kunznetsov; Khelestov, Karpin, Piatniski e Tsymbalar; Radchenko (Borodiuk) e Yuran (Salenko). Técnico: Pavel Sadryn.
CAMARÕES NA PANELA – Quatro dias depois, no mesmo estádio, o Brasil aumentou seu público – 83.401 pagantes – e o placar: 3 x 0. A nova vítima foi Camarões, no jogo apitado pelo mexicano Arturo Brizio Carter. Contanto com o jogador mais velho a atuar numa Copa do Mundo, Roger Milla, de 42anos, a seleção de Camarões não era forte, como em 1990, e seus jogadores não batiam bem com o técnico francês Henri Michel. Dunga não queria saber daquilo. Aos 39 minutos, enfiou um passe, de trivela, para Romário vencer Mbouh e Song e mandar na rede.
No segundo tempo, o zagueiro Márcio Santos, complementou cruzamento, de Jorginho, aos 21 minutos, aumentando a fatura, que foi encerrada, aos 28, quando Romário driblou Nkongo, chutou mal e Bebeto conservou o restante.
BRASIL: Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, Dunga, Raí (Müller) e Zinho (Paulo Sérgio); Bebeto e Romário. CAMARÕES: Bell; Tataw, Agbo, Song e Kalla; Foé, Libiih, Mbouh Mfede (Kessak); Biyick e Embé (Roger Milla).
PEQUENO TROPEÇO – Em 28 de junho, a Seleção saiu de San Francisco, para empatar, por 1 x 1, com a Suécia, no Pontiac Silverdome, em Detroit, diante de 77.217 pagantes, em jogo apitado pelo húngaro Sandro Puhl. Foi a primeira partida de um Mundial em estádio coberto.
Pela primeira vez, os canarinhos ficavam atrás no placar. Aos 23 minutos do primeiro tempo, Kennet Anderson balançou a rede de Taffarel, com um chute de curva. Romário empatou, de bicuda, aos 2 minutos do segundo tempo, depois de tabelar com Zinho. Enquanto isso, no outro jogo do grupo, os russos mandavam 6 x 1 em Camarões, com 5 gols de Salenko, o recorde das Copas do Mundo.
BBRSIL: Taffarel: Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, (Mazinho), Dunga, Raí (Paulo Sérgio) e Zinho; Bebeto e Romário. SUÉCIA: Raveli; Roland Nilsson, Patrik Andersson, Kamark e Ljung; Schwarz, Thern, Ingesson e Brolin; Larsson e Kennet Anderson. Técnico: Tommy Svensson.
PANCADA NO DONO DA CASA – Literalmente! Os Estados Unidos apanharam na bola e numa cotovelada, desferida, por Leonardo, sobre Tab Ramos, o que valeu ao canarinho a suspensão pelo restante do Mundial. O esquisito no lance foi que Ramos, ao sair, de maca, com o osso parietal esquerdo fraturado, recebeu o cartão amarelo, por ter seguro o brasileiro, no lance da pancadaria.
Naquele dia, a Seleção Brasileira estava de volta ao Stanford Stadium, em San Francisco, para encarar os donos da festa, os Estados Unidos, em 4 de julho, a data nacional deles. A turma do Tio Sam jogou, nitidamente, para decidir a classificação nos pênaltis. Romário teve um gol anulado, erradamente, aos 8 minutos do segundo tempo, quando o árbitro francês Joel Quiniou viu um impedimento no lance.
Sempre superior, mesmo com um homem a menos, a Seleção de Parreira chegou à vitória, com o gol marcado por Bebeto, aos 27 minutos do segundo tempo. Cafu, que substituíra Zinho e jogava pela esquerda – ele era lateral-direito, reserva de Joginho – serviu Mazinho, que lançou Romário, que livrou-se de Dooley e lançou Bebeto, pela direita da área norte-americana. O baiano bateu rasteiro, à direita do goleiro: 1 x 0 e Brasil a três vitórias do título que não conquistava, há 24 anos.
BRASIL: Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho (Cafu); Bebeto e Romário. ESTADOS UNIDOS: Meola; Clavijo, Lalas, Balboa e Caligiuri; Dooley, Sorber, Tab Ramos e Hugo Perez; Cobi Jones e Stewart. Técnico: Bora Milutinovic. O público foi de 84.147 pagantes.
LARANJA DESCASCADA – Em 9 de julho, o Brasil devolveu à Holanda, a derrota sofrida na Copa de 1974, na Alemanha. Mandou 3 x 2, no Cotton Bowl, em Dallas, em jogo apitado pelo costa-riquenho Rodrigo Bdilla e assistido por 63.500 pagantes.
Sem o suspenso Leonardo, Parreira mandou o substituto Branco tomar conta do perigoso Overmars e recuou Dunga, para qualquer eventualidade. E, assim, os gols só saíram no segundo tempo. Aos 8minutos, o zagueiro Aldir esticou um passe, para Bebeto, pela esquerda. O “ baianinho chorão” lançou Romário,que mandou na rede: 1 x 0. O segundo gol brasileiro foi polêmico e gerou cobrança, do adversário, ao árbitro. Aos 18 minutos, o goleiro holandês, De Goej, deu um chutão, para a frente. Branco, de cabeça, rebateu a bola, que caiu entre Romário, em impedimento, e Bebeto, que dominou o lance, driblou o goleiro (foto) e aumentou: 2 x 0. Depois, saiu “embalando o neném”, em homenagem ao filho Mateus, nascido quando ele já havia viajado.
Um minuto depois do gol, a defesa brasileira bobeou e Holanda diminuiu, com Bergkamp. Pra piorar, ao 31, Winter empatou. O tento da vitória da Seleção, que jogava de azul, saiu aos 36. Branco avançou e foi imprensado, perto da área, por Jonk e Winter. Ele mesmo cobrou a falta, com a bola passando entre Romário e Valckx, para cair no canto esquerdo inferior da trave holandesa: 3 x 2.
BRASIL: Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco (Cafu); Mauro Silva, Dunga, Mazinho (Raí) e Zinho; Bebeto e Romário. HOLANDA: De Goej; Valckx, Koeman, Rijkaard (Ronald De Boer); Winter, Wouters, Jonk, e Witschge; Overmars, Bergkamp e Van Vossen (Roy). Técnico: Dick Advocaat.
DE NOVO, OS SUECOS – Do Cotton Bowl, em Dallas, para o Rose Bowl, em Los Angeles. Era 13 de julho e o Brasil "reenfrentava" a Suécia. Agora, valia vaga na final. Os suecos, que vinham de uma prorrogação, com a Romênia, foram bombardeados, por 26 chutes brasileiros, e jamais tiveram o domínio do jogo, no qual deram só três chutes a gol. Romário teve três boas chances de gol, mas este só saiu aos 35 minutos do segundo tempo. E de forma esquisita. Jorginho jogou a bola, pelo alto, na área. Romário, com 10 centímetros a menos do que Roland Nilsson, cabeceou para as redes: 1 x 0 e fim de papo. Brasil na final.
A semifinal foi assistida pore 91.856 almas e apitada pelo colombiano Torres Cadena. O Brasil foi: Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco; Mauro Silva, Dunga, Mazinho (Raí) e Zinho; Bebeto e Romário. A Suécia, do técnico Tommy Svensson, alinhou: Ravelli; Nilsson; Patrik Andersson, Bjorkblund e Ljung; Thern, Mild, Ingesson e Brolin; Dalhlin (Rehn) e Kennet Andersson.
TETRA NOS PÊNALTIS – Foi o primeiro Mundial decidido nos pênaltis. No tempo normal de jogo, enquanto os italianos tiveram quatro chutes ao gol, o Brasil fez 18. Num deles, de Mauro Silva, a bola escapou do goleiro Pagliuca e bateu no seu poste direito,que mereceu um beijo do camisa 1 da Azurra. Em outro lance perigoso, Cafu cruzou, para a pequena área, e Romário errou a conclusão. E ficou nisso.
Vieram as cobranças de pênaltis. Franco Baresi abriu série, chutando por cima da trave. Pra compensar, Márcio Santos permitiu a defesa de Pagliuca. Em seguida, Albertini, Romário, Evani e Branco acertaram as suas batidas. Massaro chutou para a defesa de Taffarel; Dunga conferiu e Roberto Baggio encerrou a Copa, mandando a bola pra fora, muito alta. Brasil 3 x 2 e taça levantada pelo capitão Dunga (foto).
BRASIL: Taffarel; Jorginho (Cafu), Aldair, Márcio Santos e Branco; Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho (Viola); Bebeto e Romário. ITÁLIA: Pagliuca; Benarrivo, Mussi (Apolloni), Baresi e Paolo Maldini; Albertini, Dino Baggio (Evani), Berti e Donadoni; Roberto Baggio e Massaro. Técnico: Arigo Saschi. Árbitro: Sandro Puhl, da Hungria. Público: 94.194 pagantes.
TODOS OS RESULTADOS: Estados Unidos 1 x 1 Suíça; Colômbia 1 x 3 Romênia; Romênia 1 x 4 Suíça; Estados Unidos 2 x 1 Colômbia; Estados Unidos 0 x 1 Romênia; Suíça 0 x 2 Colômbia; Camarões 2 x 2 Suécia; Brasil 2 x 0 Rússia; Brasil 3 x 0 Camarões; Suécia 3 x 1 Rússia; Brasil 1 x 1 Suécia; Rússia 6 x 1 Camarões; Alemanha 1 x 0 Bolívia; Espanha 2 x 2 Coreia do Sul; Alemanha 1 x 1 Espanha; Coreia do Sul 0 x 0 Bolívia; Alemanha 3 x 2 Coreia do Sul; Bolívia 1 x 3 Espanha; Argentina 4 x 0 Grécia; Nigéria 3 x 0 Bulgária; Argentina 2 x 1 Nigéria; Bulgária 4 x 0 Grécia; Argentina 0 x 2 Bulgária; Grécia 0 x 2 Nigéria; Itália 0 x 1 Eire; Noruega 1 x 0 México; Itália 1 x 0 Noruega; México 2 x 1 Eire; Itália 1 x 1 México; Eire 0 x 0 Noruega; Bélgica 1 x 0 Marrocos; Holanda 2 x 1 Arábia Saudita; Bélgica 1 x 0 Holanda; Arábia Saudita 2 x 1 Marrocos; Bélgica 0 x 1 Arábia Saudita; Marrocos 1 x 2 Holanda; Alemanha 3 x 2 Bélgica; Espanha 3 x 0 Suíça; Arábia Saudita 1 x 3 Suécia; Romênia 3 x 2 Argentina; Holanda 2 x 0 Eire; Brasil 1 x 0 Estados Unidos; Nigéria 1 x 2 Itália: México 1 x 1 Bulgária (Bulgária 3 x 1 nos pênaltis); Itália 2 x 1 Espanha; Holanda 2 x 3 Brasil; Bulgária 2 x 1 Alemanha; Romênia 2 x 2 Suécia (Suécia 5 x 4 nos pênaltis); Bulgária 1 x 2 Itália; Suécia 0 x 1 Brasil; Suécia 4 x 0 Bulgária e Brasil 0 x 0 Itália (Brasil 3 x 2 nos pânaltis).
CLSSIFICAÇÃO FINAL; 1 - BRASIL; 2 – Itália; 3 – Suécia; 4 – Bulgária; 5 – Alemanha; 6 – Romênia; 7 – Holanda; 8 – Espanha; 9 – Nigéria; 10 – Argentina; 11 – Bélgica; 12 – Arábia Saudita; 13 – México; 14 – Estados Unidos; 15 – Suíça; 16 – Eire; 17 – Noruega; 18 – Rússia; 19 – Colômbia; 20 – Coréia do Sul; 21 – Bolívia; 22 – Camarões; 23 – Marrocos; 24 – Grécia.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
O ROMANCE (DO BRASIL) DA COPA DO MUNDO - 17
Ronaldo sobre apagão na final de 1998 e a França levanta caneco.
Foi o segundo Mundial promovido pela França – o primeiro havia sido em 1938, vencido pela Itália – e o primeiro com 32 seleções. Para as Eliminatórias, se inscreveram 168 países, dos 193 filiados à FIFA. Em 10 de junho, mantendo Zagallo como treinador, o Brasil abria a disputa, com vitória, por 2 x 1, sobre a Escócia, em jogo apitada pelo espanhol José Maria García Aranda.
O primeiro gol canarinho foi de César Sampaio, aos 4 minutos, “ombreando” um escanteio cobrado por Bebeto. Já que não deu com a cabeça...! Aos 38, César Sampaio fez pênalti, em Gallacher, Collins cobrou e empatou. No segundo tempo, aos 23, Boyd, contra, deu a vitória aos canarinhos. Foi um gol esquisito. Dunga lançou Cafu, que dividiu a bola com o goleiro Leighton. A sobra bateu em Boyd e entrou.
A partida, assistida por 80 mil pagantes, marcou a estréia de Ronaldo “Fenômeno” em uma Copa do Mundo, substituindo Romário, que fora cortado nas vésperas da competição, devido a problemas na coxa direita. Herói da Copa-94, o Baixinho chorava muito, comovendo todo o Brasil.
A Seleção, treinada por Zagallo, formou com: Taffarel; Cafu, Júnior Baiano (foto), Aldair e Roberto Carlos; César Sampaio, Dunga, Rivaldo e Giovanni (Leonardo); Bebeto (Denílson) e Ronaldo. Escócia: Leighton; Burley, Calderwood, Hendry e Boyd; Lambert, Coillins, Dailly (McKinlay) e Jackson; Gallacher e Durie. Técnico: Craig Brown.
PRA LÁ DE MARRAKESH – A Seleção de Zagallo descansou seis dias, para mandar 3 x 0 no Marrocos. O jogo, no estádio Le Beaujoire, em, Nantes, teve 33.266 pagantes e apito com o russo Nikolai Levinikov.
Quem abriu a contagem foi o “Fenômeno”, aos 9 minutos, lançado, por Rivaldo. Ele chutou, de direita, de fora da área, em sua primeira balançada de rede em Copas do Mundo. Mesmo com a abertura da porteira, o capitão Dunga estava “pra lá de Marrakesh”. Desferiu uma cabeçada, em Bebeto, porque este não ajudara na marcação, durante uma falta cobrada pelos marroquinos. Mas o baiano teve participação no segundo gol, lançando Cafu, que cruzou, rasteiro, para Rivaldo ampliar o marcador, aos 49, ainda, da primeira etapa. No segundo tempo, aos 5 minutos, Bebeto fechou o placar, depois de uma roubada de bola, por Ronaldo.
Brasil: Taffarel; Cafu, Júnior Baiano, Aldair e Roberto Carlos; César Sampaio (Doriva), Dunga, Rivaldo (Denílson) e Leonardo; Bebeto (Edmundo) e Ronaldo. Marrocos: Benzekri; Saber (Abrami), Rossi e Naybet; El Hadrioiu, Bassir, Chiba (Amzine), Tahar e Chippo; Hadda (El Khattabi) e Hadji. Técnico: Henri Michel.
O MAU BAIANO – Em 23 de junho, quando a Bahia está em festa, comemorando o dia de São João, o zagueiro Júnior Baiano cometeu uma das maiores barbaridades da Copa: puxou o norueguês Tore André Flo, pela camisa, dentro da área. Rekdal cobrou, aos 33 minutos do segundo tempo, o penal que deu a vitória à Noruega, por 2 x 1.
Cinco minutos antes daquela pixotada, Júnior Baiano já havia sido vencido, pelo mesmo Tore André Flo, no lance em que o norueguês empatara a partida, cujo placar for aberto, por Bebeto, aos 23 minutos da mesma etapa final, cabeceando cruzamento de Denílson. Mas a derrota não tivera nenhuma importância, tendo em vista que o Brasil já estava classificado, em primeiro lugar, no seu grupo, já que os demais jogos haviam terminados em empates.
O jogo foi assistido por 55 mil pagantes, apitado pelo norte-americano Esfandiar Baharmast e realizado no Vélodrome, de Marselha, local onde a Seleção Brasileira jogara a semifinal da Copa de 38.
Brasil: Taffarel; Cafu, Júnior Baiano, Gonçalves e Roberto Carlos; Dunga, Leonardo, Denílson e Rivaldo; Bebeto e Ronaldo. Noruega: Grodaas; Berg, Eggen, Johnsen, Bjornebye e Havard Flo (Solskjaer); Leonhardsen, Rekdal e Strand (Mykland); Riseth (Jostein Flo) e Tore André Flo. Técnico: Egil Olsen.
MATOU A PAU – O Brasil havia perdido, relativamente, pouco, em 71 jogos disputados por Copas do Mundo – 1 x 2 Iugolsávia, em 1930; 1 x 3 Espanha, em 1934; 1 x 2 Itália, em 1938; 1 x 2 Uruguai, em 1950; 2 x 4 Hungria, em 1954; 1 x 3 Hungria e 1 x 3 Portugal, em 1966; 0 x 2 Holanda e 0 x 1 Polônia,e m 1974; 2 x 3 Itália, em 1982, e 0 x 1 Argentina, em 1990. A derrota para os noruegueses ficara atravessada na garganta. Quem “pagou o pato” foram os chilenos.
Em 27 de junho, no Parc des Prince, em Paris, diante de 8.500 pagantes, a Seleção goleou o Chile, por 4 x 1. César Sampaio marcou dois gols – aos 11 e aos 27 minutos do primeiro tempo – e Ronaldo mais dois – aos 47 do primeiro, cobrando pênalti, que ele mesmo sofreras, e aos 25 da fase final. Marcelo Salas, aos 23 da parte final, fez o gol de honra dos chilenos. A vaga estava garantida nas quartas-de-final.
Brasil: Taffarel; Cafu, Júnior Baiano, Aldair (Gonçalves) e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio, Rivaldo e Leonardo; Bebeto (Denílson) e Ronaldo. Chile: Tapia; Fuentes, Margas, Reyes e Ramirez (Estay); Aros, Cornejo, Acuña (Musrri) e Sierra (Vega); Zamorano e Salas. Técnico: Nelson Acosta. O árbitro foi o francês Marc Batta.
DURO DE MATAR – Julho chegou, com uma difícil vitória brasileira, no dia 3, por 3 x 2 sobre a Dinamarca, no Le Beaujoire, em Nantes, diante de 35.500 pagantes e apito do egípcio Gamal Ghandour.
Os dinamarqueses mostraram, logo, aos 2 minutos, que iriam complicar. A defesas brasileira cochilou, durante cobrança de falta, e Jorgensen não perdoou. Aos 11, porém, Bebeto empatou, ao receber passe do “Fenômeno”, e, aos 27, Rivaldo desempatou, colocando a casa em ordem.
O que nenhum torcedor brasileiro imaginava, no segundo tempo, era que Roberto Carlos, com 5 minutos de bola rolando, fosse experimentar uma “bicicleta de pneu furado”. Isso mesmo! Tentou tirar a bola da área, esnobando classe, mas errou e deu o gol para Brian Laudrup empatar e comemorar fazendo a pose da Pequena Sereia, o símbolo do seu país. Aos 15, Rivaldo marcou o gol da vitória e saiu beijando sua aliança.
Brasil: Taffarel; Cafu, Júnior Baiano, Aldair e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio, Rivaldo (Zé Roberto) e Leonardo; Bebeto (Denílson) e Ronaldo. Dinamarca: Schmeichel; Rieper, Hog, Heintze e Colding; Jorgensen, Helveg (Schjonberg), Nielsen (Tofting) e Michel Laudrup; Brian Laudrup e Moller (Sand). Técnico: Bo Johansson.
SÃO TAFFAREL – O estádio era o Vélodrome, de Marselha. O árbitro, Ali Bujsaim, dos Emirados Árabes Unidos. A assistência de 54 mil pagantes e o milagre do goleiro Cláudio André Mergen Taffarel. Ele salvou um chamado “gol certo”, de Kluivert, no último minuto da partida em que Brasil e Holanda terminaram empatados, por 1 x 1. Como ninguém mexeu no placar, na prorrogação, Taffarel defendeu dois pênaltis, na decisão da vaga, cobrados por Cocu e por Ronaldo de Boer – Frank de Boer e Bergcamp converteram as deles. Pelo Brasil, Ronaldo, Rivaldo, Emerson e Dunga finalizaram placar em 4 x 2.
Brasil: Taffarel; Zé Carlos, Júnior Baiano, Aldair e Roberto Carlos; César Sampaio, Dunga, Rivaldo e Leonardo (Emerson); Bebeto (Denílson) e Ronaldo. Holanda: Van der Sar; Reiziger (Winter), Stan, Frank de Boer e Cocu; Ronald de Boer, Jonk (Seedorf), Davids e Bergkamp; Zenden (Van Hooijdonk) e Kluivert. Técnico: Guus Hiddink.
O APAGÃO DE RONALDO – Na tarde (pelo horário da França) que antecedeu à final, Ronaldo teve uma convulsão, enquanto dormia, na concentração brsileira, no castelo de Lésigny. Acordou sentido dores pelo corpo e até temeu pela sua vida. O fato nunca foi esclarecido. Surgiram várias vertentes e uma delas dizia respeito a um mar de pressões sobre ele, nos meses que antecederam à Copa, culminando com o citado acima.
Levado a uma clínica, Ronaldo voltou dizendo ao técnico Zagallo que se sentia bem e que queria jogar. Às 19h48, quando a escalação da Seleção Brasileira foi divulgada, os franceses acharam que era “jogada” do adversário, para confundi-los. Havia o nome de Edmundo na vaga do Fenômeno. Às 20h18, uma nova escalação era divulgada, com Ronaldo (foto).
A bola rolou e a Seleção de Zagallo parecia sem rumo. Em seis minutos, os franceses haviam criado duas boas chances de gol. O Brasil só assustou, aos 21, quando Ronaldo cruzou e o goleiro francês Barthez se virou para salvar o tento. Aos 27, Roberto Carlos cedeu um escanteio, irresponsável. Petit cobrou, Zidane antecipou-se à Leonardo e marcou, de cabeça, o que jamais fizera pela seleção francesa. No final do primeiro tempo, a França perdeu outro gol, mas, durante uma nova cobrança de escanteio, Zidane voltou a marcar, com cabeçada, chegando na bola primeiro do que Dunga. Tava feia a coisa.
Veio segundo tempo e o Brasil só teve uma chance de gol, com Ronaldo chutando, de cima, e Barthez defendendo. Pra compensar, os franceses, também, desperdiçaram uma boa chance, depois, com Dugrry. Mas mataram o jogo, aos 47, com Petit finalizando um contraataque. Era a primeira vez que o Brasil perdia por três gols de diferença em uma Copa do Mundo.
Para os franceses, não interessa se a Seleção canarinha “não entrou em campo”, na decisão. Eles foram campeões incontestáveis. Só engancharam nos italianos, empatando, poor 0 x 0, para vencê-los nas cobranças de pênaltis, por 4 x 3. No mais, mandou 3 x 0 na África do Sul; 4 x 0 na Arábia Saudita; 2 x 1 na Dinamarca e 1 x 0 no Paraguai, além dos 3 x 0 no Brasil.
França 3 x 0 Brasil foi apitado pelo marroquino Said Belqola e assistido por 75 mil pagantes, no Stade de France, em Saint-Denis, nos arredores de Paris. O Brasil foi: Taffarel; Cafu, Júnior Baiano, Aldair e Roberto Carlos; César Sampaio (Edmundo), Dunga, Rivaldo e Leonardo (Denílson); Bebeto e Ronaldo. França: Barthez; Thuram, Leboeuf, Desaily e Lizarazu; Karembeu (Borghossian), Deschamps, Petit e Zidane; Djorkaef (Vieira) e Guivarc´h (Dugarry). Tpecnico: Aimé Jacquet.
TODOS OS RESULTADOS: Brasil 2 x 1 Escócia; Marrocos 2 x 2 Noruega; Escócia 1 x 1 Noruega; Brasil 3 x 0 Marrocos; Escócia 0 x 3 Marrocos; Noruega 2 x 1 Brasil; Itália 2 x 2 Chile; Camarões 1 x 1 Áustria; Chile 1 x 1 Áustria; Itália 3 x 0 Camarões; Itália 2 x 1 Áustria; Chile 1 x 1 Camarões; Arábia Saudita 0 x 1 Dinamarca; França 3 x 0 África do Sul; África do Sul 1 x 1 Dinamarca; França 4 x 0 Arábia Saudita; França 2 x 1 Dinamarca; África do Sul 2 x 2 Arábia Saudita; Paraguai 0 x 0 Bulgária; Espanha 2 x 3 Nigéria; Nigéria 1 x 0 Bulgária; Espanha 0 x 0 Paraguai; Espanha 6 x 1 Bulgária; Nigéria 1 x 3 Paraguai; Coréia do Sul 1 x 3LMéxico; Holanda 0 x 0 Bélgica; Bélgica 2 x 2 México; Holanda 5 x 0 Coreia do Sul; Bélgica 1 x 1 Coreia do Sul; Holanda 2 x 2 México; Iugoslávia 1 x 0 Irã; Alemanha 2 x 0 Estados Unidos; Alemanha 2 x 2 Iugoslávia; Estados Unidos 1 x 2 Irã; Alemanha 2 x 0 Irã; Estados Unidos 0 x 1 Iugoslávia; Inglaterra 2 x 0 Tunísia; Romênia 1 x 0 Colômbia; Colômbia 1 x 0 Tunísia; Romênia 2 x 1 Inglaterra; Romênia 1 x 1 Tunísia; Colômbia 2 x 0 Inglaterra; Argentina 1 x 0 Japão; Jamaica 1 x 3 Croácia; Japão 0 x 1 Croácia; Argentina 5 x 0 Jamaica; Japão 1 x 2 Jamaica; Argentina 1 x 0 Croácia; Holanda 2 x 1 Iugoslávia; Inglaterra 2 x 2 Argentina; Brasil 4 x 1 Chile; Nigéria 1 x 4 Dinamarca; Noruega 0 x 1 Itália; França 1 x 0 Paraguai; México 1 x 2 Alemanha; Romênia 1 x 0 Croácia; Holanda 2 x 0 Argentina; Brasil 3 x 2 Dinamarca; Itália 0 x 0 França (França 4 x 3 nos pênaltis); Alemanha 0 x 3 Croácia; Holanda 1 x 1 Brasil (Brasil 4 x 2 nos pênaltis); Croácia 1 x 2 França; Holanda 1 x 2 Croácia e França 3 x 0 Brasil.
CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1 – França; 2 – Brasil; 3 – Croácia; 4 – Holanda; 5 – Itália; 6 – Argentina. 7 – Alemanha; 8 – Dinamarca; 9 – Inglaterra; 10 - Iugoslávia; 11 – Romênia; 13 – Nigéria; 13 – México; 14 – Paraguai; 15 – Noruega; 16 – Chile; 17 – Espanha; 18 – Marrocos; 19 – Bélgica; 20 – Irã; 21 – Colômbia; 22 – Jamaica; 23 – Áustria; 24 – África do Sul; 25 – Camarões; 26 – Tunísia; 27 – Escócia; 28 – Arábia Saudita; 29 – Bulgária; 30 – Coréia do Sul; 31 – Japão; 32 – Estados Unidos.
O ROMANCE (DO BRSIL) DA COPA DO MUNDO - 18
Em 2002, canarinhos são penta e Ronaldo o artilheiro.
Para um Mundial promovido, conjuntamente, pela primeira vez, por dois países – Japão e Coreia do Sul – havia um clamor nacional, pela convocação de Romário, que era o principal goledor do Brasileirão. Mas a sua atitude, de pedir dispensa da Seleção, para fazer uma cirurgia nas pálpebras, e viajado, dias depois, para defender o Vasco, no México, irritou o técnico Luiz Felipe Scolari, que o riscou dos seus planos. Assim, depois de 1º de julho de 2001, quando o Brasil perdeu, por 0 x 1, do Uruguai, pelas Eliminatória da Copa, em Montevidéu, o Baixinho não mais foi convocado. Ficou foa de qutro jogos pela Copa América; de mais cinco, pelas Elimintórias e, ainda, de sete amistosos. Ele chorou, pediu desculpas ao treinador Luiz Felipe Scolari, mas não o comoveu.
Sem Romário e outro craque da época, Djalminha, não convocado, por dar uma cabeçada no treinador Javier Irureta, do espanhol La Coruña, a Seleção formou a “Família Scolari”, incluindo Ronaldo Fenômeno” (foto) e Rivaldo, que não estavam bem, fisicamente, mas tiveram o aval do médico José Luiz Runco, de que dariam conta do recado. Assim como nas vésperas da Copa-94, quando o zagueiro Ricrdo Gomes contundiu-se e foi cortado, sobrando a braçadeira de cpaitão para Dung, em 2002, o volante Emerson deslocou o ombro esquerdo, na vésperada da estreia, numa brincadeira, deixando seu posto para Cafu.
Em 3 de junho, os canarinhos iniciarama jornada do penta, penando muito para vencerem a Turquia, 2 x 1, no estádio Munsu, em Ulsan, na Coréia do Sul, diante de 33.842 pagantes e com arbitragem do sul-coreano Kim Young Joo. Os turcos abriram o placar, aos 46 minutos do primeiro tempo, por intermédio de Hasan. Ronaldo empatou, aos 4, do segundo tempo, se esticando todo para complementar um cruzamento, da esquerda, de Rivaldo. A virada saiu aos 31, quando Luizão arrancou para o gol, sofreu falta, de Ozalan, fora da área, e caiu dentro. O árbitro marcou pênalti, que Rivaldo cobrou.
BRASIL: Marcos; Lúcio, Edmílson e Roque Júnior; Cafu; Gilberto Silva, Juninho Paulista (Vampeta), Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho (Denílson) e Roberto Carlos; Ronaldo (Luizão). TURQUIA: Rustu; Korkmaz ( Manisiz), Akiel, Ozalan, Tugay (Erdem), Ozat, Emre, Unsal, Bastsruk (Davala), Sas e Sukur. Técnico: Senol Gunes.
No segundo jogo, em 8 de junho, a Seleção deu uma goleada, no fraco time da China, que disputava seu prijeiro Mundial. Foi no estádio Jeju, em Seogwipo, na Coréia do Sul, com 36.750 pagantes e apito do lsueco Anders Frisk. Aos 14 minutos, cobrando falta, Roberto Carlos abriu a porteira. Aos 31, Cafu cruzou, Du Wei cortou, sem dominar a bola, Ronaldinho Gaúcho ficou com a sobra e serviu Rivaldo, que aumentou o placar. Aos 45, os chineses fizeram pênalti, sobre o ”Fenômeno”, que o xará gaúcho converteu. A balaiada foi compeltada, aos 9 dosegundo tempo, com Cafu cruzando e o “Fenômeno” encaçapando.
BRASIL: Marcos; Lúcio, Roque Júnior e Anderson Polga; Cafu, Gilberto Silva, Juninho Paulista (Ricardinho), Ronaldinho Gaúcho (Denílson), Rivaldo e Roberto Carlos; Ronaldo (Edílson). CHINA: Jiang Jin; Xu Yulong, Du Wei, Li Weifeng, Wu Chengying, Li Tie, Li Xiaopeng, Zhao Junzhe, Qi Hong (Shao Jiayi), Ma Mingyu (Yang Pu), Hao Haidong (Qu Bo). Técnico: Bora Milutinovic.
NOVA GOLEADA – Em 13 de junho, a Seleção mandou uma outra goleada: 5 x 2 em cima da Costa Rica, jogando já classificado à segunda fase e poupando Roberto Carlos, com dores musculares. Entrou o baiano Júnior (ex-Vitória, Palmeiras, São Paulo e, atualmente, no Atlético-MG). Outra novidade foi o atacante Edílson, também baiano.
O Brasil abriu, fácil, três gols de frente, com Ronaldo “Fenômeno” (foto), aos 9 e os 12, e com Edmílson, aos 37 minutos do primeiro tempo, aplicando uma bonita meia-bicicleta, após lanbçamento de Ronaldinho Gaúcho. Detalhe: risorosamente, o primeiro gol foi de Marín, contra. Wanchope descontou, aos 38, e Gómez encostou os adversários no placar, aos 15, da fase final. Passados os descuidos, o Brasil liquidou a goleada, com Rivaldo, aos 16 finalizando cruzmento feito por Edílson, Júnior, aos 18, também, lançado por Edílson.
BRASIL: Marcos; Lúcio, Anderson Polga e Edmílson; Cafu, Gilberto Silva, Juninho Paulista (Ricardinho) e Rivaldo (Kaká); Edílson (Kleberson) e Ronaldo. COSTA RICA: Lonnis; Wright, Marin, Martinez (Parks), Wallace (Bryce), Solís (Fonseca), López, Castro, Centeno, Gómez e Wanchope. Técnico: Alexandre Guimarães.O jogo teve 38.524 pagantes, apito do egípcio Gamal Ghandour e um detalhe: Alexandre Guimarães tornou-se o primeiro brasileiro a enfrentar a Seleção, como jogador e treinador.
QUEIMARAM O DIABO – Em 17 de junho, os adversários, no estádio Asa, em Kobe, no Japão, eram os chamados “Diabos Vermelhos, da Bélgica. O jogo foi assitido por 40.440 pagantes e apitado pelo jamaicano Peter Prendergas.
A vitória brasielira, por 2 x 0, não foi fácil. Os belgas chegaram a marcar um gol, aos 35 minutos, mas o árbitro viu falta no lance, gerando muitas reclamações. No segundo tempo, o Brasil matou, com gols de Ruivaldo, aos 21, após passe aéreo, de Ronldinho Gaúcho, e matada de bola no peito, e com Ronaldo, aos 31, lançado por Kléberson, que fizera uma roubada de bola e arrancado, pela direita do ataque.
BRASIL: Mrcos; Lúcio, Edmílson e Roque Júnior; Cafu, Gilberto Silva, Juninho Paulista (Denílson), Ronaldinho Gaúcho (Kleberson), Rivaldo (Ricardinho) e Roberto Carlos; Ronaldo. BÉLGICA: De Vlieger; Peters (Sonck), Vanderhaeghe, Van Buyten, Van Kerchkoven, Simons, Walem, Goor, Wilmots, Verheyen e Mpenza. Técnico: Robert Waseige.
O Brasil saia para as quartas-de-final, em 21 de junho, no estádio Ecopa, em Shizuoka, no Japão. E foi num jogo decidido num gol chamado de “espírita”. Aos qutro minutos do segundo tempo, uma falta do lado direito do ataque brasileiro, derrubou o time inglês. Ronaldinho Gaúcho cobrou e a bola viajou pelo alto, até a gaveta direita do goleiro Seman, que estava adintado. Ronaldinho jura que o fez conscientemente, mas ficou a dúvida. O lance fora foi muito esquisito. Enfim, Brasil 2 x 1.
Jogando com camisas azuis, pelas quartas-de-final, os brasileiros sofreram o primeiro gol, numa falha horrorosa do zagueiro Lúcio, aos 22 minutos do primeiro tempo. Ao errar uma matada de bola, o zagueiro deu um presente a Owen, que não perdoou. Ainda no primeir tempo, aos 46, o Brasil empatou. Ronaldinho Gaúcho pedalou diante de Ashley Cole, na entrada da área, e tocou à sua esqueda para Rivaldo chutar e igualar. No segundo tempo, Ronaldinho foi expulso, bobamente, por uma entarda violenta, uma solada, sobre Mills
BRASIL: Marcos; Lúcio, Edmílson, Roque Júnior e Cafu; Gilberto Silva, Kléberson, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Roberto Carlos; Ronaldo (Edílson). INGLATERRA: Seaman; Mills, Ferdinand, Campbell, Cole (Sheringham), Butt, Scholes, Sinclair (Dyer), Beckham, Owen (Vassell) e Heskey. Técnico: Severn Goren. O mexicano Felipe de Jesús Ramos Rizo apitou a partida, que teve 47.436 pagantes.
‘REVENCENDO’ OS TURCOS – Brasil e Turquia voltaram a se encontrar, em 26 de junho. Foi no etádio Saitama, em Saitama, no Japão. Valia peals semifinais e a “Família Scolari” teve muito trabalho para vencer, por 1 x 0, com o gol marcado por Ronaoldo, aos quatro minutos do segundo tempo. Se bem que o time colocou o goleiro Rustu para trabalhar em conclusões de Cafu, Rivaldo e Ronaldo “Fenômeno”.
No lancer do gol, Gilberto Silva subiu no ataque e laçou Ronaldo, pela esquerda da área turca. O “Fenômeno” bateu de bico de chuteira, surpreendendo Rustu. Aos 22 minutos, o goelador, que havia lnçado um esquisito corfte de cabeço, apelidado de “Cascão”, igual ao de um persongem das histórias em quasdrinhos de Maurício de Sousa, cedeu sua vaga a Luizão. Aos 29, Edílson saiu, para Denílson segurar o jogo. E o Brasil “revenceu” os turcos, depois de 2 x 1 na estréia.
BRASIL: Marcos; Lúcio, Edmílson, Roque Júnior e Cafu; Gilberto Silva, Kléberson (Belletti), Rivaldo e Robrto Carlos; Edílson (Denílson (foto)) e Ronaldo (Luizão). TURQUIA: Rustu; Akyel, Korkmaz, Ozalan, Ergun, Tugay, Davala (Izzet), Emre (Mansiz), Basturk (Arif Erdem)m, Sas e Sakur. Técnico: Senol Gunes. O dinamarquês Kim Milton Nielsen apitou a partida, assistida por 61.058 pagantes, no mesmo local do compromisso anterior dos brasileiros.
PENTACAMPEÕES – Em 1958, o título fora conquistado em 29 de junho, no estádio Rasunda Solha, em Estocolmo, na Suécia. Em 1962, em 17 de junho, no Estádio Nacional, de Santiago do Chile. Em 1970, em 21 de junho, no Estádio Azteca, da Cidade do México. Em 1994, em 17 de julho, no Rose Bowl, em Pasadena, nos Estados Unidos. Em 2002, a festa rolou em 30 de junho, no Estádio Internacional, de Yokahoma, no Japão.
Era a terceira vez, consecutiva, que a Seleção Brasileira chegava à decisão. O adversário era a Alemanha, que não contaria com o seu principal astro, o suspenso Ballack. Os canarinho estiverma melhores na etapa inicial, mas só balançaram a rede na segunda fase. Mas foram os alemães, com seus canhões, quem assustaram primeiro, numa pegad de Neuville, que Marcos defendeu, com a bol chocndo-se contra sua baliza. Aos 11 minutos, porém, Ronaldo abriu o placar. Gilberto Silva o lançou, pela esquerda. O “Fenômeno” perdeu a bola e caiu. Levantou-se, insistiu no lance e a roubou, de Hamman, para lançar Rivaldo. Este chutou, o goleiro Kahn não seguou e Ronaldo pegou o rebote, fazendo 1 x 0.
Aos 38, novamente, o “Fenîomeno” liquidou com os alemães. Cafuj lançou Kléberson, que progrediu, pela direita, e lançou Rivaldo, na meia-lua da grande área alemã. Rivaldo tocou a bola para Ronaldo, que fechou a conta: Brsil 2 x 0. Ronaldo, que havia sofrido uma gravíssiam contusão, há dois anos, dava a volta por cima. Foi o principal artilheiro da disputa com 8 gols, igualando os 12 gols marcados por Pelé em Copas do Mundo – em 1996, tornou-se o maior goleador acumulado dos Mundiais, com 15 tentos, contra 14 do alemão Gerd Muller e 13 do francês Just Fontaine, que marcara 13 em uma mesma edição. No mais, depois de Bellini, Mauro, Carlos Alberto Torres e Dunga, foi só Cafu levantar taça do penta.
BRASIL: Marcos; Lúcio, Edmílson, Roqeu Júnior e Cafu; Gilberto Silva, Kléberson, Ronaldinho Gaúcho (Juninho Paulista), Rivaldo e Roberto Carlos; Ronaldlo (Denílson (foto). ALEMANHA: Kahn; Linke, Ramelow, Metzelder, Frings, Hamman, Jeremies (Asamoah), Schneider, Bode (Ziege), Neuville, Klose (Bierhoff). Técnico: Rudi Völler. A final foi apitada pelo italiano Pierluigi Collina e assistida por 69.029 pagantes.
TODOS OS RESULTADOS: Senegal 1 x França 0; Dinamarca 2 x Uruguai 1;França 0 x Uruguai 0; Senegal 1 x Dinamarca 1; Senegal 2 x Uruguai 3; Dinamarca 2 x França 0; Paraguai 2 x África do Sul 2; Espanha 3 x Eslovenia 1; Espanha 3 x Paraguai 1; África do Sul 1 x Eslovénia 0; Espanha 3 x África do Sul 2; Paraguai 3 x Eslovénia 1; BRASIL 2 x Turquia 1; Costa Rica 2 x China 0; BRASIL 4 x China 0; Costa Rica 1 x Turquia 1;Turquia 3 x China 0; BRASILl 5 x Costa Rica 2; Coréia do Sul 2 x Polônia 0; Estados Unidos 3 x Portugal 2; Coréia do Sul 1 x Estados Unidos 1; Portugal 4 x Polônia 0; Polônia 3 x Estados Unidos 1; Coréia do Sul 1 x Portugal 0; Irlanda 1 x Camarões 1; Alemanha 8 x Arábia Saudita 0; Alemanha 1 x Irlanda 1; Camarões 1 x Arábia Saudita 0; Irlanda 3 x Arábia Saudita 0; Alemanha 2 x Camarões 0; Argentina 1 x Nigéria 0; Inglaterra 1 x Suécia 1;Suécia 2 x Nigéria 1; Inglaterra 1 x Argentina 0; Suécia 1 x Argentina 1; Nigéria 0 x Inglaterra 0; México 1 x Croácia 0; Itália 2 x Equador 0; Croácia 2 x Itália 1; México 2 x Equador 1; México 1 x Itália 1; Equador 1 x Croácia 0; Japão 2 x Bélgica 2; Rússia 2 x Tunísia 0; Japão 1 x Rússia 0; Tunísia 1 x Bélgica 1; Japão 2 x Tunísia 0; Bélgica 3 x Rússia 2; Alemanha 1 x Paraguai 0; Inglaterra 3 x Dinamarca 0; Senegal 0 x Suécia 0 (Prorrogação, Senegal 1x0); Espanha 1 x Irlanda 1 (Prorrogação, 0x0. Pênaltis, Espanha 4x3); Estados Unidos 2 x México 0; BRASIL 2 x Bélgica 0; Turquia 1 x Japão 0; Coréia 1 x Itália 1 (Prorrogação, Coréia 1x0); BRASIL 2 x Inglaterra 1; Alemanha 1 x Estados Unidos 0; China 0 x Espanha 0. (Prorrogação, 0 x 0. Pênaltis, China 5x3); Turquia 0 x Senegal 0 (Prorrogação, Turquia 1x 0); Alemanha 1 x Coréia 0; BRASIL 1 x Turquia 0; Turquia 3 x Coréia do Sul 2 e BRASIL 2 x Alemanha 0.
CLSSIFICAÇÃO FINAL: 1 – BRASIL; 2 – Alemanh; 3 – Tuquia; 4 – Coréia do Sul; 5 – Espanha; 6 - Senegal; 7 – Inglaterra; 8 - Estados Unidos; 9 – Japão; 10 – Dinamarca; 11 – México; 12 – Irlanda; 13 – Suécia; 14 – Bélgica; 15 – Itália; 16 – Paraguai; 17 - África do Sul; 18 – Argentina; 19 – Costa Rica; 20 – Camarões; 21 – Portugal; 22 – Rússia; 23 – Croácia; 24 – Equador; 25 - Polônia; 26 – Uruguai; 27 – Nigéria; 28 – França; 29 – Tunísia; 30 – Eslovênia; 31 – China e 32 – Arábia Saudita.
Para um Mundial promovido, conjuntamente, pela primeira vez, por dois países – Japão e Coreia do Sul – havia um clamor nacional, pela convocação de Romário, que era o principal goledor do Brasileirão. Mas a sua atitude, de pedir dispensa da Seleção, para fazer uma cirurgia nas pálpebras, e viajado, dias depois, para defender o Vasco, no México, irritou o técnico Luiz Felipe Scolari, que o riscou dos seus planos. Assim, depois de 1º de julho de 2001, quando o Brasil perdeu, por 0 x 1, do Uruguai, pelas Eliminatória da Copa, em Montevidéu, o Baixinho não mais foi convocado. Ficou foa de qutro jogos pela Copa América; de mais cinco, pelas Elimintórias e, ainda, de sete amistosos. Ele chorou, pediu desculpas ao treinador Luiz Felipe Scolari, mas não o comoveu.
Sem Romário e outro craque da época, Djalminha, não convocado, por dar uma cabeçada no treinador Javier Irureta, do espanhol La Coruña, a Seleção formou a “Família Scolari”, incluindo Ronaldo Fenômeno” (foto) e Rivaldo, que não estavam bem, fisicamente, mas tiveram o aval do médico José Luiz Runco, de que dariam conta do recado. Assim como nas vésperas da Copa-94, quando o zagueiro Ricrdo Gomes contundiu-se e foi cortado, sobrando a braçadeira de cpaitão para Dung, em 2002, o volante Emerson deslocou o ombro esquerdo, na vésperada da estreia, numa brincadeira, deixando seu posto para Cafu.
Em 3 de junho, os canarinhos iniciarama jornada do penta, penando muito para vencerem a Turquia, 2 x 1, no estádio Munsu, em Ulsan, na Coréia do Sul, diante de 33.842 pagantes e com arbitragem do sul-coreano Kim Young Joo. Os turcos abriram o placar, aos 46 minutos do primeiro tempo, por intermédio de Hasan. Ronaldo empatou, aos 4, do segundo tempo, se esticando todo para complementar um cruzamento, da esquerda, de Rivaldo. A virada saiu aos 31, quando Luizão arrancou para o gol, sofreu falta, de Ozalan, fora da área, e caiu dentro. O árbitro marcou pênalti, que Rivaldo cobrou.
BRASIL: Marcos; Lúcio, Edmílson e Roque Júnior; Cafu; Gilberto Silva, Juninho Paulista (Vampeta), Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho (Denílson) e Roberto Carlos; Ronaldo (Luizão). TURQUIA: Rustu; Korkmaz ( Manisiz), Akiel, Ozalan, Tugay (Erdem), Ozat, Emre, Unsal, Bastsruk (Davala), Sas e Sukur. Técnico: Senol Gunes.
No segundo jogo, em 8 de junho, a Seleção deu uma goleada, no fraco time da China, que disputava seu prijeiro Mundial. Foi no estádio Jeju, em Seogwipo, na Coréia do Sul, com 36.750 pagantes e apito do lsueco Anders Frisk. Aos 14 minutos, cobrando falta, Roberto Carlos abriu a porteira. Aos 31, Cafu cruzou, Du Wei cortou, sem dominar a bola, Ronaldinho Gaúcho ficou com a sobra e serviu Rivaldo, que aumentou o placar. Aos 45, os chineses fizeram pênalti, sobre o ”Fenômeno”, que o xará gaúcho converteu. A balaiada foi compeltada, aos 9 dosegundo tempo, com Cafu cruzando e o “Fenômeno” encaçapando.
BRASIL: Marcos; Lúcio, Roque Júnior e Anderson Polga; Cafu, Gilberto Silva, Juninho Paulista (Ricardinho), Ronaldinho Gaúcho (Denílson), Rivaldo e Roberto Carlos; Ronaldo (Edílson). CHINA: Jiang Jin; Xu Yulong, Du Wei, Li Weifeng, Wu Chengying, Li Tie, Li Xiaopeng, Zhao Junzhe, Qi Hong (Shao Jiayi), Ma Mingyu (Yang Pu), Hao Haidong (Qu Bo). Técnico: Bora Milutinovic.
NOVA GOLEADA – Em 13 de junho, a Seleção mandou uma outra goleada: 5 x 2 em cima da Costa Rica, jogando já classificado à segunda fase e poupando Roberto Carlos, com dores musculares. Entrou o baiano Júnior (ex-Vitória, Palmeiras, São Paulo e, atualmente, no Atlético-MG). Outra novidade foi o atacante Edílson, também baiano.
O Brasil abriu, fácil, três gols de frente, com Ronaldo “Fenômeno” (foto), aos 9 e os 12, e com Edmílson, aos 37 minutos do primeiro tempo, aplicando uma bonita meia-bicicleta, após lanbçamento de Ronaldinho Gaúcho. Detalhe: risorosamente, o primeiro gol foi de Marín, contra. Wanchope descontou, aos 38, e Gómez encostou os adversários no placar, aos 15, da fase final. Passados os descuidos, o Brasil liquidou a goleada, com Rivaldo, aos 16 finalizando cruzmento feito por Edílson, Júnior, aos 18, também, lançado por Edílson.
BRASIL: Marcos; Lúcio, Anderson Polga e Edmílson; Cafu, Gilberto Silva, Juninho Paulista (Ricardinho) e Rivaldo (Kaká); Edílson (Kleberson) e Ronaldo. COSTA RICA: Lonnis; Wright, Marin, Martinez (Parks), Wallace (Bryce), Solís (Fonseca), López, Castro, Centeno, Gómez e Wanchope. Técnico: Alexandre Guimarães.O jogo teve 38.524 pagantes, apito do egípcio Gamal Ghandour e um detalhe: Alexandre Guimarães tornou-se o primeiro brasileiro a enfrentar a Seleção, como jogador e treinador.
QUEIMARAM O DIABO – Em 17 de junho, os adversários, no estádio Asa, em Kobe, no Japão, eram os chamados “Diabos Vermelhos, da Bélgica. O jogo foi assitido por 40.440 pagantes e apitado pelo jamaicano Peter Prendergas.
A vitória brasielira, por 2 x 0, não foi fácil. Os belgas chegaram a marcar um gol, aos 35 minutos, mas o árbitro viu falta no lance, gerando muitas reclamações. No segundo tempo, o Brasil matou, com gols de Ruivaldo, aos 21, após passe aéreo, de Ronldinho Gaúcho, e matada de bola no peito, e com Ronaldo, aos 31, lançado por Kléberson, que fizera uma roubada de bola e arrancado, pela direita do ataque.
BRASIL: Mrcos; Lúcio, Edmílson e Roque Júnior; Cafu, Gilberto Silva, Juninho Paulista (Denílson), Ronaldinho Gaúcho (Kleberson), Rivaldo (Ricardinho) e Roberto Carlos; Ronaldo. BÉLGICA: De Vlieger; Peters (Sonck), Vanderhaeghe, Van Buyten, Van Kerchkoven, Simons, Walem, Goor, Wilmots, Verheyen e Mpenza. Técnico: Robert Waseige.
O Brasil saia para as quartas-de-final, em 21 de junho, no estádio Ecopa, em Shizuoka, no Japão. E foi num jogo decidido num gol chamado de “espírita”. Aos qutro minutos do segundo tempo, uma falta do lado direito do ataque brasileiro, derrubou o time inglês. Ronaldinho Gaúcho cobrou e a bola viajou pelo alto, até a gaveta direita do goleiro Seman, que estava adintado. Ronaldinho jura que o fez conscientemente, mas ficou a dúvida. O lance fora foi muito esquisito. Enfim, Brasil 2 x 1.
Jogando com camisas azuis, pelas quartas-de-final, os brasileiros sofreram o primeiro gol, numa falha horrorosa do zagueiro Lúcio, aos 22 minutos do primeiro tempo. Ao errar uma matada de bola, o zagueiro deu um presente a Owen, que não perdoou. Ainda no primeir tempo, aos 46, o Brasil empatou. Ronaldinho Gaúcho pedalou diante de Ashley Cole, na entrada da área, e tocou à sua esqueda para Rivaldo chutar e igualar. No segundo tempo, Ronaldinho foi expulso, bobamente, por uma entarda violenta, uma solada, sobre Mills
BRASIL: Marcos; Lúcio, Edmílson, Roque Júnior e Cafu; Gilberto Silva, Kléberson, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Roberto Carlos; Ronaldo (Edílson). INGLATERRA: Seaman; Mills, Ferdinand, Campbell, Cole (Sheringham), Butt, Scholes, Sinclair (Dyer), Beckham, Owen (Vassell) e Heskey. Técnico: Severn Goren. O mexicano Felipe de Jesús Ramos Rizo apitou a partida, que teve 47.436 pagantes.
‘REVENCENDO’ OS TURCOS – Brasil e Turquia voltaram a se encontrar, em 26 de junho. Foi no etádio Saitama, em Saitama, no Japão. Valia peals semifinais e a “Família Scolari” teve muito trabalho para vencer, por 1 x 0, com o gol marcado por Ronaoldo, aos quatro minutos do segundo tempo. Se bem que o time colocou o goleiro Rustu para trabalhar em conclusões de Cafu, Rivaldo e Ronaldo “Fenômeno”.
No lancer do gol, Gilberto Silva subiu no ataque e laçou Ronaldo, pela esquerda da área turca. O “Fenômeno” bateu de bico de chuteira, surpreendendo Rustu. Aos 22 minutos, o goelador, que havia lnçado um esquisito corfte de cabeço, apelidado de “Cascão”, igual ao de um persongem das histórias em quasdrinhos de Maurício de Sousa, cedeu sua vaga a Luizão. Aos 29, Edílson saiu, para Denílson segurar o jogo. E o Brasil “revenceu” os turcos, depois de 2 x 1 na estréia.
BRASIL: Marcos; Lúcio, Edmílson, Roque Júnior e Cafu; Gilberto Silva, Kléberson (Belletti), Rivaldo e Robrto Carlos; Edílson (Denílson (foto)) e Ronaldo (Luizão). TURQUIA: Rustu; Akyel, Korkmaz, Ozalan, Ergun, Tugay, Davala (Izzet), Emre (Mansiz), Basturk (Arif Erdem)m, Sas e Sakur. Técnico: Senol Gunes. O dinamarquês Kim Milton Nielsen apitou a partida, assistida por 61.058 pagantes, no mesmo local do compromisso anterior dos brasileiros.
PENTACAMPEÕES – Em 1958, o título fora conquistado em 29 de junho, no estádio Rasunda Solha, em Estocolmo, na Suécia. Em 1962, em 17 de junho, no Estádio Nacional, de Santiago do Chile. Em 1970, em 21 de junho, no Estádio Azteca, da Cidade do México. Em 1994, em 17 de julho, no Rose Bowl, em Pasadena, nos Estados Unidos. Em 2002, a festa rolou em 30 de junho, no Estádio Internacional, de Yokahoma, no Japão.
Era a terceira vez, consecutiva, que a Seleção Brasileira chegava à decisão. O adversário era a Alemanha, que não contaria com o seu principal astro, o suspenso Ballack. Os canarinho estiverma melhores na etapa inicial, mas só balançaram a rede na segunda fase. Mas foram os alemães, com seus canhões, quem assustaram primeiro, numa pegad de Neuville, que Marcos defendeu, com a bol chocndo-se contra sua baliza. Aos 11 minutos, porém, Ronaldo abriu o placar. Gilberto Silva o lançou, pela esquerda. O “Fenômeno” perdeu a bola e caiu. Levantou-se, insistiu no lance e a roubou, de Hamman, para lançar Rivaldo. Este chutou, o goleiro Kahn não seguou e Ronaldo pegou o rebote, fazendo 1 x 0.
Aos 38, novamente, o “Fenîomeno” liquidou com os alemães. Cafuj lançou Kléberson, que progrediu, pela direita, e lançou Rivaldo, na meia-lua da grande área alemã. Rivaldo tocou a bola para Ronaldo, que fechou a conta: Brsil 2 x 0. Ronaldo, que havia sofrido uma gravíssiam contusão, há dois anos, dava a volta por cima. Foi o principal artilheiro da disputa com 8 gols, igualando os 12 gols marcados por Pelé em Copas do Mundo – em 1996, tornou-se o maior goleador acumulado dos Mundiais, com 15 tentos, contra 14 do alemão Gerd Muller e 13 do francês Just Fontaine, que marcara 13 em uma mesma edição. No mais, depois de Bellini, Mauro, Carlos Alberto Torres e Dunga, foi só Cafu levantar taça do penta.
BRASIL: Marcos; Lúcio, Edmílson, Roqeu Júnior e Cafu; Gilberto Silva, Kléberson, Ronaldinho Gaúcho (Juninho Paulista), Rivaldo e Roberto Carlos; Ronaldlo (Denílson (foto). ALEMANHA: Kahn; Linke, Ramelow, Metzelder, Frings, Hamman, Jeremies (Asamoah), Schneider, Bode (Ziege), Neuville, Klose (Bierhoff). Técnico: Rudi Völler. A final foi apitada pelo italiano Pierluigi Collina e assistida por 69.029 pagantes.
TODOS OS RESULTADOS: Senegal 1 x França 0; Dinamarca 2 x Uruguai 1;França 0 x Uruguai 0; Senegal 1 x Dinamarca 1; Senegal 2 x Uruguai 3; Dinamarca 2 x França 0; Paraguai 2 x África do Sul 2; Espanha 3 x Eslovenia 1; Espanha 3 x Paraguai 1; África do Sul 1 x Eslovénia 0; Espanha 3 x África do Sul 2; Paraguai 3 x Eslovénia 1; BRASIL 2 x Turquia 1; Costa Rica 2 x China 0; BRASIL 4 x China 0; Costa Rica 1 x Turquia 1;Turquia 3 x China 0; BRASILl 5 x Costa Rica 2; Coréia do Sul 2 x Polônia 0; Estados Unidos 3 x Portugal 2; Coréia do Sul 1 x Estados Unidos 1; Portugal 4 x Polônia 0; Polônia 3 x Estados Unidos 1; Coréia do Sul 1 x Portugal 0; Irlanda 1 x Camarões 1; Alemanha 8 x Arábia Saudita 0; Alemanha 1 x Irlanda 1; Camarões 1 x Arábia Saudita 0; Irlanda 3 x Arábia Saudita 0; Alemanha 2 x Camarões 0; Argentina 1 x Nigéria 0; Inglaterra 1 x Suécia 1;Suécia 2 x Nigéria 1; Inglaterra 1 x Argentina 0; Suécia 1 x Argentina 1; Nigéria 0 x Inglaterra 0; México 1 x Croácia 0; Itália 2 x Equador 0; Croácia 2 x Itália 1; México 2 x Equador 1; México 1 x Itália 1; Equador 1 x Croácia 0; Japão 2 x Bélgica 2; Rússia 2 x Tunísia 0; Japão 1 x Rússia 0; Tunísia 1 x Bélgica 1; Japão 2 x Tunísia 0; Bélgica 3 x Rússia 2; Alemanha 1 x Paraguai 0; Inglaterra 3 x Dinamarca 0; Senegal 0 x Suécia 0 (Prorrogação, Senegal 1x0); Espanha 1 x Irlanda 1 (Prorrogação, 0x0. Pênaltis, Espanha 4x3); Estados Unidos 2 x México 0; BRASIL 2 x Bélgica 0; Turquia 1 x Japão 0; Coréia 1 x Itália 1 (Prorrogação, Coréia 1x0); BRASIL 2 x Inglaterra 1; Alemanha 1 x Estados Unidos 0; China 0 x Espanha 0. (Prorrogação, 0 x 0. Pênaltis, China 5x3); Turquia 0 x Senegal 0 (Prorrogação, Turquia 1x 0); Alemanha 1 x Coréia 0; BRASIL 1 x Turquia 0; Turquia 3 x Coréia do Sul 2 e BRASIL 2 x Alemanha 0.
CLSSIFICAÇÃO FINAL: 1 – BRASIL; 2 – Alemanh; 3 – Tuquia; 4 – Coréia do Sul; 5 – Espanha; 6 - Senegal; 7 – Inglaterra; 8 - Estados Unidos; 9 – Japão; 10 – Dinamarca; 11 – México; 12 – Irlanda; 13 – Suécia; 14 – Bélgica; 15 – Itália; 16 – Paraguai; 17 - África do Sul; 18 – Argentina; 19 – Costa Rica; 20 – Camarões; 21 – Portugal; 22 – Rússia; 23 – Croácia; 24 – Equador; 25 - Polônia; 26 – Uruguai; 27 – Nigéria; 28 – França; 29 – Tunísia; 30 – Eslovênia; 31 – China e 32 – Arábia Saudita.
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